Contos de Ustrael – Cidade de Ballas (Capítulo 6)

A cena era no oceano de Kanszes.

Aos poucos…E de maneira lenta….Kaori foi abrindo os olhos.

“!”

Levou um susto pelo fato de estar sendo carregada as costas de alguém.

“Hu?Finalmente acordou, princesa?”

“Last…?”

“Estava passando por ali e a vi, então ainda continua com esses treinos loucos e sem sentido?Dessa vez passou mesmo dos seus limites, ficou sonsa, fechou os olhos e afundou no meio do mar, podia morrer afogada se não tivesse ninguém por perto, não seja tão irresponsável da próxima vez.”

“…”

Deu apenas um sorriso fraco.

“Sim, obrigada…”

Foi como o jovem bem disse, a herdeira de Kanzes treinava há duas horas interruptas dois golpes que exigem demais de seu corpo, se colocar na balança que ontem a noite teve um sparing realmente puxado com Ground que ainda faz seus membros estarem doloridos, o certo seria passar a manhã em repouso.

Porém…

Não.

Não conseguia.

O casamento estava cada dia ficando mais perto, tomou para si que jamais deve achar que sua força atual é boa o suficiente para lutar contra Perseus, mas é um fato que se encontra passando um pouco dos limites atualmente.

Last não é o nome deste garoto, o verdadeiro é Lastarus, sim, uma bela de uma porcaria segundo o detentor do que chamou de “maldição” de uma mãe.

Last é um jeito carinhoso que Kaori se refere a ele.

É um dos estudantes da academia de paladinos que existe na ilha três e em algumas outras, o jovem é um verdadeiro prodígio que dominou inúmeras técnicas avançadas de maneira veloz se tornando extremamente hábil na arte da espada e magia ao mesmo tempo.

Por seus resultados foi selecionado para entrar rapidamente no exército e realocado para a ilha principal.

Inclusive, como o guarda-costas de Kaori recentemente.

Por não estar trabalhando nesse momento vestia roupas casuais do verão infinito do país.

Possui cabelos dourados que caem até a orelha com belos olhos verdes.

18 anos e 1,80cm.

—–

Chegaram a margem da ilha e caminharam até o hotel que ficava ali perto construído em cima da própria água.

Como princesa, era apenas claro que não precisava pagar por nada, sendo assim, entraram sem problemas em um dos quartos.

Primeiro trocou as roupas molhadas pelo fato de ter naufragado, depois se sentou a cama enfaixando a canela.

Forçou demais uma postura e pareceu que o osso ia quebrar, era difícil andar e cada toque fazia parecer que se quebraria em mil pedaços.

“Você devia pensar mais em mim.”

“Hã?”

Olhou para frente e o viu cruzando os braços.

“Se a princesa morrer em um acidente de treino a cabeça do guarda-costas vai junto!Quem acha que ia te salvar naquela parte deserta do oceano se eu não estivesse te procurando há uns 40 minutos, heim???”

“Desculpe, desculpe!”

Essas palavras foram em um tom totalmente irônico sem um pingo de arrependimento, aliás, a própria pergunta de Lastarus foi uma ironia, a chance dela morrer afogada era 0.

“Por que não ligou pro meu celular???”

“Por que você não atendia!”

“Ah…Eu o esqueci mesmo no quarto…”

“IDIOTA!”

Mas…Agora sim.

Agora fez um olhar preocupado e se aproximou sentando na cadeira ao lado.

“Entendo o turbilhão de coisas que devem estar passando na sua mente neste momento por causa do casamento, mas saiba de algo, se forçar além de seus limites assim não vai melhorar nada, aliás…”

Cerrou os olhos.

“Por que está treinando tanto assim?Não parece que você quer simplesmente ficar mais forte do nada, QUER IMPRESSIONAR O PERSEUS, É?!”

“CLARO QUE NÃO!”

Obviamente que Lastarus não sabia a verdade dos eventos de 18 anos atrás, tinha para ele, tal como todo o povo do país, que a pessoa a sua frente era a filha de Órion.

Então…É apenas natural.

Nada anormal não entender por que se esforçar tanto assim nos treinos sendo que “não iria” se rebelar contra Perseus e nem traria bons resultados a curto prazo arriscando tanto assim a saúde.

Qual seu objetivo?

O que exatamente quer?

Foi pego em total curiosidade.

“Eu apenas…Tenho algo a provar para um certo alguém que vai estar aqui no casamento e-

Deu um grito e abaixou a cabeça.

O motivo?

Ele a socou.

“NOVAMENTE, IDIOTA!NÃO COLOQUE SUA SEGURANÇA EM RISCO POR ORGULHO!”

“Não é orgulho…!!!”

Pelo golpe repentino fez bico.

Mas…O deu um sorriso sincero.

“!”

Foi do nada.

Veio completamente do nada e fora pego de guarda totalmente baixa.

Injusto!

Não conseguiu encará-la e virou o rosto.

“Mas obrigada por se preocupar comigo, eu não posso te contar agora, mas vai entender em pouco tempo.”

“Entender, é?”

Fez um olhar reflexivo.

Kaori nunca foi orgulhosa.

Muito pelo contrário.

Se existe algo que não pode atingir sozinha…Pede ajuda e a aceita sem problema algum, nunca viu problema em depender dos outros para atingir lugares ao qual sozinha são inacessíveis.

Então…

Realmente não pode ser algo tão idiota como orgulho se nunca o teve.

Logo… Se está se esforçando tanto assim nesses treinos recentemente…A situação que iria ocorrer em breve realmente pedia esse esforço, certo?Sendo algo assim não pode culpá-la.

Na realidade ele sempre soube disso.

Apenas tentou fazer um jogo de palavras para Kaori dividir este problema com ele.

Pois não saber os problema que a garota que ama está passando é horrível.

Se sente um inútil por não ter força para fazer nada, queria fazer algo, qualquer coisa independente do que fosse, por que toda vez que pensa no dia em que provavelmente será entregue a Perseus…

Se sentia frustrado.

Completamente irado.

Queria ajudar e tinha vontade de gritar estes sentimentos a ela, mas…Não vai, ela não vai dizer nada, já podia ler essa resposta vendo a expressão da jovem.

Se fosse tão fácil já teria dito.

O paladino ergueu o braço o que a fez fechar os olhos achando que ia vim outro soco.

Mas…Tocou o ombro dela o que a fez levar um susto.

“Apenas não se esforce demais.”

“Sim…Obrigada por compreender.”

“Hu, você é bem injusta.”

“QUE FOI DESSA VEZ?!”

Olhou para cima, o notou fazer um olhar sério.

“Tendo me escolhido em meio a tantos outros com esse casamento marcado, hu, não sabe como me sinto por só poder ficar olhando.”

“Ah…”

O sentimento de amor era recíproco.

Mesmo antes de Lastarus ser movido a ilha principal, enquanto ainda estava em formação na ilha três…Ele e Kaori sempre andavam juntos até que evoluiu a algo maior recentemente.

Mas…

O casamento impedia de realmente terem planos futuros.

A ordem de momento, por enquanto, era aproveitar estes dias e vê o que o futuro aguardava.

“Ei, Last.”

“Hum?”

Ela disse.

Falou claramente.

“Meu irmão está vindo chutar a bunda do Perseus.”

Sim.

Porém…Falou em outro idioma, um que Lastarus não era nem um pouco fluente.

“…”

“…”

“FALE EM UM QUE EU POSSA ENTENDER!”

“Acredite!Quando você entender o que eu acabei de falar, vai mudar tudo, MAS NÃO USE NENHUM TRADUTOR!”

“POR QUE!?Ah, olha aqui, dane-se você!”

Ficou em pé caminhando até a porta, saiu e fechou com força fazendo o cômodo tremer

Ela deu uma risada.

“(Onde você vai????)”

“(Não sei!)”

Foi por telepatia.

Kaori levou a mão até os dedos do pé e começou a se alongar, a pressão não devia demorar tanto tempo a passar a partir de agora.

Se jogou de cabeça no travesseiro e olhou para a direita vendo o oceano.

Estava animado.

Banhistas nadando, praticando snorkel e outros esportes, lanchas, navios….

O mar de Kanszes era extremamente vivo.

O conhecido “tráfego oceânico”.

Uma das coisas que estava treinando era…Usar o elemento de gelo, ao qual, é o mais compatível a ela buscando atingir a maior temperatura negativa possível que para todos os átomos, e, para tal era necessário usar a Unlimiteds.

A usando, pode ir aos extremos de qualquer elemento que existe no planeta.

Mas não era fácil.Dominar esses extremos que tem a porta aberta pela unlimiteds força demais o corpo.

E logicamente não fora isso que quase quebrou sua perna.

E sim um golpe que estava criando.

Apenas suspirou.

Com certeza não ficará pronto em apenas três meses.

“Isso é difícil…”

Levantou o punho na direção do teto.

“Mas bem…”

Fechou os olhos.

“Eu vou ter que ir para Ballas amanhã negociar com o Rei, é melhor que paremos por aqui.”

“Hu!”

Ele voltou.

Só o percebeu quando o “viu” jogar uma garrafa de suco em sua direção que agarrou por puro reflexo.

“Termos que dar apoio a esse futuro aliado idiota que não pode resolver seus próprios problemas, é um tanto problemático.”

A situação de Ballas no momento…É complicada.

Olhando de fora…

Não entendia.

Nenhum dos dois podia ver o que teriam a ganhar se aliando a um país com tantas dificuldades ao qual nem mesmo de Rank-5 é.

Mas sem duvidas tinham um poder militar imenso, apesar disso.

A intenção de Adeko era clara.

Está escancarada.

Negociar um tratado que vise o melhor para Kanszes quando terminarem de ajudar Ballas com seus problemas.

Negociar um tratado que vise o melhor para Kanszes.

Sim.

Isso está em suas mãos.

“Meu tio sempre faz tudo pelo país e dificilmente tem uma visão errada sobre qualquer coisa ao redor, e se você quer mesmo saber…”

“Hã?”

“Está bem claro que ele quer que eu negocie com o Rei, e nesse tratado…Uma brecha seja aberta para uma traição e tomar tudo depois.”

“Ho?”

Deu uma risada.

Era realmente algo típico de Adeko por outras atitudes basicamente idênticas.

“Mas eu posso entender, por trás dessa tirania e desejo de proteger Kanszes acima de tudo..Ele não quer deixar tudo que seu pai protegeu se perder.”

“(Meu “”pai””, né?)”

“Você só se tornou um paladino por causa do “meu pai”, né?”

“Não só a mim, Órion foi uma inspiração para todas as crianças de Kanszes, quando alguém nos diz o que ele fez não tem como não querer proteger este país com todas as nossas forças, hu, se certifique que quando for a primeira rainha que comandará este país, ter a mesma influencia do seu pai, tio, e os outros.”

“Rainha, é?”

Não.

Não tinha o que rebater no momento.

Apenas esperar…O destino de todo o país seria decidido em três meses.

Até lá…Não tem outra escolha se não arcar com os títulos que possui.

“Ah, sim, isso era o por que estava lhe procurando.”

“Hã?”

Jogou uma pequena caixa de presente na cama ao lado dela, ficou em pé e a segurou.

“Estava destinado a você, me pediram para entregar.”

“Um presente…?”

Desconhecido.

Só tinha o seu nome e não constava o remetente.

Bem…É estranho.

Com certeza.

E por tal hesitou um pouco, mas decidiu abrir.

“!!!!!!!!!!!”

“KAORI????”

O olhar dela se abalou.

Ira.

Um ódio que corrompeu cada célula em seu corpo.

Era a cura.

A cura do androgênesis mandada por Perseus com uma mensagem.

“Para minha noiva preferida.”

“Vá pro inferno…!!!!!!”

Isso foi uma clara provocação.

Pegou a seringa ao qual continha o soro, e então…A jogou no chão o despedaçando!

“KAORI!?”

—–

Kai e Lumia haviam alugado um quarto de hotel.

E ela se sentia mal enquanto o ex-príncipe ainda estava rindo, ele usou a manipulação de Ki…Para criar dinheiro falso.

Pegaram um quarto cinco estrelas do melhor hotel da cidade de graça.

“Qual o problema, bruxa?”

Estava deitado ao sofá.

“Qual o problema…?Me diga, Kai, como você vive sua vida até hoje?Enganando todo mundo assim, é?”

“Cada um faz o que pode para sobreviver.”

“O que pode, é?”

Não parece muito.

Ela é uma maga de nível extremamente alto.

Então é apenas natural que note algumas coisas.

A energia vital dele está fraca.

Terrivelmente fraca.

Não iria demorar muito para chegar a 0 em alguns anos e morrer.

Seria algum tipo de maldição?

Não queria se intrometer na vida dele e perguntar, mas…Visto que disse que iria ajudá-la mesmo quando viu ser enganado queria tentar fazer algo para retribuir o favor.

Lumia é talentosa.

O suficiente para destruir o androgênesis caso venha a se focar nisso.

Porém, ao menos por enquanto não falaria nada.

Se ele não quer dizer, mesmo sabendo que poderia ajudá-lo, pois com certeza já sabe a essa altura, é bem claro que não queria ninguém envolvido.

Mas, terminando o que vão fazer em Ballas.

Iria tocar no assunto se nada for dito.

—–

Uma cachoeira estava desaguando neste local.

Tomando banho nela…Havia um homem que se encontrava de olhos fechados meditando.

Devagar…Os abriu.

Pegou a lança ao lado, a girou e atacou!

Mudou por alguns segundos o fluxo da água a fazendo subir para cima.

E então…Voltou a cair normalmente.

Era o Rei de Ballas.

“Daichi.”

Ao escutar ser chamando, se virou para a direita.

Um soldado se aproximou.

“A princesa de Kanszes chegará em pouco tempo.”

“Ah?”

Sorriu.

“Entendo, obrigado pelo aviso.”

—–

Um navio cruzava o oceano.

Era aquele que levaria Kaori e Lastarus até Ballas,saíram as três da manhã e mesmo o navio se movendo a mach 2 iriam demorar 12 horas para chegar a seu destino.

Sim, a distancia entre os países é enorme.

Kaori estava apoiada nas grades olhando o oceano ao mesmo tempo que usava fones de ouvido.

Calma.

Se encontra aparentemente calma demais para quem até ontem praticava ao espelho como se portar.

E isso foi percebido pelo paladino que parou ao lado.

“Está bem calma, não é?”

Deu uma risada.

“Não, nem um pouco, só tento transparecer.”

“Ho?Ao menos pode blefar para o Daichi com essas expressões falsas, você pode ser uma boa manipuladora se quiser.”

“…Pelo o que meu tio disse…Tentar mentir para aquele homem é um suicídio.”

—–

Kai e Lumia chegaram em Ballas.

A cidade era em completo estilo medieval com as casas tendo em sua maioria de dois a três andares.

Um rio cruzava ela por inteiro em formatos aleatórios ao qual pontes ligavam uma parte da cidade a outra.

Também existiam pontes longas para o percurso.

Inúmeras praças eram presentes que no total superavam trinta onde o comércio de tudo que existia era feito.

Tal como estradas em todos os lugares visando a melhor locomoção de carros, motos, caminhões, etc…

A natureza também é bem presente tendo bastantes arbustos e árvores pelos locais fazendo diferentes espécies de pássaros estarem ao redor.

Ele olhou para a direita e cerrou os olhos, viu um panfleto na parede anunciando a chegada da princesa de Kanszes.

Kai não ficou surpreso.

Nem um pouco.

Já sabia a alguns dias que Kaori viria.

“Qual o problema?”

“Hun?”

Lumia andava alguns passos a frente e o viu ficar para trás.

“Ah?Você?Um gênio que ontem fez o teste e deu mais de 200 pontos de QI perdido em pensamentos por causa dessa Kaori?”

Sorriu.

“Vai dizer que logo você é daqueles garotos que tem nas princesas suas ídolos sendo que nenhuma delas sabe da sua existência?”

“Lumia.”

Conseguiu notar alguma irritação.

“Eu já avisei para não ler minha mente.”

“É algo passivo para poder me antecipar a ataques, só que a sua está uma bagunça tão grande que os pensamentos simplesmente explodiram na minha cabeça e-

Parou.

Perdeu a voz.

O motivo?

Kai sorriu.

A segurou pelo queixo e aproximaram o rosto.

Estão perto.

Muito perto.

Perto até demais.

“Se você quiser saber do meu drama, com certeza vai se apaixonar.”

“!”

Corou e o empurrou para trás.

“O QUE ACHA QUE ESTÁ FAZENDO?!”

“Hu, isso foi uma reação bem fofin-

Dor.

Pareceu que algo segurou…Segurou e apertou forte seu coração.

Colocou os joelhos no solo e bateu a cabeça.

“E…KAI???”

E apareceu.

Ou melhor.

Desapareceu.

O que fez a bruxa arregalar os olhos ao ver a energia vital ao redor de Kai…Simplesmente diminuiu de modo assustador.

Ele forçou um sorriso.

Sabia muito bem o por que disso acontecer.

“(A Kaori…Chegou, é!?)”

—–

Exatamente.

O navio atracou no porto.

Ela sentiu a mesma coisa.

Só que…Não.Não foi fraqueza.

Por absorver a energia vital de Kai…Se sentiu mais forte, um súbito ganho de força surgiu que até mesmo a fez se sentir bem.

“…”

“Kaori?”

“Hã??”

Lastarus chamou a atenção alguns passos a frente, nem tinha percebido que instintivamente parou de caminhar.

“Houve algo?”

Balançou a cabeça negativamente.

Nem ela saberia explicar o que sentiu, correu até ele e começaram a descer as escadas.

Um soldado bebia cerveja sentado a um barril, escutou alguns passos e teve sua atenção para a direita onde viu a dupla.

Era aquele responsável por recepcioná-los.

Jogou a lata para a esquerda, tocou o solo e fora se aproximando.

Esticou os braços.

“Bem vindos, amantes da praia!”

Os soldados de Kanszes entraram em formação.

Atrás da princesa e do cavaleiro formaram cinco fileiras de seis homens cada.

Era um membro dos pressa negra, um dos clãs mais poderosos deste continente.

Ele é negro e seu corpo é musculoso.

Até demais.

De tal modo que academia alguma e muito menos treino poderia lhe dar este físico dos Deuses.

Os cabelos, tal como as sobrancelhas são completamente brancos e arrepiados, indo pelo menos 20 centímetros para cima.

NT: No verdadeiro estilo de um Super Sayajin.

Usava um colar de cruz, duas munhequeiras brancas longas até o cotovelo e uma bermuda que batia nos joelhos.

Seu olhar passava uma confiança extrema e possui um intimidar natural com seus 1,96cm e 24 anos.

“Bem vindos a Ballas, eu, o grande Heavy estava esperando, e você, boy, tire a mão da espada, eu não mordo, as vezes.”

Exatamente.

Lastarus por impulso estava prestes a retirá-la em uma ação de defesa.

Deu uma risada sem graça.

“Desculpe ,mas…Você possui um certo intimidar.”

“É bom saber disso!”

Ela deu alguns passos a frente e parou a três metros do pressa negra.

“Eu sou a princesa de Kanszes, Kaori Kanszes Lancelot.”

Fechou os olhos fazendo uma referência.

“É um prazer.”

“Pare com as formalidades para alguém como eu!”

A deu um tapa nas costas o que a fez gritar e cair ajoelhada.

“Epa, não era para ser tão forte!Mas seja mais informal!Estamos entre amigos aqui.”

De um sorriso sem graça.

“….S..Sim..”

Mas…Então era este homem, certo?

Heavy…

“(O braço direito do Daichi, né?)”

“Vamos.”

Esticou o braço para a direita.

Uma limousine se encontra ali na estrada.

“Eu vou levá-los ao boss.”

—–

Kai estava sentado na praça com um olhar abalado.

Era apenas o natural.

A distancia que fazia o androgênesis não se ativar…Foi quebrada.

Lumia usou incontáveis magias de cura.

Mas…Completamente inúteis.

Como bem esperava, essa “maldição” era complexa e não poderia curá-lo do dia para noite.

Antes de tudo teria que saber o que estava causando os efeitos e estudar durante um tempo indeterminado o que poderia fazer.

Envolvia a Kaori?

Afinal…Ele não parava de pensar nela desde que chegaram em Ballas, e agora isso acontece.

Se os dois tem mesmo alguma relação…Era isso que o estava ferindo?

Gritos.

Olharam para a direita, a fonte de onde vieram.

E o motivo era claro.

Daichi passava a pé no meio da rua sendo cumprimentado por todos.

Possui realmente uma aparência imponente.

Seus longos cabelos negros caem até um pouco abaixo dos ombros.

Vermelho.

Seus olhos eram vermelhos e profundos como sangue, trajava uma longa capa imperial azul que balançava ao vento junto a roupas bem nobres.

Carrega consigo sua arma característica.

Uma lança de três metros nas costas maior que o próprio.

Tem 26 anos e 1,85cm.

Só passava uma única imagem.

Invencível.

O ar que todo Rei é obrigado a colocar nas pessoas.

“Eu já escutei histórias daquele homem.”

Kai a encarou.

“É engraçado…Perdeu tudo nas mãos desse país, vivia em um clã nas planícies que sempre produziu inúmeros guerreiros para este reino, e todos eram de elite protagonizando verdadeiros milagres nas guerras, por causa disso, o Rei escolheu nunca interferir visto que podia fazê-los “perder” o que os tornava tão especiais, então as tradições foram mantidas durante todo o tempo que existiram, mas…”

Ballas no passado vivia uma crise.

Era terrível.

E mesmo até hoje não a conseguiram superar.

O clã sempre teve sua existência escondida para que as forças inimigas não tentasse um ataque as escondidas.

Mas…Espiões de outros reinos existem dentro de Ballas assim como em qualquer outro lugar.

O clã…Foi descoberto.

Um ataque seria armado ali, raptariam todos e usariam sua força contra o próprio país.

Pelas péssimas condições daquele ano, era impossível.Simplesmente impossível colocar todos dentro do país e fazer a migração.

Então…Explodiram tudo.

O único sobrevivente foi Daichi.

Kai cerrou os olhos.

“Um plebeu órfão jogado no lixo que ascendeu ao posto mais alto possível dentro de um império, realmente o admiro por ter entendido que a vida de milhões de pessoas valiam mais do que as de sua família e hoje coloca sua força sobre esta bandeira em vez de jurar vingança, é um jeito condenável de se pensar?Pode ser, mas o mais correto em tempos como esse quando analisa a situação matando suas emoções.”

Colocou a mão no joelho e ficou em pé.

Alguns metros a frente de Daichi…Heavy, Kaori e Lastarus estavam ali.

Sim.

Kai a viu.

Mas…Se virou na direção de Lumia.

“Vamos, temos que ir até a biblioteca, não é?”

“Como você está?”

“Hum?A mesma porcaria, não há nada que possa ser feito por enquanto.”

Kaori olhou para a direita.

Também viu.

Fora capaz de ver ambos andando para frente.

Uma sensação nostálgica a preencheu.

Suas pernas…Iriam se mover sozinhas para correr atrás mas fora impedida.

Daichi parou a frente e sorriu.

“É um prazer a tê-la no meu país, filha do herói, Kaori Kanszes.”

“….Igualmente.”

—–

Estavam dentro do quarto de um hotel que fora preparado para esse encontro.

A esquerda…Daichi e Heavy.

A direita….Kaori e Lastarus.

As duplas se encontravam sentadas aos sofás.

O Rei sorriu.

“Eu posso ver a ansiedade em seus olhos e este silêncio faz as batidas do seu coração serem audíveis aos meus sentidos, está com medo?Por que?”

“…”

Como Adeko bem disse, seria impossível mentir ou blefar perante este homem por ser alguém que consegue ler através de qualquer tipo de expressão seja real ou não…

Apenas fechou os olhos dando um sorriso.

“É nervosismo, eu nunca participei de qualquer tipo de negociação antes, e a “estréia” é logo com um Rei, e tem mais, seu olhar é bem penetrante, sabia?”

“Oh, por que revelou que é sua primeira vez?Pode ser fácil manipulá-la.”

“Você não vai tentar.”

“E por que?”

“Por que?É facilmente perceptível pela  sua situação nesse país, é amado por esse povo vide a recepção e se realmente não estivesse disposto a lutar por esse pessoal já poderia ter feito um acordo com a “outra parte” para mudar de lado, aliás, isso é inútil, o fato de ter aceitado lutar por este lugar após o que aconteceu na sua infância entrega o quanto ama Ballas, e claro…”

Cerrou os olhos.

“O mais importante de tudo, a ultima coisa que pode tentar fazer é sair por cima em negociação de aliança e ver a ajuda indo embora.”

Sim.

Exatamente.

A situação de Ballas é complicada.

Se existe mesmo um país disposto a prestar reforços, jamais deveria deixar a ajuda ir embora, mesmo sendo amadora…Qualquer um iria perceber quando o outro lado está “passando dos limites” em uma negociação.

“Essa garota é astuta.”

Só conseguiu pensar nisso.

E sorriu.

Não deveria ser enganado por aparências, foi excelente saber disso antes de começarem pois se tentasse levar a conversa para um lado favorável…

Iria sair sem nada.

“(Ou…Este homem apenas quis ter uma noção da minha intuição com essa pergunta?)”

Também podia ser uma verdade, a pergunta talvez desde o inicio foi uma pegadinha para descobrir com base na resposta o tipo de pessoa que negociaria.

“Nada mal, vejo que fez bem o dever de casa antes de vir aqui conversar comigo e pesquisou algumas coisas a respeito da situação deste solo, muito bem, eu quero uma aliança com Kanszes para retornar Zwuan.”

Zwuan…

É a cidade que faz fronteira com a capital de Ballas que está sobe ataques da “outra parte”, e se a perderem..O caminho para esta cidade capital do reino estaria aberto.

“E também sei de algo, pelo jeito Adeko já fez os primeiros contatos com Calibri e nada os impediria de fazer uma aliança com eles e os ajudarem a dominar este país, é realmente a decisão mais fácil, mas não seria nada vantajoso ajudá-los em vez do nosso lado, segredos, tesouros, heranças, terras mais fortes, estão todas aqui, ficar do lado deles é só perder homens e destruir o tesouro que poderiam colocar as mãos.”

Calibri…

No começo era apenas mais uma cidade dentro do reino de Ballas, mas de maneira secreta e silenciosa fez várias contatos com reinos de outros continentes e foi aos poucos crescendo, crescendo e crescendo.

Hoje domina 40% do país.

Ballas foi dividido em dois e vivem uma forte crise interna.

A deu um sorriso desafiante.

“Mas claro, vocês também tem coisas a ganhar, faça sua proposta.”

“…”

Ela sabia.

Sabia muito bem das riquezas deste país.

O conhecimento extremamente vasto que adquiriu do continente pelos livros que Adeko a faz ler até agora eram para momentos como esse.

Mas…Simplesmente…

Deu branco.

Por ser sua primeira vez parecia que estava em uma prova e as respostas sumiram de sua mente.

Sorriu assustada.

“(E agora…?)”

Mas…Começou a se acalmar e raciocinar.

Vide algo que tinha a seu favor.

Daichi não estava em posição de recusar quase nada.

Sim.

Lembrou de algo.

Com certeza seria o que Adeko iria propor em troca.

“O mar de Estrael.”

Daichi apenas sorriu.

Não tinha outra coisa para ser pedida.

 

—–

No teto de uma das casas…Havia uma pessoa ali de braços cruzados.

O vento batia confortavelmente em seus cabelos os fazendo dançar.

Foi mandado diretamente por Prometheus.

Sentiu a presença de Destroyer neste local.

Veio recuperá-lo.

“Na direção da biblioteca, é?”

As coisas definitivamente…Irão ficar agitadas.

Habitantes do Cosmos – Artemísia – (Volume 1: Capítulo 1)

Capítulo 1

 

Então em seu peito, Hermes Mensageiro Argifonte

mentiras, sedutoras palavras e dissimulada conduta

forjou, por desígnios do baritonante Zeus. Fala

o arauto dos deuses aí pôs e a esta mulher chamou

Pandora, porque todos os que têm Olímpia morada

deram-lhe um dom, um mal aos homens que comem pão.

 

(Hesíodo – Os Trabalhos e os Dias; v. 77 — 82)

 

 

LEMBRANÇAS

 

Sentada sobre uma rocha, uma mulher mantém seu olhar fixo no horizonte. O vento do deserto acaricia seus cabelos negros. Sua respiração é quase imperceptível. Ela fecha os olhos e se lembra de uma briga com seu pai quando tinha dez anos.

 

 

— Vá brincar no jardim. — Uma mulher diz à filha, com semblante triste.

— Sim, mamãe.

A menina segue pelo largo corredor que dá acesso ao jardim e à sala sagrada da casa. Ela vê o pai saindo da sala, mas percebe que a porta não havia se fechado totalmente. Ela poderia ter avisado ao pai, ou simplesmente ter ignorado o fato e seguido para o jardim, mas algo parecia chamar-lhe para dentro. Quando percebe que o pai desapareceu, no final do corredor, ela entra.

Um frio intenso quase paralisa a menina, era medo de ser pega. Seus olhos apreciam, admirados, toda a beleza que há ali, e quando observa bem ao centro, vê a bela espada ancestral. Ela corre para perto da espada, suspensa sobre um sol dourado cravado no chão. Os olhos da menina brilham e a lâmina da espada parece refletir a luz de sua alma. Como se estivesse em transe, ela ousa empunhar a espada com as duas mãos; nesse momento seu pai entra na sala, furioso. Ele toma a espada bruscamente, bate no rosto da menina e a pega com força pelos ombros, sacudindo-a e proferindo sandices aos berros, então conclui:

— Como ousa profanar o salão das armas com sua presença imunda? Você é uma mulher, jamais deve tocar nessas armas; você nunca poderá usar uma espada como essa; é a espada de meus ancestrais. Você me desonrou com sua imprudência e sua desobediência.

O pai a tira da sala puxada pelos cabelos. Perto da porta, no corredor, alguns criados, a mãe e suas damas esperavam pelos dois. O pai joga a menina aos pés da mãe.

— Veja, mulher; sua filha não recebeu a devida educação. A culpa é sua. — A mãe ouve tudo de cabeça baixa. — Por não ter educado direito essa menina, agora não terei mais a bênção de meus ancestrais. Esta família cairá em desgraça.

— Peço perdão, meu senhor. Cuidarei de castigá-la.

— Castigos agora seriam tardios demais. O mal já está feito. Tenho uma reunião com o Conselho, quando voltar decidirei o que será feito de vocês. Que nenhum dos presentes comente o ocorrido com mais ninguém. Se essa história chega aos ouvidos do Conselho, a menina será sacrificada. Tal desonra é punida com a morte, como todos aqui bem sabem. — O pai olha com ódio para a menina. — Talvez, no seu caso, seria mais sensato entregá-la ao Conselho.

Após o pai sair, a mãe vai chorando para o seu quarto. A menina continua no chão, sozinha, com o olhar fixo, quase morto. Rangendo os dentes de ódio, fica ali por um tempo, com seu choro sem lágrimas.

 

 

— Artemísia, o mestre a espera. — Um jovem discípulo diz.

Artemísia abre os olhos e retorna para o deserto. Seu olhar agora contempla o horizonte vermelho de Marte. Ela se levanta e segue em direção ao templo.

— Bela Artemísia, seja bem-vinda! — O mestre do templo diz.

— Obrigada por me receber, mestre.

— Não me chame assim; por enquanto, para você, continuo sendo apenas Andyrá. Você sabe que para recebê-la como discípula há provas pelas quais precisa passar.

— Sim. Eu sei.

— Venha. Vou lhe mostrar o seu quarto. Descanse um pouco da viagem, depois conversamos.

Artemísia não se sentia cansada. Pretendia passar logo pelas tais provas e ser admitida no templo de Andyrá, mas sabia que não adiantaria argumentar com um dos sábios mais antigos de Apolo. Ela ficou no quarto meditando até que sua presença fosse solicitada novamente.

O clã de Artemísia seguia costumes tão antigos quanto os tempos. Quando Artemísia nasceu, a humanidade já havia superado vários tipos de preconceitos, dentre eles, os preconceitos relacionados ao gênero e à expressão da sexualidade. A ciência já havia evoluído ao ponto de provar que a sexualidade humana variava em cada indivíduo, assim como a tonalidade da pele, a cor dos olhos, a textura dos cabelos, etc. Os seres humanos não se dividiam mais em grupos marcados pela sexualidade. Os dois gêneros, masculino e feminino, conviviam naturalmente, sem vantagens ou desvantagens sociais por se pertencer a um gênero específico, mesmo porque, àquela altura, o gênero de nascimento poderia ser alterado em qualquer fase da vida, se essa fosse a vontade do indivíduo.

As questões que envolviam o gênero e a expressão da sexualidade já haviam perdido o sentido há séculos para a população do sistema solar Apolo, exceto para o clã de Artemísia. O Clã Nômade, como ficou conhecido por séculos, insistia em preservar conceitos primitivos sobre a existência humana e com isso também preservavam costumes e uma organização social extremamente primitivos.

Quando a humanidade ainda habitava a Terra, o Clã tentou várias vezes constituir uma nação autônoma, mas o Governo Mundial nunca permitiu, pois considerava um retrocesso para a humanidade que tal sociedade se estabelecesse. Enquanto nação reconhecida mundialmente, o Clã Nômade poderia influenciar sociedades menores, podendo um dia se mostrar um poder contrário ao Governo, o que seria um problema, pois geraria guerras e instabilidade. Assim, o Clã sobreviveu por séculos como um grupo mal visto pelos demais, tendo que migrar de tempos em tempos para que não sucumbisse ao desprezo de seus vizinhos, com os quais sempre entrava em conflito.

Após o grande desastre, que expulsou de vez a humanidade do planeta Terra, o Clã foi diminuído a um pequeno grupo de poucas centenas de indivíduos. Esse grupo, diante do desespero, se tornou mais fanático com suas crenças e seus costumes, pois entendeu que disso dependeria a sobrevivência do Clã. Foi nessa época que definiram seu código sagrado de leis e costumes, e a pena de morte foi estabelecida para aqueles que descumprissem as principais regras do grupo.

Desesperados e determinados, os homens do Clã se tornaram guerreiros ainda mais temidos do que seus ancestrais. Extremamente impiedosos e primitivos, seu exército era sempre solicitado para resolver conflitos em todo o sistema Apolo. O Clã Nômade havia se tornado um exército de mercenários e, assim, ao longo dos tempos, foi prosperando.

Os primeiros habitantes de Vênus pertenciam a um grupo formado por cientistas, engenheiros e arquitetos. Conseguiram em pouco tempo transformar o planeta hostil em um lar. Mas a humanidade nessa época estava desesperada. A Terra já não era mais uma opção de sobrevivência e encontrar corpos celestes que pudessem abrigar a vida humana era também razão para guerras pelo direito de ali viver.

Cansados de serem invadidos constantemente, e sem habilidades bélicas suficientes para se defender dos invasores, os venusianos contrataram os serviços do Clã, mas com uma oferta que seria irrecusável para eles. Após uma decisão do Conselho, os venusianos pretendiam oferecer ao Clã metade do planeta, com a condição de que os guerreiros nômades cuidassem para sempre da segurança de Vênus. O Clã entendeu a oferta como um presente dos deuses e, como honravam sempre seus compromissos, nunca tentaram tomar o planeta para si. Em Vênus o Clã prosperou. Ali se isolaram do resto do sistema solar, preservando seu pensamento primitivo e suas ideias insanas. Nenhuma mulher tinha permissão para sair de sua nação; não podiam sequer cruzar a fronteira para o lado dos venusianos originais. A punição para quem descumprisse essa lei, é claro, era a morte.

Um dos discípulos de Andyrá bate à porta do quarto.

— O mestre a aguarda no jardim principal.

Artemísia segue o jovem até o portão que leva ao jardim principal. Andyrá está sentado sob a sombra de uma bela árvore, contemplando os gansos se movendo lentamente sobre o lago. Com um semblante sereno, quase preguiçoso, ele faz sinal para que Artemísia sente-se ao seu lado. Ela obedece.

— Então, você tem trinta anos e nasceu na Terra, certo? — Andyrá pergunta, em tom de brincadeira.

— Não brinque comigo… Sei que se há alguém em Apolo que conhece a minha verdadeira história, esse alguém é você; o Sábio Oculto.

— Sim, minha querida, eu conheço a sua história. Sei mais do que imagina e mais do que você mesma sabe.

— Sei o suficiente, e muitas vezes gostaria de não me lembrar de nada.

Andyrá olha dentro dos olhos de Artemísia.

— Agora compreendo porque Hikari lhe pediu que me procurasse.

— O mestre Hikari se arrependeu de me admitir como discípula. Falou que só seria meu mestre novamente se eu fosse admitida por você e recebesse a sua indicação para continuar meus estudos.

O Mais Antigo dos Sábios nunca erra. — Andyrá comenta.

— Quando começam as provas?

— Elas começaram quando você saiu pela porta do templo de Hikari.

— Da cabana?

— Sim.

— E como vou saber se estou passando nos testes se nem mesmo sei o que é um teste?

— Desde que você nasceu está passando por testes todos os dias. O caminho que sua Alma decidiu trilhar está cheio deles, o tempo todo. Mesmo nas situações aparentemente insignificantes você é levada a fazer escolhas. Para saber se passou em um teste desse tipo, basta observar o seu caminho, o seu propósito na vida. Se você sente que está se aproximando do seu objetivo, então você passou em um teste; mas se sente que está retrocedendo e se afastando do seu objetivo, saiba que foi reprovada em um teste e talvez tenha que começar tudo novamente.

— Nem ao menos sei o que minha alma escolheu.

— Bela menina, se você não soubesse, certamente não estaria aqui. Acalme a sua mente e o seu coração, somente assim terá consciência das respostas que tanto busca. — Andyrá diz. Artemísia respira fundo e se cala. Ela sente que suas palavras seriam impróprias naquele momento. — Veja este templo. Um belíssimo Oasis neste vasto deserto. Foi construído pelo pai do meu mestre e deixado aos meus cuidados após sua morte. Toda essa beleza foi idealizada por um único homem, mas construída através do trabalho de vários seres humanos; homens e mulheres. Quando eu era apenas um discípulo, sentia que aqui era o meu lar, o meu lugar, mas desde que me tornei o mestre do templo, sinto que preciso construir o meu próprio templo. Agora me responda, como posso ter certeza de que o correto seria mesmo construir outro templo ao invés de cuidar do templo que meu mestre confiou a mim?

Temendo que se tratasse de um teste, Artemísia pensa bastante antes de responder.

— O correto não seria honrar a vontade de seu mestre?

— Isso foi uma pergunta, minha jovem?

— Não sei.

— Então só me responda quando tiver segurança suficiente para fazer uma afirmação.

— Me desculpe.

— Não se desculpe, me dê uma resposta; mas antes, pense mais um pouco, busque em seu coração uma resposta sincera. Não pense no que eu gostaria de ouvir de você, não imagine que se trate de um teste e que exista uma resposta correta. Simplesmente se coloque na situação que indiquei e me diga o que você faria se estivesse no meu lugar.

— Tudo bem.

Uma leve brisa gera ondas na superfície do lago. Artemísia consegue se ver na situação que Andyrá propôs e encontra uma resposta.

— O correto é você construir seu próprio templo. Este templo é uma extensão da Alma do pai do seu mestre, ele representa em cada detalhe tudo que ele pôde compreender neste mundo. Tudo aqui conta a história dele, assim, esse “chamado” que você ouve, indicando que um novo templo deve ser construído, é na verdade a sua Alma lhe indicando que necessita contar a sua própria história. Não acredito que seu mestre se oporia a tal feito.

— Eis uma resposta digna de uma discípula de Hikari.

Artemísia sorri.

— Então, você vai construir um novo templo?

— Já estou construindo. Se tudo correr bem, um dia te levo para ver a obra.

— E este templo, o que será feito dele?

— Isso não cabe a mim decidir. Agora vou deixá-la aqui no jardim. Aprecie o pôr do sol. Sem testes no momento, você está livre para ir aonde quiser.

— Obrigada, Andyrá; mas isso também é um teste, certo?

Andyrá sorri e segue rumo ao portão.

Artemísia olha um pouco ao redor, mas não espera o pôr do sol. Ela decide conhecer melhor o templo, a “extensão da alma” do pai do mestre de Andyrá.

No salão principal havia vários quadros indicando o que cada sala representava. Artemísia escolhe visitar o salão que contava a história do templo.

Mestre Ybytuura … Então esse homem foi o idealizador do templo! — Artemísia aprecia um quadro com a representação artística do mestre, depois busca nos arquivos digitais o holograma com o histórico dele.

Artemísia passa horas analisando a história e a filosofia daquele lugar. Depois se dedica a contemplar os quadros, verdadeiros trabalhos artísticos executados pelos discípulos que por ali passaram. Um deles lhe prende a atenção. Era uma bela mulher, com olhar firme e determinado, postura de guerreira destemida. A mulher trajava roupas escuras, aparentemente de couro, traje bem primitivo, mas só destacava a nobreza dela. Os olhos de Artemísia brilhavam enquanto observava cada detalhe daquela mulher. Em baixo, em uma espécie de placa de metal, havia algo escrito em caracteres desconhecidos. Artemísia aciona seu bracelete dourado, um dispositivo desenvolvido por Hikari, presente do seu antigo mestre.

— Identificar idioma e tradução.

Em uma projeção holográfica ela lê as respostas: “GREGO DO PERÍODO HELENÍSTICO. ARTEMÍSIA”.

Artemísia sorri e sente um calor percorrendo todo o seu corpo. Sentia-se como se estivesse acabando de nascer. Nos olhos daquela mulher, Artemísia reconheceu a si mesma.

— Vejo que você encontrou minha singela contribuição para a galeria do templo. —Andyrá diz, enquanto se aproxima da venusiana. Ela então olha para ele, que logo percebe algo diferente em sua face.

— Você é o autor dessa obra?

— Sim.

— Quem é ela?

— E isso importa?

— Talvez.

— Essa mulher viveu em uma época muito distante da nossa. Naquele tempo, o patriarcado dominava praticamente todas as culturas espalhadas pela Terra. Essa mulher foi uma guerreira em todos os sentidos dessa palavra. Superou as dificuldades de ter nascido um ser humano do gênero feminino em um momento em que a humanidade desprezava tal gênero e o submetia a todo tipo de humilhação que se possa imaginar. Mesmo assim, ela foi forte e vitoriosa. Liderou exércitos e conquistou a confiança e a admiração de um grande rei. Sua essência parece resistir ao tempo.

Artemísia volta seu olhar para o quadro.

— Olhando pra ela, não vejo uma feminista que venceu a opressão do machismo, seria uma interpretação medíocre.

— E o que você vê?

— Vejo um ser humano que superou seus limites.

— Hum… Então você compreendeu bem a mensagem que essa pintura carrega. O primeiro nome que pensei em dar à obra foi “Superação”, mas não quis limitar a interpretação do observador. Mas vamos, menina… O jantar já está sendo servido.

Atravessando os corredores do templo, ao lado de Andyrá, Artemísia permanece calada. Os dois passam pelo portão que dá acesso ao jardim. Ela vê ao longe a árvore em que esteve há algumas horas, sentada junto de Andyrá, lembra-se da conversa. Artemísia para de uma vez. Andyrá percebe que ela deseja falar-lhe algo.

— O que foi?

— Andyrá; quando meu mestre Hikari me disse para procurá-lo, falou que eu precisava aprender algumas lições com você, antes de retomar meus estudos com ele. Sinto que tais lições já foram aprendidas.

— Seja mais objetiva, minha jovem. — Andyrá diz, com um sorriso sereno no rosto.

— Sinto que o caminho da sabedoria não é o meu caminho. Olhando seus discípulos meditando pelo templo, vendo suas faces serenas e celestiais, senti que não há identificação por parte da minha alma com esses futuros mestres. Mas quando olhei o quadro que você pintou, senti meu sangue pulsando em minhas veias.

— Você é exatamente como Hikari a descreve. Uma joia rara. Sua Alma tem um caminho longo a seguir, cheio de perigos, mas há muita força em você. E se engana quando diz que o caminho da sabedoria não é o seu. É exatamente o caminho da sabedoria que você busca, mas antes de segui-lo é necessário que você aprenda a controlar todo esse ódio, essa mágoa e essa paixão que você traz em seu peito.

— Vou construir o meu próprio templo.

— Sim. Mas antes que ele fique pronto, você ainda encontrará outros mestres.

— Não serei mais discípula, senão de mim mesma.

— É o que todos nós somos, minha querida. Nossos mestres não passam de espelhos. No momento, o espelho que você deve buscar está na Terra. Mas venha, vamos jantar. Quando se sentir pronta para partir, terá tudo que precisa levar.

Artemísia se sente feliz, mas não sabe direito explicar por quê.

 

O MESTRE

 

Artemísia está carregando uma pequena bagagem nas costas; ela está caminhando entre as pessoas em um porto de uma cidade flutuante na Terra, ainda sem saber aonde ir. Quando desce as escadas do prédio portuário, que estão do lado de fora, ela olha para o alto e vê, através da cúpula transparente, um céu com nuvens nervosas; era mais um dia de chuva ácida naquela região.

Nuvens Negras… Adoro esses bons presságios. — Artemísia comenta, de forma sarcástica. Ela sorri, enche os pulmões com o ar artificial da cidade e segue seu caminho ainda sem rumo.

De repente, uma cena chama a atenção da guerreira. Do outro lado da rua, em uma praça, uma garotinha brinca de mercenária com outras crianças. A garotinha empunha uma espada de brinquedo e, com atitude selvagem, acaba machucando três crianças, dois meninos e uma menina. As outras duas crianças, uma menina e um menino, estão no time da garotinha da espada. Os perdedores saem chorando. Artemísia observa a brincadeira até o fim.

— Cenas impossíveis de se ver no lado negro de Vênus! — Artemísia comenta e suspira enquanto sente uma mistura de nostalgia e alívio devido às lembranças de seu planeta natal.

Ao perceber que a moça estava distraída, um garoto controla um pequeno drone que rouba a bagagem dela. Artemísia se assusta, mas derruba o drone com uma flecha de seu arco de energia, depois se aproxima do drone que está destruído no chão. Ela se abaixa e pega seus pertences, então o garotinho aparece, irritado.

— Por que você fez isso? Esse drone foi um presente da minha avó.

Artemísia olha curiosa para o garotinho.

— Então ele não devia estar por aí roubando as coisas dos outros. Teve o que mereceu. — Artemísia diz, em tom descontraído. Ela ri da situação e segue em frente.

— Moça! Ainda não terminei. Não vire as costas pra mim.

Artemísia para, pensa em dizer uns desaforos para o garoto insolente, mas só balança a cabeça, sorrindo, e continua seguindo em frente.

O garoto corre e fica parado na frente dela.

— Quero outro drone.

Artemísia já estava se preparando para bater no garoto, então uma mulher, que parecia ter aproximadamente uns 40 anos, se aproxima.

— Por favor, desculpe o atrevimento desse menino. Já tentamos de tudo, mas ainda não conseguimos consertar um bug em sua programação.

Artemísia entende que o garoto é um humanoide.

— Ele lhe pertence?

— Sim. Já está na família há três gerações. Foi construído por meu bisavô; por isso temos muito apreço por ele. Mas o velho não era bom programador. — A mulher sorri. — Sou Yuki. — A mulher estende a mão.

— Artemísia. — Artemísia diz, hesita um pouco, mas acaba cumprimentando Yuki.

— O que te traz à Terra, Artemísia?

— Ainda não sei.

— Você tem para onde ir?

— Talvez.

— Está na hora do chá, uma tradição antiga na minha família; se quiser nos fazer companhia, sinta-se bem-vinda!

— Acho que um chá me faria bem no momento. — Artemísia sorri e segue Yuki e o garotinho humanoide marrento.

Na casa de Yuki, todos estão sentados à mesa. Era uma família muito unida e alegre. Após o chá, algumas pessoas recolhem os talheres.

— Fique à vontade Artemísia. Vi que você se interessou por nosso jardim, pode explorá-lo como quiser. — Yuki diz amavelmente.

Artemísia agradece a gentileza e segue para o jardim. Era muito comum as casas construídas nas cidades flutuantes manterem seus jardins particulares. A flora na Terra já parecia alienígena para os humanos, e muitas das plantas que ali existiam eram tóxicas para a humanidade, mas eles haviam conseguido preservar a flora dos tempos em que a Terra ainda os acolhia como filhos, e os jardins haviam se tornado um recanto sagrado, não só nas cidades flutuantes da Terra, mas em cada canto do Sistema Apolo onde os humanos insistiam em sobreviver.

Caminhando pelo jardim, Artemísia percebe ao longe uma mulher fazendo leves movimentos, como se fosse uma espécie de dança em câmera lenta. Ela observa um tempo, então a mulher percebe a atenção que Artemísia estava lhe dando. Sem alterar seus movimentos ela olha para Artemísia e monta um sorriso de boas-vindas. Artemísia se aproxima da mulher.

Quando Artemísia já está bem próxima, a mulher para, com o corpo reto, junta as mãos e faz um sinal de reverência ao Sol. Então sua atenção se volta para Artemísia.

— Bem-vinda nobre guerreira! Eu a aguardava.

Artemísia sorri.

— Andyrá…

— Sim, ele me veio em um sonho e me avisou que você estava a caminho. — A bela mulher diz. Artemísia a observa, um pouco constrangida.

— Me desculpe, mas não posso ser sua discípula.

A mulher olha para Artemísia como se estivesse lendo cada célula em seu corpo.

— Percebo que a decepcionei. Parece que você não esperava encontrar uma figura feminina como mestre.

— Peço desculpas, mas não me identifico com mulheres, pois os exemplos que tive em minha infância são execráveis. Seres submissos, fúteis, fracos e extremamente infelizes. Conheci mulheres diferentes, fora do meu povo, mas as referências da infância ainda se sobressaem. No Clã, os homens representam força, coragem, determinação; mas ao mesmo tempo que o machismo lhes garante uma nobreza aparente, também os impede de superar os seus defeitos, lhes condenando a uma existência presa à ignorância, esse é o preço que pagam por perpetuar uma ilusão patética. Sem a couraça do machismo, aqueles homens não passam de meninos inseguros, bebês chorões; e as mulheres nunca se esforçaram muito pra mudar isso, são cúmplices da ignorância e das fraquezas do meu povo.

— Compreendo.

— Isso também é um teste, certo?

A mulher sorri.

— Você é nossa convidada; fique o quanto precisar.

— Artemísia agradece.

A mulher já estava de saída, então para e, sem virar o corpo, olha para trás e diz:

— A propósito, sou Itá. Acredito que a pequena queda d’água lhe ajudará a refrescar seus pensamentos. — Itá diz e segue rumo à porta da casa, que dá acesso ao jardim.

Artemísia fica pensativa, o fato de seu novo mestre ser uma mulher lhe tirou totalmente a motivação para ficar na Terra. Ela pensa em desistir e ir embora dali mesmo, mas algo lhe impede.

— A viagem foi longa, acho que um mergulho me faria bem. — Artemísia pensa alto, enquanto segue para a pequena cachoeira do jardim.

A pequena queda d’água vinha de uma pedra grande, e alimentava um lago de tamanho médio, que era uma espécie de piscina. Artemísia se despe e pula na água. Em seu mergulho, percebe algo dourado ao pé da pedra grande. Ela nada até o objeto e vê que se tratava de uma inscrição em ouro. Era uma língua extinta, mas não muito antiga. Artemísia a conhecia e conseguiu decifrá-la. “EMPURRE”.

Artemísia empurra a inscrição e uma porta se abre. Ela nada para dentro. A porta se fecha. Artemísia segue até um local onde pôde emergir e encontra um pequeno pátio, dentro de uma caverna iluminada por luzes artificiais. Logo em frente há um portal, todo enfeitado com imagens, que parecem uma espécie de escrita totalmente desconhecida para Artemísia. Ela atravessa o portal e chega até uma bela sala, com o chão coberto por um piso de pedra branca, liso, as paredes estão cheias de desenhos em alto relevo, quadros e demais objetos de arte.

Artemísia caminha pela sala, e quando olha à sua esquerda, vê ao fundo um objeto suspenso sobre uma pequena estátua de mulher, segurando um vaso do qual caía água. Esse objeto chama sua atenção; Artemísia vai até ele.

Na estátua há uma inscrição, na mesma língua da inscrição encontrada no lado de fora. Artemísia traduz a inscrição: “NOSSA HISTÓRIA”.

O objeto parece um amuleto, mas é um projetor de hologramas. Artemísia o pega e aciona o equipamento, que cai no chão e projeta uma história, contada através de imagens e de uma narração.

No início, não havia homem ou mulher, somente a humanidade, sem distinção de gênero. Um dia isso mudou, e o que era um só se torna dois. Homem e Mulher, agora precisavam conviver e perpetuar a raça que habitava a Terra. Mas a humanidade, que já havia se corrompido há um tempo, não sabia lidar muito bem com as diferenças, e as mulheres entenderam que por manterem em seus corpos o dom da reprodução, seriam superiores aos homens.

Os homens sentiram-se traídos pela Natureza, pois seus corpos estavam incompletos, tornando-os totalmente dependentes da mulher para gerar seus descendentes. Nesse tempo, ambos possuíam a mesma força, os mesmos costumes, a mesma essência; mas a mulher se impôs, aproveitando o complexo de inferioridade e dependência no qual o homem foi jogado. Assim, os homens foram subjugados por séculos, sendo obrigados a viver sob o sistema rígido do matriarcado, que transformava as fêmeas humanas em verdadeiras divindades, que exigiam culto dos homens.

Mas a Terra tremeu, sacudiu e jogou pelo chão toda a organização artificial humana. Muitos morreram, sobrando uma humanidade atormentada pelo medo e pela fome. As orações antigas já não resolviam, nem mesmo os antigos sacrifícios eram aceitos pelos deuses. Sozinha, em meio à escassez, a humanidade precisava sobreviver, e uma nova organização estava surgindo.

O corpo da mulher, que já era considerado sagrado, tornou-se mais importante ainda; pois dele dependia a perpetuação da humanidade. Mas exatamente por ser tão importante, o útero tomou o lugar da mulher; pois somente ele importava. Aos homens foram dadas as tarefas mais duras. Eles deviam lutar pela sobrevivência do grupo. Assim, os homens caçavam, enfrentavam perigos extremos atravessando ambientes hostis atrás de alimentos e ainda precisavam defender as mulheres dos ataques de outros homens, pois quanto maior o número de fêmeas em um clã, mais descendentes estavam garantidos, isso implicava em mais guerreiros, caçadores e coletores; e era isso que tornava um clã forte.

A princípio, homens e mulheres aceitaram essa nova organização social, pois a sobrevivência do grupo dependia disso; nesse contexto, somente mulheres que não geravam filhos podiam executar tarefas perigosas, as outras deviam permanecer em seus acampamentos, gerando e cuidando dos descendentes do Clã. Com o tempo, essa forma de vida deixou as mulheres mais fracas, pois se dedicavam somente a trabalhos leves, não exercitavam seus corpos correndo de perigos e nem condicionavam suas mentes para enfrentar os riscos impostos pela sobrevivência; se tornaram dependentes dos homens, pois ao permanecerem nos acampamentos, sendo vigiadas e protegidas por eles, o medo encontrou um lugar seguro em seus corações, desde então a mulher deixa de ser uma divindade e os papeis sociais são invertidos; mas agora, a mulher perde até mesmo a sua humanidade, se tornando um animal procriador sem outra razão para existir. Assim surge o patriarcado.

Os olhos de Artemísia se enchem de lágrimas e ela não consegue ver mais. Desliga o equipamento, senta-se no chão e, encolhida, chora sem parar; como uma criança que acabou de perder a mãe.

 

O SOL E A LUA

 

— Bom dia Artemísia! — Yuki diz.

— Bom dia.

— Sirva-se à vontade!

Yuki está sentada à mesa, com sua família. Todos tomam o café da manhã no clima de confraternização de sempre. Artemísia se junta a eles.

— Itá não se levantou ainda? — Artemísia pergunta.

Todos se olham como se a pergunta não fizesse sentido.

— Itá?

— Sim. Conversamos ontem no jardim, mas não a vi depois disso.

— Itá não mora mais aqui. Desde que encontrou seu mestre, Itá deixou esta casa; mas sempre que precisamos ela aparece. Ela foi construída por ancestrais nossos, há várias gerações. — Yuki explica.

— Itá é uma ginoide?

— Sim; a melhor que já vi. Em nossa família sempre existiram engenheiros muito bons, mas nenhum se compara às gêmeas que criaram Itá. Ela é perfeita em todos os aspectos, desde sua mecânica até sua programação. Cada detalhe de Itá foi minuciosamente trabalhado pelas gêmeas. Ao observá-la, é difícil até para um especialista identificar que Itá não é um ser humano, mas sim um humanoide. Mesmo porque, Itá é muito mais humana do que a maioria de nós.

Artemísia fica pensativa.

— Onde posso encontrá-la?

— Nunca sabemos.

Um homem entra na sala carregando um jarro.

— Vocês estão falando sobre Itá?

— Sim.

— Ela deixou um recado para a nossa hóspede.

O homem tira um pequeno cartão transparente do bolso e entrega para Artemísia.

— Me desculpe, mas parece que ela escreveu em uma língua muito antiga; não sei traduzi-lo.

Artemísia lê o cartão, pressionando-o.

— Obrigada!

Artemísia se levanta e vai até o quarto onde dormiu. Ela arruma seus pertences e segue até a sala do café, novamente.

— Sou grata pela hospitalidade. Preciso ir.

— Foi um prazer recebê-la, Artemísia. Você será sempre bem-vinda aqui. — Yuki diz, se levanta e dá um abraço em Artemísia. Elas se despedem e a venusiana segue seu caminho.

No cartão estava descrita a localização de Itá, e um aviso. “SÓ ME PROCURE NA CONDIÇÃO DE DISCÍPULA”.

Artemísia segue para o porto da cidade.

— Atlântida. — Artemísia diz ao humanoide no guichê. Ele entrega o cartão de passagem para ela.

— Portão 7.

Artemísia pega o cartão. Ela sente um peso enorme no peito. Sua mente não consegue raciocinar direito; ela só sabe que deve procurar Itá. Velhas mágoas precisavam ser curadas, e Itá parecia ter o remédio.

Em Atlântida estavam as Matrizes mais antigas, nas quais ainda eram construídos humanoides. Era lá também que o androide mais antigo estava. Huxley, o guru humanoide, sempre recebia muitas visitas, tanto de humanos quanto de humanoides; o que fazia de Atlântida um continente com ares de misticismo, um misticismo quântico digital. Foi Huxley que indicou a Itá o seu mestre, e previu que ela despertaria uma consciência além da compreensão humana e humanoide.

“PROCURE HUXLEY”, era uma das indicações no cartão que Itá deixou para Artemísia.

Devido à fama de Huxley, não foi difícil para Artemísia encontrá-lo na Matriz mais antiga da Terra. O humanoide ancião, com sua energia diferenciada, estava pronto para indicar um caminho para a venusiana, filha do Clã.

— Pode seguir até o fim do corredor à esquerda. — O recepcionista indica o caminho na Matriz.

Artemísia segue um longo e escuro corredor. Sem que ela entenda por que, seu coração bate acelerado; suas mãos começam a suar frio. Ela sente pânico, e o pânico vai aumentando à medida que ela vai caminhando em direção ao fim do corredor. Uma força estranha parece querer impedi-la de seguir em frente, mas ela luta contra o medo, contra as vozes que sopram em seu ouvido: “desista”. Ela precisava arrancar aquele peso do peito, e decidiu que nada a faria recuar.

Quase sem forças, e muito ofegante, Artemísia chega até a porta. Ela hesita antes de abri-la; então uma voz a convida.

— Entre. Tenho o que você procura.

A porta se abre e ela vê Huxley. Ele está sentado sobre um tapete em que se vê o desenho da lua. Seus olhos estão fechados, como se estivesse em transe. Sem que sua boca se mecha, ele diz.

— Olhando para o seu lado esquerdo você encontrará água. Olhando para o seu lado direito, você também encontrará água. Você pode beber o quanto quiser.

Artemísia olha para o lado direito e depois para o lado esquerdo. Ela precisava muito de um pouco d’água, pois a adrenalina liberada pelo pânico havia lhe deixado sedenta, e ela precisava recuperar suas forças. Artemísia segue para o lado direito, mas quando tenta beber da fonte, percebe que não há água. Ela procura algum dispositivo para que a água flua, mas não encontra nada. Então ela vai até o lado esquerdo, e encontra a mesma situação.

— Mais um teste. — Artemísia diz em voz baixa, desanimada. Huxley continua sua meditação.

Artemísia olha pela sala e vê no chão, no meio do caminho entre as duas fontes, um símbolo da Lua e do Sol, cada um ocupando uma metade do círculo que forma a figura. Ela vai até a figura e pisa no meio, mas nada acontece. Ela pisa com a ponta do pé na figura da Lua, e a água flui na fonte do lado esquerdo. Artemísia então pode saciar sua sede.

Artemísia bebe a água e sente-se melhor. Ela se aproxima de Huxley, que abre os olhos e faz sinal para que se sente diante dele.

— Agora que você descobriu como beber a água da fonte, e que pode escolher o lado do qual quer beber; está pronta para encontrar seu novo mestre. No centro de Atlântida há uma montanha, no meio do deserto; é um lugar de difícil acesso, mesmo para humanoides, mas seu coração a guiará. Itá a espera.

Huxley se levanta e deixa a sala. Artemísia resolve meditar um pouco, antes de partir.

Fora das cidades flutuantes, os humanos necessitam de roupas e equipamentos especiais para transitar na Terra. Os trajes são pesados e tornam uma caminhada pequena muito desgastante. A temperatura no deserto é insuportável, mesmo dentro dos trajes especiais, mas Artemísia estava decidida, precisava encontrar Itá. Em uma cidade humanoide ela aluga um veículo para atravessar o deserto.

— Atravessar esse deserto é muito perigoso. — Um humanoide diz, de trás do balcão.

— Eu sei. — Artemísia responde.

O comerciante entrega os códigos de comando do veículo para Artemísia. O veículo a espera na entrada do deserto, que é marcada com um portal.

Artemísia entra com as coordenadas da montanha e o veículo segue. Sua vida passa em sua mente como um filme. Ela se lembra da infância, sem amor, sem liberdade. Lembra-se da solidão e do medo que sentiu quando sua mãe morreu após serem raptadas em Vênus. De repente, um animal enorme, que parecia feito de aço, atropela o veículo, que gira por uns instantes e bate em uma pedra grande. Artemísia desmaia.

 

 

— Senhora, o Senhor está a caminho; está com olhar furioso e dois guardas do Conselho o acompanham.

A criada avisa à mãe de Artemísia, que está deitada em sua cama, melancólica devido ao ocorrido na sala das armas. Artemísia está sentada no chão, perto da cama da mãe. A mãe de Artemísia se levanta assustada e olha para a filha.

— Vieram te buscar. — A mãe da menina diz, assustada. Artemísia não se meche.

A porta se abre bruscamente, era o pai da menina com os guardas. Ele entra furioso e, enquanto se aproxima de Artemísia, três homens vestidos de preto entram pelas janelas do quarto. Eram guerreiros mercenários, mas não pertenciam ao Clã. O pai de Artemísia se assusta, então começam a lutar com suas espadas. Os guardas do Conselho correm para ajudá-lo. As mulheres gritam e choram desesperadamente. Artemísia continua imóvel.

Em meio à luta, um dos mercenários pega a menina, a joga sobre o ombro e sai pela janela. A mãe vê tudo e não consegue falar nada, estava apavorada. Os dois homens matam um dos guardas e ferem o pai de Artemísia na perna e nos braços, ele cai no chão aos gritos, então um dos homens de preto também sequestra a mãe de Artemísia enquanto o outro luta com o guarda que estava vivo. Quando o homem sai pela janela com a mãe da menina, o outro mercenário empurra o guarda no chão e também sai pela janela. Do lado de fora, um veículo o esperava, com os outros dois mercenários, uma mulher que guiava o veículo, Artemísia e sua mãe. O guarda corre até a janela, mas só consegue ver o veículo já distante, que desaparece em alta velocidade. Artemísia continua indiferente. Sua mãe está desesperada.

— O que querem de nós?

— Somos mercenários, minha senhora. Não se preocupe, nos pagarão muito bem por vocês, não iremos machucá-las. — Diz um dos mercenários enquanto tira a máscara que cobria seu rosto. Era um belo rapaz com sorriso cativante.

— Isso é um sequestro?

— Sim. — Diz uma mulher que também está tirando a máscara. — Digam adeus ao seu lar antigo. Agora vocês serão cidadãs do lado alegre de Vênus. Deveriam nos agradecer.

— Não conseguiremos passar pelos portões. — Artemísia diz, friamente.

— Vejam só, a bonequinha fala. Não se preocupe, não somos amadores, doce criança. — O belo mercenário diz. Artemísia lança um olhar cheio de ódio para o mercenário sorridente.

O veículo faz uma manobra no ar, então desce até o portão principal. O espaço aéreo do Clã era bem vigiado, qualquer nave ou veículo flutuante que tentasse atravessar, sem permissão, os limites de suas fronteiras era abatido imediatamente.

Um guarda confere os códigos do veículo. Todos possuíam identidade liberada, com códigos venusianos, do outro lado; Artemísia e sua mãe também receberam códigos falsos. A mãe de Artemísia pensa em entregar a farsa, mas teme por sua vida, então fica quieta. O veículo é liberado e o portão se abre. Do outro lado, Artemísia sente um frio na espinha.

— Bem-vinda à liberdade, futura mercenária! — Diz a mulher que sequestrou a menina.

 

 

O calor sufocante faz com que Artemísia acorde. As lembranças ainda estavam frescas em sua memória e por um momento ela tem dificuldade em se situar no presente.

— Itá! — Artemísia diz. Ela se lembra de onde quer chegar.

Artemísia sai do veículo e tem que seguir o resto do caminho a pé. Com o traje utilizado para andar na Terra, ela sai, pega seus pertences e olha ao seu redor. A pedra grande onde o veículo bateu está à sua frente. Ela olha para o solo seco e rachado, em que a poeira é soprada por um vento forte. À sua esquerda ela vê ao fundo, bem distante, a montanha.

— Será uma bela caminhada. — Artemísia comenta, desanimada.

Sem pensar na distância, ela segue em frente; já conhece o caminho que deve seguir.

 

NESTE PEITO AINDA BATE UM CORAÇÃO

 

Os ventos fortes do deserto só tornavam a caminhada mais difícil. A distância, que já não era tão pequena, parecia triplicar graças ao traje pesado, aos ventos fortes e ao calor insuportável.

Artemísia cai no chão, exausta.

— Preciso continuar. — Ela pensa alto, deitada no chão olhando para o céu escuro, com nuvens turbulentas.

A guerreira tenta reunir suas forças, então se levanta e segue em frente.

Na metade do caminho, seu corpo dá sinais de que não aguentaria mais. Sua visão se torna turva, sua mente fica confusa e ela quase perde a razão. A loucura ou a morte pareciam certas. Mas antes que seu corpo se tornasse inútil, os ventos trouxeram um alívio. Em uma phantom, um humanoide aventureiro aparece.

— Moça! Aceita uma carona? — O humanoide diz em tom descontraído, sorrindo. Depois desce do veículo, carrega Artemísia e a prende em suas costas, através de uma espécie de cinto.

— Aponte a direção em que deseja seguir, e te levo até lá. — O humanoide diz. Artemísia, com muita dificuldade, aponta para a montanha, que para a phantom não estava muito distante.

Ao chegarem à montanha, o humanoide, ainda no veículo, para e olha ao redor.

— Aqui não há nada, garota. Talvez você esteja delirando.

Artemísia teme que o humanoide a leve embora, na tentativa de salvá-la. Seu coração dispara, mas ela não consegue se manifestar. Mas antes que a phantom entrasse em movimento novamente, Itá aparece.

— Obrigada meu bom rapaz. Deixe-a e pode seguir novamente o seu caminho.

O humanoide não questiona. Faz como Itá disse, e a phantom desaparece em meio ao vento e à poeira do deserto.

No templo, Itá cuida de Artemísia e a leva até um quarto.

— Agora que você já tomou um banho e está se sentindo melhor, descanse um pouco. Amanhã teremos um dia longo. — Itá diz, sorrindo, para Artemísia que está deitada sobre uma cama.

Artemísia agradece com um sorriso e adormece.

Itá havia herdado o templo de seu antigo mestre. Era um templo cravado dentro da montanha e já estava ali há várias gerações. Itá, assim como Hikari, não recebia senão um discípulo por vez, e a maioria era sempre indicada por outro sábio. Mesmo percebendo que Artemísia não seguiria o caminho dos sábios tão cedo, Itá sentiu que o coração dela precisava bater forte novamente, pois disso dependia a libertação de sua alma, de sua verdadeira essência. Mas as mágoas e o ódio funcionavam como uma grande muralha que impedia qualquer ensinamento de chegar até o ser mais profundo de Artemísia, e Itá era a única que poderia, naquele momento, enfraquecer essa muralha.

Quando Artemísia acorda, vê Itá em sua cerimônia de reverencia em direção ao nascer do Sol. Ela observa os leves movimentos da mestra enquanto espera.

— Bom dia, minha querida. Como se sente hoje?

— Melhor, obrigada!

— Venha, você precisa se alimentar.

Enquanto Artemísia se alimenta, Itá lhe pergunta sobre sua experiência na caverna da queda d’água; do jardim de Yuki.

— Não consegui ver toda a história. Nem faço ideia a qual época o holograma se referia. Não consegui prosseguir; parei bem no momento em que surge o patriarcado.

— Então você não viu nada ainda. Essa é uma história muito longa. Mas você terá oportunidade de conhecê-la; não se preocupe, tudo tem seu momento certo.

Artemísia come um pedaço de pão.

— Alguma vez você já se apaixonou, Artemísia?

A venusiana se engasga. Itá sorri.

— É claro que não. Conheci pessoas que conquistaram meu respeito, mas não consigo me imaginar apaixonada por um ser humano. Somos seres patéticos.

— Então seu coração nunca bateu mais forte por ninguém?

— Sim, já bateu. Quando meu pai me arrancou aos berros da sala sagrada da minha família, meu coração bateu forte de ódio.

— Você já conheceu o ódio, disso já sei; mas, e o amor?

— O amor… Me soa mais como uma lenda; um mito que alguém inventou para que as pessoas suportassem umas às outras em busca desse ideal inatingível.

Itá analisa Artemísia; sua pulsação, temperatura, expressões… Após escanear a guerreira, Itá conclui.

— Enfim encontrei algo que a guerreira teme.

— Do que está falando?

— Você conhece, há muito tempo, o ódio e as mágoas, mas jamais experimentou o amor. Embora anseie profundamente vivenciar tal sentimento, seu coração teme descobrir que ele existe, mas lhe foi negado durante toda a vida. Isso a faria sentir-se inferior aos demais, por isso prefere acreditar que ele não existe, nem pra você, nem pra ninguém. Imaginar que o amor é uma falácia lhe conforta o coração.

Artemísia se levanta, furiosa. Olha para Itá e pensa um pouco antes de falar.

— Com todo o respeito que lhe devo, mestre… irei para o meu quarto.

— Fique à vontade, minha querida. Estarei meditando na sala azul; se precisar de mim, pode me interromper.

As duas se despedem com um sinal positivo com a cabeça.

No quarto, deitada, Artemísia lembra-se da cena que a fez procurar os ensinamentos do sábio Hikari.

Em uma das tantas batalhas mercenárias já travadas por ela, na Lua, em sua região mais sombria e esquecida, onde a miséria humana se manifestava ferozmente, Artemísia viu, em meio aos cadáveres, um homem, carregando um bebê, chorando como se lhe tivessem arrancado a única razão para existir. Ele estava debruçado sobre o corpo de uma mulher, a mãe do bebê que ele carregava nas costas. O bebê não chorava, estava quieto; parecia saber o que estava acontecendo. As lágrimas do homem molhavam o rosto da mulher, enquanto ele dizia o quanto a amava e o quanto sentiria sua falta. Aquela cena roubou a atenção de Artemísia em plena batalha.

Enquanto olhava para o homem, um soldado feriu Artemísia no braço; ela o matou instintivamente com uma espada e voltou sua atenção para a cena. Artemísia sentiu algo que nunca havia sentido antes; inveja. Se aquele sentimento existia, o amor, por que então ela não o experimentara ainda? O que havia de errado em sua alma que a deixava excluída de tal conexão? E se ele fosse mesmo algo tão raro, o que ela faria caso um dia pudesse experimentá-lo? Viver sem encontrar o amor já era confortável para ela, mas como seria sua vida caso um dia o encontrasse? Naquele dia, Artemísia desistiu de seu pagamento e foi para uma taberna beber. Um mal-estar havia tomado conta de todo o seu ser, e ela já não se reconhecia mais. No dia seguinte, procurou por Hikari, O mais antigo dos Sábios; a vida de mercenária já não servia para a venusiana.

— Itá. — Artemísia chama pela mestra. Itá acorda de sua meditação. — Sim. Eu tenho medo. É um medo que me consome; que me leva para os cantos mais escuros da minha alma. É um medo que me afasta de tudo e de todos, pois não posso correr o risco de me conectar a alguém. Amei meus pais… e o que recebi deles? Nessa época eu ainda era uma criança, embora a dor tenha sido intensa, eu ainda não compreendia muito bem as coisas da vida; mas não posso correr o risco de amar novamente e ver tudo se repetindo. Meu caminho é com a solidão, somente nela posso confiar; somente a ela me sinto confortável em me conectar.

Itá sorri.

— Minha querida… já não tenho mais lições para você. Volte para a casa de Yuki, lá encontrará tudo que precisa agora.

— Você se refere às lições dos documentos guardados dentro da pedra da queda d’água no jardim?

— Também.

Artemísia fica pensativa um tempo.

— Quanto estrago Vênus causou em mim… — Artemísia diz, com pesar.

— Não precisa mais se preocupar com Vênus; o que viveu lá faz parte de você, mas não pode definir quem você é hoje.

— Sim; mas Vênus ainda me dói. Tanto que evito aquele lugar há anos. Maldito Clã.

— Não carregue tanto ódio em seu coração; mesmo porque, neste exato momento, a vida em sua terra natal está desaparecendo.

— Desaparecendo?

— Sim. A última nação patriarcal do nosso Sistema deixa de existir hoje. O planeta entrou em colapso. Parece que a antiga deusa não quer mais a humanidade em sua esfera.

Uma tragédia põe fim à ocupação humana em Vênus.

 

VÊNUS

 

Após a ocupação de Marte, Vênus se torna a esperança humana de encontrar um novo lar. Muitos acreditavam que o planeta poderia ser uma nova Terra, e seria a garantia da sobrevivência humana depois que o planeta natal se tornasse extremamente hostil a seus filhos; mas resolver a questão do efeito estufa em Vênus, que mantinha a temperatura em sua superfície por volta dos 480 °C, ainda era um desafio que ninguém conseguia vencer. Mesmo os humanoides não conseguiam visitar o planeta sem que sofressem sérias avarias em seu sistema, isso dificultava bastante as pesquisas científicas.

Mas após a última grande catástrofe na Terra; o instinto de sobrevivência pareceu falar mais alto, e um grupo de engenheiros, arquitetos e cientistas se uniu para encontrar uma forma de tornar o planeta Vênus habitável. Enquanto desenvolviam suas pesquisas, eles viveram em naves, que orbitavam Vênus. Um dia as pesquisas começaram a dar bons frutos, e os gases da atmosfera do planeta foram mudando sua composição até que a pressão e a temperatura se tornaram mais brandas, possibilitando as visitas e o trabalho dos drones e dos humanoides.

Em pouco tempo, os humanoides conseguiram desenvolver uma flora no planeta, muito parecida com a da Terra, e uma fauna microscópica começou a surgir. A temperatura estava próxima dos climas de regiões quentes, mas habitadas, do planeta Terra dos tempos antigos, de antes das catástrofes, e animais terrestres puderam sobreviver por lá. Em poucos anos, a vida humana já podia prosperar em Vênus; mas os recursos do planeta eram bem limitados, não havia possibilidade de abrigar um contingente muito grande, e quando o grupo que curou Vênus se fixou por lá, as guerras contra os invasores se tornaram frequentes.

Após a aliança com o Clã, os habitantes de Vênus puderam encontrar um pouco de paz. Mas o planeta sempre se mostrou instável; as transformações artificiais causadas pela humanidade pareciam, de alguma forma, fazer mal ao planeta. Era como se a essência de Vênus não aceitasse tais transformações e lutasse o tempo todo para prevalecer.

Humanos x Natureza; mesmo na Terra essa luta era frequente. E, assim como na Terra, também em Vênus a Natureza ganhou essa disputa.

Enquanto Artemísia estava aprendendo suas lições com Itá, seu planeta natal estava destruindo tudo aquilo que o impedia de ser ele mesmo. Uma série de vulcões entrou em erupção, destruindo praticamente todas as cidades, que não eram muitas, construídas ali. Os gases expelidos pelos vulcões logo tomaram conta da atmosfera que, sem o controle humano, começou a voltar ao que era antes. Não demorou muito para que Vênus voltasse a ser uma deusa intocada pela humanidade.

— Você é a única descendente viva de sua família; tome.

Uma mulher, já idosa, entrega a Artemísia a espada de sua família, a Espada Ancestral; estopim da tragédia que a levou, ainda menina, a ser condenada à morte pelo Conselho, motivo da maior mágoa que ela guardava no coração a respeito de seu pai.

— Jogue fora. — Artemísia diz, impaciente.

A mulher se aproxima de vagar.

— Minha filha. Os costumes que esta espada representa já não existem mais… mas ela carrega uma história, a sua história. Sei que ela não lhe traz boas lembranças, mas é mais que um simples objeto. Um dia você compreenderá. — A velha diz. Artemísia fica pensativa, mas aceita a espada. — Poucos de nós sobreviveram. Carregue essa espada sempre com você, para que nunca se esqueça de onde veio.

A velha sai amparada por Yuki.

Artemísia vai para o jardim. Ela senta sob a sombra de uma cerejeira e, com a espada do lado, começa a meditar.

— Quem era a velha, Yuki? — O irmão de Yuki pergunta.

— Uma antiga serva do pai de Artemísia, pelo que entendi. Parece que ela sobreviveu ao desastre de Vênus porque alguém na família de Artemísia incumbiu a velha de cuidar da espada e a colocou em uma das naves que deixaram Vênus antes do colapso final.

— E porque o pai de Artemísia mesmo não fez isso?

— Ele tinha princípios de honra, ou sei lá; acredito que ele tinha esperança de que as coisas pudessem melhorar no planeta e ficou para proteger o Clã. Eu acho.

— Entendo.

— Vamos, Yama; o mercado já vai fechar.

— Espere, Yuki!

Yama, irmão mais novo de Yuki, segue a irmã, que está saindo pela porta.

Desde que se despediu de Itá, na montanha, Artemísia ficou na casa de Yuki. Ela precisava aprender as lições que Itá havia deixado atrás da pedra da queda d’água. Em algumas ocasiões Itá ia visitá-la; e elas conversavam sobre o que Artemísia estava aprendendo. Eram conversas tranquilas, agradáveis, bem naturais; sempre no jardim.

Aos poucos, as mágoas de Artemísia estavam diminuindo e já não pesavam tanto em seu peito. O fim trágico do Clã foi levando para longe tudo de ruim que ela viu em sua infância; que já parecia uma outra vida.

— Nem Hikari conseguiu fazer por mim o que você tem feito, Itá.

— Você ainda não estava preparada para os ensinamentos de Hikari, minha querida; por isso ele não podia fazer muito por você. Somente nós podemos curar nossas feridas, mas há casos em que não conseguimos encontrar a cura sozinhos, por isso a vida nos coloca diante de pessoas ou situações que nos ajudam a enxergar essa cura.

— A vida é estranha.

— Por que você diz isso?

— O Clã. Parecia eterno. E hoje não resta nem o pó de suas construções.

— Sim. Mas algumas sementes resistiram.

— Sementes?

— Há sobreviventes do Clã espalhados por Apolo. São poucos, mas são suficientes para que suas ideologias ganhem forma novamente.

Artemísia olha para o chão.

— Há coisas que não morrem nunca, certo?

Itá sorri.

— Na verdade… a morte não existe.

As duas se olham. Artemísia está séria e pensativa. Itá está sorrindo, docemente, com uma das mãos sobre o ombro de Artemísia.

Yuki se aproxima.

— Venham. É hora do chá.

O clima de amor e fraternidade que havia naquela família parecia tocar fundo no coração da venusiana. Foi a única vez, até então, que Artemísia pôde experimentar a doçura da convivência em família. O fim do Clã também contribuiu para amolecer seu coração; agora, somente lembranças opacas ligavam Artemísia ao seu passado; cheio de dor, abandono e sofrimento.

Yama, o irmão mais novo de Yuki, também era um bom engenheiro. Estava sempre em sua oficina trabalhando em seus projetos. Como vários em sua família, também havia tentado resolver o problema do bug no garoto humanoide; mas esse era um desafio que ninguém ali conseguia resolver. Então, Yama estava investindo na tarefa de desenvolver um humanoide que pudesse consertar o garoto.

— Aproxime-se, Artemísia.

— Não. Só estou observando. Não quero atrapalhá-lo.

— Você nunca atrapalha. Venha.

Artemísia se aproxima do projeto de Yama, que está sobre uma mesa.

— Que belo humanoide você está desenvolvendo! Será uma ginoide ou um androide?

— Ainda não sei. Talvez seja um andrógeno. A tecnologia humanoide é uma só; o gênero não tem importância alguma. É um detalhe herdado da humanidade antiga; do tempo que ainda havia discussões ideológicas ferrenhas sobre as questões que envolvem essas diferenças tão simplórias.

Artemísia fica pensativa.

— Me desculpe Artemísia. Às vezes me esqueço que você recebeu uma educação com princípios muito antigos.

— Não se desculpe. Meu Clã era um pedaço do passado que insistia em existir, apesar de tudo ao redor lhe indicar um caminho diferente.

— Talvez porque fossem necessários ainda.

— Talvez…

— Bem, quanto aos humanoides, no tempo em que sua tecnologia foi desenvolvida, as características de gênero eram muito importantes para a humanidade, por isso criaram ginoides e androides; isso os confortava devido às suas crenças da época. Mas hoje, é uma simples questão de estética, pois, para nós, as diferenças, os detalhes, têm outro significado; não os vemos como razão de exclusão, mas como algo que define e expressa a essência do ser; e são raros os humanoides que atingem essas características que muitos consideram exclusivas da humanidade.

— Assim como Itá, certo?

— Sim; Itá é um exemplo disso. Sua essência esbanja o princípio feminino da Natureza; não haveria problema se fosse um androide, ainda assim, esse princípio seria o mesmo nela, pois ele não está associado ao gênero e sim a características da Natureza que se expressam através da passividade, do acolhimento, da receptividade… Enfim; é o princípio que sustenta tudo, que sustenta a ação.

— No Clã, muitos sábios associavam as características do princípio feminino da Natureza às mulheres; e usavam isso para justificar sua superioridade, dizendo que as mulheres deviam sempre ser passivas e aceitarem sua natureza.

— No passado, muitos foram os sábios que entenderam dessa forma; e muita confusão e sofrimento reinou nesse tempo. Sendo o princípio masculino o ativo e o princípio feminino o passivo, relacionar essas Forças aos conceitos de macho e fêmea leva a erros absurdos, já que tais princípios existem em tudo no universo.

Artemísia vê em um computador os códigos nos quais Yama trabalhava.

— Condicionamento.

— Como?

— Estou vendo os códigos que você está escrevendo para o humanoide. Com esses códigos você pode definir que tipo de personalidade ele irá desenvolver. Pode definir se ele terá características de uma ginoide, um androide ou um neutro.

— Sim.

— Isso me fez lembrar do quanto foi difícil me adaptar aos costumes fora do Clã. Homens e mulheres convivendo como iguais, como neutros; agora me veio a resposta. Tudo questão de condicionamento social. São as culturas que definem as diferenças no comportamento humano.

— A maior parte do tempo, sim. — Os dois olham para o humanoide sobre a mesa. — Eles foram feitos à nossa imagem e semelhança; e sempre têm algo a nos ensinar. — Yama diz.

Artemísia se lembra de Andyrá e pensa alto.

— Os espelhos…

Contos de Ustrael – Dias de Treino (Capítulo 5)

A lua é visível, hoje nada podia impedi-la de brilhar violentamente neste céu ao qual parecia mais forte que o próprio sol, seu imponente azul banhava o país inteiro de uma parte a outra.

Kaori se encontra a parada no meio de um mar de girassóis com os olhos fechados.

Inúmeros vaga-lumes voavam ao seu redor trazendo uma paisagem linda ao ser combinada com esta sutil brisa gelada que fazia as flores voarem.

Vestia um kimono totalmente branco para o seu treino noturno que começaria em alguns segundos.

Passos.

Ground se aproximava.

“Vejo uma boa aura em você hoje.”

“Hê?”

Abriu os olhos.

“Podemos dizer que eu preciso me animar um pouco.”

“Exatamente.”

Estalou os punhos.

“Até por que você sabe, pirralha, eu vou destruir cada membro de seu corpo se não levar isto a sério.”

Sim.

Após os eventos do ataque de Zanteos…Kaori começou a treinar exaustivamente todos os dias com uma vontade muito maior para poder participar de batalhas de tal magnitude em vez de apenas observar com olhos indefesos.

Ground é seu professor particular de artes marciais já fazem dez anos.

E nunca pegou leve.

Jamais deu uma colher de chá independente de seu humor ou situação.

“Vamos começar.”

Não esperou nada, imediatamente avançou na direção dela que sorriu e fixou as pernas no chão.

Impacto.

Colidiram os punhos violentamente fazendo os girassóis voarem ao redor.

—–

“Fogo, água, trovão, terra, gelo, madeira, vácuo, trevas, luz, magma, ácido, gravidade,são apenas alguns dos elementos que compõem este mundo e que podem ser utilizados para a criação de magias, existem aquelas conhecidas como conceituais não fazendo uso destes elementos básicos porém são mais difíceis de serem dominadas e criadas, o número de afinidade que uma pessoa pode dominar depende unicamente do individuo logicamente, até mesmo uma regra bem boba da afinidade elemental por mês é descartável em incontáveis casos, por tal, não irei me aprofundar nela por ser totalmente irrelevante, consegue entender isso até aqui?Hu, mas lógico que pode, se não terei que pensar que tem menos de 70 pontos de Q.I.”

Kaori fez beiço.

Se encontravam no mesmo mar de girassóis para o inicio de seu treinamento com magia, contando com hoje, fazia-se apenas cinco meses do ataque de Zanteos.

“Eu não sou burra a esse ponto…”

“Hu?É sempre bom confirmamos, sabe?E a runa?”

Balançou a cabeça positivamente.

Apontou para os seios.

“Está aqui, disse que era bom um lugar não visível, né?”

“Sim, afinal existem muitas maneiras de fazer a runa perder a efetividade durante uma batalha,  e é ela que regula e controla a quantidade de magia no corpo, muitos magos não conseguem lutar sem ela, só a elite se dispõe desse prazer após anos de treinamento, e o seu equipamento mágico?”

Silêncio.

Apenas o som do vento foi visível.

Ground leu através da expressão sem graça que fez não o encarando.

Sorriu irritado.

“Garota…!!!”

“DESCULPE!MAS NÃO ME FALARAM ANTES!”

Colocou a mochila a frente e a abriu tirando um bracelete que ia até o cotovelo.

Ele o pegou e jogou longe!

“EI!”

“Eu disse para ser o menos chamativo possível‼Algo como um brinco, anel, até mesmo um dente falso!E você me aparece com aquilo?!”

“Não disse não!”

“Não!?”

Suspirou.

Isso não ia levar a lugar algum.

Depois iriam encomendar outro.

“Muito bem, magia só está presente em algumas milhões de pessoas neste mundo, é um gene especial que atua na forma de um órgão extra chamado de vasto, a magia fica presa aqui dentro e mesmo para aqueles que nascem com este gene a luta para se tornar um mago é longa, afinal precisa da runa e do seu equipamento mágico, este por sinal é feito especialmente para combinar com o gene e selecionar o quanto de magia você pode usar.”

Teletransportou o bracelete para seu punho.

“Afinal ela não é infinita, alguns nascem com um estoque imenso, outros nem tanto, um exemplo…Você quando vai tirar sangue, tem vezes que tira até a seringa ficar cheia, e outros nem tanto, não é?É mais ou menos assim que vai funcionar, a magia vai ser o sangue, o órgão o braço, e o bracelete a seringa, com a seringa você vai poder escolher quanta quantidade de sangue vai ser tirada e usar essa quantidade, perceba que é impossível ser um mago mesmo nascendo com o gene sem esses dois itens.”

Balançou a cabeça positivamente.

Colocando em palavras mais simples tal analogia…

Magia = Sangue

Órgão da magia onde ficaria o “sangue” = Braço

Regulador = Seringa.

Com o regulador (Seringa), você pode regular o quanto de sangue vai tirar (A magia presente no órgão extra), e então…

Distribuir ao corpo e fazer um uso correto dela sem desperdiçar nada.

Apesar dele a ter chamado de burra, era apenas uma provocação normal do dia a dia, pois a verdade é muito diferente.

Já pensou…

Você quer usar um ataque sem muita potência, mas sai um com toda a sua força, e vice-versa também?

Foi o que pensou neste momento.

Com certeza é o que ocorreria no começo não sendo capaz de regular a magia.

O regulador vai “implantando” no corpo do usuário o controle necessário durante anos, anos e anos de uso.

Assim, no futuro, com certeza ele não seria mais necessário, pois o corpo teria aprendido naturalmente.

“Entendo…A runa regula a quantidade correta de magia, e o equipamento é feito para selecionar a quantidade que desejar e usar, sem a runa e apenas com o equipamento, não iria conseguir tirar magia nenhuma, não é?”

“Apenas magos experientes lutam sem ela por já serem completamente de elite e passaram por um rigoroso treinamento, normalmente príncipes guerreiros do continente são assim mesmo em idades bem jovens, como uma regra moral, seu dever, como uma princesa guerreira de um país de Rank-5, é não usar equipamento algum aos 9 – 10 anos de idade.”

“V-Vá com calma!”

Pessoas normais levam sempre mais de 20 anos para terem o controle.

“Mas a magia pode ficar para depois, o motivo é bem simples, primeiro vem a manipulação de Ki que está ligado diretamente ao Aurae por terem bases idênticas, seu pai me fala que você não consegue dominar este estilo mágico, então é necessário pegar a base do Ki antes visando facilitar o aprendizado a ele.”

Balançou a cabeça positivamente.

Isso é verdade.

O Ki…Ele possibilita ter uma percepção muito maior das coisas.De tudo que está ao redor, entendendo o fluxo de energia do adversário e dos seres vivos em volta se torna muito mais fácil a leitura de um golpe certeiro.

Além de aumentar e muito a agilidade, capacidade de raciocínio e outras coisas.

A melhor maneira de fazer isso é meditando e ouvindo tudo ao seu redor, ao sentir essas energias e vibrações da natureza…Aprendendo isso podem lutar de olhos fechados pois qualquer movimento muscular de uma criatura viva gera pequenos campos elétricos.

E é exatamente isso.

Sentir o Ki é sentir as mudanças nesses campos e lutar usando um sexto sentido.

“Primeiro…O Ki jamais deve ser confundido com a magia, apesar de serem parecidos são coisas completamente diferentes com funções distintas, o Ki tem duas formas de ser manipulado, passivo e ofensivo, inclusive o estilo de luta Aurae que é dito como o melhor dos magos foi originado do Ki, basicamente o Aurae é uma evolução absurda do Ki, então eles possuem semelhanças, mas apenas esses dois tem alguma coisa em comum, inclusive dizem que o Ki é o estilo Aurae dos pobres como deve ter bem ouvido.”

“Sim…”

O encarou.

“Ground.”

“Sim?”

O tom de voz o pegou de surpresa.

“Seja sincero, acha que…Eu tenho talento para poder realizar os mesmos milagres do meu pai e do meu tio?”

“Hum?”

Realmente foi uma surpresa este tipo de pergunta vindo do nada, apenas fechou os olhos dando uma risada.

O vento ficou mais forte fazendo os girassóis voarem.

“Para ser sincero…”

Pronto.

Estava preparada para o pior.

Mas…As próximas palavras a surpreenderam.

“Eu vejo mais potencial em você do que em seu pai.”

“!”

Arregalou os olhos.

Não.

Não era uma mentira.

Vide que Ground nunca se importou de machucá-la com palavras soltando a verdade sem piedade.E isso já a fez se sentir mal de verdade inclusive, aprendeu a ver quando ele mente, ou não.

“Eu também ajudei na formação de seu pai como mago, então posso comparar ambos muito bem, o seu potencial é gigantesco, Kaori, então temos que fazer valer a pena, cada segundo, minuto e hora, por que no futuro…Vai com certeza poder ser orgulhar do que vai se tornar.”

“Ground…”

Sorriu emocionada.

“Sim!”

A animação,porém…Não durou muito!

Estava completamente atônita.

O motivo?

A dupla se encontrava a frente a uma caverna.A melhor maneira de ir despertando a capacidade de manipulação de Ki é meditando.

Sim.

Pensou que iria começar ali mesmo ao ar livre.

Infeliz engano.

Seria dentro dessa caverna ao qual parecia ser a passagem do submundo.

Nada poderia ser visto e sons assustadores vinham de dentro.

“Vai ser ae dentro!Junto com cobras, baratas, morcegos!”

“N…NEM PENSAR!!!”

“Não é como se você tivesse direito de escolha.”

Exatamente.

A verdade a fez abaixar a cabeça.

“E eu não lhe disse que qualquer movimento muscular de uma criatura viva gera campos elétricos?”

“Hum?”

O encarou.

Ground socou para a direita.

“Exato, eu posso ver…Este meus movimentos geraram correntes elétricas, e você só pode começar a manipular o Ki quando for capaz de enxergá-la.”

Subitamente!

A agarrou pelo pulso erguendo do solo a fazendo gritar.

“É a mesma coisa com a aura do Aurae, quem aprende a dominar o Ki com perfeição pode inclusive despertar o Aurae acidentalmente se for um gênio já que as bases são ridiculamente as mesmas, agora, VAI PARA DENTRO E NÃO SAI ATÉ CONSEGUIR!”

Uma “pena”, a arremessou como se pesasse menos que uma pena caverna a dentro.

Quando se chocou ao solo…Saiu rolando alguns metros a frente até parar de barriga no chão.

“Ai…”

Ficou assim por alguns segundos até que fora começando a ficar em pé.

“!!!”

Não.

Não era capaz de ver absolutamente nada.

Estava de olhos abertos?

Ficou cega?

Se encontravam fechados?

Impossível.

Simplesmente impossível perceber.

Seu senso de direção também fora destruído.

Pois não importa para onde olhava.

Só existia trevas.

Nem mesmo era capaz de dizer para onde devia ir e onde ficavam as direções.

Ficou em pé em pânico e logo após caiu sentada.

Mais alto.

Os sons dos animais ficavam cada vez mais altos.

A “perca” da visão fez tudo parecer mais perto, alto e amedrontador que antes.

Não era só a visão.

Parecia ser uma questão de tempo para os outros sentidos também pararem de funcionar.

Forte.

Parecia uma bateria.

Cada batida de seu coração parecia que o faria sair pelo peito.

Basicamente estava amedrontada.

Mas…

“O seu potencial é gigantesco, Kaori, então temos que fazer valer a pena, cada segundo, minuto e hora, por que no futuro…Vai com certeza poder ser orgulhar do que vai se tornar.”

Não.

Não apenas isso.

De algum modo conseguiu raciocinar que muitas coisas estavam em jogo.

O resto de sua vida.

A de seu irmão.

De sua mãe.

O país inteiro.

Novamente….Não.De jeito nenhum.O escuro não podia fazê-la esquecer tudo isto.

Fechou os punhos mais fortes.

Sim.

Realmente não tinha senso de nada e seus sentidos a abandonaram.

Essa era a tão falada “Caverna do desespero” que existia na ilha principal, então…

Porém, Adeko sempre a disse algo.

“A luz brilha mais forte no escuro, né, Pai?”

Deu uma risada.

Exato.

A única coisa que podia ser visto nesse breu…Eram o brilho de seus olhos azuis que reluziam mais do que tudo ignorando a escuridão.

E então.

Aos poucos…Fechou os olhos começando a meditar.

E então.

O tempo passou.

Algumas horas?

Alguns minutos?

Dias?

Era impossível saber.

Perdeu completamente a noção de tudo que podia existir, como se estivesse em uma dimensão diferente.

Mas…Sentiu algo.

Uma eletricidade.

Abriu apenas o olho direito.

Estava mais claro?

Por que?

A luz não chega até aqui.

Isso só podia significar algo.

Mesmo que aos poucos…Está se acostumando a escuridão.

Mas não fora isso.

Uma corrente elétrica fraca estava se aproximando daquele lado, ainda não sabia se era direita ou esquerda, porém o acompanhou.

Foi um rato.

Seu grito foi ouvido até do lado de fora da caverna.

Após o incidente voltou a meditar.

Inúmeras coisas vinham a sua cabeça nesse momento.

Viu uma imagem.

Ou teve uma visão do futuro?

Havia um garoto que estava de costas a ela, nunca tinha visto mas sentia uma sensação nostálgica.

Acabou dando um sorriso inconsciente.

Até por aquele cenário que podia ser visto ao redor dele, era…

E então.

Foi em um único flash.

Ainda se encontra sentada em meio a escuridão, foi quando subitamente a caverna apareceu em um pulsar.

Mas era diferente.

Apenas podia ver os contornos da caverna sendo feitos de eletricidade, tal como os animais.

Tudo.

Podia ver tudo.

Até mesmo o lado de fora.

Colocou a mão no joelho, se levantou e fora caminhando até a saída.

Nunca foi tão fácil encontrá-la.Quando finalmente saiu da caverna…

Estava de noite.

“Antes…Tava de dia, né?”

Logo, tomou para si que ficou algumas horas.

Não.

Uma semana.

Ground estava sentado ao lado, e foi de encontro falando sobre o tempo.

“COMO EU NÃO MORRI????”

“Eu já disse, você é uma princesa guerreira, a combinação de genes fantásticos que estão em você a faz muito mais forte que uma pessoa normal, deixando isso de lado, como se sente?”

“É estranho…”

Levou a mão até a cabeça.

Isso até a faz te dor de cabeça, tudo está mais perto, a árvore que originalmente devia estar a 10 metros.

Parecia a um.

Valia para qualquer coisa, também enxergava muito mais limpo, como se fosse um HD perfeito.

Sentia que qualquer coisa iria atacá-la pois os sons todos ocorriam ao lado, os sentidos estavam mais aguçados do que nunca.

Ground notou a expressão.

Sorriu.

Foi um sucesso.

—–

Três semanas de treinamento após…Ainda continuavam na manipulação de Ki.

Kaori devia dominá-lo em seu potencial máximo.

Logo, só passariam para a magia quando o básico e avançado fosse completado com perfeição.

“Força, Kaori!”

“C..C…COMO ISSO É POSSÍVEL!?”

Gritou irada.

O motivo?

Estava deitada ao chão, Ground ao lado e com o dedo indicador na barriga da jovem.

Impossível.

O segurava pelo pulso tentando movê-lo.

Nem mesmo um centímetro.

“Isso também é manipulação de Ki.”

O retirou.

Logo ficou sentada.

Suspirou e o encarou.

Queria que explicasse o que fez.

“Manipulação de massa, podemos mudar a massa de qualquer coisa usando o Ki, aumentei o peso do meu dedo para algumas toneladas, era impossível que o movesse.”

É algo normal.

Em qualquer luta, os usuários de Ki mudam a massa de seus corpos para assim aplicarem golpes muito mais poderosos e efetivos que o normal.

“Também é possível fazer isso.”

10 metros.

Fora a altura que começou a flutuar a deixando surpresa.

“0”

Mudou a massa corporal para zero e assim era capaz de planar.

Mas era arriscado.

Se levar um golpe nessas condições…

Derrota total.

Tocou o solo.

Kaori a essa altura era perfeitamente capaz de ver as correntes elétricas, então agora podia ser feito.

“Vamos para a arte de Ki definitiva.”

Arte.

É o nome que está sendo dado para as “magias” que são feitas totalmente a base de Ki.

Não recebe mais o nome de magia.

E sim Arte.

“É a maior de todas, nem mesmo o Aurae tem algo tão poderoso e avassalador quanto isso.”

“A maior?”

Tinha uma noção do que Ground se referia.

O Aurae é manipulação de aura.

O ki a manipulação de correntes elétricas.

Então tinha algo…

Unlimiteds.

Algo que o Aurae não poderia reproduzir.

“Quando corremos um perigo de vida ou morte o corpo libera uma série de hormônios que são utilizados para nos salvar destas situações terríveis. Por esta razão, “milagres” acontecem, como levantar um carro e coisas do tipo, depois de um tempo não conseguirá fazer isso novamente. É interessante, porque o músculo não diminuiu, na verdade, você passou a utilizá-lo na sua totalidade, pois era um momento necessário de desespero. Esta situação implica que força não vem do tamanho do músculo, mas, sim, da mente. Quem treina para ficar forte treina antes de tudo a ligação neuromuscular, ou seja, a capacidade em utilizar todo o tamanho do músculo para gerar força, através do Ki podemos gerar isso da maneira como bem entendermos, preste bem atenção nisso que farei.”

Balançou a cabeça positivamente.

Entendeu o que ele queria dizer, só não viu uma ligação com a manipulação de Ki, então teria que ver na prática.

Caminhou até uma rocha de 50 metros ao qual faria qualquer humano olhar como uma mera formiga.

“Através do Ki nós vamos dar uma ordem ao nosso cérebro que pelos neurotransmissores irão levar isso ao resto do corpo, essa ordem é, “liberem adrenalina constante.”

“Eh?”

Ela percebeu algo.

O Ki ao redor do corpo de Ground ficou mais poderoso.

Não apenas isso.

Seus músculos…Cresceram!

“Isso significa…Manipular o Ki também é…”

“Sim, manipular o Ki é conseguir dar ordens ao próprio cérebro, manipular o corpo em sua totalidade o elevando ao máximo.”

A arte definitiva que faz magias de Rank-S parecerem brincadeira.

Seria fácil mudar a massa dessa rocha para 0 e a erguer também.

Não.

Ele não fez isso.

Dando a ordem de seu corpo agir na potência máxima…A levantou com uma mão e jogou para cima transpassando as nuvens.

….

Kaori ficou de boca aberta.

Não podia ter outra reação.

A encarou.

O vento começou a ficar mais forte.

“Como é uma arte de Ki, e não magia, é desnecessário ter a runa e o regulador, foi até ótimo ser uma arte, pois se fosse magia, hu, só deus sabe o quão impossível seria a dominar, e veja bem, criança.”

Ela se ajoelhou.

“EH???”

Por que?

Por que estava ajoelhada?

Não.

Isso não fez sentido algum.

Olhou para Ground.

“O que você…”

“Eu dei uma ordem ao seu cérebro através da atmosfera, quem não sabe usar a Unlimiteds  pode acabar se tornando um brinquedo para aquele que a domina, como isso, repita 10x, eu sou uma idiota.”

“Por que e-

Iria retrucar.

Mas…Era impossível.

E então…Começou.

“Eu sou uma idiota.”

Uma, duas, três…

Dez vezes!

“Ah…Ah…?”

Ground rolava no chão de rir.

“O QUE TÁ FAZENDO COMIGO????”

“Uma ultima experiência, tente ficar em pé.”

“…”

Já sabia que não ia conseguir.

Mas tentou.

E realmente.

O corpo simplesmente não se move.

Nem mesmo um centímetro.

Sentiu os membros completamente inúteis.

O motivo?

Ground deu a ordem ao cérebro de Kaori jurar obediência absoluta.

Por mais que tentasse se mover…Seu cérebro mantinha a ordem de obedecê-lo funcionando e não havia como contrariá-lo, afinal…Não podia ir contra seu cérebro.

E então, ficou sentada ofegante.

Ele a retirou.

Foi uma experiência horrível.

Por alguns segundos…Esse corpo não a pertenceu mais.

Aqueles que dominam a unlimiteds podem realmente fazer o que quiserem com a vitima, reescrever memórias, dar ordens para o cérebro parar de funcionar, retirar os sentidos dizendo que não são mais necessários, mudar personalidades, entre várias outras só dependendo da imaginação.

Basta a ordem.

E o cérebro fará.

“Se eu quisesse deixar fluir todo meu ódio contra você iria mudar totalmente sua personalidade, poderia fazê-la esquecer todas essas memórias até hoje, colocar novas fazendo pensar que é qualquer animal e agir como tal, criar traumas, sentimentos falsos, fazer pensar que está vendo ilusões desses traumas, enfim, muitas outras coisas, agora, escute bem o por que disso ser possível, as mesmas correntes elétricas que vemos quando aprendemos a ver o Ki estão presentes no encéfalo que é o centro do sistema nervoso em todos os animais vertebrados, nós apenas precisamos manipular essas correntes elétricas, é necessário primeiro concentrar o Ki nas orelhas sendo um iniciante, essa é a primeira parte.”

Existiam dois meios de dar ordens.

Pela atmosfera juntando seu Ki ao próprio ar.

Ou por contato físico sendo iniciantes.

Ele se ajoelhou a frente dela colocando as mãos em suas orelhas a surpreendendo, as mesmas foram preenchidas por Ki.

“Só estou lhe dando uma noção, você deve conseguir fazer sozinha após alguns treino.”

“Sim…”

“É agora que a Arte precisa ser adicionada, coloque seus pensamentos nesse Ki que rodeia toda a sua orelha.”

“Pensamentos?”

“Não faça perguntas agora, vai entender tudo quando eu terminar, coloque uma ordem no centro desse Ki como se tivesse o formato de qualquer coisa e uma corrente a segurando fortemente, mas não que seja nada acima do que você pode fazer, essa arte pode aumentar a velocidade, força, para um nível que treino nenhum permitiria em determinadas pessoas, porém se o corpo não tiver poder o suficiente, vai morrer quando seu efeito passar.”

“…Certo.”

Ela fechou os olhos se concentrando.

“Já fez, não é?”

“Sim.”

“Certo.”

E então.

O Ki entrou pelas orelhas.

“!!!”

“Hu, fique calma, o último osso da cadeia ossicular, o estribo, está acoplado a uma fina membrana chamada de janela oval.A janela oval é na realidade uma entrada para a orelha interna, que contém o órgão da audição, a cóclea.Quando o osso estribo move, a janela oval move com ele.No outro lado da janela oval está a cóclea ,um canal em forma de caracol preenchido por líquidos e, quando as vibrações chegam à cóclea provenientes da orelha interna, serão transformadas em ondas de compressão que por sua vez ativam o órgão de Corti que é responsável pela transformação das ondas de compressão em impulsos nervosos que são enviados ao cérebro para serem interpretados, assim,podendo dar ordens ao cérebro pelo Ki, a arte consiste em uma magia para prender o pensamento no Ki e enviá-lo ao cérebro.”

Então é assim.

Sim.

Tudo fez sentido agora.

Isso que quis dizer com as correntes elétricas do Ki serem as mesmas do encéfalo.

Essa Arte…Era realmente..

Definitiva.

Estava assustada com seu potencial infinito.

O nome faz jus.

“Então,que ordem você deu ao cérebro?

“Ah?”

Sorriu e piscou o olho.

“Uma promessa.”

“Oh, hu, se não for pessoal demais, qual foi?”

“Nunca desistir.”

“!”

Levou um susto.

Mas deu uma risada logo depois.

Estavam se encarando após alguns minutos.

“Essa Arte consiste em tornar físico o não físico, até mesmo o pensamento é estimulado pelas correntes elétricas do cérebro, ao colocar seu pensamento em algo…Vamos explicar.”

Pegou uma pedra no chão e ergueu a frente de ambos.

“Se você imaginar um pensamento nessa pedra, nasce um pequeno Ki aqui desse pensamento, aonde você imaginar um pensamento um Ki vai surgir, na pedra, no ar, no meu braço, em qualquer lugar, é nesse momento que deve usar a arte de transformar o não físico em físico, e combiná-la com uma arte que ira transformar o pensamento em correntes elétricas.”

“Foi por isso que colocou o Ki na minha orelha, para economizar tempo, não é?”

“Sim, como eu disse, você ainda é uma amadora, precisa ter um recipiente para prender o seu pensamento e começar a transformá-lo em algo físico, magos experientes fazem na própria atmosfera tornando a defesa impossível como quando te dei aquelas ordens, eu vou começar a lhe ensinar essas duas, primeiro, vamos pelo mais fácil.”

Após alguns minutos…

Kaori estava sentada com um olhar reflexivo.

As palavras de Ground continuavam em sua mente.

“Se você imaginar um pensamento nessa pedra, nasce um pequeno Ki aqui desse pensamento, é nesse momento que deve usar a arte de transformar o não físico em físico, e combiná-la com uma arte que ira transformar o pensamento em correntes elétricas, onde você imaginar um pensamento o Ki vai surgir, seja nessa pedra, no ar, no chão, em qualquer lugar, quando você imaginar o Ki ele vai surgir, nesse momento tem que usar uma magia para torná-lo físico, e outra para transformá-lo em corrente elétrica, infinitas possibilidades estão escondidas nessa arte, por isso o nome, com uma simples ordem…A luta vai ser decidida.”

Fechou os olhos e sorriu.

“Okay, vamos começar!”

Um mês.

Ground disse que antes de avançar nos treinos ela devia dominar por completo a unlimiteds.

Visto, que, por ser quem é, só ira enfrentar pessoas de um poder equivalente.

Dificilmente iria trocar punhos com plebeus e guerreiros mais limitados.

Para o mundo ao qual pertence…

Para sobreviver a essas lutas.

A manipulação de Ki em sua totalidade máxima era obrigação.

E passado estes 30 dias.

Estavam se encarando deitados de barriga no solo.

Uma queda de braço.

Ele sorriu.

“Hê, você disse que aprendeu, não acha que um mês é pouco tempo?”

Sim.

Normalmente levasse anos no mínimo para tal arte ser dominada.

Mas por ser uma princesa guerreira e ter algo como o Dna*R que foi sendo moldado pelos Reis de Kanszes…Esse tempo caia drasticamente.

Mesmo entre gênios como Ground…Se Kaori levar o treinamento a sério como estava disposta, iriaia ficar acima da própria elite daqui a alguns anos.

“Hu, se você estiver mentindo eu vou obliterar esse seu braço.”

“Eu não ia te chamar se algo assim pudesse ocorrer!”

“Vai saber?O seu cérebro não funciona mui…Sim, você tem razão, é uma garota sensacional e talvez eu não seja digno de ser seu professor e…O QUE FOI ISSO!!!?”

Ela sorriu.

“Uma pequena vingança.”

“Ora…”

Sorriu empolgado.

Ela o deu uma ordem!

No três…

Foi imediato.

Uma cratera de 20 metros surgiu no local pela pressão exercida.

—–

Sons de golpes…

Kaori e Ground trocavam golpes em uma velocidade absurda sacudindo o solo.

Nenhum golpe ficava sem resposta.

Cada soco, chute, esquiva, defesa era feito de maneira idêntica pelos dois adversários.

Quando um aumentava a velocidade, o outro repetia.

Ground acertou um soco na barriga de Kaori.

Que repetiu com um chute no rosto igualmente poderoso!

Porém…Mesmo com essa igualdade que perdurou algum tempo alguém começou a ter a mão superior.

E não foi Ground.

Para cada golpe conectado sempre levava dois em troca.

Recebeu um chute que gerou uma corrente de ar o jogando 10 metros para trás.

Era impossível ter outro sentimento se não…

Sim.

Orgulho.

Realmente está orgulhoso.

A ensinou muito bem.

Valeu a pena.

Cada minuto e hora.

Embora fosse uma visão difícil para a maioria associar a garota de 10 anos atrás com essa a sua frente…Ele sempre soube.

Já sabia que este seria o resultado.

É como Adeko.

Viu uma imagem do pai a sobrepor por alguns momentos.

São realmente parecidos.

Até na capacidade de destruir seu antigo frágil eu e crescer mais forte que qualquer um.

O resultado de todos os sentimentos que tem de tentar consertar as coisas com Kai…Era impossível que ele não percebesse.

Os girassóis começaram a flutuar.

Avançaram!

Socaram ao mesmo tempo causando um terremoto.

“Eu realmente…”

A encarou.

Notou um sorriso.

“Preciso te agradecer por nunca ter desistido da inútil que fui no começo..!!Sem você, jamais chegaria tão longe, obrigada!”

“Hu..!!Ainda…É muito cedo para elogios!”

“Eh??”

Rápido!

Deu um passo a frente e segurou o braço direito da herdeira com os seus dois.

Se virou, e então a levantou por completo e desceu!

Ia acontecer um verdadeiro “ipon”, um tanto brutal por sinal.

Mas…

Ele não conseguiria ver este sorriso que se formou no rosto de Kaori, ainda tinha seu outro braço livre.

Centímetros.

Era a distancia que a separava do solo.

Foi como um raio.

Segurou o ombro de Ground.

E então.

Mostrando um controle perfeito do corpo e uma elasticidade que só poderiam ter vindo pelas aulas de dança…

Agarrou forte!

Como se tivesse, realmente, com a mão apoiada no chão, puxou o corpo para a direita se soltando.

“!”

Ainda no ar, girou e o chutou no rosto fazendo se chocar com as flores.

Colocou os punhos no chão e pulou para trás caindo ajoelhada.

“Hu.”

Ficou sentado.

Cuspiu sangue para a direita.

Realmente.

Nada mal.

“A ida para a Ballas está lhe deixando mais animada?”

“Não sei, mas…Só sinto que algumas coisas vão acontecer ali.”

“Hu?”

Foi como um flash, o aurae cor de ouro de Kaori tomou forma por seu corpo tal como o marrom de Ground.

Vão ir um pouco mais sérios a partir daqui.

—–

“Estarei logo atrás.”

Uma pessoa olhou para trás, essa fala…Foi de Prometheus.

“Se falhar, eu mesmo vou entrar em cena.”

Apenas balançou positivamente e andou para frente na direção de Ballas.

Contos de Ustrael – A Cidade Onde os Destinos se Cruzam (Capítulo 4)

Os raios solares ao passarem pelas folhas das árvores e refletirem na estrada de pedra sem duvida alguma enfeitava de uma maneira bem mais caprichada toda a paisagem ao redor realçando ainda mais todo este verde bem vivo.

Kai parou no topo de uma pequena colina, tinha sua visão fixa em uma construção apenas alguns metros a frente ao qual muralhas de dez metros foram construídas ao redor em um formato esférico, seu interior  não era pequeno.

Não mesmo.

O espaço é de 2km de diâmetro além de reter cinco casas que lembravam pequenos castelos, tem uma estrada de asfalto construída ao lado da muralha que continuava até onde a visão alcançava.

“Com certeza é usada para importação e exportação de produtos…”

Ilegais ou não?

Dane-se.

Não é importante.

Apenas algo passa a sua mente…Se Lumia pensa em invadir o local…O que parece óbvio a essa altura não seria tão fácil.

“É como um pequeno exército.”

Deixou escapar pela alta concentração de soldados armados.

“São só números.”

“Ho, então vai lá, vai, eu vou gostar de te ver levando uns tapas.”

“Desculpe lhe decepcionar.”

Deu um salto para baixo, tocou o solo, levantou-se e caminhou a frente, o ex-principe se deitou e apoiou o cotovelo no solo junto ao punho na bochecha a observando.

Apesar de ter dito que gostaria de a ver levando uma surra…Sabe que a ultima coisa que precisa é se preocupar com aquela pessoa que recebe o nome de bruxa, ter criado “pessoas” falsas, manipulá-las com telecinese e lutar daquela maneira enquanto fingia um falso sono significa só uma coisa.

Talento puro.

Em tal nível que provavelmente é ameaça a algum assunto complexo visto que a querem morta.

Uma explosão bem violente aconteceu na entrada das muralhas.

O impacto foi forte.

Fez o portão literalmente “voar” para trás girando e se chocar contra uma das casas causando um principio de caos, o susto foi bem alto e o coração quase saiu pela boca, olharam a direita e a viram se aproximando.

“Quem é você?!”

Não respondeu.

Ficou movendo o olhar para os lados como se estivesse a procura de algo.

Perante a falta de resposta…Atacaram!

Tinham “metralhadoras” consigo, bem, ao menos o formato era o mesmo mas a diferença é notável quando disparada.

Não eram balas.

E sim lasers de energia.

Pequenos terremotos tiveram inicio que facilmente chegavam até onde Kai estava.

Lumia usou uma magia muito similar a que colocou em prática para enganá-lo aquela vez quando “escondeu” as outras ilusões.

Funcionava da mesma maneira.

Destruía seu conceito de existência no presente, só que dessa vez, não para ficar invisível, apenas intangível, sendo assim os lasers ao se chocarem no chão iniciavam os tremores.

“O corpo dela..!!”

Estalou os dedos e usou está magia em todos os inimigos.

Não entenderam absolutamente nada ao verem seus corpos transparentes e nem mesmo teriam tempo para tal, a “bruxa” levantou e bateu a perna no chão aumentando a gravidade nesta área como um todo.

E então aconteceu.

Foi em um único flash.

Um dos homens abriu os olhos.

Impossível…

Definitivamente impossível.

Era só o que podia pensar.

Afinal, o planeta…O estavam vendo!

Foram jogados ao espaço com a combinação das duas magias em ação.

Lumia olhou para a direita vide que Kai parou ao seu lado e a encarou.

“Ainda não pegou todos.”

Colocou a mão em seu ombro.

Existe algo que pode ser feito para quem domina o Ki amplamente, outra versatilidade é a capacidade de expansão que ele retém, o seu usuário pode retirá-lo do próprio corpo e o expandir por uma área que vária de individuo a individuo.

Qualquer movimento muscular de uma criatura viva gera pequenos campos elétricos, sentir o Ki é sentir as mudanças nesses campos e lutar usando um sexto sentido.

Expandindo seu Ki por uma certa área…O permite uma visão muito especial.

Tudo ao redor de Kai ficou negro instantaneamente, tudo o que via era feito por contornos de eletricidade.

Exato.

O sexto-sentido do Ki, popularmente conhecido como a “visão da onipresença.”, recebe tal nomeclatura pois eles são capazes de ver tudo, absolutamente tudo nos kms que podem expandir seu Ki.

Estava compartilhando essa visão com Lumia que levou um pequeno susto.

Mas…Era perfeito desta maneira, o clã continuava para o subterrâneo, onde, agora sim, podia ver os outros em guarda.

Usou uma magia para ignorar distancia os atacando com a mesma combinação de antes, agora sim “limparam” tudo.

“Visão da onipresença, é?Mesmo para mestres em Ki fazer isso é um tanto quanto complicado.”

“Eu sou demais.”

Sem nada para atrapalhar…Tomaram caminho.

Encontraram uma entrada secreta dentro de uma das casas e foram descendo as escadas por cinco minutos inteiros antes de chegarem em um corredor, ele não sabia para onde estavam indo e nem o que poderia encontrar.

Aliás….Nem mesmo ela parecia saber, parece que se move muito mais por instinto do que qualquer outra coisa.

Entraram em uma sala que a principio estava decorada como um quarto luxuoso, ao qual tinha inúmeras estantes com livros.

Lumia deu alguns passos a frente caminhando a elas procurando um livro.

“Muito bem, eu vim com você até aqui, não é?”

Se virou o encarando.

“Acho que no mínimo, NO MINIMO, eu mereço uma explicação.”

—–

Ábaris e Destroyer…Dois dragões com um poder de destruição ao qual não poderia ser colocado em palavras ou registros.

O motivo?

Em cada lenda que contava sobre suas forças…Ilhas, países, continentes…Tudo era levado a perdição por tais criaturas que destruíam a vida de maneira indiscriminada.

Claro, tal nível de poder era acreditado ser apenas lenda e provavelmente era mesmo.

Mas…Toda lenda tem uma realidade.

O poder de tais monstros…Que superava o de qualquer outro ser vivo era verdade, faziam um Abyssal olhar como criança.

Junto a estes colossos….Existiam mais dois homens.

A história não diz como essa improvável parceria ocorreu, mas aconteceu, e juntos, levaram o verdadeiro genocídio a humanidade.

O plano era ousado, conquistar todo o planeta, porém, naquele momento, não seria possível.

Mas não impossível se tudo fosse preparado corretamente e decidindo jogar com a sorte.

Um poder conhecido como “Rebirth.”

Ele existe em qualquer ser vivo deste planeta, mas apenas exemplares fantásticos são capazes de despertá-lo, seu funcionamento é ousado, e, talvez, até injusto?

Quem o usa pode entrar em um estado forçado de hibernação em um gigantesco esquife de gelo que toma forma.

E vai ficando mais forte.

Conforme permanece nesse estado, a força vai aumentando de acordo com o tempo em que permanece adormecido.

Mas é arriscado.

O ser não pode acordar por conta própria e é passível a ser “absorvido”.

Não são apenas animais que podem dividir sua consciência e corpo com humanos, os próprios também podem fazer esse papel com os outros.

Precisa que um desavisado tente fazer o link-orgânico para se tornar um alvager. (O que Fang temporariamente se tornou no ataque a Kanszes)

Os “Alvagers naturais” precisam dominar através de um duelo mental a alma do ser que está tentando fazer o link.

Se ele perder…A existência será reescrita, a existência que estava tentando dominar irá renascer por completo em seu corpo.

Se vencer, vira um Alvager e pode se usufruir de todas as características de um.

O planos dos quatro era ousado.

Os dois humanos não possuíam a rebirth, e mesmo se possuíssem, não era parte do plano, após Ábaris e Destroyer entrarem nesse estado…Os homens se conservaram no tempo.

E iriam esperar.

Esperar os tolos irem atrás do poder dos dois dragões adormecidos e tentar fazer uso próprio.

Para isso criaram a lenda que os cerca levando o caos a humanidade.

Hoje, é conhecida como “a lenda dos quatro”.

3000 anos, então, se passaram.

É impossível.

Completamente impossível qualquer humano ganhar um confronto mental com os dois, visto que ficaram mais fortes enquanto adormeciam do que se treinassem nesse tempo.

Ábaris despertou por completo nos dias atuais e foi até o corpo de Prometheus, um dos humanos, o selo que os homens usaram para se preservarem tinha as mesmas características do Rebirth.

Criaram um gene artificial que faria isto naquela época.

E então, quando encontrou com Prometheus, fez um link-orgânico e o tornou um alvager, assim, quebrando o selo.

O motivo do link-orgânico é óbvio, se combinassem suas forças…O poder que teriam iria aumentar ainda mais do que apenas o natural que ganharam nesses 3000 anos.

Porém…

Destroyer e Marte…

Permaneciam “desaparecidos.”

—–

“Ainda nada, Ábaris?”

A cena era em uma praia.

Havia um homem sentado ali olhando o mar, a maré subia indo até seus pés e descia em um ciclo repetitivo, foi quando ele chegou…Uma sombra colossal se aproximou e parou ao lado fazendo tudo tremer.

“Hu, não, parece que nenhum dos outros dois ainda despertou mesmo após todos estes anos, e é estranho, mesmo usando meu sensor não consigo encontrá-los.”

“Não acha que outra coisa é estranha?”

“Hum?”

Prometheus olhou seu punho o fechando e abrindo algumas vezes.

“Contando com hoje, dois anos foram deixados para trás desde que acordamos nos dias atuais, mas…Hu, por que a vontade de dominar tudo, se perdeu, ou está tão fraca?”

Sim.

Sem dúvida era um sentimento complicado de entender.

Mas…Pode ser visto de outra maneira e até mais simples?

Qual a graça?

Era simplesmente impossível que houvesse resistência, já possuem um poder tão sobrenatural, que simplesmente…Não teria graça.

A vontade de fazer algo que sabe que não terá desafios, ao qual bastaria só desejar para ter sucesso…

Era tedioso.

Tão tedioso que não dava vontade nem de começar.

A prova…É que não se esforçam muito para encontrar os outros dois, apenas fazem por um senso de obrigação moral.

Tanto faz afinal, apenas um já poderia dominar este mundo sozinho, então se é solo, em dupla, ou em trio…

Tanto faz.

Vive se perguntando se algo não se perdeu no tempo que ficaram adormecidos, pois algo assim…Esse desejo que tiveram no passado não poderia se perder “do nada”.

“Completamente tedioso,  provavelmente, alcançar algum estágio que se destaca de maneira tão absurda dos demais…Torna qualquer outra coisa sem graça.”

“Ei!”

Ambos olharam para trás, uma garota sorriu e acenou.

“Prometheus, Ábaris!Está pronto!”

Criaram um clã nesse tempo que não tinham nada para fazer apenas pelo simples desejo de testar coisas novas.

O dragão, então, usou uma magia de transformação para ter uma forma humana, e juntos, caminharam até a jovem.

Prometheus cerrou os olhos.

“Mas, talvez, seja melhor remediar um pouco aquele mal pressentimento, acho que irei me dirigir até Ballas em alguns dias onde senti aquela presença.”

—–

Acabou de contar esta lenda a Kai que cerrou os olhos.

“Alvagers naturais antes de fazer o link-orgânico…Precisam dominar a base de um confronto mental o ser que quer fazer contrato, já os artificiais, este poder só precisa ser inseridos de maneira artificial, entendo…”

A encarou.

“E onde estão Destroyer e Marte?”

Houve-se um silêncio  ensurdecedor por alguns segundos, apenas refletiam um nos olhos do outro sem dizer nada.

Por que essa hesitação?

Era só falar um “não sei.”

Mas…

Deu uma risada sem graça.

Tinha algo a mais.

Com certeza tinha.

Lumia suspirou.

Lentamente…Levou a mão aos seios.

“Ele está aqui.”

Não teve a reação normal que seria gritar em completa surpresa e fugir do local, já havia trabalhado com esse hipótese na lentidão para responder.

Usando telecinese, “pegou” um livro da estante o jogando a ele que o segurou.

“Prometheus e Ábaris estão criando inúmeros clãs ao redor do globo visando algo, eu ainda não sei o que é, e não, não estou tentando impedi-los, por que é impossível, tenho sérias duvidas que mesmo que todos os julgadores se unam algo poderá ser feito, mas tente ler este livro.”

Dane-se, sua vida já é uma bagunça, um pouco mais não vai mudar em nada.

Apenas abriu.

Mas…

impossível.

“Isso…”

“Conta uma parte da história que lhe falei, porém como vê tem algumas letras que são impossíveis de serem lidas, provavelmente é a história dos quatro contada de maneira correta”

“Ho, se tem juízo e não está tentando pará-los, então o-

Parou de falar.

Começou a pensar de maneira mais racional.

A chamam de Bruxa.

A querem morta.

Se o que está falando de ter “feito” um link-orgânico com Destroyer for verdade…Tudo iria se encaixar.

Em momento algum com ela concordo com isso, certo?

“(Foi parte de algum experimento, e fugiu, é?)”

Podia notar uma expressão confusa no rosto de Kai.

Bem, era o esperado no fim das contas.

“Eu vou lhe mostrar.”

“Hã?”

Escuridão.

Parece que foi teletransportado para um local diferente.

Nada.

Para onde quer que olhasse só havia um breu infinito, não sabia se estava de olhos abertos ou fechados, e é um tanto assustador, havia perdido todos os sentidos a esse pânico repentino.

E foi então…

Dois olhos vermelhos surgiram atrás.

Nunca.

Nunca antes sentiu esse tipo medo antes.

A sensação…Era horrível.

Aliás…Podia dizer que estava apavorado como uma menina?Queria sair correndo rezando pela vida.

Hesitante…Olhou para trás.

A criatura sorriu.

“Então…”

A voz tinha eco.

Um eco infinito que ressoava nas trevas e fazia tudo tremer parecendo que este “mundo” iria entrar em colapso.

“A pirralha trouxe um amigo?E ae, cara?”

Forçou um sorriso amarelo sem graça.

Era difícil não tremer a boca.

“Só sua presença…É superior a de um Abyssal, hu, não importa como eu o veja, mesmo que aquela garota tenha um poder mágico incrível seria impossível para vencer uma disputa mental com você.”

“Ho?”

“Se ela acabou de lhe contar a história…Sabe que alguma coisa deu muito errado, não é?”

Deu um grito caindo sentado ao chão ofegante.

“Viu?”

“Hu-hu-hu…Vá se ferrar…!!!”

“Quanto mais eu uso magia, mesmo uma simples telecinese…”

A encarou.

“Tudo emana o poder de Destroyer, ele flui de maneira descontrolada de dentro de mim, é como um incêndio que se joga gasolina e não água, o que acaba trazendo aqueles dois para perto, ao mesmo tempo…Que o selo que o mantém preso vai enfraquecendo, a próxima vez que eu usar magia…Pode ser quando vai tomar total pose do meu corpo destruindo minha existência.”

Sim.

Tudo estava fazendo sentido agora, seu poder mágico era uma bomba relógio.

“Preciso de alguém que reveze comigo para não fazer o selo perder o controle antes que eu possa dar um jeito de resolver esse assunto.”

Ergueu um livro.

“Vim atrás disso, tem uma magia aqui que posso usá-la retirá-lo de mim e devolver ao estado que estava, mas para decifrar…Preciso ir na maior biblioteca do continente, que fica em Ballas, o caminho não é pequeno.”

Algo bastante complexo a cercava.

Por um momento.Mesmo que pequeno…Viu Kaori nela.

Deu uma risada fechando os olhos.

“Entendo, acho que não tem mais volta pra mim de qualquer maneira.”

“Vai mesmo??”

Colocou a mão no joelho e ficou em pé.

“É surda?”

Foi surpreendida, claro, ele realmente veio com ela até aqui, mas tinha a quase certeza absoluta que iria largá-la ao escutar o perigo da situação.

E embora não tenha como entender…Talvez se a ajudar agora, consiga um pouco de redenção?

“!”

Corou quando ele tocou seu ombro e andou para trás inconscientemente.

“….O que foi, mulher?Iria nos tirar daqui.”

“Ah..N..Nada…”

Novamente a tocou e usou a visão da onipresença do Ki.

Kai possui teletransporte.

Logo…Os levou para o topo do clã novamente.

Olhou para a direita.

Então o destino era a cidade de Ballas.

Suspirou levando a mão ao pescoço, vai ser bem complicado, o país passa por uma grave crise no momento sem falar que o caminho será longo.

“Muito be-

Não terminou.

Se colocou a frente de Lumia e chutou uma rajada para a direita ao qual destruiu uma casa liberando ventos furiosos.

Claramente foi pega de surpresa enquanto seus cabelos começaram a balançar.

Essa rajada…Estava combinada a uma magia de apagar a presença, Kai só reagiu por que ainda mantinha o sentido elétrico ativo.

Entrando pela passagem agora destruída…Vinha um homem.

O ex-príncipe sorriu.

Com certeza veio atraído pela magia de Destroyer, podia ver que algo borbulhava do corpo do inimigo.

Era roxo e queimava como uma chama….Ou seja, a resposta só podia ser uma, e a pior possível?O estilo mágico número um do mundo.

Aurae.

Prometheus e Ábaris sendo a este ponto os habitantes mais poderosos do planeta…Era fácil para ensinar aos membros de seu clã a arte mais poderosa que existe.

Porém, ignorando completamente o fato do Ki ser inútil perante a tal força, foi caminhando a frente.

“Eu cuido dele, não vamos deixar o selo ir quebrando, não é?”

“Pelo o que eu já vi em você desde ontem…Se soubesse usar o Aurae já teria feito, e sendo um falso mago…Sua chance de vencer beira o 0.”

Essas palavras eram quase uma verdade.

Quase.

Não é impossível um usuário de Ki derrotar um de Aurae, apenas passa essa impressão pelos resultados ao longo da história.

Um completo massacre.

Mas Kai nunca deu a mínima para isso.

Sempre soube que em uma luta assim só precisa acertar um golpe, aliás, qualquer luta neste mundo tem 90% de chances de acabar no primeiro movimento.

Era nisso que apostava.

O adversário bateu o pé no solo…E avançou!

Kai repetiu o gesto!

Tomou forma.

O Ki preencheu todo o corpo como um azul escuro que pulsava forte.

“Hu, um usuário de Ki tentando me derrotar!?”

“Não fique tão cheio de si, sua imitação.”

Quando o Aurae entra em contato com o Ki o anula completamente, o estilo nasceu para formar uma hierarquia e nada mais do que isso.

Apenas os nobres teriam esse poder visando manter a ordem em cidades.

E claro, algo ainda mais importante, manter sem nenhum imprevisto seu titulo de elite.

Um metro era a distancia.

Praticamente não existia mais.

Ambos fecharam o punho e socaram na direção do outro!

Um pulsar abalou a floresta.

Kai cuspiu sangue sendo arremessado para trás contra uma pedra.

O “embate” terminou.

Sorriu e encarou Lumia.

“Você é a próxima.”

Ela não disse nada, apenas deu de ombros e caminhou na direção do ex-príncipe.

“Ho?”

“Você já perdeu, e de qualquer maneira não preciso me preocupar em dar atenção aos mortos.”

“Ah?O que dia-

Não terminou.

Subitamente…Se ajoelhou caindo derrotado.

Milésimos antes de ser atingido…

Kai propositalmente retirou todo o Ki do seu corpo o concentrando na ponta do dedão do pé fazendo um buraco no sapato.

No momento que o mesmo levou o golpe sendo jogado para trás…Colocou uma magia nessa partícula de Ki e a jogou na “aura” do adversário.

O mesmo não percebeu.

Por que, colocado junto a aquele Ki tinha uma magia para apagar a presença.

Este teria sido um movimento suicida.

Porém antes de avançar…Kai e Lumia conversaram por telepatia.

A mesma usou uma pequena anti-magia junto a magia de ignorar distância na canela do inimigo, então foi apenas óbvio, onde a partícula de Ki tocou e se ativou por que seu aurae não cobria mais aquela parte…Foi o momento da derrota.

Tudo isso…Aconteceu ao mesmo tempo no momento do golpe.

Fora extremamente rápido.

A magia que continha naquela “invisível” partícula de Ki não foi a remoção sensorial, sabendo da força do seu inimigo por usar Aurae, era óbvio que também poderia usar o sexto-sentido do Ki, então retirar seus cinco sentidos era inútil.

O que foi usado uma versão mais fraca do Julgamento dos dragões de Órion.

No total leva 15 segundos para os átomos serem apagados e o usuário da técnica não pode mais usar magia pelo resto do dia.

Os segundos se passaram e o adversário “sumiu” como se jamais tivesse existido.

E como tal os 89%..A luta acabou no primeiro movimento.

Teria sido uma dupla-morte se ela não tivesse agido antes e impedisse o golpe que recebeu de ser fatal, pois deveria ser morto naquele impacto, porém, uma barreira protetora o salvou do pior.

Ainda estava encostado a pedra, o golpe foi pesado e mal conseguia ficar em pé sendo difícil de respirar.

Sorriu irritado, esta jornada realmente começou muito mal.

Olhou para frente, e mesmo que fosse complicado enxergar pela visão turva, fora capaz de ver Lumia se aproximando.

Parou a poucos metros e começou a recitar uma magia.

“O que ela…”

“Regrade.”

“!”

Arregalou os olhos.

A dor sumiu e ficou em pé olhando seu corpo.

“O que diabos…”

É a magia de cura mais poderosa que existe.

Ao qual simplesmente volta o corpo do individuo no tempo curando qualquer tipo de ferida física tal como anormalidades corporais que atrapalhem o funcionamento natural do corpo, sejam maldições, venenos, perca de memória, qualquer coisa não natural irá ser automaticamente expulsa.

Kai ficou surpreso.

“Por que usou uma magia de tão alto nível sabendo que o selo fica instável?”

“Ora, não é claro?Eu não vou te carregar por ae não!”

“Ah..”

Deu uma risada fechando os olhos.

Foi um bom ponto.

Mas…Algo chamou a sua atenção.

Por que nada aconteceu agora?

A Regrade é Rank-S.

Devia trazer alguma conseqüência por menor que seja.

Isso o fez lembrar quando se encontrou com Destroyer apenas alguns minutos atrás, realmente ficou com medo e intimidado por ser tão do nada, mas ao mesmo tempo…Não é como se sentiu intenções ruins ou perigosas daquele Dragão.

Era um assunto estranho e que não conseguiria respostas agora.

Apenas tinham que continuar indo até Ballas.

Até por que…É um fato.

Toda lenda possui erros e más interpretações, não é simples descobrir até onde começa a realidade e ficção em uma.

Logo…Foram para a estrada e caminharam dando inicio a jornada.

—–

“EU JÁ SEI, PAI!”

“Só estou aqui para lembrá-la, não ache que vou permitir que se esqueça.”

“COMO ACHA QUE POSSO ESQUECER ISSO???”

“Ho?Como eu vou saber?Não posso ler a sua mente.”

Adeko está todo dia, toda hora, todo minuto lembrando sua filha que terá que ir para Ballas se encontrar com Daichi ainda nesta semana.

Já está ficando irritada.

Suspirou e olhou para a direita na direção da janela.

Por que seu coração bate tão rápido quando pensa sobre isso?

PARAGOBALA – CAPÍTULO 21 – ATAQUE AO BEZERRO

CAPÍTULO 21 – Ataque ao Bezerro

 

Antônio ainda estava de boca aberta, processando tudo o que os seus subordinados contaram sobre a perseguição liderada pelo promotor Vincent. Em sua longa carreira, nunca uma história parecida tinha chegado a ele. Depois de longos momentos de silêncios, ele levantou da cadeira, e comunicou com energia para os policiais a sua frente:

 

– Amanhã atacamos o Bezerro. Façam os preparativos.

 

***

 

Um policial a paisana olhava para o seu relógio à espera do horário combinado: 7:15 da manhã. Estava dentro de um boteco na periferia da cidade, na região do refúgio de Bezerro. Já havia combinado tudo com alguns bandidos locais. Assaltariam o local, atacariam o dono e fugiriam. Ele pegaria sua arma e logo tudo descabaria para uma troca generalizada de tiros e por fim toda a polícia chegaria e invadiria tudo.

 

Na delegacia, os policiais se preparavam para o ataque. Alguns levavam armamento para os veículos, enquanto outros checavam equipamento e terminavam de vestir os seus coletes a prova de bala, entre eles Antônio, que fazia questão de participar dessa operação. Às 7:17, o telefone tocou. Antonio atendeu:

 

– É da Policia!? Eu acabei de ser assaltado, bateram em mim, levaram um monte de coisa e..

– Fique calmo, nós já vamos até aí, passe o endereço.

 

E logo todos os veículos dispararam para o local.

 

***

 

Bal estava deitado, de olhos abertos. Não havia conseguido dormir. Italiano não tinha lhe ligado, e ele não fazia ideia do paradeiro de Índio. Tinha confiança no seu companheiro, porém sua mente não o deixava quieto, e durante aquela madrugada já tinha pensando literalmente em mais de 20 possibilidades diferentes, grande parte delas com um desfecho trágico para sí. Bal tinha consideração pelo seu grupo, e principalmente pela sua causa, mas naquele momento, a única coisa em que conseguia pensar era de como aquilo iria acabar para ele. Se tratava de um instinto básico: sobrevivência.

 

Durante a noite, por várias vezes levantou e bebeu um pouco de cerveja. Desde a fatídica noite em que desvirginou Clara, havia largado a tola ideia de abandonar a bebida. Seu relacionamento havia estremecido, e ele mesmo tinha pouca vontade de entrar em contato com a sua namorada. Não tinha grande atração ou admiração por ela. Seu projeto havia fracassado. A convivência com ela, definitivamente, não havia lhe tornado um homem melhor. “Eu sou podre…e tenho que simplesmente aceitar isso. O melhor é eu me afastar das pessoas que tem algo de bom. E voltar a me aproximar das pessoas que tem tudo de ruim”.

 

Se revirou por mais algum tempo e finalmente desistiu de tentar dormir e se levantou para se aprontar para o trabalho. Ao menos ali conseguiria distrair um pouco a sua acelerada mente.

 

Quando já terminava de fazer os seus afazeres no banheiro, só com uma toalha presa na cintura, sua campainha tocou. Estranhou aquilo e foi com desconfiança até a porta. Viu pelo olho mágico que quem estava lá era sua mais nova vizinha: Rosemere. Deu um pequeno sorriso de canto de boca e resolveu atender a porta assim mesmo.

 

– Bom dia – falou prontamente.

 

Rosemere ficou encabulada por alguns instantes, e Bal conteve o sorriso. “Ela está chocada com o meu físico” imaginou.

 

– Bom dia, vizinho…desculpe te incomodar, é que eu percebi que estou sem nada de sal em casa…poderia pegar um pouquinho emprestado?

 

– Claro! Pode entrar – e deu passagem a vizinha, aproveitando para conferir o seu traseiro. Não se incomode com a bagunça, eu não estava esperando visitas – e riu ao terminar de falar. A cozinha é por aqui.

 

Bal abriu o armário e pegou um pote com sal. Em seguida encheu um copo com o pó e entregou a ela.

 

– Tenho bastante por aqui, pode ficar com isso. Agora me diga, vai preparar o que para comer com esse sal?

– Ah, isso é segredo. Quem sabe um dia você prova lá em casa? – disse com um sorrisinho

– Hmm…mal posso esperar para conhecer suas habilidades…culinárias.

 

Eles se despediram e Bal ficou parado olhando a porta. Já não pensava nas suas preocupações e tinha preenchido sua mente com outra coisa: aquela mulher sensual e misteriosa. Se sentia um caçador outra vez, e sua presa era ela.

 

***

 

– Avise a todos os homens para subirem a ladeira! Vamos montar um certo daqui – gritou Schneider pelo rádio.

 

A polícia estava avançando e derrubando os não tão numerosos homens de Bezerro. Os que ainda lutavam não tinham um bom treinamento e muito menos lealdade para se sacrificar. Vários se rendiam facilmente. A polícia anunciava que qualquer homem que largasse a sua arma e abrisse passagem, não sofreria retaliações.

 

– Malditos! Estão se entregando para a polícia sem nem mesmo oferecer resistência. Logo eles estarão aqui – disse para Bezerro.

– Esses filhos da puta não vão chegar aqui! – e pegou um fuzil e foi para o lado de fora do prédio, em uma espécie de sacada, e começou a atirar de lá.

– Pare, é inútil! Eu já fiz testes, e o tiro só chega até aquele ponto – e apontou para um trecho da rua, que os policiais ainda estavam longe.

– Que se foda! Isso vai intimida-los, huehuehue!

 

Schneider balançou a cabeça e não falou nada. Então ouviu mais tiros do seu outro lado, e agora quem atirava era Vândalo, que forçava uma gargalhada. Schneider, com raiva, foi até lá e segurou com força o braço de Vândalo.

 

– Mas que merda você está fazendo! Não ouviu o que eu falei???

– Eu…eu estou intimidando eles também!

– Pare de atirar agora! E poupe essas balas, a coisa vai ficar feia para o nosso lado.

 

Depois entrou na sala e na frente de um mapa e com um rádio na mão, começou a planejar a defesa.

 

A policia continuava avançando, e Antônio estava na retaguarda. Apenas entrava em um território após ele ter sido dominado pelos seus homens. Até agora, a operação era um sucesso. Nenhuma baixa, e os bandidos largavam suas armas ao menor sinal de aproximação da polícia. Para ele, não era interessante um grande número de mortes. Não queria publicidade, e desejava que o próximo chefe do crime tivesse mão de obra para lucrar mais. Dessa vez sua fatia seria gorda.

 

Rodnei chegou ao seu lado e falou:

 

– Já sabemos em que prédio ele está. O caminho até lá não vai ser muito difícil. Podemos enviar um rádio e tentar negociar uma rendição.

– Esse filho da puta vai morrer hoje! – gritou Antonio. Mas podemos enganar esse trouxa. Façam chegar um rádio até lá. Logo Rodnei fez um sinal e um garoto saiu correndo de dentro de um barraco em sua direção.

 

Não muito tempo depois, um jovem chegou correndo até Schneider com um rádio na mão.

 

– Os poliça querem falar com vocês.

 

Schneider pegou o rádio, mas imediatamente Bezerro entrou na sala, jogando um balde de água fria em sua expectativa que seu chefe não tivesse ouvido o garoto:

 

– Que porra é essa aí?

– A polícia, quer conversar. Vou estabelecer contato.

 

Schneider ligou o rádio e disse brevemente:

 

– Estamos ouvindo.

– Os termos são o seguinte: rendição total e ninguém morre. Saiam daí com as mãos na cabeça. Dou 20 minutos para decidirem.

 

Bezerro pegou o rádio da mão de Schneider e falou:

Heuheuheuhe, se render é o caralho! Venham buscar minha cabeça, seus merdas. Vocês vão morrer tudo! To esperando pode vir.

 

Em seguida ele jogou o aparelho no chão e deu um tiro.

 

Vândalo, que escutava a conversa atrás da porta, entrou na sala e falou:

 

– Nós…vamos morrer?

 

Bezerro foi até ele, e lhe aplicou um tabefe no rosto.

 

– Seu frouxo! Viado! Foda-se se vamos morrer, vira homem! Nós vamos matar policial hoje, isso sim!

 

Schneider nada disse, e foi até a sacada, observando que os policias agora entravam na zona de tiro. Além de Bezerro e Vândalo, alguns outros homens se juntaram a eles e se preparam para atirar.

 

– Atirem ao meu sinal! – gritou Schneider.

 

Todos, e desta vez inclusive Bezerro, esperaram pacientemente, e quando Schneider deu sinal positivo, começaram a atirar.

 

Os policiais foram pegos de surpresa, e rapidamente começaram a revidar. Para os atiradores do alto, era muito mais fácil de mirar e atirar. Estavam em uma posição melhor e mais protegidos. Schneider já havia derrubado dois homens, mas sabia que não era uma posição sustentável. Tinham poucos homens e armas, e a polícia logo traria escudos e subiria por entre a favela até lá.

 

Aos poucos os policiais foram revidando com maior qualidade e quantidade, a ponto de Vândalo, Schneider e Bezerro entrarem na sala, deixando do lado de fora os soldados rasos para atirar de volta e consequentemente, morrerem.

 

– Eu sei o que esses filhos da puta querem! Eles querem a porra do meu dinheiro! – urrou Bezerro e saiu do cômodo, para voltar logo depois com uma garrafa com uma pinga.

– Eu não vou deixar! – foi até o cofre e começou a digitar a sequência para abri-lo.

– Vou queimar a porra toda huehuehuehue. Não vão ter nada!!!

 

BANG!

 

E Bezerro caiu morto com um tiro na nuca.

 

Schneider segurava a arma, com frieza. Vândalo o olhou assustado, e largou sua arma quando Schneider apontou a pistola em sua direção.

 

– De joelhos, mãos na cabeça e fique quietinho.

– Por favor não me mata, não me mata.

– Cala a bola, fica quieto.

– Eu eu não gostava do Bezerro também.

– Cala sua boca filho da puta! Se falar outra vez morre.

 

Vândalo se calou. Schneider foi até o corpo de Bezerro, e o tirou de perto do cofre.

 

– Coloca suas duas mãos nas orelhas, agora – disse a Vândalo, que prontamente atendeu.

 

Schneider colocou um joelho no chão, e pegou um celular de dentro da jaqueta. Vândalo estranhou aquela postura estranha. Parecia que ele estava se ajoelhando a alguém, como um lorde inglês ganhando um título de cavaleiro. Mas não havia ninguém lá além dos dois. Mantinha as mãos nas orelhas, mas não exerceu tanta pressão, de modo que conseguiu ouvir a o que Schneider falava ao telefone.

 

– Papa, meu senhor, tenho notícias e busco orientação.

– Tive que matar Bezerro. Ele ia queimar todo o nosso dinheiro.

– Estamos cercados pela polícia, mas consigo fugir daqui com o dinheiro.

– Tem mais um homem aqui, o que faço com ele?

 

Nesse momento, Schneider olhou Vândalo, que instintivamente forçou as mãos nos ouvidos e não conseguiu ouvir mais nada.

 

Schneider desligou o telefone, e caminhou lentamente em direção a Vandalo, parando a poucos metros.

 

“Meu deus, ele está vindo pra cá, eu aqui de joelhos…esse filho da puta vai pedir um boquete em troca da minha vida! Merda! Filho da puta!!! Não sou viado…! Mas…quem faz boquete para não morrer não é viado né? Isso é sobrevivência! Quero viver. E pelo menos ele é loiro e de pele clara, tem olho azul! Podia ser pior! Não sou viado! Pode vir filho da puta.”

 

Schneider deu mais alguns passos, e Vândalo moveu lentamente as mãos em direção ao cinto de Schneider, que prontamente empurrou a arma na testa de Vândalo:

 

– Que porra é essa! Mãos na cabeça!

 

Vândalo, confuso, seguiu a instrução.

 

– Preste muita atenção agora. Sua vida como era antes acabou. Agora você tem duas opções. Levante as duas mãos, palmas para cima, e jure fidelidade a Draku ou morra.

 

***

 

Vincent havia passado o dia inteiro enfurnado em casa, na frente de seu notebook. Salvou um arquivo, e levantou da cadeira, com expressão de alívio e com um sorriso no rosto; Foi até a janela e olhou a cidade. “Pensei que poderia fazer o que precisava aqui sem mudar muita coisa. Eu estava errado. Amanhã é um novo começo para a polícia de Paragominas.”

Voltou ao seu computador, abriu um e-mail e digitou uma mensagem. Anexou um arquivo e enviou. Em seguida fechou o aparelho, e com a ajuda a de uma faca de cozinha, começou a abri-lo. Levou algumas partes para o micro-ondas, e o resto ele terminou de arrebentar com a faca.

Eraba Remashita (Volume 1: Capítulo 4)

Capítulo 4

 

Vir a um mundo como esse, explorá-lo, conhecer diversos seres e criaturas… são coisas que só se passavam na minha imaginação, mas sabendo que há algo a fazer, não posso ficar apenas andando por aí sem rumo.

 

A visão começa a se encaixar

 

– Ake-chan, por acaso está acontecendo alguma guerra nesse mundo?

 

– Bom… guerra eu não digo, mas após o Rei Neheb assumir o trono do reino das espadas, os guerreiros de lá foram ordenados a atacar os outros reinos. O Rei parece estar querendo tomar tudo para ele e seus seguidores.

 

– Entendo… Isso é péssimo. – Ok. Provavelmente isso que desencadeará a guerra que terei que impedir. Facinho, quem sabe saio dessa vivo…

 

– Mas Caed, você deveria saber disso, certo? Afinal veio do primeiro reino.

 

– Errr… A verdade, é que eu saí de lá faz um bom tempo para conhecer outros lugares. Só foi eu sair que tudo desandou, que coisa né haha.

 

– Acho que se você ficasse lá, ia dar na mesma cof cof. De qualquer forma, esses ataques do primeiro reino podem causar uma verdadeira guerra. Aqui no centro comercial mesmo, os guerreiros passaram a ser evitados e muitas brigas já ocorreram. Vocês devem tomar cuidado.

 

– Tomaremos sim, pode deixar! Aliás Ake-chan, por acaso você teria um mapa com a localização dos 5 reinos para nos dar?

 

– Tenho sim. Muitos viajantes por aqui pedem por isso pois seria um grande problema se entrassem no território de um reino diferente ao qual pertencem, então esse é de graça pra vocês – disse ela enquanto pegava o mapa.

 

– Muuuito obrigado. Enfim, é só isso que precisamos por enquanto. Acho que nos despedimos aqui Ake-chan – queria conhecê-la mais.

 

– Que isso, eu que agradeço. Se cuidem vocês dois e voltem sempre que precisarem tá bom.

 

– Claro, na próxima talvez possamos nos conhecer melhor, certo?

 

Nesse momento, Kanisa me deu um chute e me puxou para fora da casa. Nem pude ouvir a resposta da Akemi, mas provavelmente ela deve ter me chamado pra sair ou algo do tipo.

 

– Tchau, Akemi – disse Kanisa e em seguida fechou a porta.

 

– Qual é o seu problema? Isso doeu. – Ainda mais porque Kanisa desde pequena praticou artes marciais, então ela podia facilmente me quebrar.

 

– Como você mesmo disse, estamos aqui para cumprir uma missão, então você não deve ficar perdendo tempo paquerando, ainda mais quando a garota é muita areia pro seu caminhãozinho, não acha?

 

– Ah, já sei!

 

– Já sabe o que idiota?

 

– Você está tendo o sentimento de medo de perder, para outrem, o afeto da pessoa amada. Resumindo, tu tá com ciúmes.

 

– Me desculpe, mas eu não sinto isso por lixo – disse ela com um sorriso assustador. Foi tipo levar um tapa na cara.

 

– Eu estava só brincando, por que está tão bravinha hoje?

 

Fui ignorado…

 

Estávamos andando pelo centro comercial enquanto conversávamos e eu nem havia percebido o que estava acontecendo. Todos nos olhavam de uma forma estranha, provavelmente por eu estar carregando uma espada. Por isso Akemi pediu para termos cuidado.

 

– Sei que você está brava, mas vamos sair logo daqui. É só um palpite, mas acho que não somos bem vindos.

 

– Nossa, mas se você está com medo de comerciantes, como pretende parar uma guerra? Você não tem os poderes de um Deus? – Kanisa, codinome sarcasmo.

 

– Vem logo e para de tagarelar.

 

Tive que puxá-la pelo braço pois não ia demorar muito para a situação piorar.

 

Saímos e andamos até a pedra que usamos para nos esconder antes de entrar no vilarejo, e em cima da pedra abri o mapa.

 

– Por acaso você tem alguma ideia de por onde começar essa “missão”, Caed?

 

– Eu quero ir até o primeiro reino. Se pudermos de alguma forma convencer o Rei a parar os ataques, podemos impedir a guerra antes mesmo dela começar.

 

– Nossa. E não é que você tem mesmo um plano. Como esperado de alguém que sempre tirou boas notas mesmo sendo um vagabundo nato.

 

– Vindo de você, vou considerar isso um elogio.

 

Voltei minha atenção para o mapa e ela fez o mesmo. Para nossa sorte, o primeiro e o quinto reinos, eram os mais pertos, eu imaginava que seria o contrário. Os cinco reinos formavam juntos um círculo em ordem crescente no sentido horário, o que explicava essa proximidade.

 

O dia nesse mundo parecia durar bem mais do que na Terra, mas exatamente por não saber o tempo que demoraria para escurecer, decidi que era melhor partir imediatamente.

 

– Vamos Kanisa, parece finalmente estar baixando o segundo sol, é melhor que cheguemos antes que escureça de vez.

 

– Sim. Espero que sejamos bem recebidos lá, fiquei com bastante medo quando todos começaram a nos olhar no centro comercial daquela forma odiosa. – Bipolaridade ataca, Kanisa modo garota frágil.

 

– Não parecia, você só queria saber de brigar comigo.

 

– Eu estava tentando me distrair por causa do medo e você nem percebeu isso. Você deveria ser mais gentil.

 

– Meu Deus, eu desisto! – Será que esses poderes vem acompanhados de um pacote de ajuda psicológica?

 

Apesar de o reino das espadas ser o mais próximo, ainda havia um bom caminho para percorrer e cada vez mais a escuridão tomava conta do céu. Enquanto andávamos Kanisa cantarolava e com isso eu apenas me perdi em meus pensamentos.

 

Erictónio maldito, nem pra me dar uma ajuda sobre o que fazer. Preciso mudar a opinião do Rei sobre os ataques, mas não sei como, preciso de dinheiro desse mundo, mas não tenho, sem contar que ainda tenho que aprender a usar esses poderes. Droga! – Toda minha animação ao chegar, cada vez mais se esvaía.

 

“Ano koro mitai nitte modoritai wake janai no nakushite kita sora wo sagashiteru”.

 

– O que você está cantando?

 

– É a música de um anime – bipolaridade, Kanisa modo despreocupada.

 

– Como consegue estar tão alegre? Corrigindo, como sua personalidade muda tão rápido?

 

– Porque será né… Caed, olha, olha. Acho que chegamos.

 

Depois de cerca de 30 minutos andando, chegamos ao primeiro reino e era totalmente diferente do centro comercial. Diversas casas grandes e bem construídas, um enorme castelo ao fundo cercado por muros, um verdadeiro reino, assim como os que haviam na Terra antigamente.

 

Nos aproximamos para entrar e logo avistamos dois guardas na entrada. Eles nos barraram imediatamente.

 

– Identifiquem-se – disse um deles.

 

– Meu nome é Caed e essa é minha esposa Kanisa, somos plebeus provenientes do quinto reino e queremos nos tornar guerreiros para lutar pelo rei.

 

– …Hmm, ok. Podem passar. Ao amanhecer, vocês devem ir ao castelo e se identificar. Lá serão instruídos sobre o que devem fazer. Não ousem deixar de fazer isso de forma alguma, entendido. Do contrário serão capturados e punidos.

 

– Pode deixar, assim que acordarmos será a primeira coisa que faremos. Aliás, vocês podem me ajudar? Eu gostaria de saber onde podemos arrumar dinheiro e passar a noite por aqui.

 

– Ah, claro. Há um bar aqui perto, é só seguirem reto e passarão por ele. Lá há quartos e se vocês ajudarem o dono até que o bar feche, poderão passar a noite. Já o dinheiro conseguirão assim que entrarem para o exército, como todos no reino.

 

– Fico agradecido, nobre guerreiro.

 

Seguimos em frente andando até que, quando os guardas sumiram de vista:

 

– E-e-esposa? – Kanisa parou, completamente envergonhada pelo o que eu tinha falado.

 

– Desculpa, era a forma mais rápida de enganá-los. Foi apenas para isso, não precisa se iludir.

 

– V-você diz isso mas foi a primeira coisa que passou pela sua cabeça né. De qualquer forma, pode ficar tranquilo – disse ela colocando a mão em meu ombro – eu te rejeitaria!

 

Engraçado ela dizendo isso enquanto ainda está vermelha.

 

– …

 

Continuamos andando, olhando um pra cada lado até chegarmos ao bar que o guarda havia mencionado. Para minha surpresa, todos, até os que estavam trabalhando lá, portavam suas espadas.

 

– Vão querer o que? Cachaça ou cerveja? – disse, assim que nos viu, o rapaz no balcão do bar.

 

– Cerveja sempre… Q-quero dizer, estamos aqui pois acabamos de vir para esse reino e precisamos um lugar para passar a noite. Um guarda me disse que se nós ajudássemos nesse bar poderíamos dormir aqui. É verdade? – Um sorriso meio de vergonha tomou conta do meu rosto.

 

– Ora! Claro. Esse bar está aqui exatamente para ajudar e ser ponto de encontro para aqueles que acabam de chegar ao primeiro reino – disse ele dando tapas em minhas costas – Garota, como você é bonita, sirva os clientes e você garoto, pode ir lavar os pratos e copos.

 

Droga, preferia servir que lavar, eu também sou bonito, atrairia muitas garotas para o bar. Quanto mal gosto…

 

– Claro chefe! ohoho – disse Kanisa rindo de mim.

 

– Aliás, podem me chamar de Ryou.

 

– Prazer, Ryou-san. Eu sou Caed e essa é Kanisa. Obrigado por nos receber – fiz uma pequena reverência.

 

– Eu que agradeço, estávamos com falta de pessoal. De qualquer forma, mãos à obra por que clientes não se servem sozinhos.

 

Então eu e Kanisa começamos a fazer cada um sua parte. Lavar era uma droga, mas por outro lado, trabalhar ali foi de grande ajuda não só por ter conseguido um lugar para dormir, mas também pelo que os clientes conversavam. Falaram sobre as atividades recentes do reino o tempo todo.

 

Pelo que escutei, os ataques se baseavam numa espécie de ditadura, pois eles queriam mandar em todos os outros reinos. Além disso, queriam obter a magia do segundo reino e os objetos preciosos do terceiro.

 

– “A partir de amanhã irei para o bloqueio” – disse um dos clientes após comentar sobre uma muralha que foi construída para cercar o quarto reino e impedir qualquer contato dos seres que viviam lá, com o lado de fora. Provavelmente por ser um lugar onde há diversos monstros, segundo o que Ake-chan disse.

 

Esses foram alguns dos assuntos que escutei enquanto lavava a louça e, após cerca de uma hora trabalhando, o bar começou a esvaziar até que, em pouco tempo, só sobrou eu, Ryou-san, Kanisa e outra garota.

 

– Kanisa, Caed, bom trabalho. Se puderem, espero contar com vocês mais vezes. Bom, vocês devem estar exaustos. Yuna, você pode leva-los até o quarto? – disse Ryou-san.

 

Kanisa realmente parecia acabada, então ela apenas acenou com a cabeça e começou a seguir para o quarto.

 

Acho que ter diversas pessoas dando em cima dela por tanto tempo foi realmente exaustivo. Tem cego pra tudo.

 

– Sim, papai.

 

Espera aí, agora percebi uma coisa. A filha do Ryou-san… é muito linda. Bom trabalho Ryou-san. Esse pequeno corpo, esses olhos e o cabelo grande… é a primeira loli que vejo nesse mundo. Desculpe-me Ryou-san, mas já me decidi!

 

– Yuna-chan, ainda não me apresentei. Prazer, meu nome é Caed. Dezesseis anos. Profissional lavando pratos.

 

– Caed? Nome estranho hahaha.

 

– Sério que do que eu falei, o estranho foi meu nome? – Eu ficaria abatido após isso, maaas… ela sorriu e isso é um sinal. Meu nome incomum, valeu a pena.

 

– A apresentação até que foi engraçada, irei aderir haha. Yuna. Quatorze anos. Sua chefe.

 

– Minha chefe… me sinto inferior.

 

A boa notícia é que a diferença de idade é pequena, não cometerei um crime.

 

– Um dia você chegará ao meu nível – disse ela enquanto abria uma porta – Bom, esse é o quarto de vocês, melhor descansarem. Sua namorada parece realmente exausta, ela não disse nada no caminho. – Namorada… E com esse mal entendido minhas chances se acabaram – Boa noite.

 

– Kanisa, você é um verdadeiro repelente de garotas.

 

Apesar de ter falado com ela, Kanisa parecia não ter me ouvido, estava dormindo em pé. Pelo menos não impediu minha conversa.

 

Entrei no quarto, foi um dia realmente cansativo, então eu também precisava muito descansar, mas ainda havia um problema.

 

– UMA CAMA?! Impossível.

 

– Você… dorme… no chão. Se quiser… dormir em cama, peça para a… “Yuna-chan” – disse Kanisa enquanto bocejava e já se deitava.

 

– QUEEEE?!! PORQUEE?

 

– Estou cansada… para discutir, mas não surda… Aliás… se não perdesse seu… tempo cantando garotas, eu não… me importaria que você dormisse… na cama também. Boa noite, espero… que você… fique com dor nas costas – disse ela e logo em seguida dormiu.

 

Droga! Kanisa me tortura até com sono. Eu não devia ter feito aquilo perto dela só porque parecia estar sonolenta. Pelo menos estou cansado, então durmo em qualquer lugar, sem problemas. Uaaaah… – Após alguns minutos, dormi.

 

— — —

 

Acordei com a claridade da manhã e fui direto para o banheiro lavar o rosto. Minhas costas realmente amanheceram doendo, mas dando sequência a maré de azar…

 

– Kyaaaa!!! – Assim que entrei no banheiro, ainda meio sonolento, escutei um grito e logo em seguida levei uma pancada em meu rosto que me fez cair no chão. Quando me dei conta, percebi que Kanisa estava lá e ainda por cima, se trocando.

 

– Cresceram… – Fiquei paralisado por um instante.

 

– S-s-sai logo daquiii!! – ela finalizou com um chute, me jogando para fora do banheiro.

 

Por quê isso sempre acontece comigo? Não que tenha sido de todo ruim, mas ela vai ficar de mal humor de novo…

 

Após alguns minutos, Kanisa saiu do banheiro usando o rodo para me fazer manter distância e desceu para o bar sem dizer uma palavra sequer. Aproveitei para me aprontar também e logo em seguida saí para descer também.

 

POW!!

 

– Aaai! – Bati a cabeça em algo no meio do caminho – Hoje não é meu dia.

 

– Você está bem? – disse Yuna-chan.

 

Assim que olhei pra ela, minha cabeça começou a girar e a mesma visão que eu havia tido antes de me teletransportar, novamente veio à minha cabeça. Foi aí que percebi: a jovem garota que apareceu em minha cabeça junto às imagens do mundo, era a Yuna-chan.

Anúncio de nova obra no ItadakiNovel!

Caros leitores e autores,

 

é com muito prazer que anunciamos uma nova obra a ser publicada aqui no nosso espaço. Trata-se do segundo volume de “Habitantes do Cosmos – Artemísia”. Habitantes do Cosmos é uma obra de autoria de Francélia Pereira e conta a história de uma distopia na qual a humanidade se espalhou pelo Sistema Solar e cuja essência é enormemente influenciada pela mitologia de diversos povos antigos.

“Habitantes do Cosmos” é uma série com volumes independentes e nós, do ItadakiNovel, publicaremos o segundo volume “Habitantes do Cosmos – Artemísia”. O primeiro volume pode ser encontrado no site da loja virtual da Editora Multifoco através deste link e por ainda estar sob contrato, a autora infelizmente não pode nos disponibilizar.

A série será publicada – muito – em breve e contamos com o apoio e a leitura de todos! Uma obra que trata de temas bastante recorrentes na sociedade atual além de fantasia na medida certa, “Habitantes do Cosmos – Artemísia” tem tudo pra ser uma obra apreciada por todos que a lerem!

 

Atenciosamente,

Remy

Contos de Ustrael – Leão Dourado, Parte II (Capítulo 3)

Fang estava de braços cruzados, encostado a parede olhando para baixo, quando levantou o olhar…Viu bem.Uma imensa estátua de Órion refletia em seus olhos.

Teve flashes da batalha que travaram.

No exato momento que fora chutado e derrotado.

Naquele momento…

O Rei de Kanszes quebrou o link-orgânico.

Quando ele ainda está ativo e uma das duas partes que estão com o link é morta…A outra vai junto por mera conseqüência já que as vidas ficam interligadas, durante estes sete anos se pergunta o motivo desse gesto com um inimigo.

E só conseguia ficar irritado por ter a vida poupada.

—–

Adeko abriu a porta.

Perseus estava com os pés em cima de sua mesa e tomando um suco.

“E ae, Rei?”

Se fosse sete anos atrás…Iria ficar irado.Completamente fora de si ao ver o maior dos inimigos tão casualmente assim em seu escritório.

Mas aprendeu muito bem a controlar suas emoções neste tempo.

E também…

Perseus não mentia.

Ao menos neste momento.

Ninguém é idiota o suficiente de ir em um país de rank-5 sozinho tentar iniciar uma luta, jamais iria sair vivo, então decidiu escutar.

“imagino que a rainha tenha dito o por que estou aqui.”

“Sim, e não parece ser algo que eu vá aceitar.”

“De primeiro com certeza não, mas aconselho que pense bem no assunto.”

—–

Sorae e Kaori estavam sentadas a cama em outro cômodo.

“Mãe?”

“Sim…?”

“Seu olhar…Ele está bem diferente do habitual, aliás, até mesmo a raiva que tinha daquela pessoa agora virou uma expressão…Bem diferente, o que ele disse com você…?”

“…Acho que não vou lhe esconder.”

—–

Adeko encarava Perseus.

Não demonstrava reação, apenas estava sério, acabou de ouvir esta frase da boca da pessoa a frente e tenta assimilar se foi isso mesmo e seus ouvidos não o enganaram.

“Deixe-me casar com sua filha daqui a 11 anos.”

Primeiro e mais importante.

Como sabia de Kaori?

Até mesmo o nascimento de Kai foi tratado como um segredo ao qual ninguém de fora tinha o direito de saber, isso só podia significar que os espiões colocados antes daquele dia ainda permaneciam pelo castelo.

Apontou para a porta.

“Saia, antes que eu perca o meu juízo.”

Era a reação que esperava, e claro que veio com as “armas” necessárias para fazê-lo mudar de idéia, apenas fechou os olhos dando um sorriso.

“Androgênesis.”

“Como?”

“Sim, mesmo que consigam achar uma cura é improvável que venha nos próximos 70 anos, visto, que até mesmo em Others, ela só veio um século depois, hu, se aceitar minhas proposta…No grande dia, ao Kai, Kaori e Sorae, iremos lhe dar de bom grato o antídoto.”

Um abalo.Um abalo foi visto no rosto do Rei.

“Se me permite argumentar também…Isso é uma loucura.”

Olharam para trás.

Apenas quatro pessoas do país sabiam sobre todos os eventos que aconteceram sete anos atrás, e Ground era uma delas, parou ao lado de Adeko.

“Hu, vocês me perceberam aqui desde o começo, não é?Então vejo que posso me pronunciar, ao menos acho, mas deixem-me dizer, é loucura se aliar a ele, o mesmo que apertar a mão do diabo.”

“Você é apenas um lacaio, cale a boca.”

Aliás…

Hu.

Eu não estou nem ae para aquela pirralha, tudo o que preciso…

É de apenas uma desculpa para colocar a mão nesse armamento militar e botar continente a meus pés, que jamais viria de outro modo.

O rei voltou a encará-lo.

“Eu recu-

“Esperem!”

“COMO É!?”

Esse grito que o interrompeu…Ao olharem para a porta.

“Kaori…?”

Deu alguns passos a frente.

“É verdade que…Se eu me casar com você, vai dar a cura do androgênesis?”

“Sim, eu não minto, ao menos alguma boa qualidade existe aqui, ou talvez…NÃO, por que minhas ameaças sempre se concretizam, sabe?”

E então.

Sozinho.

Começou a rir na sala.

“Kaori!”

Adeko se ajoelhou a frente dela levando a mão a seu ombro.

“O que acha que está fazendo!?Eu não vou permitir que se entregue a este homem!”

“…”

Só teve uma reação.

Se colocou de joelhos e bateu a cabeça ao chão deixando os dois em choque.

“POR FAVOR!Pai!Eu nem mesmo fui gerada por amor!Apenas por uma necessidade, não foi!?Então me deixe cumprir essa necessidade!De tirar o androgênesis do meu irmão e da minha mãe!”

Não.

Ele não tinha o que dizer.

Estava completamente assustado com essa reação.

Mas…

Estava disposta.

Não existia nenhuma hesitação nestas palavras.

Está pronta.

Totalmente.

Pronta para se sacrificar e se dar uma vida infeliz até a morte para salvar tanto Kai como Sorae.

Perante tamanha determinação.

Como poderia?

Como poderia passar por cima desses sentimentos?

Com certeza só a fará se sentir pior.

Se eu não sirvo nem para fazer a única coisa que me fez existir…

Se eu não posso nem me sacrificar…

QUAL O SENTIDO DE ESTAR VIVA AGORA???

ELE NUNCA EXISTIU, NÃO É!??!?

Ele sabia, ela vai gritar exatamente isso.

Cerrou os dentes de maneira tão forte que começaram a sangrar.

O coração deu uma pontada forte.

O que…

O que eu posso fazer…!?

Um pouco atrás…As escondidas, Perseus deu um largo sorriso oculto na escuridão, Com certeza…Para ele…É tudo muito engraçado, tão engraçado que queria gargalhar nesse momento.

—–

Algumas salas distantes…Sorae se encontrava sentada a cama.

As lágrimas pingavam como uma torneira pelo rosto caindo em suas pernas.

Primeiro não conseguiu fazer nada pelo Kai.

E agora…Por sentir o mesmo de Adeko…Fora incapaz de parar Kaori.

Frustração.

Raiva.

Angustia.

Fechou o punho e socou a cama a desmontando.

Eu definitivamente…!!Sou um fracasso como mãe…!!

—–

Adeko apontou.

“Muito bem, Perseus, se daqui a 11 anos o antídoto não estiver em minhas mãos, pode ter certeza de algo, irá se arrepender do dia de hoje para sempre.”

“Hu, pode ter certeza que não te quero como inimigo, por que acha que vim até aqui?”

Bem, era um bom ponto.

E então.

Aconteceu.

Com exceção de Kaori…Todos perceberam muito bem.

Porém…Mesmo que em seu caso fosse limitado.

Sentiu algo.

Uma sensação horrível.

Adeko se lembrava e muito bem deste arrepio.

Imediatamente fora até a janela a abrindo, só conseguiu ficar branco, o mesmo portal…De sete anos atrás.

Fora aberto neste céu!

Ground começou a rir.

“EU DISSE PARA NÃO CONFIAR NESSE CARA!”

“EU NÃO TENHO NADA HAVER COM ISSO!Dessa vez.”

Mas…

O Rei de Others fez um olhar reflexivo levando o dedão ao queixo.

“O reino de Zanteos…Até hoje nós éramos aliados…”

Exatamente, Kanszes, tal como os outros países de Rank-5 possuem muito mais inimigos do que aliados, e durante todo este tempo…Com os dados que Others passou…

Estudaram uma forma de reproduzir o mesmo tipo de ataque sendo preparado durante estes sete anos.

Visto que era praticamente impossível de ser evitado, principalmente se for feito em total sigilo.

Adeko o encarou.

“E o que pretende fazer?”

“Não é lógico, meu Rei?”

Sorriu e apontou para si mesmo com o dedão.

“Quis o destino que o número um do continente estivesse aqui nesse dia, a partir de hoje a aliança Others e Kanszes nasceu, e Others e Zanteos, acabou!”

—–

Foi em um flash.

Todos os cidadãos que vivenciaram o horror de sete anos atrás…Tiveram essas memórias desenterradas!

“DESTRUAM TUDO!”

As explosões aconteciam a todo momento na ilha conforme se chocavam violentamente ali do céu.

E dessa vez…

Cavaleiros montados em dragões também avançaram tomando por completo o espaço aéreo do país.

Em meio ao caos das ruas com as pessoas correndo desesperadas…Alguém permanecia imóvel.

“Sério…O quão engraçado pode ser o destino?”

Fang estalou os punhos.

“Hu, hora de proteger o que vim destruir no passado, é?!”

—–

“Então acho que posso contar com o apoio de ambos, muito bem, Perseus, Ground, vão na frente, irei chamar alguém para levar Kaori até o abrigo e logo saio.”

Balançaram a cabeça positivamente.

E então…

Se moveram!

—–

Inúmeros abrigos subterrâneos foram construídos desde aquele dia buscando proteger a população caso algo como o que está ocorrendo agora viesse a se repetir.

Começaram a serem erguidos para cima causando um terremoto jogando fumaça para todos os lados.O formato era de uma cúpula de metal realmente instransponível.

E por dentro…Tinha um tamanho para caber até 200 mil pessoas.

Que por sinal…

Dos abrigos, os soldados avançaram!

Mesmo que seja quase impossível deter esse tipo de ataque é possível se preparar para contra-atacar.

Toda noite milhares de soldados iriam dormir justamente ali onde ficariam até as sete da manhã do dia seguinte e o ciclo se repetiria a partir da 00:00.

Recebiam todo o treinamento dentro do abrigo vide que dispunhava de tudo que precisavam.

As conhecidas unidades do solo.

Então não.

Não dessa vez.

As vitimas jamais seriam como o daquele dia.

Uma imagem aérea mostrou as unidades saindo dos abrigos e se chocando violentamente ao inimigo.

—–

“Rei!”

O mesmo soldado…Ao qual o ajudou sete anos atrás abriu a porta.

Adeko balançou a cabeça positivamente.

“Leve a Kaori até um dos abrigos, irei me encarregar de tudo isto.”

“Sim!”

Imediatamente se ajoelhou, a pegou no colo e ficou em pé.

Antes de sair, porém…

Sorriu na direção do Rei.

“Não pense nisso como uma redenção por causa daquele dia, apenas…Se for para se “inspirar” nele, busque aqueles sentimentos de proteção que tinha, se forem os mesmos daquele tempo, com certeza vai triunfar.”

“Você…”

Exatamente.

Era uma reprise.

Só que desta vez…Em vez de ficar dentro do castelo completamente imponente ao perigo iria para a linha de frente.

Definitivamente é um sentimento estranho, não sabe como reagir direito e nem o que pensar.

Mas…Com certeza, ele era o ultimo elemento.

Se esta força que possui neste momento estivesse sobre a bandeira do país naquele tempo.

Nada iria se perder.

E agora…

Não deve pensar neste passado pois pode atrapalhá-lo.

Apenas em algo.

Os sentimentos que teve aquela vez, sua vontade de proteger as coisas ao redor, se copiá-los e os trouxer para este momento…

Apenas sorriu e balançou a cabeça positivamente.

“Sim.”

—–

Adeko tocou o topo do castelo, ficou em pé e começou a olhar em volta.

Bolas de fogo cruzavam o céu nublado.

Várias ondas se formavam inundando certas partes da cidade.

Explosões ocorriam nas ruas.

A fumaça subia aos céu.

Escutava o som do chocar das espadas.

Os gritos desesperados.

Um mini-terremoto ocorria a todo momento fruto da batalha.

E neste momento…

Inúmeros navios saíram do porto, miraram para cima…E dispararam lasers de energia na direção dos dragões.

O céu também começou a se rechear de explosões que liberavam furiosas correntes de ar e criavam correntes de eletricidade que se alastravam a baixo.

Da fumaça gerada…

As criaturas sobreviventes saíam e avançaram para o solo.

Davam um único rasante transpassando as casas e prédios os derrubando seguidamente tal como atacavam as pessoas.

“Estão levando os cidadãos aos abrigos?”

A pergunta do Rei fora direcionada ao soldado logo atrás.

“Sim, mas…Infelizmente também estão em um número imenso, com certeza isto é uma aliança…Somos nós, contra dois, ou até mesmo três exércitos.”

“Uma aliança, é?Hu, eu não me lembrava de ter tantos inimigos revoltados assim.”

—–

“E o meu pai???”

Exatamente, como já devem ter deduzido, uma das pessoas que sabe que esta menina não é filha de Órion, é o mesmo soldado que salvou Kai no passado.

A essa altura tiveram sucesso em chegar a um dos abrigos.

Sorriu, se ajoelhou e colocou a mão em seu ombro.

“Ele vai ficar bem, Adeko mais do que qualquer um treinou para momentos como esse, apenas espere aqui, confie naquele que herdou os sentimentos de Órion, e, assim, mais uma vez, este país irá triunfar não importando quem seja o inimigo.”

—–

Um general inimigo derrotava inúmeros soldados de Kanszes.

Sua força e velocidade eram realmente de um nível que o permite superar a grande média, isto com certeza é verdade.Mas até mesmo entre gênios…Existem aqueles que se destacam ainda mais.

Nada.

Ele não viu absolutamente nada.

Fang se moveu e o cortou a cabeça antes que pudesse piscar.

Ficou em pé e olhou para a direita.

Nunca foi fraco, é o guerreiro mais poderoso abaixo da família real de Others.

Órion simplesmente que era forte demais, e começou a entender algo…O próprio Fang já tinha uma força que o permitia colocar mesmo gênios no chão sem muito esforço, uma elite que supera a elite.

Mas mesmo assim…

Mesmo com esse poder e sendo abençoado a um link-orgânico com o Abyssal…Fora derrotado por Órion sem muito esforço.

Imensurável, uma força que ultrapassa a elite que supera a própria elite.

Começou a estudar a história de Kanszes quatro anos após a batalha e ter percebido isto, e Órion não era uma exceção.

Os dois Reis que vieram antes eram igualmente fortes.

Sim, mesmo com o Abyssal nunca tiveram chance de vencer, Perseus certamente teme o poder dos Reis de Kanszes, por isso essa aliança.

Essa força natural que nasceu em resposta a maldição que cerca o país.

Deu um largo sorriso.

É assustador.

Um potencial infinito.

“É realmente assustador, por isso, tanto hoje, como aquele dia, o brilho nos olhos desses soldados nunca estremece?A confiança nos Reis é tamanha que sempre tiram o seu melhor, a moral sempre vive no alto e é impossível abaixar.”

Fechou o punho.

“Até mesmo eu posso me sentir assim, não é?”

—–

Sorae olhava a batalha pela janela.

Ainda não havia saído.

A história de Kanszes é cercada de lutas infinitas desde o ano de sua criação.

Parece uma cidade amaldiçoada a atrair conflitos, guerras e a sofrer crises.

Mas…

Não é uma exceção.

E sim uma regra.

Todos os herdeiros de Kanszes nascem preparados para esses dias de guerra.

“Uma cidade que nasceu e evolui sempre quando supera uma crise, não é?”

Se virou, abriu a porta e saiu.

—–

Três gigantescas serpentes foram invocadas por um alquimista ao qual cada passava 1km de altura e pesava milhões de toneladas.

Possuíam um alto poder de destruição, seus rugidos destruíam ruas inteiras cobrindo mais de 700 metros de pura destruição.

Ou melhor…

Agora duas.

Adeko socou uma no rosto gerando um abalo na atmosfera.

Fora imediato.

Caiu derrotado na água.

O Rei tocou o solo.

Se virou e deu um tapa em uma rajada para a direita que explodiu no meio do oceano.

A presença emanada pelo autor do golpe era forte, com certeza o general mais poderoso inimigo.

“Olá meu rei.”

Esticou os braços no mesmo instante que duas explosões ocorreram atrás.

“Viemos terminar o que começou sete anos atrás.”

“Ho?Não diga besteiras…”

Teve flashes da batalha de Órion contra o Abyssal.

Só conseguiu sorrir por realmente achar engraçado, essa frase teve o tom de uma piada aos ouvidos do Rei e nada mais.

“Este país sobreviveu a coisas muito piores do que um bando de fracassados podem tentar proporcionar.”

Dourado.

O Aurae começou a correr forte pelo corpo do Rei.

“Venha, irei fazer questão de mandá-lo para o mesmo local onde os outros derrotados estão.”

—–

“Disparem!!!”

Ao longo da cidade os soldados inimigos estavam se aproximando dos abrigos.

Não era a melhor decisão.

Inúmeros lasers começaram a surgir pelas paredes que eram movidas os tornando visíveis.

“Aquilo..”

No interior…Mexendo nos computadores toda a cúpula começou a brilhar.

Foi em um único flash.

Rajadas de energia foram disparadas causando imensas explosões acima das casas.

—–

Perseus estava parado, sentado, com a mão no joelho em cima de um teto.

Levantou o olhar na direção das serpentes.

Com certeza eram um poder a ser temido.

Porém.

Havia uma…

Outra que facilmente superava o tamanho e poder destrutivo do trio.

Deu um sorriso e ficou em pé.

Já sabia qual era seu alvo.

—–

A batalha no céu era feroz.

Navios voadores de Kanszes e Dragões batalhavam deixando uma chuva de corpos e destroços que caíam ao solo causando vitimas totalmente indiscriminadas.

Os répteis davam rasantes únicos causando a explosão, e, no mesmo segundo, seguiam para o próximo.

Ground se encontra exatamente ali.

Tinha a capacidade de atacar ignorando a distância e sendo assim era uma peça importante para limpar esse sistema aéreo.

Junto a ele tinha um mago de alto nível que auxiliava as forças.

Mas a situação não era boa vide que estavam em um número menor que o inimigo.

“Parece que os vagabundos trouxeram todos os dragões do mundo…!!!”

Pelo menos os de Rank-S não estão aqui, aquelas bestas tem uma força comparada mesmo aos Abyssais, e por isso talvez não seja uma boa idéia os desafiar.

Tremor.

O navio subitamente perdeu altitude.

Ground olhou para trás e o motivo era claro, um “gigante” de três metros caiu ali, retirou a clava de batalha de cinco metros maior que o próprio, girou e avançou!

Partido em dois.

Ground pulou para trás e o navio fora completamente partido, sendo assim fazendo todos caírem.

Quando olhou para cima…

O inimigo avançava!

“Hu, eu não queria matar um amigo sem cabelo como eu, mas…O destino é triste.”

Ainda no ar, girou o corpo e “tocou” o céu com a perna direita como se houvesse uma parede invisível.

Levantou o olhar.

Não viu nada.

O sangue simplesmente jorrou.

Como, como um raio, o soldado de Kanszes passou pelo inimigo e o golpeou na barriga com a espada que empunhava.

Ainda não terminou.

Usando os destroços da construção como apoio…Começou a se mover de um ao outro ganhando velocidade.

E então…Explodiu contra umas serpentes a transpassando fazendo cair morta a água.

E neste momento…Perseus surgiu atrás da ultima.

Sorriu e a socou na cabeça.

Foi o suficiente.

Explodiu pelo impacto.

Tocou o chão e olhou para a direita.

“Falta aquela ultima.”

—–

Duas rajadas.

Uma dourada e outra cinza se chocavam e separavam por todos os lados.

Na água, no solo, pela cidade causando explosões constantes como conseqüência.

Adeko fechou o punho e o socou no rosto!

O impacto fora violento o fazendo se chocar fortemente a água.

—–

Sorae surgiu a frente da ultima serpente.

Fechou o punho e a socou.

O resultado não foi dos melhores.

O punho pareceu quebrar sendo jogada para trás.

“C..Como é..!!?”

—–

Algo não pareceu certo.

Adeko notou um sorriso no rosto do inimigo.

Este, que ficou em pé.

“Hu, olhe na direção do portal meu Rei.”

“Como?”

Já tinha sentido uma sensação ruim.

E viu bem o que era.

Sim.

O olhar pela primeira vez abalou.

—–

Estavam preparados.

Mesmo que esse tipo de ataque seja quase impossível de evitar…A preparação para caso ocorresse novamente fora toda feita de ante-mão

Então era o resultado mais provável.

Ao redor dos abrigos todos os civis estavam conseguindo a proteção, as unidades do subterrâneo conseguiram segurar muito bem a primeira investida até todas as outras estarem prontas para partir.

Era um ritmo perfeito o atual que deveria ser mantido, Kaori estava sentada em uma cadeira dentro de um deles.

Mas…Algo chamou sua atenção.

Por que todos os outros olhavam o teto ao qual era transparente dando para ver perfeitamente o lado de fora com esse tipo de rosto recheado de desespero?

Algo estava descendo do portal.

Fogo.

Chamas começaram a “jorrar” para baixo como se fosse uma torneira aberta causando um incêndio na cidade que se alastrou em uma velocidade impressionando fazendo tudo queimar.

Não.

Se fosse só isso estaria ótimo.

Mas…

Ocorreu.

Um meteoro.

Um meteoro incandescente maior do que a próprio ilha jogou tudo na escuridão e uma chuva de fogo teve inicio.

—–

Adeko o encarou.

“Vocês…PRETENDEM MORRER JUNTOS!?”

“Hu!Já viemos aqui com esse propósito!”

“Kamikazes..!?”

Não.

Não mesmo.

De jeito nenhum.

Este meteoro não pode ser ignorado!

O impacto iria destruir muito mais do que as ilhas do país.

Tomou vôo na direção do próprio!

“Pode parar!”

Quando estava para tentar deter o Rei..Ground o socou no rosto gerando uma corrente de ar e o forçando para trás.

Realmente fora pego de surpresa.

Mas…

Começou a rir.

A essa altura…

O fogo…Em muito lembrava pingos de chuva pela proximidade com a cidade.

Um verdadeiro pânico se instalou naqueles que ainda não foram capazes de chegar aos abrigos.

“O que tem de tão engraçado?”

“É impossível!Tudo que aquele idiota irá conseguir é ser o primeiro a morrer. “

Impossível.

“É…?”

Ground já ouviu essas palavras inúmeras vezes, e em um número maior que todas as outras vezes quando Adeko começou a treinar.

No começo era ridicularizado pela grande maioria e vivia a sombra absoluta de seu irmão.

Mas…

Continuou em frente, Fang aprendeu com o Rei que melhor do que ninguém que qualquer barreira pode ser quebrada.

Pois o trabalho duro realmente dá resultado.

Não importa as dores.

Nem mesmo histórias ruins.

Basta sempre acreditar.

Até mesmo os dias imutáveis de mediocridade podem ser deixados para trás.

“Hu, vocês são mesmo uma desgraça, eu odeio Kamikazes, mas no final das contas…Não se preocupem, suas vidas tão miseráveis e sem sentido ao qual aceitam servir de meros suicidas sem valor algum…Também será salva pelo Leão dourado de Kanszes.”

Um luz dourada.

Em meio a chuva de fogo…Um brilho dourado começou a subir até o meteoro.

Todos ao redor do país eram capazes de ver.

Entenderam no mesmo momento…

‘É o Rei!”

Fang olhou para cima.

Cerrou os olhos.

“Este pessoal ta animado, se aquela coisa colidir…Hu, não, nem vou tentar prever o que será destruído.”

“Os danos serão irreparáveis.”

O meteoro refletia nos belos olhos de Sorae.

Flashes começaram a passar.

—–

Está de noite, a Rainha voltava para o castelo quando escutou alguns sons, estes, que chamaram sua atenção e decidiu segui-los.

Colocou a mão na árvore e viu bem.

“Aquilo…”

Adeko fora jogada de costas no chão.

Ainda era o inicio dos treinamentos, e não iam muito bem, ficou sentado e abaixou a cabeça.

“Adeko…”

Viu lágrimas pingarem como levou a mão ao rosto.

Não adianta.

Realmente não adianta.

Eu não tenho talento algum.

“Estamos mortos”.

“Agora o que será desse país? “

“Órion se foi…“

“Adeko é um bom em nada.“

“É impossível confiar nele.“

“A próxima guerra é a ultima.“

“Um país de Rank-5 tendo um rei tão fraco…“

“Eu escutei boatos que muitos se mudaram.“

“Eu também.“

“E não estão errados, querem viver né?“

“Eu também acho que vou me mandar…“

“Esse país não é mais seguro e tem um prazo de validade até a próxima batalha.“

“Ver ele tentando treinar é triste, um verdadeiro fracassado…”

Começou a se lembrar dessas palavras.

E eram verdades.

Podia retrucá-las?

Exatamente como?

Nesse cenário atual…

Estão certos.

Recheados de razão.

Muitos deixaram o país com medo de um novo ataque, afinal, como podem confiar em um Rei que não tem capacidade de proteger a própria vida?

E é apenas o começo, tudo só tende a ficar pior.

“Hum?”

Sentiu alguém tocar seu ombro e olhou para trás.

“Sorae…?”

“Enxugue essas lágrimas.”

“…”

O segurou pelo mão e ajudou a ficar em pé.

“Então, esse é o ponto, né?”

Ponto?

Não entendeu de primeira.

Mas…

Sim.

Esse é exatamente o ponto.

Onde sempre costuma desistir e falar que não tem talento para nada.

“Você nunca se perguntou?O quão incrível pode ser, se pela primeira vez…Tentar passar desse ponto?Claro, eu sei que sua auto-estima por tanta falhas já não é das melhores, na situação atual, então, mas…”

Apontou!

“Escute algo.”

Qual a diferença?

Qual a diferença de um Elite e um Plebeu?

Qual a diferença de Adeko para Sorae?

Qual a diferença de um vencedor e um perdedor?

Ela é simples.

Ridiculamente simples.

Escancarada.

Não é decidida no local que nascem.

Não é decidida pelo o que tem a sua disposição.

E sim é decidido pelo o que todos tem.

“Atitude.”

O vento ficou mais forte.

Exatamente.

Sorae veio de baixo, dos piores lugares possíveis, porém alçou vôos gigantes onde foi considerada a mulher mais forte deste continente.

Adeko é um contraste.

Em tudo.

A diferença?

É atitude.

O jeito que encaram o mundo, os olhares que recebem, de como reagem as adversidades no caminho.

Tudo é sempre mais psicológico do que qualquer outra coisa.

Sorriu.

“Você pode, ignore tudo, ignore os rótulos de bom em nada e outras coisas piores que digam, pois a partir do momento que você acreditar que pode ser o Sol do país, alguém capaz de me proteger, proteger sua futura filha, proteger o sonho de milhares de pessoas em suas costas, vai acordar para ser um verdadeiro Rei como seu irmão foi, não é força, Adeko, existem muitas respostas que são impossíveis de se obter se não amadurecer primeiro.”

Levou a mão ao peito.

“Me diga, que tipo de Pai você quer ser.”

“Eh?”

Exato.

Como quer que sua filhe te olhe?

Um perdedor?

Ou um vencedor?

“Eu…”

Sim, nunca antes teve um motivo assim.

“O Órion se tornou o sol do país por que queria proteger o filho, e principalmente você, se quer ser como ele, precisa primeira ter as mesmas coisas em mãos, e pela primeira vez tem, então me responda, Rei de Kanszes, como você quer que sua filha te olhe?Que tipo de exemplo quer passar?”

Fechou o punho mais forte.

A resposta…

É apenas uma.

“Use ela, use a Kaori para ficar forte e ser capaz de finalmente quebrar aquele ponto, não só ela, e sim todos os outros, é hora de finalmente deixar esses dias imutáveis de mediocridade para trás, você pode, tem totais condições de dar o passo adiante.”

—–

Sorae cerrou os olhos.

“Mas…Enquanto as pessoas tiverem alguém para confiar e acreditar todos os seus sonhos, não espere que elas vão se desesperar e desistir, Adeko é o homem que torna possível o impossível.”

Não houve abalo.

Ao verem aquela luz…Sabiam o que significava.

O mesmo sentimento quando Órion ficou frente ao Abyssal.

Vitória, a mais pura e doce vitória.

Tendo alguém assim carregando suas vidas nos ombros.

Não tem por que perder a esperança.

Ela se virou e correu para a direita.

Perseus e Fang…

Tomaram caminho para abater a ultima serpente!

Não foi só com os dois.

Ignorando por completo a chuva de fogo…Os soldados voltaram a se jogar com uma vontade invencível aos inimigos.

O Rei de Others tocou firme o solo.

“Se aquele gatinho não desistiu…”

Três unidades surgiram para auxiliá-lo.

“Vamos derrubá-la!”

—–

O general avançou contra Ground.

Rápido.

Não foi capaz de ver nada.

Só entendeu o que houve quando a dor chegou fruto do soco na barriga que retirou todo o ar de seus pulmões.

Fora seguro pelo pulso.

E então…Saíram voando dali se chocando a inúmeras casas as destruindo no processo, o aurae funciona como um escudo ao redor do usuário.

Ground por ser um espadachim não faz uso de estilos mágicos.

Logo…Apenas ele levava o dano das colisões.

Voaram mais para cima, o inimigo o girou e jogou para baixo!

Se colidiu violentamente ao solo abrindo fendas de destruição.

Sim.

Achou que estava terminado.

Mas…

Não.

Ainda não.

Se levantou como se nada tivesse ocorrido.

“Hu, o que é essa força ridícula?Sim, acho que entendi, o Rei apenas queria tirar algumas informações e por isso não o arrebatou no primeiro golpe.”

“Como é!?”

“Essa cidade que ele tanto preza em proteger…”

O Rei reforçou a aura em suas mãos.

E então…As colocou no meteoro sendo forçado para trás!

“Eu não vou deixar que pessoas como você fazerem o que bem entenderem neste solo!”

Usando toda a sua força.

O guerreiro número um do país após Adeko e Sorae…Derrotou o inimigo sem que visse nada em um rápido movimento de espadas partindo o solo.

“Não importa o quanto um país tenha suas construções destruídas, enquanto o povo não morrer…O sol do país, jamais vai se apagar.”

—–

A pressão era sobrenatural.

Adeko começou a sentir seus músculos rasgarem.

A visão estremeceu e viu tudo embaçado.

Podia-se dizer que estava para desmaiar a qualquer momento.

Foi quando…

“POR QUE, ÓRION!?VOCÊ SEMPRE SOUBE DA MALDIÇÃO DESTE PAÍS, NÃO É!?ENTÃO…POR QUE!!?”

“POR QUE CONTINUOU TOMANDO TODOS ESSES CAMINHOS QUE COM CERTEZA O FARIAM FICAR CADA VEZ MAIS E MAIS PRÓXIMO DESSE CENÁRIO!!!?”

A maldição do país…

Não.

Isso não é uma maldição.

Conseguiu começar a entender tudo quando chegava no andar mais alto do castelo e olhava para baixo tendo a visão de todas as coisas vivas que devia proteger.

—–

Kaori olhou para a direita.

Ouvia a conversa de dois soldados.

“Sabe?Quando era criança sempre sonhei em ser um Rei, mas eu era imaturo demais, não sabia os sacrifícios que um Rei precisa fazer, só achava que seria demais ser um!Mas é por isso que são chamados de Reis, não é qualquer um que pode ascender a esse título, precisa ser a pessoa com maior capacidade de se manter sereno, matar suas emoções e ter um sangue-frio invejável, hoje, eu sei que não posso ser um mas tenho que elogiar cada um que existe, mesmo os inimigos, afinal, independente de suas ações, não existe nenhum Rei que tenha ações que possam ser consideradas ruins se tudo for feito visando unicamente o futuro do país.”

Mesmo que isso inclua esse tipo de ataque.

Afinal…

O mundo que vivem e as regras dele…Os obrigam a se degladiarem por que não podem aceitar as diferenças.

A paz irá vim pela força.

Não existe motivo para mentir e nem acreditar que talvez possa existir uma resposta diferente.

“…”

Voltou a olhar para cima, lágrimas pingavam de seus olhos, começou a imaginar pela primeira vez os sacrifícios que seu pai fez.

Foi doloroso.

Com certeza foi.

Mas…

“Diferente da fraca que eu sou…”

Mordeu os lábios.

Ele parou de chorar, encarou a vida de frente com todos os problemas, e hoje…

É este homem que pode colocar um país nas costas e dizer “Vem” para todo o mal do mundo.

Levou as mãos ao rosto abaixando a cabeça chorando copiosamente.

“Você é…Tão incrível…”

—–

Não é uma maldição.

E sim o objetivo de proteger um legado, proteger toda uma vida e ideal que veio antes o levando a frente.

Adeko conseguiu ver.

O primeiro Rei de Kanszes criou este país a partir do zero, imagine o quanto trabalhou e morreu por isso.

Seu sucessor jamais iria permitir que Kanszes, a existência do primeiro Rei fosse esquecida com tudo se perdendo.

Então além de dar continuidade ao trabalho de seu predecessor iria buscar melhorar o que veio antes.

Admirava mais do que tudo o trabalho feito por seu pai e os sacrifícios que fora obrigado a tomar.

Não é uma maldição.

Apenas orgulho e admiração.

Todos os futuros Reis tem em seu pai a figura que mais se orgulham, e até mesmo por isso…Não iriam permitir que a cidade fosse destruída independente do que for.

—–

Era o que mais sentia nesse momento.

Orgulho por quem foi seu irmão.

Orgulho por aquele que foi seu pai e avô.

Como poderia…

Como simplesmente poderia negar tudo que construíram sacrificando suas vidas virando as costas para Kanszes?

Realmente passou a amar esta cidade e a se importar com cada vida que existe.

O meteoro continuava descendo cada vez mais e mais a tal ponto que a colisão parecia ser inevitável.

Mas…

“Você pode fazer isso.”

“!”

Essa voz…

Esse sentimento…

Sim.

Era quente.

E passou uma imensa sensação de calma.

Foi para lembrá-lo de algo muito importante.

Um a um.

Todas as imagens dos Reis de Kanszes começaram a aparecer ao lado com suas mãos no meteoro.

O Dna*R que carrega jamais o deixa sozinho.

Órion sorriu.

“Vá, conserve os olhos fixos num ideal…E lute sempre pelo que deseja, pois só os fracos desistem, você é a luz, o sol de Kanszes, o Leão dourado, use até mesmo a tristeza de combustível e destrua as paredes.”

“Adeko.”

“Adeko.”

“Adeko”

Ele ouviu.

Todos os Reis chamaram seu nome.

Resoou no fundo de sua alma.

Ascendeu uma chama que em muito se pensou estar apagada.

“Sim!”

Retirou a mão esquerda do meteoro, a mesma mão que segurou os últimos momentos da vida de seu irmão começou a pulsar em dourado descontroladamente.

Arregalou os olhos.

Colocou toda sua força naquele punho.

“Exatamente.”

“Ao fazer isso, mostra que podemos caminhar lado a lado, como iguais, como sempre deveria ter sido.”

E então…

Socou!

O som de algo quebrando foi alto.

Foi seu braço.

Porém…

Uma rachadura.

Começou como algo pequeno.

E logo após…Em questão de segundos se espalhou em todo o meteoro…

Que explodiu!

Explodiu liberando um imenso pulso que cobriu a ilha inteira, todos os seus minúsculos pedaços que restavam começaram a cair como chuva pela ilha, tão pequenos que pareciam partículas.

Até poderiam ser chamados assim.

Os soldados levantaram suas armas comemorando em um grito que se espalhou por milhares de Km.

—–

Dentro das cúpulas a reação era a mesma.

Kaori foi pega no colo em meio a comemoração.

“SEU TIO É INCRÍVEL!!!”

Não.

Ela não tinha palavras no momento.

—–

Perseus cerrou os olhos.

Então é isso.

Esse é…

O poder que nasceu em resposta a maldição.

Não é a toa…

Que o teme.

“Aquele pirralho chamado Kai…Tem esse mesmo poder, não é?”

—–

Se chocou forte contra a água e começou a afundar.

Usou toda a força que restava para destruir o meteoro.

Seus membros…Seja braços ou pernas…Parecia que não tinha nada ali sendo incapaz de senti-los.

Mas…Conseguiu ver algo.

O sol brilhando por baixo da água com o portal tendo sido destruído pelo impacto.

Deu um sorriso fraco fechando os olhos.

Já estava ficando difícil respirar.

Mas…

Não tinha arrependimentos.

Algo.

Sentiu algo primeiro segurar sua camisa.

Logo depois seus lábios.

E por tal.

Abriu os olhos assustados.

Viu que fora Sorae dividindo a respiração.

—–

Chegaram a margem após alguns minutos, Adeko se colocou sentado tossindo.

Olhou para frente vendo Sorae com lágrimas nos olhos.

Mas…

Sorriu e se abraçaram.

Escutaram um alto som.

Fora da ultima serpente caindo derrotada por Perseus e Fang.

O vento gelado começou a bater confortavelmente no rosto de ambos.

Com esforço e ajuda o Rei conseguiu ficar em pé.

Tudo ao redor estava destruído, não que isso fizesse alguma diferença.

O povo está seguro.

Sendo assim…Esta cidade irá retornar ainda mais forte.

“Hoje, acho que finalmente…Posso lhe encarar com um sorriso no rosto, não é mesmo, irmão?”

—–

Passado alguns dias da batalha…Adeko abriu uma porta.

Era um local sem dúvida especial.

A parede a frente…Existia uma foto dos quatro Reis.

Primeiro: Ikaran Kanszes

Segundo: Yuzo Kanszes

Terceiro: Órion Kanszes

Quarto:  Adeko Kanszes

O quinto estava uma folha em branco.

Cerrou os olhos.

Apenas uma imagem poderia vim a mente.

Exato.

Viu as costas de Kai.

—–

O país de Kanzes é uma das áreas mais bem desenvolvidas dentro do continente de Ustrael.

Desde sua criação há pouco mais de 200 anos atrás sempre esteve a atrair conflitos e guerras por motivos desconhecidos, como se o país fosse amaldiçoado a sofrer com isso de tempos em tempos, muitas mortes e desastres os assombraram ao longo de sua história que foi construída através de infinitas batalhas e provações.

Porém…

A cada ataque.

A cada queda.

A cada vida que fora perdida…

O país sempre ressurgia mais e mais forte, tudo isso graças a uma espada e um escudo conhecido como os Reis.

Sempre agraciados com o combo dos genes mais fortes da história, já nasciam prontos para este momento.

Desde Ikaran até Adeko o poder dos guardiões do país só tende a crescer com o passar das gerações.

Então não importava se era uma quebra de cessar fogo no meio da guerra sendo cercados por mais de 50 unidades inimigas.

Uma guerra estando com 300.000 mil homens em desvantagem.

Um abyssal.

Um meteoro que colocaria fim em qualquer coisa.

Nada pode parar o país que detêm o maior poder do continente.

Esta linhagem que fica mais forte a cada geração só está começando.

Mas…

Para a linhagem continuar, seu próximo herdeiro….

“Só pode ser um principe fujão que detêm o mesmo poder das quatro primeiras gerações.”

—–

Kaori segurou uma foto.

Os raios solares passavam pela janela.

Levou o punho fechado até o peito e fechou os olhos.

Sua inspiração para encarar o amanhã…Sempre esteve ao lado e vivendo no mesmo teto.

Seu fardo é grande e realmente a faz esquecer algumas coisas.

Mas…

Sorriu em determinação.

Realmente não pode continuar como está pois nada vai mudar quando encontrar Kai dessa maneira.

“Comparando ao meu pai naquela época….”

Se virou, passou pela porta e continuou caminhando.

“Meus problemas não existem.”

—–

Ao lado da estátua de Órion…Construída ao lado.

Está ali.

Imortalizados lado a lado.

Se encontra a de Adeko sendo banhados pelo Sol.

PARAGOBALA – CAPÍTULO 20 – CAÇA AO ÍNDIO

Capítulo 20 – Caça ao índio

O policial Sérgio transitava em baixa velocidade com a sua moto, realizando sua ronda diária pela cidade. Era um trabalho monótono e normalmente ele não precisava fazer nada além de dirigir. A cidade não era exatamente tranquila e a chance de presenciar um crime não era pequena. Mas a força policial tinha uma boa noção sobre quais eram os locais e horários mais perigosos, e definitivamente, a rota que Sérgio fazia normalmente não apresentava problemas.

Ele passava na frente de um bar, quando viu um homem saindo do recinto. Ele parou a moto e ficou encarando a distância. Pegou o celular, e abriu uma foto. Olhou a tela e depois para o homem. “Não acredito…” balbuciou. Por um instante pensou em deixar pra lá e fingir que não viu nada. Ninguém ali na polícia tinha qualquer expectativa de identificar esse homem. Foi algo que foi enfiado goela abaixo pelo promotor da cidade. Ainda assim, ele pegou o seu rádio e chamou por ajuda. A ordem era clara: o promotor deveria ser avisado imediatamente assim que o suspeito fosse localizado. Ninguém sabia bem o que aquele homem tinha feito e ninguém se importava. O homem começou a seguir pela rua, e discretamente, Sérgio ligou a moto e deu a volta na rua, a uma distância razoável do alvo.

Vincent terminava de fazer a sua barba na frente do espelho. Já fazia mais de uma semana que a polícia procurava pelo suspeito. Suas recentes investigações não lhe trouxeram muito progresso. Sabia que o suspeito ia ao bar com um grupo, mas as descrições eram vagas. Nem sequer conseguiu um número exato de pessoas. Sabia que eram pelos menos 4. Mas mesmo isso pouco lhe servia. Os amigos do bar eram realmente companheiros de matança?

Então, o seu telefone tocou. Imediatamente, ele deixou o barbeador em cima da pia, limpou o rosto e atendeu.

– Bom dia doutor, aqui é o Antonio. Um policial identificou uma pessoa muito parecida com o retrato falado que você nos passou.

O coração do promotor disparou, para sua própria surpresa.

– Onde!?

– Foi em uma rua próxima do centro. Estamos vigiando ele e vamos abordar com cautela, fique tranquilo que até o fim da manhã ele estará na delegacia.

– Me dê a localização eu vou para lá.

– Tem certeza? Não precisa se preocupar com isso, nós somos capazes…

– Me passe o endereço. Quero contato com os homens que estão perto dele. Fale para os seus homens agirem com cuidado, e em hipótese nenhuma, matem o alvo. É muito importante que ele seja capturado com vida.

– Matar o alvo? Imagina…bom o endereço é o seguinte…

Vincent desligou o telefone e saiu de casa o mais rápido possível. Trocou colocou a camiseta, pegou uma arma que ficava guardada em uma gaveta no armário e desceu. Colocou os óculos escuros e saiu acelerando com o seu carro. No caminho ligou para um dos policiais que estava observando o alvo:

– Alô é o Sérgio?

– Sim eu mesmo.

– Aqui é o promotor Vincent. Estou indo até onde você está. Esta visualizando o alvo?

– Sim, ele está caminhando pela calçada da avenida. Não tem muito para onde ele ir. Temos já um homem acompanhando ele a pé, a distância, e eu estou na moto. Temos mais dois homens chegando, quando formos 4 iremos abordá-lo.

– Muito bem, vou acompanhar a operação de vocês, estou chegando ai. Continuem com cautela, o alvo é muito importante.

Antes de perceber qualquer sinal, Índio sentiu que algo estava errado. O seu sempre aguçado instinto, o fez estremecer. Estava andando calmamente, com a cabeça leve depois de tomar alguns copos de cerveja pela manhã, e em um instante depois, já estava pronto para matar e sobreviver. Sentia-se observado e não queria olhar para trás. Não mudou a velocidade de seu passo, e a qualquer um que não tivesse acesso aos seus pensamentos, era impossível perceber algum tipo de mudança no seu comportamento. Vestia uma bermuda que passava do joelho e uma camisa simples aberta. Por dentro da sua bermuda, tinha o seu facão, amarrado a sua perna. A 200 metros na sua frente, estava um ponto de ônibus. Sequer cogitou a ideia de entrar no veículo para despistar possíveis seguidores. Não gostava de ficar fechado em um veículo enquanto era perseguido. O que ele queria era entrar na mata o mais rápido possível. Uma vez ali, não se importa quem ou quantos estavam atrás dele.

– Rodnei, tem um ponto de ônibus ali na frente, se o alvo entrar vai ser problemático.

– Quer abordar ele antes que chegue ali? Não dá pra pensar muito.

– O Mário vai chegar agora lá pelo outra mão da via. Posso acelerar aqui e encostar do lado do suspeito, você chega por trás e o Mário pela frente. Ele parece desarmado…e inofensivo.

– Ok. Vamos, vamos!

Sérgio acelerou a moto, enquanto Rodnei, começou a correr. O terceiro policial, também acelerou o seu veículo em direção ao alvo.

Índio primeiro ouviu o som do motor da moto de Sérgio, às suas costas. Instantes depois, visualizou Mário com a moto na outra mão da avenida. Continuou caminhando com a aparente calma e enfiou a mão esquerda no bolso falso e agarrou o seu facão.

Sérgio parou a moto ao lado da calçada e gritou:

– Parado! Mão na cabeça, não se mexe. Apoiou uma perna no chão e apontou sua arma em direção a Índio.

Índio reagiu imediatamente. Puxou o facão do bolso, e no mesmo movimento virou-se para o policial e arremessou a arma. Ela foi girando na direção de Sérgio e se cravou em seu peito. O policial caiu no chão, junto com a moto. Índio já tinha começado a correr assim que arremessou a faca. Rodnei sacou sua pistola, ainda estava a 30 metros do alvo, e atirou. Mário entrou na contra mão e acelerou em direção a Índio, que agora puxava a faca e tentava subir na moto. Saiu dirigindo o veículo enquanto ouvia tiros atrás de sí, mas nenhum acertou. Passou ao lado de Mário, que teve que virar a sua moto para persegui-lo.

– Emergência, emergência, policial ferido – gritava Rodnei no rádio.

– Solicitar reforços – berrava Mário, que agora se via em uma perseguição entre motos.

O Pelicano dirigia quando viu duas motos em alta velocidade passando a sua frente. “Merda” pensou, e imediatamente as seguiu. Em seguida ligou para o delegado.

– Acabei de ver duas motos voando aqui na minha frente, o que aconteceu?

– Parece que o suspeito atacou um policial e roubou sua moto. Vou colocar todas as unidades da região na perseguição.

– Pelo amor de deus, não atirem pra matar.

– Vou mandar o aviso para não atirarem…melhor ainda, vou deixar um rádio comunicador aqui ligado na frente do telefone, e você tera contato direto com eles doutor. Pode assumir a perseguição. “Se der alguma merda, fica tudo na sua conta” pensou Antonio. Essa atitude era claramente ilegal, mas nenhuma das partes ali estava interessada na legalidade da ação.

Vincent, logo falou:

– Aqui é o Promotor Vincent. Estou acompanhando vocês nessa operação. Reafirmo que esse alvo é de extrema importância, e em hipótese nenhuma atirem nele enquanto ele estiver na moto. Repito: não atiram. O alvo deve ser capturado vivo!

“Engravatado de merda” – pensou Rodnei ao ouvir as instruções. Queria atirar no suspeito, que tinha acabado de ferir gravemente seu amigo. No entanto guardou sua pistola e continuou a perseguição.

– Fazemos o que então, doutor – perguntou Mário, na outra moto, pelo rádio.

– Apenas persigam. Vamos coodernar os movimentos para bloquear algumas ruas e saídas, e forçar ele em alguma direção. Ou talvez derrubá-lo com algum carro. Não o percam de vista.

“Esse cara acha que estamos em algum filme, filho da puta. Quero ver fazer essa operação maluca aqui”. Tudo bem doutor – confirmou Rodnei, que continuava na cola de Índio.

Índio seguiu acelerando a moto, veículo que tinha aprendido a dirigir a pedido de Bal. O exilado Kapoor odiava carros e veículos fechados, mas apreciava a motocicleta. Índio conhecia muito bem a cidade, passava muitos dias apenas caminhando por Paragominas, e já havia atravessado toda a extensão dela várias vezes. Seu objetivo era chegar até a selva, e ele não precisou traçar uma rota. Sem planejar ou pensar muito, fazia as curvas necessárias para chegar onde queria.

Vincent seguia na perseguição, e se queixava ao ver o fugitivo fazendo curvas.

– Cadê o bloqueio? – gritou no telefone

– Doutor esse tipo de manobra é muito incomum por aqui. Os homens não estão preparados para fazer isso tão rápido. Pedi mais reforços para te ajudar – respondeu o delegado, pegando o telefone antes que algum outro policial respondesse pelo rádio.

– Precisamos de viaturas para ultrapassá-lo e bloqueá-lo.

– Tem duas chegando vindo da outra direção nesse exato momento.

Índio viu de longe dois carros de polícia vindo em sua direção. Imediatamente, virou a moto e subiu na calçada. Foi desviado das pessoas, com pouco cuidado, e muitas gritavam e caiam enquanto ele passava.

– Policial, enfie o carro na calçada na horizontal e bloqueie a passagem dele! – falou Vincent.

O policial que dirigia uma das viaturas, Marcos, olhou para o cenário e exitou. A calçada estava cheia de pedestres. Ele precisaria atravessar uma mão contrária da rua, e enfiar o carro ali, e torcer para não destruir alguma loja no processo. Ele podia matar alguém na rua ou causar um acidente. Não iria se arriscar dessa maneira.

– Senhor, é uma manobra muito arriscada não vai dar pra fazer – disse nervoso.

Enquanto titubeavam, índio os ultrapassou pela calçada.

– Mas que droga! Virem os carros e entrem na perseguição! – bradou Vincent.

As duas viaturas viraram bruscamente de mão, e se uniram a mais duas motos e um carro, o do promotor, a perseguição.

Os policiais daquela delegacia estavam acostumados a correr grandes riscos, muito menos a operações mais complexas. Era comum fazerem vista grossa a regiões mais perigosas da cidade. O delegado sempre preferiu fazer um acordo com os chefes locais. As operações mais violentas, eram feitas com planejamento e muita superioridade numérica. Com o promotor no cangote, eles não tinham opção, mas no campo mostravam claramente como estavam despreparados para a ocasião.

Tão pouco, Vincent tinha experiência em coordenar uma equipe de campo. Sempre foi fascinado por essas operações, e gostava de ouvir o seu irmão e outros amigos delegados contando sobre as suas empreitadas, no entanto, ele mesmo nunca vivenciou nada parecido. Em São Paulo, as poucas operações que acompanhou a distância, foram realizadas por equipes experientes, bem treinadas e equipadas.

Enquanto a polícia se desencontrava, Índio abria caminho a frente, cada vez mais próximo do seu objetivo. Subia em calçadas e passava em faróis vermelhos sem pensar duas vezes, sempre muito consciente do ambiente e evitando qualquer risco de bater o veículo.

***

Italiano escutava atentamente o rádio da polícia, e sua expressão era de pânico.

– Não pode ser….! – reclamava em voz alta.

Pegou uma cadeira, e a colocou na frente do armário. Subiu nela, e no fundo de uma prateleira, tirou um celular e uma bateria. Pegou ambos, desceu e ligou o aparelho. Nervoso, digitou um número que havia memorizado.

Bal estava terminando se aprontar para o seu trabalho, quando ouviu o toque do celular vindo de dentro de sua gaveta. Estremeceu. Era o seu celular de emergência. A única forma que um dos membros do grupo poderia contatá-lo. As suas ordens tinham sido claras: o contato só seria permitido em casos absolutamente urgentes. Foi rapidamente até o aparelho e o atendeu:

– Quem é?

– Sou eu Doutor! Preciso lhe falar…urgente!

– Me encontre lá

E desligou imediatamente. Bal tinha pavor de compartilhar qualquer conversa suspeita no telefone. Se aprontou e rapidamente pegou o carro para ir até a cabana.

***

O ônibus que Agha pegava todo dia para ir trabalhar estava atrasado a pelo menos 10 minutos. Ele começou a indagar se algo de errado tinha acontecido, “um acidente, talvez”, quando ele apareceu na avenida. Ele levantou o braço e o motorista parou. No entanto, o veículo estava lotado. Ele nunca havia visto o ônibus tão cheio. A entrada estava abarrotada de pessoas, que se comprimiam quando as portas se fechavam. Balançou a cabeça negativamente, e o motorista fechou a porta e foi embora. “Vou esperar o próximo…é o jeito”.

Por longos 40 minutos ele esperou, e a essa altura, já estava irritado. Sentado no banco, levantou rapidamente ao ver o transporte vindo. Já de longe, viu que este veículo também estava lotado. Mas ele já estava atrasado para o trabalho. Iria entrar nesse, de qualquer forma. O ônibus parou e abriu a porta. A primeira vista, um pouco menos cheio. Tinha o espaço livre para uma pessoa ali. Abraçou sua pequena bolsa junto ao peito, e subiu o degrau. A porta se fechou, dando um tranco nele, que quase tropeçou para a frente. Onde estava, não tinha apoio, e quando o veículo deu partida, ele tentava se equilibrar enquanto roçava as pessoas ao seu redor. “Não dá pra ficar aqui!”. Então ele olhou para frente, tentando vislumbrar um caminho, procurando uma clareira no meio daquele mar de gente. Por ser extremamente magro, Agha tinha facilidade em se locomover em lugares extremamente cheios. Esticou sua comprida e fina perna no meio das pessoas e conseguiu firmar o passo a frente. Agora restava o corpo. Se espremeu e passou, aliviado. Ali agora estava em um lugar um pouco mais vazio, comparado ao seu anterior. Aos poucos foi se arrastando e deslizando, até chegar a catraca. Ouviu o cobrador conversar com um passageiro:

– Tem várias ruas bloqueadas, a polícia está em uma perseguição maluca. Um outro rapaz me disse que ouviu tiros no meio da avenida.

“Tinha que ser essa porcaria da Polícia a causar tudo isso. Incompetentes!”. Comprimiu os seus braços da maneira que conseguiu, e abriu com a mão resetada a bolsa para pegar o cartão de transporte. Porém, era impossível ele ultrapassar a catraca, pois a passagem estava bloqueada por outras pessoas. Passou o seu cartão na máquina, e pacientemente, ficou esperando o caminho se liberar. Instantes depois, sentiu uma pressão nas suas costas, e viu um homem, suado, com expressão de apreensão, que lhe perguntou:

– Vai descer no próximo?

“Óbvio que não seu imbecil”. Não  – respondeu monossilabicamente.

Imediatamente, o homem virou de lado e se esgueirou para ultrapassar Agha. “Ele entendeu o meu não como um “pode passar””, como é burro!”. Agha manteve a posição, nervoso, e sem escolha, empurrou a catraca. Pressionou as costas de uma mulher que estava a sua frente, visivelmente acima do peso, ela parecia nem sentir a pressão do objeto. Agha esperava que ao forçar a catraca, a mulher se moveria, mas isso não aconteceu. Ele aumentou a sua força, e graças a sua magreza, conseguiu passar pelo vão que havia se aberto. A mulher apenas deu um solavanco a frente, e sequer olhou para trás. Sentiu um rápido alívio ao transpor aquela barreira, mas a sensação durou pouco. Agora quem sentia um empurrão nas costas era ele. O apressado forçava a catraca para passar. Agha se viu preso, e teve que se virar para falar:

– Calma ai, não dá pra passar.

– Eu tenho que descer no próximo ponto! Força ai que dá pra passar.

Agha fechou os punhos e pensou mais uma vez em como aquele cidadão era burro. Ele odiava locais populares e cheios de gente. Denominava gente simples como “populacho”, e esse episódio o lembrara o porque dele odiar o tal populacho. “Esse povo é muito burro, parecem animais”. Porém, em sua situação, tais pensamentos não o ajudariam. Pediu licença a mulher a sua frente, que fez um micro movimento lateral. Não se moveu mais do que 10 centímetros. Impulsionado pelo metal nas suas costas, se esgueirou naquele espaço. Apesar de ter seu corpo comprimido pelos dois lados, foi uma passagem rápida, e logo ele se viu em uma posição mais favorável. Agora estava de lado no corredor de ônibus, de frente para os bancos “ como eu quero sentar!”, pensou. Começou a olhar para quem estava sentado, tentando captar algum sinal de que a pessoa iria se levantar, até que parou sua visão em uma mulher que abria sua bolsa e tirava maquiagem. Ela abriu um objeto preto, que continha duas partes, na base, um pó, e na parte superior um espelho. “Se ela está fazendo isso, deve estar chegando perto do seu trabalho”. Agora já calejado, não exitou em se movimentar até o outro lado do ônibus para ficar na frente daquela mulher. O pequeno sofrimento seria recompensado por uma viagem mais confortável, pois aquele trajeto ainda iria demorar, já que o ônibus progredia muito lentamente na congestionada avenida. A primeira parte de seu corpo a alcançar a outra extremidade do corredor, foi o seu braço esticado, que agarrou a barra que servia de apoio aos passageiros. Depois do braço, moveu o resto do corpo, e se instalou em uma espaço no meio de duas pessoas, e, para sua felicidade, bem a frente da mulher que passava maquiagem no rosto.

Instantes depois dele se estabelecer bem a frente daquela mulher, olhou para trás e viu que o casal que estava sentando do outro lado do ônibus – bem onde ele estava, se levantou dos assentos. “ Que dia de merda esse!” xingou mentalmente, cada vez mais irritado. Minutos depois, a mulher a sua frente guardou a maquiagem na bolsa, e Agha esboçou um sorriso, pensando que, finalmente, teria um pouco de conforto. Em seguida, a mulher encostou a cabeça no banco e fechou o olhos. “Como eu odeio essa cidade!!!” pensou mais uma vez.

***

– Alguém tem alguma ideia para onde o suspeito está indo – perguntou o Pelicano

– Doutor, conseguimos bloquear alguns acessos as favelas maiores, mas ele nem fez menção de entrar nesses ruas. Ele parece estar indo para os limites da cidade.

– E o que tem lá?

– Se continuar por aqui vai chegar na floresta. Não tem mais nada pra lá.

– É possível andar de moto na Floresta?

– Por lá não. É um terreno muito fechado. Ele vai ter que fugir a pé.

– Ótimo! Vamos deixar ele ir pra lá, e depois terminamos a perseguição a pé. Será mais fácil.

Os policiais assentiram, e a perseguição continuou.

***

Bal saiu do carro e foi correndo até a Cabana. Italiano já estava lá, e andava em círculos, com a cabeça para baixo.

– Italiano! – gritou Bal.

– Graças a Deus você chegou Doutor, deixe-me explicar tudo – disse. Simplesmente ver a figura do líder do bando lhe trouxe calma. Ele explicou a situação atual: Índio fugia com uma moto roubada da polícia.

– O que faremos, Doutor? Vamos ajudá-lo?

Bal coçou o queixo e respondeu:

– De maneira nenhuma. O Índio sabe se virar.

– São muitas viaturas atrás dele…

– Se ele for pego, tenho certeza que não vai falar nem uma palavra sobre nós. Caso fosse outro membro do grupo, talvez eu pensaria em alguma outra medida – disse com um olhar sinistro a Italiano.

– Vamos apenas esperar então?

– Continue monitorando tudo. Qualquer mudança importante, me ligue. Mais importante que tudo isso, é descobrir porque eles estão perseguindo o Índio. Trabalhe nisso.

Italiano assentiu, mesmo não tendo ideia de como faria aquilo.

– Avise Caolho para ficar alerta. Deve estar preparado para sair da cidade se receber um aviso. Faça o mesmo. Eu avisarei o Pastor. Não acho que tenhamos sido descobertos…mas devemos ter um plano no caso – disse o Doutor com confiança.

Apesar da demonstração de segurança ante ao Italiano, desde de manhã ele tentava refazer os passos do seu bando mentalmente. Era uma tarefa árdua. Dentre as qualidades do Doutor, boa memória não era uma delas, e constantemente ele se esquecia de dados ou misturava e criava novos eventos na sua recordação. Quando tentava refazer uma cena sua mente, o Doutor tinha consciência que sua paranoia entrava em ação, e portanto, não confiava nas suas próprias lembranças. Por outro lado, abominava a ideia de registrar as coisas. Era muito perigoso.

Depois de passar as instruções ao Italiano, voltou ao carro e se dirigiu ao trabalho. Apesar de uma voz interior lhe dizer para fugir da cidade e se esconder, a sua reação mais típica quando se via em uma situação desconfortável, o lado racional lhe dizia para aparentar a normalidade. Nada estava perdido, ainda.

***

O grupo composto por vários policiais e Vincent corria pela mata. Apesar dos prognósticos, o suspeito havia adentrado na mata com a moto, e percorrido um bom pedaço. Agora eles viam o veículo abandonado no chão. Vincent tomou a dianteira e gritou:

– Vamos, ele não pode estar tão longe.

Subiam uma elevação, e cada trecho percorrido, o terreno ficava mais selvagem. Vincent começou a questionar se a opção de deixá-lo ir até a mata foi uma boa ideia.

Percorreram mais um trecho, e então, ao longe, Vincent detectou um homem correndo.

– Ali!! – gritou e apressou o passo.

Os policiais o seguiram e o grupo continuou seguindo na direção da mata cada vez mais fechada. Então, subitamente, Vincent chegou em uma clareira. O cenário era estranho e não parecia natural. Em um determinado ponto a vegetação era bem aparada e as árvores sumiram. Uns 300 metros a frente, a floresta continuava. Apesar do estranhamento, não deu atenção a isso e continuou correndo na direção da mata. Quando se aproximou do outro lado, viu que vários troncos estavam pintados de branco. Olhou para trás, e viu que os policiais mal tinham se mexido.

– O que aconteceu? Vamos!!! – gritou no seu rádio.

– Doutor…ai é o começo do território Kaapor. As árvores brancas marcam o local.

– E daí!? Estamos atrás de um suspeito – respondeu com rispidez o promotor.

Os policiais se entre olharam, encabulados. Não queriam se recusar a obedecê-lo, mas sabiam que era perigoso entrar naquele território.

– É muito perigoso senhor…- começou a falar Rodnei.

Vincent começou a perder o controle. “Mas que caralho é isso! Foda-se se índio acha bom ou ruim, a polícia entrar aqui para prender um criminoso. Não posso perder essa oportunidade”.

– Escutem muito bem! Irei representar legalmente contra quem se recusar a cumprir sua função aqui! Venham comigo, agora!

Os policias não tiveram tempo de responder. Um outro som rompeu os poucos segundos de silêncio tenso entre o Pelicano e os policiais. Uma flecha se afundou na frente de Vincent. Ele olhou para a flecha, e depois para os lados, assustado. O susto não veio por medo, mas pelo inesperado.

Depois, mais duas flechas se pregaram ao lado da outra, e então, um grupo de índios surgiu de trás de árvores e caminharam até a frente do Promotor.

Um deles tomou a frente e falou:

– Bem vindo ao territorio Kapoor. Para seguir aqui você precisa de uma autorização judicial.

– Eu não preciso de autorização nenhuma. Estamos perseguindo um criminoso, e ele fugiu para cá. Se vocês nos impedirem vão ser acusados de encobrir um fugitivo da justiça.

O Índio o encarou por alguns instantes, e então, sorriu:

– Sem autorização não passam.

Vincent ignorou o homem, e chamou mais uma vez policiais, que agora já tinha se aproximado dele:

– Vamos em frente, já perdemos muito tempo!

Caminhou a frente, e então, os índios ergueram duas lanças para bloquearem a sua passagem.

– Vocês estão ameaçando um membro do ministério público !? – gritou Vincent.

Os índios ignoraram as palavras.

Vincent então segurou uma das lanças e a levantou para passar. Um outro índio se colocou no seu caminho e o empurrou. Vincent reagiu pegando o braço dele, o puxando e o derrubando no chão, com um golpe de perna. Imediatamente, outros dois vieram por trás e o agarraram.

– Prendam esses índios, agora! Gritou Vincent.

Os policiais, timidamente, se aproximaram e ergueram suas armas. VIncent tentava se desvencilhar, mas era contido por dois homens bem fortes. Eles afrouxaram a pegada ao verem os policiais sacando as armas.

– Saiam da nossa frente agora! Eu juro que vocês todos serão presos e que eu farei da vida de vocês um inferno! Vocês não tem ideia de com quem estão mexendo!

– Quem não tem ideia é o senhor.

E então, mais índios saíram de trás das árvores. O que era um grupo de não mais que 6, agora se transformara em dezenas. Pelo menos 20, todos armados de lanças e arcos. Eles não paravam de chegar.

Os policiais abaixaram seus braços ao perceberem que flechas apontadas em direção as suas costas. Não tinham ideia como aqueles índios haviam chegado ali.

– Tem um criminoso nesse território! – bradou mais uma vez Vincent.

– Nós não estamos protegendo criminoso nenhum. Faremos patrulhas em busca desse homem, e se o encontrarmos, o encaminharemos a sua justiça. Mas sem autorização vocês não podem entrar. Voltem a sua cidade.

Vincent agora cerrava o punho, num estado de raiva que talvez ele nunca tenha estado antes.

– Vocês vão se arrepender disso! Marquem minhas palavras! Não vou esquecer disso.

O Índio se aproximou e disse, bem perto dele:

– Não temos medo de ninguém….e – aproximou agora seu rosto perto da orelha de Vincent – o seu irmão tinha modos muito mais civilizados que os seus  – ao ouvir isso, Vincent não esperou o Índio terminar sua frase.

– Seu filho da puta! – e empurrou o Índio e desferiu um soco na sua cara, que o derrubou. Outros índios vieram para cima do promotor. Ele se desvencilhou do primeiro e acertou uma joelhada, mas um outro vindo da lateral se atirou e o derrubou. Rapidamente outros vieram para cima, e o agarraram. Depois o levantaram, e um terceiro socou sua barriga. Os policiais, estupefatos, apenas assistiam, imovéis.

O Índio que tinha levado um soco, agora já em pé, fez um sinal com a mão para o outro parar de bater. Ele deu um passo a frente, e deu um direto no rosto de Vincent. Cuspiu sangue e continuou a falar, bem próximo do Pelicano:

– Que seja uma lição. Quem manda em território Kapoor, são os Kapoor. O seu irmão sabia disso.

Vincent gritou, e balbuciava alguma coisa. Antes de conseguir dizer mais, levou outro soco no rosto. Tentava se desvencilhar, e seu lábio sangrava. De seus olhos, escorriam lágrimas de pura raiva.

– Você vai se arrepender disso… – e antes de completar, levou mais um soco no estômago que lhe tirou o ar.

O soco foi seguido por mais uma sequência, que por fim, apagou o promotor.

***

Agha entrou na sala, e percebeu que mais uma vez, era o único ali. “Esses vagabundos não fazem mais questão de disfarçar”. Sentou na cadeira e relaxou. Após toda aquela jornada para chegar no trabalho, se permitiu ligar o computador e navegar na internet.

Cerca de meia hora depois, Bal entrou apressado na sala. A entrada abrupta assustou Agha, que prontamente fechou o navegador.

– Tá fugindo de alguém? – perguntou Agha.

Os pelos do corpo de Bal se arrepiaram com a pergunta, e ele congelou em pé. Virou o rosto para Agha e respondeu depois de alguns segundos.

– De que merda você tá falando?

Agha não esperava uma reação tão violenta a sua brincadeira, e não respondeu nada. Se voltou ao seu computador e começou, enfim, a trabalhar.

– Cadê o Vincent – perguntou Bal.

– Não sei, não está aqui, pra variar – respondeu Agha.

– Estranho… – comentou Bal. Seu lado paranóico começou a indagar se o promotor tinha alguma relação com a perseguição ao Índio. No entanto, o seu lado racional o tranquilizou. Não faria sentido o promotor se juntar a uma caçada com a polícia.

– Nem tanto. Não é a primeira vez que ele não aparece…

***

Vincent abriu os olhos e viu o teto de seu carro. Se sentou e viu que do lado de fora os policiais estavam reunidos, conversando baixo. Ao abrir a porta, todos se silenciaram e viraram para ele.

– Nem uma palavra sobre o que aconteceu agora pouco. A perseguição está encerrada, por hora.

Os policiais assentiram com a cabeça, ainda assustados demais com o que ocorrerá para proferir algum comentário.

Vincent já sabia que tinha sido humilhado. Aquele certamente era o episódio mais vergonhoso de sua carreira, e o seu orgulho lhe mandava reprimir o acontecimento daquele evento.

– Vocês não vão reportar isso que aconteceu. Digam apenas que ele fugiu para a mata. Eu preciso que um de vocês dirija meu carro e me leve até a minha casa.

Os policiais mais uma vez assentiram, e Rodnei se voluntariou a levar o promotor. Os policiais saíram rapidamente do local, e Vincent se deitou no banco de trás de seu carro, em silêncio. Após a partida do carro, falou:

– Eu fui precipitado. Não conhecia essa tribo. Me fale sobre os Kaapor.

Durante toda a viagem, Vincent esmiuçou o conhecimento do policial sobre os Índios. Aprendeu que aquilo era mais do que uma simples tribo indígena. Estava mais para uma organização criminosa altamente capacidade e equipada. Era notável o receio e o medo do policial. Os policiais locais deviam bandidos e traficantes poderosos, mas temiam a tribo.

No final da viagem, agradeceu o policial e lhe pagou um táxi. Ao chegar em casa, foi até a geladeira e preparou uma bolsa de gelo. Seu rosto ainda doía muito. Sentia vergonha de sí mesmo. Se orgulhava de ser uma pessoa muito fria, em uma sociedade que ele considerava emotiva demais. Era sua força. Havia se comportado como um adolescente birrento, e deixou aflorar todas as suas emoções, além chorar na frente de vários outros homens. Ainda não sabia porque tinha reagido daquela maneira. Indagou-se se foi a impotência ou o afronte que recebeu, mas sabia que não. Era o sentimento de vingança que lhe consumia desde que soube que seu irmão tinha sido assassinado. Tinha medo de não conseguir vingá-lo e fazer justiça.

Ligou o seu computador, e ali ficou compenetrado por horas. Por fim fechou o aparelho, e se levantou. Na sua expressão, um sorriso triunfante. Pegou um telefone que deixava escondido no fundo de um armário. Discou um número e esperou, até que depois de 3 toques, a ligação foi atendida. Vincent então disse:

– Nathan. Sou eu. Preciso de você.

Contos de Ustrael – Leão Dourado, Parte I (Capítulo 2)

Ambos Kaori e Adeko estavam se encarando.

A janela aberta logo ao lado deixava o confortável vendo da manhã entrar fazendo o cabelo da dupla dançar.

“Sabe, Kaori?”

“O que?”

“Anda mais magoada esses dias, é?”

“Digamos que…É por que aquele dia está chegando.”

Aquele dia…

Claramente, só podia se referir a ele, o casamento com Perseus, sentia que era inevitável e impossível de fugir estando tão perto.

“Uma vez…Sua mãe disse algo para mim.”

Não pode esperar resultados diferentes se você sempre repete os mesmos dias.

Estas palavras de Sorae aquele dia ainda estão muito vivas em sua mente.

“O que acha que está fazendo ficando assim durante tanto tempo?Se você tem tempo para amaldiçoar a sua existência tão forte durante esta semana, devia estar treinando o mais intenso que pode buscando sempre quebrar todas as paredes a frente.”

Ele entendia.

Entendia muito bem o motivo de sua filha estar cabisbaixa, e sabia muito bem que ser duro agora podia desanimá-la ainda mais, porém, a ultima coisa que quer é vê-la cometendo os seus erros.

Quando desistia na primeira oportunidade que aparecia e tudo fazia parecer que não mudaria ignorando por completo seus esforços.

Sim.

É frustrante.

Em todos os sentidos.

Se Kaori apenas adotar essa postura…O pior ia acontecer, a já aparente depressão só vai crescer, crescer e crescer.

Ir nessa “campanha” a Ballas não envolvia batalha como bem disse antes.

Muito pelo contrário.

Queria dá-la uma experiência nova.

Fazê-la conhecer novas histórias, e não por um livro, e sim da boca daqueles que vivenciaram situações  horríveis e conseguiram superá-las, encontrar nestas pessoas a força necessária para superar a aparente depressão.

Se encontrar com aquele homem.

Daichi.

—–

Ficou bastante tempo com as meninas após essa conversa com seu pai.

E agora…Andava pela praia da ilha principal, suspirou e se deu alguns tapas no rosto.

“Certo, preciso me animar, não adiantar ficar assim durante três meses inteiros.”

O vento ficou mais forte a fazendo virar o olhar para a direita enquanto segurava o cabelo.

“Aquilo…”

Deu um sorriso.

—–

Teve flashes de quando conversava com Sorae uma vez.

“Sério??”

Ficou de boca aberta quando fora dito que Adeko não tinha talento algum a magia.

Vivia fracassando.

Se achava um nada.

E que jamais seria um Rei descente.

Claro que olhando o hoje é improvável achar que o Leão dourado de Kanszes era tão pequeno no passado.

—–

Essa memória teve um motivo…

Ela viu.

Acabou de dar de cara com uma das inúmeras estátuas em homenagem a seu tio que existem no país.

“Deve ter sido difícil para ele também, né?”

Nunca perguntou.

Com certeza sabe que não importa o quanto o tempo passe, o ataque de Others há 18 anos atrás ainda é uma marca em seu pai, principalmente pelo o que se deu, mas sim, deve ter sido horrível.

Adeko pegou um país completamente abalado e ferido após os eventos, e para o ter erguido novamente em meio aquele caos a figura imponente que é hoje.

“Ele é incrível…”

Deixou escapar.

“E eu uma idiota.”

Devia se espelhar justamente nele.

Em seu pai.

Buscar forças onde não parece ser possível e mudar por completo a sua existência buscando derrubar o amanhã hostil, afinal, se continuar assim, mesmo quando conseguir se encontrar com Kai…Nada vai mudar.

Mas…

Olhar essa estátua a traz sensações…No mínimo, curiosas.

Sempre se pegou pensando em quão incrível foi seu tio e como sensacional seria conhecê-lo, só sabia o que leu nos mais variados livros, e tinha certeza, pelo o que existia em tais palavras não existiu uma pessoa mais forte.

Olhou para seu punho o fechando e abrindo algumas vezes.

“Pelo meu pai, meu tio, e principalmente…Meu irmão, eu não posso ficar tão pra baixo assim.”

Sons.

Olhou para a esquerda.

“Hum?”

Viu, na água, um general treinando uma unidade, havia cinco fileiras com 15 soldados cada e ele a frente.

Era a manipulação de Ki que estava sendo ensinada.

Neste mundo existem dois estilos de luta que são usados.

Manipulação de Ki, e, logicamente, Magia.

Um dos estilos mágicos mais poderosos do mundo…É o Aurae.

Ele foi feito com base total no Ki, pode ser dito que é a manipulação de Ki levada ao extremo, porém, por causa desta base, tudo o que o Aurae faz, o Ki também faz, só que a diferença de potência e eficácia é como da terra para fora do sistema solar.

Se um usuário de Aurae e um de Ki iniciassem uma luta usando os mesmos métodos de ataque e defesa…Tudo acabaria no primeiro golpe, visto, que, uma vez que o Ki entra em contato com o Aurae, é desativado.

Mas…Existe algo.

Uma diferença crucial que faz muitos fazerem mais uso do Ki do que o próprio Aurae em determinadas situações, o Ki é compatível com todos os elementos, tornando assim seus combos muito mais perigosos e imprevisíveis.

Aurae não combinava a nenhum.

Por seu imenso poder, apenas a família real de cada país e um pequeno grupo de nobres tem acesso a seus ensinamentos.

Nem mesmo nas escolas de magias mais renomadas do continente o aprendizado é cogitado.

E por tal, o Ki é conhecido como o “Estilo Aurae dos pobres.”

E aqueles que o usam “falsos magos.”

Visto, que, Ki e magia não são a mesma coisa, a magia só está presente em algumas milhões de pessoas.

O ki, qualquer ser vivo pode manipular.

“Ok..”

Kaori se virou andando.

“É hora de começar minha rotina…”

Não teve animação alguma nesse tom.

—–

Estavam se encarando.

Kai e a garota se encontravam sentados de braços cruzados um de frente ao outro em uma pequena cidade no meio das planícies.

O príncipe refletia nos belos olhos azuis claros de Lumia.

Seus exóticos cabelos verdes combinavam de maneira excelente a eles criando um bonito contraste, a franja na testa servia para realçar a beleza daquele rosto.

Possui 17 anos e 1,75cm.

Não falavam nada.

Nem piscavam.

Parecia uma competição.

Mas a verdade…É que esperavam alguém falar primeiro para contra-argumentar.

Ele suspirou, olhou para baixo, e então, voltou a encará-la.

“Por que está me seguindo?”

“Vamos relembrar aqui, uma nave de transporte de…1, 547, 023 bolts, mais inúmeros artefatos de magia que de tão raro poderiam custar um número maior, você-explodiu-tudo.”

“Para salvar sua vida infeliz.”

Separou e bateu os dois braços fazendo um alto estalo dando um sorriso irônico na direção do ex-principe.

“Obrigada!Salva minha vida e destrói minhas coisas, grande herói, você!”

Kai cerrou os olhos.

Teve alguns flashes…

—–

Dois meses atrás estava andando com um homem que conheceu em suas viagens.

Ambos desciam a montanha.

“Você é mesmo estranho, ao mesmo tempo que não está nem ae para as pessoas ao seu redor e é frio com todo mundo no minuto seguinte você quer ajudar as mesmas pessoas que ignora, bem, esta só deve ter sido a…Bem, perdi as contas!Mas passam de cem ,é por isso que eu tenho certeza que…Hu, sempre dá para contar com sua ajuda em qualquer coisa.”

—–

Apenas deu uma risada ao se lembrar.

Realmente era verdade. por mais que no começo mostre resistência a qualquer coisa acaba sempre voltando atrás.

Se arrepende de virar as costas, Isso também poderia envolver sobre o casamento?

Talvez.

Mas…

Ao mesmo tempo.

Ao menos esta questão.

Estava realmente completamente fora de seu alcance.

Novamente suspirou, possivelmente iria se arrepender.

“Ok, mulher, dinheiro eu não tenho para lhe pagar, mas se envolver outra coisa, podemos conversar e-

Parou de falar.

Em meio a multidão…

Alguém se aproximava por trás de Elizabeth.

Retirou uma espada da cintura.

Kai pensou em agir.

Mas…Algo estava errado.

Parecia ser tão desnecessário, e então…

Sangue.

Ele a cravou na barriga dela fazendo o sangue jorrar.

Foi imediato.

As pessoas ao redor começaram a fugir desesperadas.

O príncipe apenas sorriu.

A viu sussurrando algumas palavras.

Reflect.

Uma magia de defesa Rank-S.

Transforma o corpo do usuário em um espelho que reflete qualquer magia e golpe físico naquele que tem sua imagem refletida.

Exatamente.

O inimigo teve a espada transpassada em sí próprio e caiu morto ao chão.

Fora o motivo dos gritos.

“Parabéns por ter ser perfurado, idiota.”

Kai deu uma risada.

“Acho que sei por que fora chamada de bruxa, qual é o seu nome?”

“Lumia.”

Kai levou as duas mãos atrás da cabeça colocando as pernas na mesa fazendo a cadeira de balanço.

“Muito bem, o que quer fazer?”

“Só venha comigo, quando precisar agir, vai saber quando.”

“Quando precisar agir, é?”

Em sua mente veio o homem caído atrás e as pessoas mais cedo, logo, era desnecessário ser um gênio para saber que alguém a quer morta

Mas…Não mesmo, algumas coisas com certeza não pareciam certas.

Apesar de ter um senso de justiça alta,sua habilidade de sensor não é algo que se ativa sozinha.

Em condições normais não perceberia aquele homem.

Foi ativado sozinho.

Alguém de fora interferiu.

Não é como se ela estivesse em perigo.

Nunca esteve.

O homem de mais cedo…Nunca existiu, o Ki é realmente muito versátil, mestres podem fazê-lo aparecer onde bem entender.

Exatamente.

Onde quer que se imagine um Ki…Seja na atmosfera, no prédio, em uma pessoa…Ele irá automaticamente surgir ali e pronto para ser manipulado, a elite consegue fazer tal movimento.

O que Lumia fez foi simples.

Imaginou o Ki no ar.

Ele surgiu.

Com ele ali…Começou a moldá-los para os dar formatos humanóides depois colocou uma magia de ilusão em cima, e assim, “criando pessoas.”

E então, enquanto “dormia”, na verdade, fingia um sono, via telecinese…Manipulava suas criações.

Foi ela que “lutou” com Kai.

Começou a ver por trás de tudo.

Alguém a quer morta.

Se fingiu estar em perigo.

E aquelas miragens iriam testar se alguém “qualificado” passasse perto.

E viu nele esta pessoa.

Quando teve a confirmação ela simplesmente desfez as ilusões que eram suas coisas.

Deu um sorriso completamente irritado.

Sim.

Ela o enganou.

Não precisava ser ele.

E sim qualquer outro que pudesse fazer o mesmo.

Talvez até menos.

Ao ver a expressão feita…Lumia deu de ombros dando uma risada.

“Você foi mais lento do que pensei para descobrir.”

“Lento?Ho, eu acho que você deve se subestimar um pouco, e esse cara ae atrás, ele é uma ilusão feita a base de Ki também, é?”

“Não, é real.”

“Digamos que…Você prendeu a minha atenção para ver onde tudo isso vai dar.”

—–

Kaori abriu a porta do quarto, fora chamada até li por seus pais, estes, que se encontravam sentados a cama.

O tempo passou e a lua já estava no imponente céu de Kanszes, hoje, além das inúmeras estrelas e as galáxias que podiam parecer ser possível tocar…Tinha algo a mais.

Uma aurora boreal errante.

Exato.

Recebe esse nome por que viaja o céu do planeta inteiro, foi uma criação da magia que existe há pelo menos 30 anos.

A princesa fez um olhar desanimado.

Achou que ia ter um “bônus” em sua rotina cansativa.

Deu um suspiro.

“O que foi dessa vez?”

Adeko deu uma risada.

“Queremos que você seja a primeira a saber, é algo que eu e sua mãe estamos pensando há um tempo.”

Levantou a sobrancelha e virou o olhar para ela.

“Bem, eu e seu pai, decidimos nos casar.”

“Eh…EH???”

Imediatamente deu alguns passos a frente, não, não achou nem um pouco estranho, muito pelo contrário, o sorriso de uma bochecha a outra entregava que também queria isso a algum tempo.

“SÉRIO???”

“Era algo que tanto eu como o Adeko ficamos evitando ao longo de todos esses anos por causa da memória do Órion, sentimos que íamos traí-lo, mas desde então se passaram praticamente dezenove anos, e nesse tempo…”

Olhou para Adeko e sorriu.

“Nos apaixonamos mesmo, acho que não seria considerado uma traição, né?”

“Hê, você é mesmo boa devo dizer.”

Piscou o olho.

“Afinal, não é toda mulher que consegue pegar os dois reis de Kanszes, espero ter a sua sorte no amor, ah, espera, para, isso é impossível, né???”

“Eh?”

Ambos se encararam surpresos, eE mesmo sendo errado pela situação de sua filha…Começaram a rir, o que fora repetido por Kaori.

Conversaram mais um pouco, e, logo ela saiu.

Sorae se aproximou da janela olhando o céu.

“Logo quando o casamento está se aproximando o Kai não deu nenhum aviso e não parece que vai dar as caras tão cedo, mas bem, as poucas vezes que tive contato com ele não consegui descobrir praticamente nada sobre suas intenções e o quão ele é ligado a Kanszes, na verdade…Me passou um ar de total indiferença a situação da Kaori.”

Era uma triste aparente realidade que Adeko chegou a conclusão.

Tinha como ter alguma diferente?

Afinal…Ele pode se lembrar.

 “Sua irmã vai se casar com Perseus a contra gosto!Mesmo antes de oficializar no papel ela não pode nem mesmo retrucar uma palavra, e após o evento irá passar o resto da vida ao lado daquele homem tudo para conseguir a cura para você, não consegue realmente se importar com nada?!”

“Não.”

Sorae abaixou o olhar.

Os olhos lacrimejaram.

Sempre era um assunto extremamente delicado.

“Eu só espero que mesmo se ele não quiser voltar…Que ao menos esteja bem e tenha encontrado amigos com quem pode contar…”

—–

Kaori se jogou deitada a cama e virou o olhar para a direita.

O que refletiu naqueles olhos azuis…Uma foto dela com seus pais.

Fixou o olhar em Adeko.

“Pai…Você mudou tanto…”

—–

Alguns anos atrás…

“COMO ASSIM O ATAQUE FALHOU?!”

O grito do Rei de Others ecoou além da sala.

Não.

Não estava nem um pouco feliz ao saber do fracasso na missão.

Fang e Irion soaram frio, o primeiro fez um olhar de ódio para a esquerda, não iria esquecer, jamais poderia a “humilhação” perante Órion.

Fez o mínimo de esforço para derrotá-lo para se concentrar no Abyssal, para alguém com um orgulho tão grande…Era quase digno de lágrimas.

“O ABYSSAL ESTAVA AQUI HÁ MAIS DE 300 ANOS!!!!”

Era o trunfo máximo do país, confiado ao guerreiro mais poderoso, só poderia ser usado quando a certeza de vitória superava 100%.

Perdê-lo não era uma opção.

E aconteceu.

Exato.

Queria matar os dois.

Olharam para a direita ao verem a porta sendo aberta, era o jovem Perseus, o príncipe sorriu, colocou as mãos no bolso e foi se aproximando.

Diferente do estado histérico de seu tio, estava tranqüilo.

“Hu, sim, o ataque foi um fracasso, mas ao menos algo saiu como planejado, usar o androgênesis em Sorae, isso abre uma nova possibilidade.”

“Nova?!”

“Exato, embora seja muito mais uma aposta, o único meio de inutilizar o gene está aqui, ou seja…Ela vai precisar ter uma filha se não quiser ser morta, e dependendo de como as coisas ocorrerem…Podemos fazer algo novo.”

A visão de Perseus fora a que viria se tornar realidade.

Ter uma filha e afastar Kai até conseguirem achar a cura, tinham que apostar nessa possibilidade, afinal, se Sorae fosse embora com a garota, sim, tudo seria em vão.

Contou ao trio o que pensou.

Não diminuiu o ódio de seu tio.

Afinal era uma possibilidade, e seu humor queria urgentemente uma compensação.

Mas…A essa altura. era a única coisa ao qual podia se apoiar.

Deviam deixar o tempo fazer o trabalho.

—–

Um ano havia se passado desde o ataque.

Sorae iria morrer nesse tempo se a sobrecarga não fosse dividida o quanto antes, sendo assim, não poderiam perder muito tempo, uma semana após o ataque logo engravidou de Kaori.

Fora usado meios artificiais para não correr nenhum risco de ser um garoto, Kai fora colocado em uma cidade distante, assunto que Sorae contrariou muito.

Afinal, disse que iria sair do país com Kaori, mesmo grávida, assim nada de injusto iria ocorrer a seu filho.

Mas Adeko recusou.

Não poderia deixar Sorae sozinha sair do país, principalmente por ser mulher, que, quando estão em gestação, perdem a capacidade de usar magia.

Others com certeza ainda tem espiões no país e não poderiam ter a certeza que manteriam em segredo a noticia de sua partida, inimigos com certeza seriam mandados, Kanszes também entraria em um processo de longa reconstrução após os escombros da batalha.

Vide que como a ilha principal não foi a única atacada precisa de todas as suas forças no país pelo maior tempo possível.

E o alcance do gene é imenso.

Nem mesmo nos arredores do país poderiam ficar.

Adeko retirou dois soldados de elite, o que, na situação, ainda não era o ideal e deixou Kai a cuidados dos mesmos enquanto mantinha Sorae sobre proteção no castelo.

Momentaneamente concordou.

Mas, estava, no momento, irredutível, a quando Kaori nascer, ir embora.

O tempo passou, os soldados de elite, junto a Kai, viajavam sem rumo nesse tempo.

Os espiões dentro do país tropical fizeram seu trabalho, os dois generais viviam sobre ataque constantes todos os dias, não era fácil ficar parado em apenas um único lugar.

A idéia dela era ir agora, quando sua filha completou sete anos.

Mas…

Kai fugiu.

Por algum motivo.

Os dois homens foram pegos completamente de surpresa, simplesmente não estava mais lá quando acordaram

Claro.

O pânico foi geral.

Jamais foi encontrado novamente.

Enquanto mantinham suas buscas por ele…Ao menos neste momento.

Deviam realmente criar um sucessor se o pior acontecer.

—–

“Mais rápido, mais forte!”

Adeko gritava em direção a Kaori.

Se virou e a chutou em cheio gerando uma corrente de ar que a arremessou contra um coqueiro.

Hoje, estava com 27 anos e 1,87cm.

Seus cabelos cresceram indo até os ombros o dando uma aparência realmente imponente.

Não fora apenas no exterior.

Desde a morte de Órion, passou a treinar magia exaustivamente todos os dias com Sorae e os melhores professores do país, lutar na linha de frente e resolver aos assuntos internos e externos pessoalmente.

Neste caminho sua personalidade e seu jeito de ser mudaram radicalmente.

Tendo se transformado em um homem imponente, rígido e disposto a tudo para fazer a cidade prosperar, Tal como seu irmão e os outros Reis.

Também fora pego na maldição?

Bem, é algo que pode ser discutido.

“Sua força não pode ser apenas isso, se levante dae, agora, Kaori!AGORA!”

“S..Sim!”

O sol brilhava forte e a água era crystalina dando para ver facilmente abaixo dela.

Aliás…

Todas as ilhas que compõe o país são verdadeiros paraísos tropicais com cenários utópicos e animais diferentes, cada uma delas tem seu próprio bioma.

E ao mesmo tempo especificações diferentes.

Algumas tem uso totalmente militar, outras de turismo na qual são responsáveis diretas pelo lucro que é desviado para o banco da ilha principal.

Ao longo da praia várias pessoas estavam observando o treino.

“O Adeko é rígido demais com a Kaori, não é?”

“Sim, dá pena vê-la sendo jogada igual bola para todos os lados.”

“Está escutando, Tio!?”

Gritou e ficou em pé, Originalmente se encontravam em cima da água.

Mas…O chute a jogou 50 metros para trás a fazendo se chocar com a árvore na praia.

A resposta ao grito…Foi uma expressão ainda mais séria que a fez sorrir amarelo.

“Falei algo que não devia…?”

“Seu pai não protegeu este reino pegando leve nos treinos.”

Foi em um flash…Subitamente apareceu a frente o que a fez dar um grito!

“Então, não espere que eu peque leve um único momento!”

A explosão gerou ventos incrivelmente violentos.

—–

Sim.

Kaori estava desmaiada em seu quarto e Adeko em sua sala fazendo anotações.

Olhou para frente vendo Sorae se aproximar.

“Não acha que…Hoje foi só um pouco mais pesado?Ela não acorda há duas horas.”

“Ela acostuma, se não passar por isso não vai poder ser uma princesa de elite, os fins vão justificar os meios e ao final tudo vai valer a pena.”

“…”

Era impressionante.

Não importa o quanto tentava…Parecia quase impossível pensar que este homem, e aquele de sete anos atrás eram a mesma pessoa.

Não.

Não era uma mudança ruim, pois sabia que se realmente Kaori fosse ter ferimentos graves, ele não forçaria.

“Aquela menina não domina o aurae direito, seus socos são leves, suas investidas recheadas de abertura, reflexos são horríveis, ainda não aprendeu artes marciais.”

Suspirou.

“Eu tenho que pegar pesado.”

Sorriu ao ouvir as fraquezas de Kaori.

Separou e bateu as mãos fazendo um alto estalo.

“ELA PUXOU O PAI!”

“EHHH???”

Exatamente!

Adeko no começo era realmente um fracasso.

“Seria melhor não ter herdado essa inaptidão no inicio…”

—–

“…”

Kaori havia acordado há 10 minutos e estava irritada.

Bastante.

“Aquele idiota!!!O que está pensando batendo daquela maneira…!!?E EU SEI QUE VOCÊ ESTÁ AE!”

O grito fora para sua mãe que realmente levou um susto.

“Eh?Embora seja ruim em tudo, seu sensor é de primeira linha, né?”

Ficou em pé e a encarou.

“Mãe!Não podemos deixar pra amanhã??É sério, treinar com o pai de manhã, você a tarde, e o Ground  a noite todos os dias é cansativo!”

“Não há nada que possamos fazer, você é a primeira princesa de Kanszes, acha que realmente pode ser uma princesa fraca?Não…Pelo Órion você tem que ser a mais forte que conseguir, eu entendo que os treinamentos são pesados, mas temos que fazer toda a força que você possui despertar, de preferência o quanto antes.”

“…”

Fez uma careta se jogando sentada ao chão.

Olhou para baixo com um olhar desanimado.

“Primeira princesa…?Apesar de você e do pai viverem me falando isso…O herdeiro disso tudo é o Kai, estou apenas vivendo uma vida que não é minha, nada aqui é meu, e a essa altura com certeza o Tio Akarian também já tem os de-

“Kaori, já falamos sobre isso, você sabe muito bem dos problemas que eu, você e o Kai temos, até acharmos uma cura…Precisa se portar como a herdeira que é.”

“Mas…”

Ainda sentada ao chão, “abraçou” seus joelhos.

“Eu fico realmente triste…Todos pensam que o Kai nunca existiu, eu roubei tudo dele…Que agora só Deus sabe como está…”

“Kaori…”

Deu um sorriso fraco, caminhou, e, então, passou atrás de sua filha levando ambas as mãos a seus ombros encostando cabeça a cabeça.

“Eu entendo que a vida não é fácil desde que nasceu…Você também, tal como ele possui muitos desafios e barreiras a serem quebradas, é por isso que é necessário, o seu pai luta todo dia para a cura do androgênesis, o Kai luta todo dia para sobreviver, precisamos fazer a nossa parte, por mais que seja doloroso e frustrante…Se nos rendermos a depressão…Algo tende a melhorar?Pois mais que seja difícil e-

“E ae, meninas?”

“!”

Foi imediato.

Sorae ficou em pé a frente de Kaori.

Aquela pessoa…

Esbugalhou os olhos surgindo as veias.

Por que…

Por que o agora Rei de Others está aqui!?

“Oi, oi, que olhar ameaçador é esse?”

Ergueu ambas as mãos em um claro gesto de paz.

“Eu só vim conversar.”

“NÃO TEMOS NADA A CONVERSAR!”

“Por favor, acha mesmo que eu sou idiota de buscar uma luta sozinho em território inimigo? Não carrego truques, ok, dessa vez.”

Estava com 25 anos e 1,86cm.

Seus cabelos cresceram até os ombros e trajava um elegante terno consigo.

Virou seu olhar na direção de Kaori e sorriu.

Ela não entendia nada.

Nem sabia quem era aquele homem.

E muito menos o que essa reação de Sorae significava.

Mas…

Algo poderia dizer sem ter nenhuma hesitação, nunca viu sua mãe assim antes.

“E o que você quer…!? Se for conversar vamos fazer isso em outro lugar e…-

“Não, essa menina precisa ouvir.”

“Heim?!”

Pesou.

A atmosfera ficou completamente pesada.

Perseus se arrepiou por completo.

Talvez tenha esquecido…Esta mulher a sua frente é uma julgadora.

Com poder o suficiente para erradicá-lo.

Irritá-la não deve ser a melhor das opções.

Ela virou um pouco a cabeça para a direita.

Era como um robô.

Estava pronta para atacar.

Esperando apenas ouvir o “comando”, que seria as seguintes palavras do príncipe de Others.

Se fosse algo que não queria ouvir…

Sim.

Iria agir no automático pronta para esmagá-lo.

“Você não vai falar…?”

Era difícil se mover.

Sentia que qualquer movimento…Iria terminar muito mal.

Se virasse as costas seria morto.

E se ficasse parado ali…O mesmo iria ocorrer.

Esse intimidar era impressionante.

Até mesmo as pernas tremeram.

Porém…Deu um largo sorriso.

“Você é uma mulher incrível!Então!Escutem bem!O pivete, o Kai, e-

Explosão.

Só ouvir o nome de seu filho foi o suficiente.

O resto era desnecessário.

O soco destruiu a parede o jogando de costas ao chão destruindo as janelas.

Os destroços caindo ao redor de Kaori pareceram em câmera totalmente lenta.

Ficou de boca aberta completamente atônita.

Não deu nem tempo do Rei ficar em pé.

Só levantar a cabeça e a ver apontar para a direita.

“Saia.”

Deu um sorriso.

Colocou a mão no joelho e ficou em pé.

Cuspiu sangue para a direita.

“Esse soco foi realmente violento, mulher, talvez tenha quebrado alguma coisa, mas vejo que consegui sua atenção, como eu disse, vamos negociar, Rainha de Kanszes!”

“Negociar você diz?Você vai atrás do meu filho e é tão covarde que espera o Adeko sair para então aparecer?”

Esse doeu.

Doeu em seu ego.

Só conseguiu ficar irritado.

“hu-hu…Entendi!Então chamem o Leão Dourado de Kanszes aqui!Eu vou levar…Um papo muito importante com ele!E então, vamos começar uma nova história!”

Sorae olhou para trás, foi sua filha que segurou seu braço, voltou a encarar o “inimigo”.

“Nova…História..!?”

“Hu, iremos colocar um fim em todo esse conflito que começou alguns anos atrás, Rainha de Kanszes, sobre condições realmente maravilhosas!”

O lugar certo para quem gosta de contar histórias!