Contos de Ustrael – Leão Dourado, Parte II (Capítulo 3)

Fang estava de braços cruzados, encostado a parede olhando para baixo, quando levantou o olhar…Viu bem.Uma imensa estátua de Órion refletia em seus olhos.

Teve flashes da batalha que travaram.

No exato momento que fora chutado e derrotado.

Naquele momento…

O Rei de Kanszes quebrou o link-orgânico.

Quando ele ainda está ativo e uma das duas partes que estão com o link é morta…A outra vai junto por mera conseqüência já que as vidas ficam interligadas, durante estes sete anos se pergunta o motivo desse gesto com um inimigo.

E só conseguia ficar irritado por ter a vida poupada.

—–

Adeko abriu a porta.

Perseus estava com os pés em cima de sua mesa e tomando um suco.

“E ae, Rei?”

Se fosse sete anos atrás…Iria ficar irado.Completamente fora de si ao ver o maior dos inimigos tão casualmente assim em seu escritório.

Mas aprendeu muito bem a controlar suas emoções neste tempo.

E também…

Perseus não mentia.

Ao menos neste momento.

Ninguém é idiota o suficiente de ir em um país de rank-5 sozinho tentar iniciar uma luta, jamais iria sair vivo, então decidiu escutar.

“imagino que a rainha tenha dito o por que estou aqui.”

“Sim, e não parece ser algo que eu vá aceitar.”

“De primeiro com certeza não, mas aconselho que pense bem no assunto.”

—–

Sorae e Kaori estavam sentadas a cama em outro cômodo.

“Mãe?”

“Sim…?”

“Seu olhar…Ele está bem diferente do habitual, aliás, até mesmo a raiva que tinha daquela pessoa agora virou uma expressão…Bem diferente, o que ele disse com você…?”

“…Acho que não vou lhe esconder.”

—–

Adeko encarava Perseus.

Não demonstrava reação, apenas estava sério, acabou de ouvir esta frase da boca da pessoa a frente e tenta assimilar se foi isso mesmo e seus ouvidos não o enganaram.

“Deixe-me casar com sua filha daqui a 11 anos.”

Primeiro e mais importante.

Como sabia de Kaori?

Até mesmo o nascimento de Kai foi tratado como um segredo ao qual ninguém de fora tinha o direito de saber, isso só podia significar que os espiões colocados antes daquele dia ainda permaneciam pelo castelo.

Apontou para a porta.

“Saia, antes que eu perca o meu juízo.”

Era a reação que esperava, e claro que veio com as “armas” necessárias para fazê-lo mudar de idéia, apenas fechou os olhos dando um sorriso.

“Androgênesis.”

“Como?”

“Sim, mesmo que consigam achar uma cura é improvável que venha nos próximos 70 anos, visto, que até mesmo em Others, ela só veio um século depois, hu, se aceitar minhas proposta…No grande dia, ao Kai, Kaori e Sorae, iremos lhe dar de bom grato o antídoto.”

Um abalo.Um abalo foi visto no rosto do Rei.

“Se me permite argumentar também…Isso é uma loucura.”

Olharam para trás.

Apenas quatro pessoas do país sabiam sobre todos os eventos que aconteceram sete anos atrás, e Ground era uma delas, parou ao lado de Adeko.

“Hu, vocês me perceberam aqui desde o começo, não é?Então vejo que posso me pronunciar, ao menos acho, mas deixem-me dizer, é loucura se aliar a ele, o mesmo que apertar a mão do diabo.”

“Você é apenas um lacaio, cale a boca.”

Aliás…

Hu.

Eu não estou nem ae para aquela pirralha, tudo o que preciso…

É de apenas uma desculpa para colocar a mão nesse armamento militar e botar continente a meus pés, que jamais viria de outro modo.

O rei voltou a encará-lo.

“Eu recu-

“Esperem!”

“COMO É!?”

Esse grito que o interrompeu…Ao olharem para a porta.

“Kaori…?”

Deu alguns passos a frente.

“É verdade que…Se eu me casar com você, vai dar a cura do androgênesis?”

“Sim, eu não minto, ao menos alguma boa qualidade existe aqui, ou talvez…NÃO, por que minhas ameaças sempre se concretizam, sabe?”

E então.

Sozinho.

Começou a rir na sala.

“Kaori!”

Adeko se ajoelhou a frente dela levando a mão a seu ombro.

“O que acha que está fazendo!?Eu não vou permitir que se entregue a este homem!”

“…”

Só teve uma reação.

Se colocou de joelhos e bateu a cabeça ao chão deixando os dois em choque.

“POR FAVOR!Pai!Eu nem mesmo fui gerada por amor!Apenas por uma necessidade, não foi!?Então me deixe cumprir essa necessidade!De tirar o androgênesis do meu irmão e da minha mãe!”

Não.

Ele não tinha o que dizer.

Estava completamente assustado com essa reação.

Mas…

Estava disposta.

Não existia nenhuma hesitação nestas palavras.

Está pronta.

Totalmente.

Pronta para se sacrificar e se dar uma vida infeliz até a morte para salvar tanto Kai como Sorae.

Perante tamanha determinação.

Como poderia?

Como poderia passar por cima desses sentimentos?

Com certeza só a fará se sentir pior.

Se eu não sirvo nem para fazer a única coisa que me fez existir…

Se eu não posso nem me sacrificar…

QUAL O SENTIDO DE ESTAR VIVA AGORA???

ELE NUNCA EXISTIU, NÃO É!??!?

Ele sabia, ela vai gritar exatamente isso.

Cerrou os dentes de maneira tão forte que começaram a sangrar.

O coração deu uma pontada forte.

O que…

O que eu posso fazer…!?

Um pouco atrás…As escondidas, Perseus deu um largo sorriso oculto na escuridão, Com certeza…Para ele…É tudo muito engraçado, tão engraçado que queria gargalhar nesse momento.

—–

Algumas salas distantes…Sorae se encontrava sentada a cama.

As lágrimas pingavam como uma torneira pelo rosto caindo em suas pernas.

Primeiro não conseguiu fazer nada pelo Kai.

E agora…Por sentir o mesmo de Adeko…Fora incapaz de parar Kaori.

Frustração.

Raiva.

Angustia.

Fechou o punho e socou a cama a desmontando.

Eu definitivamente…!!Sou um fracasso como mãe…!!

—–

Adeko apontou.

“Muito bem, Perseus, se daqui a 11 anos o antídoto não estiver em minhas mãos, pode ter certeza de algo, irá se arrepender do dia de hoje para sempre.”

“Hu, pode ter certeza que não te quero como inimigo, por que acha que vim até aqui?”

Bem, era um bom ponto.

E então.

Aconteceu.

Com exceção de Kaori…Todos perceberam muito bem.

Porém…Mesmo que em seu caso fosse limitado.

Sentiu algo.

Uma sensação horrível.

Adeko se lembrava e muito bem deste arrepio.

Imediatamente fora até a janela a abrindo, só conseguiu ficar branco, o mesmo portal…De sete anos atrás.

Fora aberto neste céu!

Ground começou a rir.

“EU DISSE PARA NÃO CONFIAR NESSE CARA!”

“EU NÃO TENHO NADA HAVER COM ISSO!Dessa vez.”

Mas…

O Rei de Others fez um olhar reflexivo levando o dedão ao queixo.

“O reino de Zanteos…Até hoje nós éramos aliados…”

Exatamente, Kanszes, tal como os outros países de Rank-5 possuem muito mais inimigos do que aliados, e durante todo este tempo…Com os dados que Others passou…

Estudaram uma forma de reproduzir o mesmo tipo de ataque sendo preparado durante estes sete anos.

Visto que era praticamente impossível de ser evitado, principalmente se for feito em total sigilo.

Adeko o encarou.

“E o que pretende fazer?”

“Não é lógico, meu Rei?”

Sorriu e apontou para si mesmo com o dedão.

“Quis o destino que o número um do continente estivesse aqui nesse dia, a partir de hoje a aliança Others e Kanszes nasceu, e Others e Zanteos, acabou!”

—–

Foi em um flash.

Todos os cidadãos que vivenciaram o horror de sete anos atrás…Tiveram essas memórias desenterradas!

“DESTRUAM TUDO!”

As explosões aconteciam a todo momento na ilha conforme se chocavam violentamente ali do céu.

E dessa vez…

Cavaleiros montados em dragões também avançaram tomando por completo o espaço aéreo do país.

Em meio ao caos das ruas com as pessoas correndo desesperadas…Alguém permanecia imóvel.

“Sério…O quão engraçado pode ser o destino?”

Fang estalou os punhos.

“Hu, hora de proteger o que vim destruir no passado, é?!”

—–

“Então acho que posso contar com o apoio de ambos, muito bem, Perseus, Ground, vão na frente, irei chamar alguém para levar Kaori até o abrigo e logo saio.”

Balançaram a cabeça positivamente.

E então…

Se moveram!

—–

Inúmeros abrigos subterrâneos foram construídos desde aquele dia buscando proteger a população caso algo como o que está ocorrendo agora viesse a se repetir.

Começaram a serem erguidos para cima causando um terremoto jogando fumaça para todos os lados.O formato era de uma cúpula de metal realmente instransponível.

E por dentro…Tinha um tamanho para caber até 200 mil pessoas.

Que por sinal…

Dos abrigos, os soldados avançaram!

Mesmo que seja quase impossível deter esse tipo de ataque é possível se preparar para contra-atacar.

Toda noite milhares de soldados iriam dormir justamente ali onde ficariam até as sete da manhã do dia seguinte e o ciclo se repetiria a partir da 00:00.

Recebiam todo o treinamento dentro do abrigo vide que dispunhava de tudo que precisavam.

As conhecidas unidades do solo.

Então não.

Não dessa vez.

As vitimas jamais seriam como o daquele dia.

Uma imagem aérea mostrou as unidades saindo dos abrigos e se chocando violentamente ao inimigo.

—–

“Rei!”

O mesmo soldado…Ao qual o ajudou sete anos atrás abriu a porta.

Adeko balançou a cabeça positivamente.

“Leve a Kaori até um dos abrigos, irei me encarregar de tudo isto.”

“Sim!”

Imediatamente se ajoelhou, a pegou no colo e ficou em pé.

Antes de sair, porém…

Sorriu na direção do Rei.

“Não pense nisso como uma redenção por causa daquele dia, apenas…Se for para se “inspirar” nele, busque aqueles sentimentos de proteção que tinha, se forem os mesmos daquele tempo, com certeza vai triunfar.”

“Você…”

Exatamente.

Era uma reprise.

Só que desta vez…Em vez de ficar dentro do castelo completamente imponente ao perigo iria para a linha de frente.

Definitivamente é um sentimento estranho, não sabe como reagir direito e nem o que pensar.

Mas…Com certeza, ele era o ultimo elemento.

Se esta força que possui neste momento estivesse sobre a bandeira do país naquele tempo.

Nada iria se perder.

E agora…

Não deve pensar neste passado pois pode atrapalhá-lo.

Apenas em algo.

Os sentimentos que teve aquela vez, sua vontade de proteger as coisas ao redor, se copiá-los e os trouxer para este momento…

Apenas sorriu e balançou a cabeça positivamente.

“Sim.”

—–

Adeko tocou o topo do castelo, ficou em pé e começou a olhar em volta.

Bolas de fogo cruzavam o céu nublado.

Várias ondas se formavam inundando certas partes da cidade.

Explosões ocorriam nas ruas.

A fumaça subia aos céu.

Escutava o som do chocar das espadas.

Os gritos desesperados.

Um mini-terremoto ocorria a todo momento fruto da batalha.

E neste momento…

Inúmeros navios saíram do porto, miraram para cima…E dispararam lasers de energia na direção dos dragões.

O céu também começou a se rechear de explosões que liberavam furiosas correntes de ar e criavam correntes de eletricidade que se alastravam a baixo.

Da fumaça gerada…

As criaturas sobreviventes saíam e avançaram para o solo.

Davam um único rasante transpassando as casas e prédios os derrubando seguidamente tal como atacavam as pessoas.

“Estão levando os cidadãos aos abrigos?”

A pergunta do Rei fora direcionada ao soldado logo atrás.

“Sim, mas…Infelizmente também estão em um número imenso, com certeza isto é uma aliança…Somos nós, contra dois, ou até mesmo três exércitos.”

“Uma aliança, é?Hu, eu não me lembrava de ter tantos inimigos revoltados assim.”

—–

“E o meu pai???”

Exatamente, como já devem ter deduzido, uma das pessoas que sabe que esta menina não é filha de Órion, é o mesmo soldado que salvou Kai no passado.

A essa altura tiveram sucesso em chegar a um dos abrigos.

Sorriu, se ajoelhou e colocou a mão em seu ombro.

“Ele vai ficar bem, Adeko mais do que qualquer um treinou para momentos como esse, apenas espere aqui, confie naquele que herdou os sentimentos de Órion, e, assim, mais uma vez, este país irá triunfar não importando quem seja o inimigo.”

—–

Um general inimigo derrotava inúmeros soldados de Kanszes.

Sua força e velocidade eram realmente de um nível que o permite superar a grande média, isto com certeza é verdade.Mas até mesmo entre gênios…Existem aqueles que se destacam ainda mais.

Nada.

Ele não viu absolutamente nada.

Fang se moveu e o cortou a cabeça antes que pudesse piscar.

Ficou em pé e olhou para a direita.

Nunca foi fraco, é o guerreiro mais poderoso abaixo da família real de Others.

Órion simplesmente que era forte demais, e começou a entender algo…O próprio Fang já tinha uma força que o permitia colocar mesmo gênios no chão sem muito esforço, uma elite que supera a elite.

Mas mesmo assim…

Mesmo com esse poder e sendo abençoado a um link-orgânico com o Abyssal…Fora derrotado por Órion sem muito esforço.

Imensurável, uma força que ultrapassa a elite que supera a própria elite.

Começou a estudar a história de Kanszes quatro anos após a batalha e ter percebido isto, e Órion não era uma exceção.

Os dois Reis que vieram antes eram igualmente fortes.

Sim, mesmo com o Abyssal nunca tiveram chance de vencer, Perseus certamente teme o poder dos Reis de Kanszes, por isso essa aliança.

Essa força natural que nasceu em resposta a maldição que cerca o país.

Deu um largo sorriso.

É assustador.

Um potencial infinito.

“É realmente assustador, por isso, tanto hoje, como aquele dia, o brilho nos olhos desses soldados nunca estremece?A confiança nos Reis é tamanha que sempre tiram o seu melhor, a moral sempre vive no alto e é impossível abaixar.”

Fechou o punho.

“Até mesmo eu posso me sentir assim, não é?”

—–

Sorae olhava a batalha pela janela.

Ainda não havia saído.

A história de Kanszes é cercada de lutas infinitas desde o ano de sua criação.

Parece uma cidade amaldiçoada a atrair conflitos, guerras e a sofrer crises.

Mas…

Não é uma exceção.

E sim uma regra.

Todos os herdeiros de Kanszes nascem preparados para esses dias de guerra.

“Uma cidade que nasceu e evolui sempre quando supera uma crise, não é?”

Se virou, abriu a porta e saiu.

—–

Três gigantescas serpentes foram invocadas por um alquimista ao qual cada passava 1km de altura e pesava milhões de toneladas.

Possuíam um alto poder de destruição, seus rugidos destruíam ruas inteiras cobrindo mais de 700 metros de pura destruição.

Ou melhor…

Agora duas.

Adeko socou uma no rosto gerando um abalo na atmosfera.

Fora imediato.

Caiu derrotado na água.

O Rei tocou o solo.

Se virou e deu um tapa em uma rajada para a direita que explodiu no meio do oceano.

A presença emanada pelo autor do golpe era forte, com certeza o general mais poderoso inimigo.

“Olá meu rei.”

Esticou os braços no mesmo instante que duas explosões ocorreram atrás.

“Viemos terminar o que começou sete anos atrás.”

“Ho?Não diga besteiras…”

Teve flashes da batalha de Órion contra o Abyssal.

Só conseguiu sorrir por realmente achar engraçado, essa frase teve o tom de uma piada aos ouvidos do Rei e nada mais.

“Este país sobreviveu a coisas muito piores do que um bando de fracassados podem tentar proporcionar.”

Dourado.

O Aurae começou a correr forte pelo corpo do Rei.

“Venha, irei fazer questão de mandá-lo para o mesmo local onde os outros derrotados estão.”

—–

“Disparem!!!”

Ao longo da cidade os soldados inimigos estavam se aproximando dos abrigos.

Não era a melhor decisão.

Inúmeros lasers começaram a surgir pelas paredes que eram movidas os tornando visíveis.

“Aquilo..”

No interior…Mexendo nos computadores toda a cúpula começou a brilhar.

Foi em um único flash.

Rajadas de energia foram disparadas causando imensas explosões acima das casas.

—–

Perseus estava parado, sentado, com a mão no joelho em cima de um teto.

Levantou o olhar na direção das serpentes.

Com certeza eram um poder a ser temido.

Porém.

Havia uma…

Outra que facilmente superava o tamanho e poder destrutivo do trio.

Deu um sorriso e ficou em pé.

Já sabia qual era seu alvo.

—–

A batalha no céu era feroz.

Navios voadores de Kanszes e Dragões batalhavam deixando uma chuva de corpos e destroços que caíam ao solo causando vitimas totalmente indiscriminadas.

Os répteis davam rasantes únicos causando a explosão, e, no mesmo segundo, seguiam para o próximo.

Ground se encontra exatamente ali.

Tinha a capacidade de atacar ignorando a distância e sendo assim era uma peça importante para limpar esse sistema aéreo.

Junto a ele tinha um mago de alto nível que auxiliava as forças.

Mas a situação não era boa vide que estavam em um número menor que o inimigo.

“Parece que os vagabundos trouxeram todos os dragões do mundo…!!!”

Pelo menos os de Rank-S não estão aqui, aquelas bestas tem uma força comparada mesmo aos Abyssais, e por isso talvez não seja uma boa idéia os desafiar.

Tremor.

O navio subitamente perdeu altitude.

Ground olhou para trás e o motivo era claro, um “gigante” de três metros caiu ali, retirou a clava de batalha de cinco metros maior que o próprio, girou e avançou!

Partido em dois.

Ground pulou para trás e o navio fora completamente partido, sendo assim fazendo todos caírem.

Quando olhou para cima…

O inimigo avançava!

“Hu, eu não queria matar um amigo sem cabelo como eu, mas…O destino é triste.”

Ainda no ar, girou o corpo e “tocou” o céu com a perna direita como se houvesse uma parede invisível.

Levantou o olhar.

Não viu nada.

O sangue simplesmente jorrou.

Como, como um raio, o soldado de Kanszes passou pelo inimigo e o golpeou na barriga com a espada que empunhava.

Ainda não terminou.

Usando os destroços da construção como apoio…Começou a se mover de um ao outro ganhando velocidade.

E então…Explodiu contra umas serpentes a transpassando fazendo cair morta a água.

E neste momento…Perseus surgiu atrás da ultima.

Sorriu e a socou na cabeça.

Foi o suficiente.

Explodiu pelo impacto.

Tocou o chão e olhou para a direita.

“Falta aquela ultima.”

—–

Duas rajadas.

Uma dourada e outra cinza se chocavam e separavam por todos os lados.

Na água, no solo, pela cidade causando explosões constantes como conseqüência.

Adeko fechou o punho e o socou no rosto!

O impacto fora violento o fazendo se chocar fortemente a água.

—–

Sorae surgiu a frente da ultima serpente.

Fechou o punho e a socou.

O resultado não foi dos melhores.

O punho pareceu quebrar sendo jogada para trás.

“C..Como é..!!?”

—–

Algo não pareceu certo.

Adeko notou um sorriso no rosto do inimigo.

Este, que ficou em pé.

“Hu, olhe na direção do portal meu Rei.”

“Como?”

Já tinha sentido uma sensação ruim.

E viu bem o que era.

Sim.

O olhar pela primeira vez abalou.

—–

Estavam preparados.

Mesmo que esse tipo de ataque seja quase impossível de evitar…A preparação para caso ocorresse novamente fora toda feita de ante-mão

Então era o resultado mais provável.

Ao redor dos abrigos todos os civis estavam conseguindo a proteção, as unidades do subterrâneo conseguiram segurar muito bem a primeira investida até todas as outras estarem prontas para partir.

Era um ritmo perfeito o atual que deveria ser mantido, Kaori estava sentada em uma cadeira dentro de um deles.

Mas…Algo chamou sua atenção.

Por que todos os outros olhavam o teto ao qual era transparente dando para ver perfeitamente o lado de fora com esse tipo de rosto recheado de desespero?

Algo estava descendo do portal.

Fogo.

Chamas começaram a “jorrar” para baixo como se fosse uma torneira aberta causando um incêndio na cidade que se alastrou em uma velocidade impressionando fazendo tudo queimar.

Não.

Se fosse só isso estaria ótimo.

Mas…

Ocorreu.

Um meteoro.

Um meteoro incandescente maior do que a próprio ilha jogou tudo na escuridão e uma chuva de fogo teve inicio.

—–

Adeko o encarou.

“Vocês…PRETENDEM MORRER JUNTOS!?”

“Hu!Já viemos aqui com esse propósito!”

“Kamikazes..!?”

Não.

Não mesmo.

De jeito nenhum.

Este meteoro não pode ser ignorado!

O impacto iria destruir muito mais do que as ilhas do país.

Tomou vôo na direção do próprio!

“Pode parar!”

Quando estava para tentar deter o Rei..Ground o socou no rosto gerando uma corrente de ar e o forçando para trás.

Realmente fora pego de surpresa.

Mas…

Começou a rir.

A essa altura…

O fogo…Em muito lembrava pingos de chuva pela proximidade com a cidade.

Um verdadeiro pânico se instalou naqueles que ainda não foram capazes de chegar aos abrigos.

“O que tem de tão engraçado?”

“É impossível!Tudo que aquele idiota irá conseguir é ser o primeiro a morrer. “

Impossível.

“É…?”

Ground já ouviu essas palavras inúmeras vezes, e em um número maior que todas as outras vezes quando Adeko começou a treinar.

No começo era ridicularizado pela grande maioria e vivia a sombra absoluta de seu irmão.

Mas…

Continuou em frente, Fang aprendeu com o Rei que melhor do que ninguém que qualquer barreira pode ser quebrada.

Pois o trabalho duro realmente dá resultado.

Não importa as dores.

Nem mesmo histórias ruins.

Basta sempre acreditar.

Até mesmo os dias imutáveis de mediocridade podem ser deixados para trás.

“Hu, vocês são mesmo uma desgraça, eu odeio Kamikazes, mas no final das contas…Não se preocupem, suas vidas tão miseráveis e sem sentido ao qual aceitam servir de meros suicidas sem valor algum…Também será salva pelo Leão dourado de Kanszes.”

Um luz dourada.

Em meio a chuva de fogo…Um brilho dourado começou a subir até o meteoro.

Todos ao redor do país eram capazes de ver.

Entenderam no mesmo momento…

‘É o Rei!”

Fang olhou para cima.

Cerrou os olhos.

“Este pessoal ta animado, se aquela coisa colidir…Hu, não, nem vou tentar prever o que será destruído.”

“Os danos serão irreparáveis.”

O meteoro refletia nos belos olhos de Sorae.

Flashes começaram a passar.

—–

Está de noite, a Rainha voltava para o castelo quando escutou alguns sons, estes, que chamaram sua atenção e decidiu segui-los.

Colocou a mão na árvore e viu bem.

“Aquilo…”

Adeko fora jogada de costas no chão.

Ainda era o inicio dos treinamentos, e não iam muito bem, ficou sentado e abaixou a cabeça.

“Adeko…”

Viu lágrimas pingarem como levou a mão ao rosto.

Não adianta.

Realmente não adianta.

Eu não tenho talento algum.

“Estamos mortos”.

“Agora o que será desse país? “

“Órion se foi…“

“Adeko é um bom em nada.“

“É impossível confiar nele.“

“A próxima guerra é a ultima.“

“Um país de Rank-5 tendo um rei tão fraco…“

“Eu escutei boatos que muitos se mudaram.“

“Eu também.“

“E não estão errados, querem viver né?“

“Eu também acho que vou me mandar…“

“Esse país não é mais seguro e tem um prazo de validade até a próxima batalha.“

“Ver ele tentando treinar é triste, um verdadeiro fracassado…”

Começou a se lembrar dessas palavras.

E eram verdades.

Podia retrucá-las?

Exatamente como?

Nesse cenário atual…

Estão certos.

Recheados de razão.

Muitos deixaram o país com medo de um novo ataque, afinal, como podem confiar em um Rei que não tem capacidade de proteger a própria vida?

E é apenas o começo, tudo só tende a ficar pior.

“Hum?”

Sentiu alguém tocar seu ombro e olhou para trás.

“Sorae…?”

“Enxugue essas lágrimas.”

“…”

O segurou pelo mão e ajudou a ficar em pé.

“Então, esse é o ponto, né?”

Ponto?

Não entendeu de primeira.

Mas…

Sim.

Esse é exatamente o ponto.

Onde sempre costuma desistir e falar que não tem talento para nada.

“Você nunca se perguntou?O quão incrível pode ser, se pela primeira vez…Tentar passar desse ponto?Claro, eu sei que sua auto-estima por tanta falhas já não é das melhores, na situação atual, então, mas…”

Apontou!

“Escute algo.”

Qual a diferença?

Qual a diferença de um Elite e um Plebeu?

Qual a diferença de Adeko para Sorae?

Qual a diferença de um vencedor e um perdedor?

Ela é simples.

Ridiculamente simples.

Escancarada.

Não é decidida no local que nascem.

Não é decidida pelo o que tem a sua disposição.

E sim é decidido pelo o que todos tem.

“Atitude.”

O vento ficou mais forte.

Exatamente.

Sorae veio de baixo, dos piores lugares possíveis, porém alçou vôos gigantes onde foi considerada a mulher mais forte deste continente.

Adeko é um contraste.

Em tudo.

A diferença?

É atitude.

O jeito que encaram o mundo, os olhares que recebem, de como reagem as adversidades no caminho.

Tudo é sempre mais psicológico do que qualquer outra coisa.

Sorriu.

“Você pode, ignore tudo, ignore os rótulos de bom em nada e outras coisas piores que digam, pois a partir do momento que você acreditar que pode ser o Sol do país, alguém capaz de me proteger, proteger sua futura filha, proteger o sonho de milhares de pessoas em suas costas, vai acordar para ser um verdadeiro Rei como seu irmão foi, não é força, Adeko, existem muitas respostas que são impossíveis de se obter se não amadurecer primeiro.”

Levou a mão ao peito.

“Me diga, que tipo de Pai você quer ser.”

“Eh?”

Exato.

Como quer que sua filhe te olhe?

Um perdedor?

Ou um vencedor?

“Eu…”

Sim, nunca antes teve um motivo assim.

“O Órion se tornou o sol do país por que queria proteger o filho, e principalmente você, se quer ser como ele, precisa primeira ter as mesmas coisas em mãos, e pela primeira vez tem, então me responda, Rei de Kanszes, como você quer que sua filha te olhe?Que tipo de exemplo quer passar?”

Fechou o punho mais forte.

A resposta…

É apenas uma.

“Use ela, use a Kaori para ficar forte e ser capaz de finalmente quebrar aquele ponto, não só ela, e sim todos os outros, é hora de finalmente deixar esses dias imutáveis de mediocridade para trás, você pode, tem totais condições de dar o passo adiante.”

—–

Sorae cerrou os olhos.

“Mas…Enquanto as pessoas tiverem alguém para confiar e acreditar todos os seus sonhos, não espere que elas vão se desesperar e desistir, Adeko é o homem que torna possível o impossível.”

Não houve abalo.

Ao verem aquela luz…Sabiam o que significava.

O mesmo sentimento quando Órion ficou frente ao Abyssal.

Vitória, a mais pura e doce vitória.

Tendo alguém assim carregando suas vidas nos ombros.

Não tem por que perder a esperança.

Ela se virou e correu para a direita.

Perseus e Fang…

Tomaram caminho para abater a ultima serpente!

Não foi só com os dois.

Ignorando por completo a chuva de fogo…Os soldados voltaram a se jogar com uma vontade invencível aos inimigos.

O Rei de Others tocou firme o solo.

“Se aquele gatinho não desistiu…”

Três unidades surgiram para auxiliá-lo.

“Vamos derrubá-la!”

—–

O general avançou contra Ground.

Rápido.

Não foi capaz de ver nada.

Só entendeu o que houve quando a dor chegou fruto do soco na barriga que retirou todo o ar de seus pulmões.

Fora seguro pelo pulso.

E então…Saíram voando dali se chocando a inúmeras casas as destruindo no processo, o aurae funciona como um escudo ao redor do usuário.

Ground por ser um espadachim não faz uso de estilos mágicos.

Logo…Apenas ele levava o dano das colisões.

Voaram mais para cima, o inimigo o girou e jogou para baixo!

Se colidiu violentamente ao solo abrindo fendas de destruição.

Sim.

Achou que estava terminado.

Mas…

Não.

Ainda não.

Se levantou como se nada tivesse ocorrido.

“Hu, o que é essa força ridícula?Sim, acho que entendi, o Rei apenas queria tirar algumas informações e por isso não o arrebatou no primeiro golpe.”

“Como é!?”

“Essa cidade que ele tanto preza em proteger…”

O Rei reforçou a aura em suas mãos.

E então…As colocou no meteoro sendo forçado para trás!

“Eu não vou deixar que pessoas como você fazerem o que bem entenderem neste solo!”

Usando toda a sua força.

O guerreiro número um do país após Adeko e Sorae…Derrotou o inimigo sem que visse nada em um rápido movimento de espadas partindo o solo.

“Não importa o quanto um país tenha suas construções destruídas, enquanto o povo não morrer…O sol do país, jamais vai se apagar.”

—–

A pressão era sobrenatural.

Adeko começou a sentir seus músculos rasgarem.

A visão estremeceu e viu tudo embaçado.

Podia-se dizer que estava para desmaiar a qualquer momento.

Foi quando…

“POR QUE, ÓRION!?VOCÊ SEMPRE SOUBE DA MALDIÇÃO DESTE PAÍS, NÃO É!?ENTÃO…POR QUE!!?”

“POR QUE CONTINUOU TOMANDO TODOS ESSES CAMINHOS QUE COM CERTEZA O FARIAM FICAR CADA VEZ MAIS E MAIS PRÓXIMO DESSE CENÁRIO!!!?”

A maldição do país…

Não.

Isso não é uma maldição.

Conseguiu começar a entender tudo quando chegava no andar mais alto do castelo e olhava para baixo tendo a visão de todas as coisas vivas que devia proteger.

—–

Kaori olhou para a direita.

Ouvia a conversa de dois soldados.

“Sabe?Quando era criança sempre sonhei em ser um Rei, mas eu era imaturo demais, não sabia os sacrifícios que um Rei precisa fazer, só achava que seria demais ser um!Mas é por isso que são chamados de Reis, não é qualquer um que pode ascender a esse título, precisa ser a pessoa com maior capacidade de se manter sereno, matar suas emoções e ter um sangue-frio invejável, hoje, eu sei que não posso ser um mas tenho que elogiar cada um que existe, mesmo os inimigos, afinal, independente de suas ações, não existe nenhum Rei que tenha ações que possam ser consideradas ruins se tudo for feito visando unicamente o futuro do país.”

Mesmo que isso inclua esse tipo de ataque.

Afinal…

O mundo que vivem e as regras dele…Os obrigam a se degladiarem por que não podem aceitar as diferenças.

A paz irá vim pela força.

Não existe motivo para mentir e nem acreditar que talvez possa existir uma resposta diferente.

“…”

Voltou a olhar para cima, lágrimas pingavam de seus olhos, começou a imaginar pela primeira vez os sacrifícios que seu pai fez.

Foi doloroso.

Com certeza foi.

Mas…

“Diferente da fraca que eu sou…”

Mordeu os lábios.

Ele parou de chorar, encarou a vida de frente com todos os problemas, e hoje…

É este homem que pode colocar um país nas costas e dizer “Vem” para todo o mal do mundo.

Levou as mãos ao rosto abaixando a cabeça chorando copiosamente.

“Você é…Tão incrível…”

—–

Não é uma maldição.

E sim o objetivo de proteger um legado, proteger toda uma vida e ideal que veio antes o levando a frente.

Adeko conseguiu ver.

O primeiro Rei de Kanszes criou este país a partir do zero, imagine o quanto trabalhou e morreu por isso.

Seu sucessor jamais iria permitir que Kanszes, a existência do primeiro Rei fosse esquecida com tudo se perdendo.

Então além de dar continuidade ao trabalho de seu predecessor iria buscar melhorar o que veio antes.

Admirava mais do que tudo o trabalho feito por seu pai e os sacrifícios que fora obrigado a tomar.

Não é uma maldição.

Apenas orgulho e admiração.

Todos os futuros Reis tem em seu pai a figura que mais se orgulham, e até mesmo por isso…Não iriam permitir que a cidade fosse destruída independente do que for.

—–

Era o que mais sentia nesse momento.

Orgulho por quem foi seu irmão.

Orgulho por aquele que foi seu pai e avô.

Como poderia…

Como simplesmente poderia negar tudo que construíram sacrificando suas vidas virando as costas para Kanszes?

Realmente passou a amar esta cidade e a se importar com cada vida que existe.

O meteoro continuava descendo cada vez mais e mais a tal ponto que a colisão parecia ser inevitável.

Mas…

“Você pode fazer isso.”

“!”

Essa voz…

Esse sentimento…

Sim.

Era quente.

E passou uma imensa sensação de calma.

Foi para lembrá-lo de algo muito importante.

Um a um.

Todas as imagens dos Reis de Kanszes começaram a aparecer ao lado com suas mãos no meteoro.

O Dna*R que carrega jamais o deixa sozinho.

Órion sorriu.

“Vá, conserve os olhos fixos num ideal…E lute sempre pelo que deseja, pois só os fracos desistem, você é a luz, o sol de Kanszes, o Leão dourado, use até mesmo a tristeza de combustível e destrua as paredes.”

“Adeko.”

“Adeko.”

“Adeko”

Ele ouviu.

Todos os Reis chamaram seu nome.

Resoou no fundo de sua alma.

Ascendeu uma chama que em muito se pensou estar apagada.

“Sim!”

Retirou a mão esquerda do meteoro, a mesma mão que segurou os últimos momentos da vida de seu irmão começou a pulsar em dourado descontroladamente.

Arregalou os olhos.

Colocou toda sua força naquele punho.

“Exatamente.”

“Ao fazer isso, mostra que podemos caminhar lado a lado, como iguais, como sempre deveria ter sido.”

E então…

Socou!

O som de algo quebrando foi alto.

Foi seu braço.

Porém…

Uma rachadura.

Começou como algo pequeno.

E logo após…Em questão de segundos se espalhou em todo o meteoro…

Que explodiu!

Explodiu liberando um imenso pulso que cobriu a ilha inteira, todos os seus minúsculos pedaços que restavam começaram a cair como chuva pela ilha, tão pequenos que pareciam partículas.

Até poderiam ser chamados assim.

Os soldados levantaram suas armas comemorando em um grito que se espalhou por milhares de Km.

—–

Dentro das cúpulas a reação era a mesma.

Kaori foi pega no colo em meio a comemoração.

“SEU TIO É INCRÍVEL!!!”

Não.

Ela não tinha palavras no momento.

—–

Perseus cerrou os olhos.

Então é isso.

Esse é…

O poder que nasceu em resposta a maldição.

Não é a toa…

Que o teme.

“Aquele pirralho chamado Kai…Tem esse mesmo poder, não é?”

—–

Se chocou forte contra a água e começou a afundar.

Usou toda a força que restava para destruir o meteoro.

Seus membros…Seja braços ou pernas…Parecia que não tinha nada ali sendo incapaz de senti-los.

Mas…Conseguiu ver algo.

O sol brilhando por baixo da água com o portal tendo sido destruído pelo impacto.

Deu um sorriso fraco fechando os olhos.

Já estava ficando difícil respirar.

Mas…

Não tinha arrependimentos.

Algo.

Sentiu algo primeiro segurar sua camisa.

Logo depois seus lábios.

E por tal.

Abriu os olhos assustados.

Viu que fora Sorae dividindo a respiração.

—–

Chegaram a margem após alguns minutos, Adeko se colocou sentado tossindo.

Olhou para frente vendo Sorae com lágrimas nos olhos.

Mas…

Sorriu e se abraçaram.

Escutaram um alto som.

Fora da ultima serpente caindo derrotada por Perseus e Fang.

O vento gelado começou a bater confortavelmente no rosto de ambos.

Com esforço e ajuda o Rei conseguiu ficar em pé.

Tudo ao redor estava destruído, não que isso fizesse alguma diferença.

O povo está seguro.

Sendo assim…Esta cidade irá retornar ainda mais forte.

“Hoje, acho que finalmente…Posso lhe encarar com um sorriso no rosto, não é mesmo, irmão?”

—–

Passado alguns dias da batalha…Adeko abriu uma porta.

Era um local sem dúvida especial.

A parede a frente…Existia uma foto dos quatro Reis.

Primeiro: Ikaran Kanszes

Segundo: Yuzo Kanszes

Terceiro: Órion Kanszes

Quarto:  Adeko Kanszes

O quinto estava uma folha em branco.

Cerrou os olhos.

Apenas uma imagem poderia vim a mente.

Exato.

Viu as costas de Kai.

—–

O país de Kanzes é uma das áreas mais bem desenvolvidas dentro do continente de Ustrael.

Desde sua criação há pouco mais de 200 anos atrás sempre esteve a atrair conflitos e guerras por motivos desconhecidos, como se o país fosse amaldiçoado a sofrer com isso de tempos em tempos, muitas mortes e desastres os assombraram ao longo de sua história que foi construída através de infinitas batalhas e provações.

Porém…

A cada ataque.

A cada queda.

A cada vida que fora perdida…

O país sempre ressurgia mais e mais forte, tudo isso graças a uma espada e um escudo conhecido como os Reis.

Sempre agraciados com o combo dos genes mais fortes da história, já nasciam prontos para este momento.

Desde Ikaran até Adeko o poder dos guardiões do país só tende a crescer com o passar das gerações.

Então não importava se era uma quebra de cessar fogo no meio da guerra sendo cercados por mais de 50 unidades inimigas.

Uma guerra estando com 300.000 mil homens em desvantagem.

Um abyssal.

Um meteoro que colocaria fim em qualquer coisa.

Nada pode parar o país que detêm o maior poder do continente.

Esta linhagem que fica mais forte a cada geração só está começando.

Mas…

Para a linhagem continuar, seu próximo herdeiro….

“Só pode ser um principe fujão que detêm o mesmo poder das quatro primeiras gerações.”

—–

Kaori segurou uma foto.

Os raios solares passavam pela janela.

Levou o punho fechado até o peito e fechou os olhos.

Sua inspiração para encarar o amanhã…Sempre esteve ao lado e vivendo no mesmo teto.

Seu fardo é grande e realmente a faz esquecer algumas coisas.

Mas…

Sorriu em determinação.

Realmente não pode continuar como está pois nada vai mudar quando encontrar Kai dessa maneira.

“Comparando ao meu pai naquela época….”

Se virou, passou pela porta e continuou caminhando.

“Meus problemas não existem.”

—–

Ao lado da estátua de Órion…Construída ao lado.

Está ali.

Imortalizados lado a lado.

Se encontra a de Adeko sendo banhados pelo Sol.

PARAGOBALA – CAPÍTULO 20 – CAÇA AO ÍNDIO

Capítulo 20 – Caça ao índio

O policial Sérgio transitava em baixa velocidade com a sua moto, realizando sua ronda diária pela cidade. Era um trabalho monótono e normalmente ele não precisava fazer nada além de dirigir. A cidade não era exatamente tranquila e a chance de presenciar um crime não era pequena. Mas a força policial tinha uma boa noção sobre quais eram os locais e horários mais perigosos, e definitivamente, a rota que Sérgio fazia normalmente não apresentava problemas.

Ele passava na frente de um bar, quando viu um homem saindo do recinto. Ele parou a moto e ficou encarando a distância. Pegou o celular, e abriu uma foto. Olhou a tela e depois para o homem. “Não acredito…” balbuciou. Por um instante pensou em deixar pra lá e fingir que não viu nada. Ninguém ali na polícia tinha qualquer expectativa de identificar esse homem. Foi algo que foi enfiado goela abaixo pelo promotor da cidade. Ainda assim, ele pegou o seu rádio e chamou por ajuda. A ordem era clara: o promotor deveria ser avisado imediatamente assim que o suspeito fosse localizado. Ninguém sabia bem o que aquele homem tinha feito e ninguém se importava. O homem começou a seguir pela rua, e discretamente, Sérgio ligou a moto e deu a volta na rua, a uma distância razoável do alvo.

Vincent terminava de fazer a sua barba na frente do espelho. Já fazia mais de uma semana que a polícia procurava pelo suspeito. Suas recentes investigações não lhe trouxeram muito progresso. Sabia que o suspeito ia ao bar com um grupo, mas as descrições eram vagas. Nem sequer conseguiu um número exato de pessoas. Sabia que eram pelos menos 4. Mas mesmo isso pouco lhe servia. Os amigos do bar eram realmente companheiros de matança?

Então, o seu telefone tocou. Imediatamente, ele deixou o barbeador em cima da pia, limpou o rosto e atendeu.

– Bom dia doutor, aqui é o Antonio. Um policial identificou uma pessoa muito parecida com o retrato falado que você nos passou.

O coração do promotor disparou, para sua própria surpresa.

– Onde!?

– Foi em uma rua próxima do centro. Estamos vigiando ele e vamos abordar com cautela, fique tranquilo que até o fim da manhã ele estará na delegacia.

– Me dê a localização eu vou para lá.

– Tem certeza? Não precisa se preocupar com isso, nós somos capazes…

– Me passe o endereço. Quero contato com os homens que estão perto dele. Fale para os seus homens agirem com cuidado, e em hipótese nenhuma, matem o alvo. É muito importante que ele seja capturado com vida.

– Matar o alvo? Imagina…bom o endereço é o seguinte…

Vincent desligou o telefone e saiu de casa o mais rápido possível. Trocou colocou a camiseta, pegou uma arma que ficava guardada em uma gaveta no armário e desceu. Colocou os óculos escuros e saiu acelerando com o seu carro. No caminho ligou para um dos policiais que estava observando o alvo:

– Alô é o Sérgio?

– Sim eu mesmo.

– Aqui é o promotor Vincent. Estou indo até onde você está. Esta visualizando o alvo?

– Sim, ele está caminhando pela calçada da avenida. Não tem muito para onde ele ir. Temos já um homem acompanhando ele a pé, a distância, e eu estou na moto. Temos mais dois homens chegando, quando formos 4 iremos abordá-lo.

– Muito bem, vou acompanhar a operação de vocês, estou chegando ai. Continuem com cautela, o alvo é muito importante.

Antes de perceber qualquer sinal, Índio sentiu que algo estava errado. O seu sempre aguçado instinto, o fez estremecer. Estava andando calmamente, com a cabeça leve depois de tomar alguns copos de cerveja pela manhã, e em um instante depois, já estava pronto para matar e sobreviver. Sentia-se observado e não queria olhar para trás. Não mudou a velocidade de seu passo, e a qualquer um que não tivesse acesso aos seus pensamentos, era impossível perceber algum tipo de mudança no seu comportamento. Vestia uma bermuda que passava do joelho e uma camisa simples aberta. Por dentro da sua bermuda, tinha o seu facão, amarrado a sua perna. A 200 metros na sua frente, estava um ponto de ônibus. Sequer cogitou a ideia de entrar no veículo para despistar possíveis seguidores. Não gostava de ficar fechado em um veículo enquanto era perseguido. O que ele queria era entrar na mata o mais rápido possível. Uma vez ali, não se importa quem ou quantos estavam atrás dele.

– Rodnei, tem um ponto de ônibus ali na frente, se o alvo entrar vai ser problemático.

– Quer abordar ele antes que chegue ali? Não dá pra pensar muito.

– O Mário vai chegar agora lá pelo outra mão da via. Posso acelerar aqui e encostar do lado do suspeito, você chega por trás e o Mário pela frente. Ele parece desarmado…e inofensivo.

– Ok. Vamos, vamos!

Sérgio acelerou a moto, enquanto Rodnei, começou a correr. O terceiro policial, também acelerou o seu veículo em direção ao alvo.

Índio primeiro ouviu o som do motor da moto de Sérgio, às suas costas. Instantes depois, visualizou Mário com a moto na outra mão da avenida. Continuou caminhando com a aparente calma e enfiou a mão esquerda no bolso falso e agarrou o seu facão.

Sérgio parou a moto ao lado da calçada e gritou:

– Parado! Mão na cabeça, não se mexe. Apoiou uma perna no chão e apontou sua arma em direção a Índio.

Índio reagiu imediatamente. Puxou o facão do bolso, e no mesmo movimento virou-se para o policial e arremessou a arma. Ela foi girando na direção de Sérgio e se cravou em seu peito. O policial caiu no chão, junto com a moto. Índio já tinha começado a correr assim que arremessou a faca. Rodnei sacou sua pistola, ainda estava a 30 metros do alvo, e atirou. Mário entrou na contra mão e acelerou em direção a Índio, que agora puxava a faca e tentava subir na moto. Saiu dirigindo o veículo enquanto ouvia tiros atrás de sí, mas nenhum acertou. Passou ao lado de Mário, que teve que virar a sua moto para persegui-lo.

– Emergência, emergência, policial ferido – gritava Rodnei no rádio.

– Solicitar reforços – berrava Mário, que agora se via em uma perseguição entre motos.

O Pelicano dirigia quando viu duas motos em alta velocidade passando a sua frente. “Merda” pensou, e imediatamente as seguiu. Em seguida ligou para o delegado.

– Acabei de ver duas motos voando aqui na minha frente, o que aconteceu?

– Parece que o suspeito atacou um policial e roubou sua moto. Vou colocar todas as unidades da região na perseguição.

– Pelo amor de deus, não atirem pra matar.

– Vou mandar o aviso para não atirarem…melhor ainda, vou deixar um rádio comunicador aqui ligado na frente do telefone, e você tera contato direto com eles doutor. Pode assumir a perseguição. “Se der alguma merda, fica tudo na sua conta” pensou Antonio. Essa atitude era claramente ilegal, mas nenhuma das partes ali estava interessada na legalidade da ação.

Vincent, logo falou:

– Aqui é o Promotor Vincent. Estou acompanhando vocês nessa operação. Reafirmo que esse alvo é de extrema importância, e em hipótese nenhuma atirem nele enquanto ele estiver na moto. Repito: não atiram. O alvo deve ser capturado vivo!

“Engravatado de merda” – pensou Rodnei ao ouvir as instruções. Queria atirar no suspeito, que tinha acabado de ferir gravemente seu amigo. No entanto guardou sua pistola e continuou a perseguição.

– Fazemos o que então, doutor – perguntou Mário, na outra moto, pelo rádio.

– Apenas persigam. Vamos coodernar os movimentos para bloquear algumas ruas e saídas, e forçar ele em alguma direção. Ou talvez derrubá-lo com algum carro. Não o percam de vista.

“Esse cara acha que estamos em algum filme, filho da puta. Quero ver fazer essa operação maluca aqui”. Tudo bem doutor – confirmou Rodnei, que continuava na cola de Índio.

Índio seguiu acelerando a moto, veículo que tinha aprendido a dirigir a pedido de Bal. O exilado Kapoor odiava carros e veículos fechados, mas apreciava a motocicleta. Índio conhecia muito bem a cidade, passava muitos dias apenas caminhando por Paragominas, e já havia atravessado toda a extensão dela várias vezes. Seu objetivo era chegar até a selva, e ele não precisou traçar uma rota. Sem planejar ou pensar muito, fazia as curvas necessárias para chegar onde queria.

Vincent seguia na perseguição, e se queixava ao ver o fugitivo fazendo curvas.

– Cadê o bloqueio? – gritou no telefone

– Doutor esse tipo de manobra é muito incomum por aqui. Os homens não estão preparados para fazer isso tão rápido. Pedi mais reforços para te ajudar – respondeu o delegado, pegando o telefone antes que algum outro policial respondesse pelo rádio.

– Precisamos de viaturas para ultrapassá-lo e bloqueá-lo.

– Tem duas chegando vindo da outra direção nesse exato momento.

Índio viu de longe dois carros de polícia vindo em sua direção. Imediatamente, virou a moto e subiu na calçada. Foi desviado das pessoas, com pouco cuidado, e muitas gritavam e caiam enquanto ele passava.

– Policial, enfie o carro na calçada na horizontal e bloqueie a passagem dele! – falou Vincent.

O policial que dirigia uma das viaturas, Marcos, olhou para o cenário e exitou. A calçada estava cheia de pedestres. Ele precisaria atravessar uma mão contrária da rua, e enfiar o carro ali, e torcer para não destruir alguma loja no processo. Ele podia matar alguém na rua ou causar um acidente. Não iria se arriscar dessa maneira.

– Senhor, é uma manobra muito arriscada não vai dar pra fazer – disse nervoso.

Enquanto titubeavam, índio os ultrapassou pela calçada.

– Mas que droga! Virem os carros e entrem na perseguição! – bradou Vincent.

As duas viaturas viraram bruscamente de mão, e se uniram a mais duas motos e um carro, o do promotor, a perseguição.

Os policiais daquela delegacia estavam acostumados a correr grandes riscos, muito menos a operações mais complexas. Era comum fazerem vista grossa a regiões mais perigosas da cidade. O delegado sempre preferiu fazer um acordo com os chefes locais. As operações mais violentas, eram feitas com planejamento e muita superioridade numérica. Com o promotor no cangote, eles não tinham opção, mas no campo mostravam claramente como estavam despreparados para a ocasião.

Tão pouco, Vincent tinha experiência em coordenar uma equipe de campo. Sempre foi fascinado por essas operações, e gostava de ouvir o seu irmão e outros amigos delegados contando sobre as suas empreitadas, no entanto, ele mesmo nunca vivenciou nada parecido. Em São Paulo, as poucas operações que acompanhou a distância, foram realizadas por equipes experientes, bem treinadas e equipadas.

Enquanto a polícia se desencontrava, Índio abria caminho a frente, cada vez mais próximo do seu objetivo. Subia em calçadas e passava em faróis vermelhos sem pensar duas vezes, sempre muito consciente do ambiente e evitando qualquer risco de bater o veículo.

***

Italiano escutava atentamente o rádio da polícia, e sua expressão era de pânico.

– Não pode ser….! – reclamava em voz alta.

Pegou uma cadeira, e a colocou na frente do armário. Subiu nela, e no fundo de uma prateleira, tirou um celular e uma bateria. Pegou ambos, desceu e ligou o aparelho. Nervoso, digitou um número que havia memorizado.

Bal estava terminando se aprontar para o seu trabalho, quando ouviu o toque do celular vindo de dentro de sua gaveta. Estremeceu. Era o seu celular de emergência. A única forma que um dos membros do grupo poderia contatá-lo. As suas ordens tinham sido claras: o contato só seria permitido em casos absolutamente urgentes. Foi rapidamente até o aparelho e o atendeu:

– Quem é?

– Sou eu Doutor! Preciso lhe falar…urgente!

– Me encontre lá

E desligou imediatamente. Bal tinha pavor de compartilhar qualquer conversa suspeita no telefone. Se aprontou e rapidamente pegou o carro para ir até a cabana.

***

O ônibus que Agha pegava todo dia para ir trabalhar estava atrasado a pelo menos 10 minutos. Ele começou a indagar se algo de errado tinha acontecido, “um acidente, talvez”, quando ele apareceu na avenida. Ele levantou o braço e o motorista parou. No entanto, o veículo estava lotado. Ele nunca havia visto o ônibus tão cheio. A entrada estava abarrotada de pessoas, que se comprimiam quando as portas se fechavam. Balançou a cabeça negativamente, e o motorista fechou a porta e foi embora. “Vou esperar o próximo…é o jeito”.

Por longos 40 minutos ele esperou, e a essa altura, já estava irritado. Sentado no banco, levantou rapidamente ao ver o transporte vindo. Já de longe, viu que este veículo também estava lotado. Mas ele já estava atrasado para o trabalho. Iria entrar nesse, de qualquer forma. O ônibus parou e abriu a porta. A primeira vista, um pouco menos cheio. Tinha o espaço livre para uma pessoa ali. Abraçou sua pequena bolsa junto ao peito, e subiu o degrau. A porta se fechou, dando um tranco nele, que quase tropeçou para a frente. Onde estava, não tinha apoio, e quando o veículo deu partida, ele tentava se equilibrar enquanto roçava as pessoas ao seu redor. “Não dá pra ficar aqui!”. Então ele olhou para frente, tentando vislumbrar um caminho, procurando uma clareira no meio daquele mar de gente. Por ser extremamente magro, Agha tinha facilidade em se locomover em lugares extremamente cheios. Esticou sua comprida e fina perna no meio das pessoas e conseguiu firmar o passo a frente. Agora restava o corpo. Se espremeu e passou, aliviado. Ali agora estava em um lugar um pouco mais vazio, comparado ao seu anterior. Aos poucos foi se arrastando e deslizando, até chegar a catraca. Ouviu o cobrador conversar com um passageiro:

– Tem várias ruas bloqueadas, a polícia está em uma perseguição maluca. Um outro rapaz me disse que ouviu tiros no meio da avenida.

“Tinha que ser essa porcaria da Polícia a causar tudo isso. Incompetentes!”. Comprimiu os seus braços da maneira que conseguiu, e abriu com a mão resetada a bolsa para pegar o cartão de transporte. Porém, era impossível ele ultrapassar a catraca, pois a passagem estava bloqueada por outras pessoas. Passou o seu cartão na máquina, e pacientemente, ficou esperando o caminho se liberar. Instantes depois, sentiu uma pressão nas suas costas, e viu um homem, suado, com expressão de apreensão, que lhe perguntou:

– Vai descer no próximo?

“Óbvio que não seu imbecil”. Não  – respondeu monossilabicamente.

Imediatamente, o homem virou de lado e se esgueirou para ultrapassar Agha. “Ele entendeu o meu não como um “pode passar””, como é burro!”. Agha manteve a posição, nervoso, e sem escolha, empurrou a catraca. Pressionou as costas de uma mulher que estava a sua frente, visivelmente acima do peso, ela parecia nem sentir a pressão do objeto. Agha esperava que ao forçar a catraca, a mulher se moveria, mas isso não aconteceu. Ele aumentou a sua força, e graças a sua magreza, conseguiu passar pelo vão que havia se aberto. A mulher apenas deu um solavanco a frente, e sequer olhou para trás. Sentiu um rápido alívio ao transpor aquela barreira, mas a sensação durou pouco. Agora quem sentia um empurrão nas costas era ele. O apressado forçava a catraca para passar. Agha se viu preso, e teve que se virar para falar:

– Calma ai, não dá pra passar.

– Eu tenho que descer no próximo ponto! Força ai que dá pra passar.

Agha fechou os punhos e pensou mais uma vez em como aquele cidadão era burro. Ele odiava locais populares e cheios de gente. Denominava gente simples como “populacho”, e esse episódio o lembrara o porque dele odiar o tal populacho. “Esse povo é muito burro, parecem animais”. Porém, em sua situação, tais pensamentos não o ajudariam. Pediu licença a mulher a sua frente, que fez um micro movimento lateral. Não se moveu mais do que 10 centímetros. Impulsionado pelo metal nas suas costas, se esgueirou naquele espaço. Apesar de ter seu corpo comprimido pelos dois lados, foi uma passagem rápida, e logo ele se viu em uma posição mais favorável. Agora estava de lado no corredor de ônibus, de frente para os bancos “ como eu quero sentar!”, pensou. Começou a olhar para quem estava sentado, tentando captar algum sinal de que a pessoa iria se levantar, até que parou sua visão em uma mulher que abria sua bolsa e tirava maquiagem. Ela abriu um objeto preto, que continha duas partes, na base, um pó, e na parte superior um espelho. “Se ela está fazendo isso, deve estar chegando perto do seu trabalho”. Agora já calejado, não exitou em se movimentar até o outro lado do ônibus para ficar na frente daquela mulher. O pequeno sofrimento seria recompensado por uma viagem mais confortável, pois aquele trajeto ainda iria demorar, já que o ônibus progredia muito lentamente na congestionada avenida. A primeira parte de seu corpo a alcançar a outra extremidade do corredor, foi o seu braço esticado, que agarrou a barra que servia de apoio aos passageiros. Depois do braço, moveu o resto do corpo, e se instalou em uma espaço no meio de duas pessoas, e, para sua felicidade, bem a frente da mulher que passava maquiagem no rosto.

Instantes depois dele se estabelecer bem a frente daquela mulher, olhou para trás e viu que o casal que estava sentando do outro lado do ônibus – bem onde ele estava, se levantou dos assentos. “ Que dia de merda esse!” xingou mentalmente, cada vez mais irritado. Minutos depois, a mulher a sua frente guardou a maquiagem na bolsa, e Agha esboçou um sorriso, pensando que, finalmente, teria um pouco de conforto. Em seguida, a mulher encostou a cabeça no banco e fechou o olhos. “Como eu odeio essa cidade!!!” pensou mais uma vez.

***

– Alguém tem alguma ideia para onde o suspeito está indo – perguntou o Pelicano

– Doutor, conseguimos bloquear alguns acessos as favelas maiores, mas ele nem fez menção de entrar nesses ruas. Ele parece estar indo para os limites da cidade.

– E o que tem lá?

– Se continuar por aqui vai chegar na floresta. Não tem mais nada pra lá.

– É possível andar de moto na Floresta?

– Por lá não. É um terreno muito fechado. Ele vai ter que fugir a pé.

– Ótimo! Vamos deixar ele ir pra lá, e depois terminamos a perseguição a pé. Será mais fácil.

Os policiais assentiram, e a perseguição continuou.

***

Bal saiu do carro e foi correndo até a Cabana. Italiano já estava lá, e andava em círculos, com a cabeça para baixo.

– Italiano! – gritou Bal.

– Graças a Deus você chegou Doutor, deixe-me explicar tudo – disse. Simplesmente ver a figura do líder do bando lhe trouxe calma. Ele explicou a situação atual: Índio fugia com uma moto roubada da polícia.

– O que faremos, Doutor? Vamos ajudá-lo?

Bal coçou o queixo e respondeu:

– De maneira nenhuma. O Índio sabe se virar.

– São muitas viaturas atrás dele…

– Se ele for pego, tenho certeza que não vai falar nem uma palavra sobre nós. Caso fosse outro membro do grupo, talvez eu pensaria em alguma outra medida – disse com um olhar sinistro a Italiano.

– Vamos apenas esperar então?

– Continue monitorando tudo. Qualquer mudança importante, me ligue. Mais importante que tudo isso, é descobrir porque eles estão perseguindo o Índio. Trabalhe nisso.

Italiano assentiu, mesmo não tendo ideia de como faria aquilo.

– Avise Caolho para ficar alerta. Deve estar preparado para sair da cidade se receber um aviso. Faça o mesmo. Eu avisarei o Pastor. Não acho que tenhamos sido descobertos…mas devemos ter um plano no caso – disse o Doutor com confiança.

Apesar da demonstração de segurança ante ao Italiano, desde de manhã ele tentava refazer os passos do seu bando mentalmente. Era uma tarefa árdua. Dentre as qualidades do Doutor, boa memória não era uma delas, e constantemente ele se esquecia de dados ou misturava e criava novos eventos na sua recordação. Quando tentava refazer uma cena sua mente, o Doutor tinha consciência que sua paranoia entrava em ação, e portanto, não confiava nas suas próprias lembranças. Por outro lado, abominava a ideia de registrar as coisas. Era muito perigoso.

Depois de passar as instruções ao Italiano, voltou ao carro e se dirigiu ao trabalho. Apesar de uma voz interior lhe dizer para fugir da cidade e se esconder, a sua reação mais típica quando se via em uma situação desconfortável, o lado racional lhe dizia para aparentar a normalidade. Nada estava perdido, ainda.

***

O grupo composto por vários policiais e Vincent corria pela mata. Apesar dos prognósticos, o suspeito havia adentrado na mata com a moto, e percorrido um bom pedaço. Agora eles viam o veículo abandonado no chão. Vincent tomou a dianteira e gritou:

– Vamos, ele não pode estar tão longe.

Subiam uma elevação, e cada trecho percorrido, o terreno ficava mais selvagem. Vincent começou a questionar se a opção de deixá-lo ir até a mata foi uma boa ideia.

Percorreram mais um trecho, e então, ao longe, Vincent detectou um homem correndo.

– Ali!! – gritou e apressou o passo.

Os policiais o seguiram e o grupo continuou seguindo na direção da mata cada vez mais fechada. Então, subitamente, Vincent chegou em uma clareira. O cenário era estranho e não parecia natural. Em um determinado ponto a vegetação era bem aparada e as árvores sumiram. Uns 300 metros a frente, a floresta continuava. Apesar do estranhamento, não deu atenção a isso e continuou correndo na direção da mata. Quando se aproximou do outro lado, viu que vários troncos estavam pintados de branco. Olhou para trás, e viu que os policiais mal tinham se mexido.

– O que aconteceu? Vamos!!! – gritou no seu rádio.

– Doutor…ai é o começo do território Kaapor. As árvores brancas marcam o local.

– E daí!? Estamos atrás de um suspeito – respondeu com rispidez o promotor.

Os policiais se entre olharam, encabulados. Não queriam se recusar a obedecê-lo, mas sabiam que era perigoso entrar naquele território.

– É muito perigoso senhor…- começou a falar Rodnei.

Vincent começou a perder o controle. “Mas que caralho é isso! Foda-se se índio acha bom ou ruim, a polícia entrar aqui para prender um criminoso. Não posso perder essa oportunidade”.

– Escutem muito bem! Irei representar legalmente contra quem se recusar a cumprir sua função aqui! Venham comigo, agora!

Os policias não tiveram tempo de responder. Um outro som rompeu os poucos segundos de silêncio tenso entre o Pelicano e os policiais. Uma flecha se afundou na frente de Vincent. Ele olhou para a flecha, e depois para os lados, assustado. O susto não veio por medo, mas pelo inesperado.

Depois, mais duas flechas se pregaram ao lado da outra, e então, um grupo de índios surgiu de trás de árvores e caminharam até a frente do Promotor.

Um deles tomou a frente e falou:

– Bem vindo ao territorio Kapoor. Para seguir aqui você precisa de uma autorização judicial.

– Eu não preciso de autorização nenhuma. Estamos perseguindo um criminoso, e ele fugiu para cá. Se vocês nos impedirem vão ser acusados de encobrir um fugitivo da justiça.

O Índio o encarou por alguns instantes, e então, sorriu:

– Sem autorização não passam.

Vincent ignorou o homem, e chamou mais uma vez policiais, que agora já tinha se aproximado dele:

– Vamos em frente, já perdemos muito tempo!

Caminhou a frente, e então, os índios ergueram duas lanças para bloquearem a sua passagem.

– Vocês estão ameaçando um membro do ministério público !? – gritou Vincent.

Os índios ignoraram as palavras.

Vincent então segurou uma das lanças e a levantou para passar. Um outro índio se colocou no seu caminho e o empurrou. Vincent reagiu pegando o braço dele, o puxando e o derrubando no chão, com um golpe de perna. Imediatamente, outros dois vieram por trás e o agarraram.

– Prendam esses índios, agora! Gritou Vincent.

Os policiais, timidamente, se aproximaram e ergueram suas armas. VIncent tentava se desvencilhar, mas era contido por dois homens bem fortes. Eles afrouxaram a pegada ao verem os policiais sacando as armas.

– Saiam da nossa frente agora! Eu juro que vocês todos serão presos e que eu farei da vida de vocês um inferno! Vocês não tem ideia de com quem estão mexendo!

– Quem não tem ideia é o senhor.

E então, mais índios saíram de trás das árvores. O que era um grupo de não mais que 6, agora se transformara em dezenas. Pelo menos 20, todos armados de lanças e arcos. Eles não paravam de chegar.

Os policiais abaixaram seus braços ao perceberem que flechas apontadas em direção as suas costas. Não tinham ideia como aqueles índios haviam chegado ali.

– Tem um criminoso nesse território! – bradou mais uma vez Vincent.

– Nós não estamos protegendo criminoso nenhum. Faremos patrulhas em busca desse homem, e se o encontrarmos, o encaminharemos a sua justiça. Mas sem autorização vocês não podem entrar. Voltem a sua cidade.

Vincent agora cerrava o punho, num estado de raiva que talvez ele nunca tenha estado antes.

– Vocês vão se arrepender disso! Marquem minhas palavras! Não vou esquecer disso.

O Índio se aproximou e disse, bem perto dele:

– Não temos medo de ninguém….e – aproximou agora seu rosto perto da orelha de Vincent – o seu irmão tinha modos muito mais civilizados que os seus  – ao ouvir isso, Vincent não esperou o Índio terminar sua frase.

– Seu filho da puta! – e empurrou o Índio e desferiu um soco na sua cara, que o derrubou. Outros índios vieram para cima do promotor. Ele se desvencilhou do primeiro e acertou uma joelhada, mas um outro vindo da lateral se atirou e o derrubou. Rapidamente outros vieram para cima, e o agarraram. Depois o levantaram, e um terceiro socou sua barriga. Os policiais, estupefatos, apenas assistiam, imovéis.

O Índio que tinha levado um soco, agora já em pé, fez um sinal com a mão para o outro parar de bater. Ele deu um passo a frente, e deu um direto no rosto de Vincent. Cuspiu sangue e continuou a falar, bem próximo do Pelicano:

– Que seja uma lição. Quem manda em território Kapoor, são os Kapoor. O seu irmão sabia disso.

Vincent gritou, e balbuciava alguma coisa. Antes de conseguir dizer mais, levou outro soco no rosto. Tentava se desvencilhar, e seu lábio sangrava. De seus olhos, escorriam lágrimas de pura raiva.

– Você vai se arrepender disso… – e antes de completar, levou mais um soco no estômago que lhe tirou o ar.

O soco foi seguido por mais uma sequência, que por fim, apagou o promotor.

***

Agha entrou na sala, e percebeu que mais uma vez, era o único ali. “Esses vagabundos não fazem mais questão de disfarçar”. Sentou na cadeira e relaxou. Após toda aquela jornada para chegar no trabalho, se permitiu ligar o computador e navegar na internet.

Cerca de meia hora depois, Bal entrou apressado na sala. A entrada abrupta assustou Agha, que prontamente fechou o navegador.

– Tá fugindo de alguém? – perguntou Agha.

Os pelos do corpo de Bal se arrepiaram com a pergunta, e ele congelou em pé. Virou o rosto para Agha e respondeu depois de alguns segundos.

– De que merda você tá falando?

Agha não esperava uma reação tão violenta a sua brincadeira, e não respondeu nada. Se voltou ao seu computador e começou, enfim, a trabalhar.

– Cadê o Vincent – perguntou Bal.

– Não sei, não está aqui, pra variar – respondeu Agha.

– Estranho… – comentou Bal. Seu lado paranóico começou a indagar se o promotor tinha alguma relação com a perseguição ao Índio. No entanto, o seu lado racional o tranquilizou. Não faria sentido o promotor se juntar a uma caçada com a polícia.

– Nem tanto. Não é a primeira vez que ele não aparece…

***

Vincent abriu os olhos e viu o teto de seu carro. Se sentou e viu que do lado de fora os policiais estavam reunidos, conversando baixo. Ao abrir a porta, todos se silenciaram e viraram para ele.

– Nem uma palavra sobre o que aconteceu agora pouco. A perseguição está encerrada, por hora.

Os policiais assentiram com a cabeça, ainda assustados demais com o que ocorrerá para proferir algum comentário.

Vincent já sabia que tinha sido humilhado. Aquele certamente era o episódio mais vergonhoso de sua carreira, e o seu orgulho lhe mandava reprimir o acontecimento daquele evento.

– Vocês não vão reportar isso que aconteceu. Digam apenas que ele fugiu para a mata. Eu preciso que um de vocês dirija meu carro e me leve até a minha casa.

Os policiais mais uma vez assentiram, e Rodnei se voluntariou a levar o promotor. Os policiais saíram rapidamente do local, e Vincent se deitou no banco de trás de seu carro, em silêncio. Após a partida do carro, falou:

– Eu fui precipitado. Não conhecia essa tribo. Me fale sobre os Kaapor.

Durante toda a viagem, Vincent esmiuçou o conhecimento do policial sobre os Índios. Aprendeu que aquilo era mais do que uma simples tribo indígena. Estava mais para uma organização criminosa altamente capacidade e equipada. Era notável o receio e o medo do policial. Os policiais locais deviam bandidos e traficantes poderosos, mas temiam a tribo.

No final da viagem, agradeceu o policial e lhe pagou um táxi. Ao chegar em casa, foi até a geladeira e preparou uma bolsa de gelo. Seu rosto ainda doía muito. Sentia vergonha de sí mesmo. Se orgulhava de ser uma pessoa muito fria, em uma sociedade que ele considerava emotiva demais. Era sua força. Havia se comportado como um adolescente birrento, e deixou aflorar todas as suas emoções, além chorar na frente de vários outros homens. Ainda não sabia porque tinha reagido daquela maneira. Indagou-se se foi a impotência ou o afronte que recebeu, mas sabia que não. Era o sentimento de vingança que lhe consumia desde que soube que seu irmão tinha sido assassinado. Tinha medo de não conseguir vingá-lo e fazer justiça.

Ligou o seu computador, e ali ficou compenetrado por horas. Por fim fechou o aparelho, e se levantou. Na sua expressão, um sorriso triunfante. Pegou um telefone que deixava escondido no fundo de um armário. Discou um número e esperou, até que depois de 3 toques, a ligação foi atendida. Vincent então disse:

– Nathan. Sou eu. Preciso de você.

Contos de Ustrael – Leão Dourado, Parte I (Capítulo 2)

Ambos Kaori e Adeko estavam se encarando.

A janela aberta logo ao lado deixava o confortável vendo da manhã entrar fazendo o cabelo da dupla dançar.

“Sabe, Kaori?”

“O que?”

“Anda mais magoada esses dias, é?”

“Digamos que…É por que aquele dia está chegando.”

Aquele dia…

Claramente, só podia se referir a ele, o casamento com Perseus, sentia que era inevitável e impossível de fugir estando tão perto.

“Uma vez…Sua mãe disse algo para mim.”

Não pode esperar resultados diferentes se você sempre repete os mesmos dias.

Estas palavras de Sorae aquele dia ainda estão muito vivas em sua mente.

“O que acha que está fazendo ficando assim durante tanto tempo?Se você tem tempo para amaldiçoar a sua existência tão forte durante esta semana, devia estar treinando o mais intenso que pode buscando sempre quebrar todas as paredes a frente.”

Ele entendia.

Entendia muito bem o motivo de sua filha estar cabisbaixa, e sabia muito bem que ser duro agora podia desanimá-la ainda mais, porém, a ultima coisa que quer é vê-la cometendo os seus erros.

Quando desistia na primeira oportunidade que aparecia e tudo fazia parecer que não mudaria ignorando por completo seus esforços.

Sim.

É frustrante.

Em todos os sentidos.

Se Kaori apenas adotar essa postura…O pior ia acontecer, a já aparente depressão só vai crescer, crescer e crescer.

Ir nessa “campanha” a Ballas não envolvia batalha como bem disse antes.

Muito pelo contrário.

Queria dá-la uma experiência nova.

Fazê-la conhecer novas histórias, e não por um livro, e sim da boca daqueles que vivenciaram situações  horríveis e conseguiram superá-las, encontrar nestas pessoas a força necessária para superar a aparente depressão.

Se encontrar com aquele homem.

Daichi.

—–

Ficou bastante tempo com as meninas após essa conversa com seu pai.

E agora…Andava pela praia da ilha principal, suspirou e se deu alguns tapas no rosto.

“Certo, preciso me animar, não adiantar ficar assim durante três meses inteiros.”

O vento ficou mais forte a fazendo virar o olhar para a direita enquanto segurava o cabelo.

“Aquilo…”

Deu um sorriso.

—–

Teve flashes de quando conversava com Sorae uma vez.

“Sério??”

Ficou de boca aberta quando fora dito que Adeko não tinha talento algum a magia.

Vivia fracassando.

Se achava um nada.

E que jamais seria um Rei descente.

Claro que olhando o hoje é improvável achar que o Leão dourado de Kanszes era tão pequeno no passado.

—–

Essa memória teve um motivo…

Ela viu.

Acabou de dar de cara com uma das inúmeras estátuas em homenagem a seu tio que existem no país.

“Deve ter sido difícil para ele também, né?”

Nunca perguntou.

Com certeza sabe que não importa o quanto o tempo passe, o ataque de Others há 18 anos atrás ainda é uma marca em seu pai, principalmente pelo o que se deu, mas sim, deve ter sido horrível.

Adeko pegou um país completamente abalado e ferido após os eventos, e para o ter erguido novamente em meio aquele caos a figura imponente que é hoje.

“Ele é incrível…”

Deixou escapar.

“E eu uma idiota.”

Devia se espelhar justamente nele.

Em seu pai.

Buscar forças onde não parece ser possível e mudar por completo a sua existência buscando derrubar o amanhã hostil, afinal, se continuar assim, mesmo quando conseguir se encontrar com Kai…Nada vai mudar.

Mas…

Olhar essa estátua a traz sensações…No mínimo, curiosas.

Sempre se pegou pensando em quão incrível foi seu tio e como sensacional seria conhecê-lo, só sabia o que leu nos mais variados livros, e tinha certeza, pelo o que existia em tais palavras não existiu uma pessoa mais forte.

Olhou para seu punho o fechando e abrindo algumas vezes.

“Pelo meu pai, meu tio, e principalmente…Meu irmão, eu não posso ficar tão pra baixo assim.”

Sons.

Olhou para a esquerda.

“Hum?”

Viu, na água, um general treinando uma unidade, havia cinco fileiras com 15 soldados cada e ele a frente.

Era a manipulação de Ki que estava sendo ensinada.

Neste mundo existem dois estilos de luta que são usados.

Manipulação de Ki, e, logicamente, Magia.

Um dos estilos mágicos mais poderosos do mundo…É o Aurae.

Ele foi feito com base total no Ki, pode ser dito que é a manipulação de Ki levada ao extremo, porém, por causa desta base, tudo o que o Aurae faz, o Ki também faz, só que a diferença de potência e eficácia é como da terra para fora do sistema solar.

Se um usuário de Aurae e um de Ki iniciassem uma luta usando os mesmos métodos de ataque e defesa…Tudo acabaria no primeiro golpe, visto, que, uma vez que o Ki entra em contato com o Aurae, é desativado.

Mas…Existe algo.

Uma diferença crucial que faz muitos fazerem mais uso do Ki do que o próprio Aurae em determinadas situações, o Ki é compatível com todos os elementos, tornando assim seus combos muito mais perigosos e imprevisíveis.

Aurae não combinava a nenhum.

Por seu imenso poder, apenas a família real de cada país e um pequeno grupo de nobres tem acesso a seus ensinamentos.

Nem mesmo nas escolas de magias mais renomadas do continente o aprendizado é cogitado.

E por tal, o Ki é conhecido como o “Estilo Aurae dos pobres.”

E aqueles que o usam “falsos magos.”

Visto, que, Ki e magia não são a mesma coisa, a magia só está presente em algumas milhões de pessoas.

O ki, qualquer ser vivo pode manipular.

“Ok..”

Kaori se virou andando.

“É hora de começar minha rotina…”

Não teve animação alguma nesse tom.

—–

Estavam se encarando.

Kai e a garota se encontravam sentados de braços cruzados um de frente ao outro em uma pequena cidade no meio das planícies.

O príncipe refletia nos belos olhos azuis claros de Lumia.

Seus exóticos cabelos verdes combinavam de maneira excelente a eles criando um bonito contraste, a franja na testa servia para realçar a beleza daquele rosto.

Possui 17 anos e 1,75cm.

Não falavam nada.

Nem piscavam.

Parecia uma competição.

Mas a verdade…É que esperavam alguém falar primeiro para contra-argumentar.

Ele suspirou, olhou para baixo, e então, voltou a encará-la.

“Por que está me seguindo?”

“Vamos relembrar aqui, uma nave de transporte de…1, 547, 023 bolts, mais inúmeros artefatos de magia que de tão raro poderiam custar um número maior, você-explodiu-tudo.”

“Para salvar sua vida infeliz.”

Separou e bateu os dois braços fazendo um alto estalo dando um sorriso irônico na direção do ex-principe.

“Obrigada!Salva minha vida e destrói minhas coisas, grande herói, você!”

Kai cerrou os olhos.

Teve alguns flashes…

—–

Dois meses atrás estava andando com um homem que conheceu em suas viagens.

Ambos desciam a montanha.

“Você é mesmo estranho, ao mesmo tempo que não está nem ae para as pessoas ao seu redor e é frio com todo mundo no minuto seguinte você quer ajudar as mesmas pessoas que ignora, bem, esta só deve ter sido a…Bem, perdi as contas!Mas passam de cem ,é por isso que eu tenho certeza que…Hu, sempre dá para contar com sua ajuda em qualquer coisa.”

—–

Apenas deu uma risada ao se lembrar.

Realmente era verdade. por mais que no começo mostre resistência a qualquer coisa acaba sempre voltando atrás.

Se arrepende de virar as costas, Isso também poderia envolver sobre o casamento?

Talvez.

Mas…

Ao mesmo tempo.

Ao menos esta questão.

Estava realmente completamente fora de seu alcance.

Novamente suspirou, possivelmente iria se arrepender.

“Ok, mulher, dinheiro eu não tenho para lhe pagar, mas se envolver outra coisa, podemos conversar e-

Parou de falar.

Em meio a multidão…

Alguém se aproximava por trás de Elizabeth.

Retirou uma espada da cintura.

Kai pensou em agir.

Mas…Algo estava errado.

Parecia ser tão desnecessário, e então…

Sangue.

Ele a cravou na barriga dela fazendo o sangue jorrar.

Foi imediato.

As pessoas ao redor começaram a fugir desesperadas.

O príncipe apenas sorriu.

A viu sussurrando algumas palavras.

Reflect.

Uma magia de defesa Rank-S.

Transforma o corpo do usuário em um espelho que reflete qualquer magia e golpe físico naquele que tem sua imagem refletida.

Exatamente.

O inimigo teve a espada transpassada em sí próprio e caiu morto ao chão.

Fora o motivo dos gritos.

“Parabéns por ter ser perfurado, idiota.”

Kai deu uma risada.

“Acho que sei por que fora chamada de bruxa, qual é o seu nome?”

“Lumia.”

Kai levou as duas mãos atrás da cabeça colocando as pernas na mesa fazendo a cadeira de balanço.

“Muito bem, o que quer fazer?”

“Só venha comigo, quando precisar agir, vai saber quando.”

“Quando precisar agir, é?”

Em sua mente veio o homem caído atrás e as pessoas mais cedo, logo, era desnecessário ser um gênio para saber que alguém a quer morta

Mas…Não mesmo, algumas coisas com certeza não pareciam certas.

Apesar de ter um senso de justiça alta,sua habilidade de sensor não é algo que se ativa sozinha.

Em condições normais não perceberia aquele homem.

Foi ativado sozinho.

Alguém de fora interferiu.

Não é como se ela estivesse em perigo.

Nunca esteve.

O homem de mais cedo…Nunca existiu, o Ki é realmente muito versátil, mestres podem fazê-lo aparecer onde bem entender.

Exatamente.

Onde quer que se imagine um Ki…Seja na atmosfera, no prédio, em uma pessoa…Ele irá automaticamente surgir ali e pronto para ser manipulado, a elite consegue fazer tal movimento.

O que Lumia fez foi simples.

Imaginou o Ki no ar.

Ele surgiu.

Com ele ali…Começou a moldá-los para os dar formatos humanóides depois colocou uma magia de ilusão em cima, e assim, “criando pessoas.”

E então, enquanto “dormia”, na verdade, fingia um sono, via telecinese…Manipulava suas criações.

Foi ela que “lutou” com Kai.

Começou a ver por trás de tudo.

Alguém a quer morta.

Se fingiu estar em perigo.

E aquelas miragens iriam testar se alguém “qualificado” passasse perto.

E viu nele esta pessoa.

Quando teve a confirmação ela simplesmente desfez as ilusões que eram suas coisas.

Deu um sorriso completamente irritado.

Sim.

Ela o enganou.

Não precisava ser ele.

E sim qualquer outro que pudesse fazer o mesmo.

Talvez até menos.

Ao ver a expressão feita…Lumia deu de ombros dando uma risada.

“Você foi mais lento do que pensei para descobrir.”

“Lento?Ho, eu acho que você deve se subestimar um pouco, e esse cara ae atrás, ele é uma ilusão feita a base de Ki também, é?”

“Não, é real.”

“Digamos que…Você prendeu a minha atenção para ver onde tudo isso vai dar.”

—–

Kaori abriu a porta do quarto, fora chamada até li por seus pais, estes, que se encontravam sentados a cama.

O tempo passou e a lua já estava no imponente céu de Kanszes, hoje, além das inúmeras estrelas e as galáxias que podiam parecer ser possível tocar…Tinha algo a mais.

Uma aurora boreal errante.

Exato.

Recebe esse nome por que viaja o céu do planeta inteiro, foi uma criação da magia que existe há pelo menos 30 anos.

A princesa fez um olhar desanimado.

Achou que ia ter um “bônus” em sua rotina cansativa.

Deu um suspiro.

“O que foi dessa vez?”

Adeko deu uma risada.

“Queremos que você seja a primeira a saber, é algo que eu e sua mãe estamos pensando há um tempo.”

Levantou a sobrancelha e virou o olhar para ela.

“Bem, eu e seu pai, decidimos nos casar.”

“Eh…EH???”

Imediatamente deu alguns passos a frente, não, não achou nem um pouco estranho, muito pelo contrário, o sorriso de uma bochecha a outra entregava que também queria isso a algum tempo.

“SÉRIO???”

“Era algo que tanto eu como o Adeko ficamos evitando ao longo de todos esses anos por causa da memória do Órion, sentimos que íamos traí-lo, mas desde então se passaram praticamente dezenove anos, e nesse tempo…”

Olhou para Adeko e sorriu.

“Nos apaixonamos mesmo, acho que não seria considerado uma traição, né?”

“Hê, você é mesmo boa devo dizer.”

Piscou o olho.

“Afinal, não é toda mulher que consegue pegar os dois reis de Kanszes, espero ter a sua sorte no amor, ah, espera, para, isso é impossível, né???”

“Eh?”

Ambos se encararam surpresos, eE mesmo sendo errado pela situação de sua filha…Começaram a rir, o que fora repetido por Kaori.

Conversaram mais um pouco, e, logo ela saiu.

Sorae se aproximou da janela olhando o céu.

“Logo quando o casamento está se aproximando o Kai não deu nenhum aviso e não parece que vai dar as caras tão cedo, mas bem, as poucas vezes que tive contato com ele não consegui descobrir praticamente nada sobre suas intenções e o quão ele é ligado a Kanszes, na verdade…Me passou um ar de total indiferença a situação da Kaori.”

Era uma triste aparente realidade que Adeko chegou a conclusão.

Tinha como ter alguma diferente?

Afinal…Ele pode se lembrar.

 “Sua irmã vai se casar com Perseus a contra gosto!Mesmo antes de oficializar no papel ela não pode nem mesmo retrucar uma palavra, e após o evento irá passar o resto da vida ao lado daquele homem tudo para conseguir a cura para você, não consegue realmente se importar com nada?!”

“Não.”

Sorae abaixou o olhar.

Os olhos lacrimejaram.

Sempre era um assunto extremamente delicado.

“Eu só espero que mesmo se ele não quiser voltar…Que ao menos esteja bem e tenha encontrado amigos com quem pode contar…”

—–

Kaori se jogou deitada a cama e virou o olhar para a direita.

O que refletiu naqueles olhos azuis…Uma foto dela com seus pais.

Fixou o olhar em Adeko.

“Pai…Você mudou tanto…”

—–

Alguns anos atrás…

“COMO ASSIM O ATAQUE FALHOU?!”

O grito do Rei de Others ecoou além da sala.

Não.

Não estava nem um pouco feliz ao saber do fracasso na missão.

Fang e Irion soaram frio, o primeiro fez um olhar de ódio para a esquerda, não iria esquecer, jamais poderia a “humilhação” perante Órion.

Fez o mínimo de esforço para derrotá-lo para se concentrar no Abyssal, para alguém com um orgulho tão grande…Era quase digno de lágrimas.

“O ABYSSAL ESTAVA AQUI HÁ MAIS DE 300 ANOS!!!!”

Era o trunfo máximo do país, confiado ao guerreiro mais poderoso, só poderia ser usado quando a certeza de vitória superava 100%.

Perdê-lo não era uma opção.

E aconteceu.

Exato.

Queria matar os dois.

Olharam para a direita ao verem a porta sendo aberta, era o jovem Perseus, o príncipe sorriu, colocou as mãos no bolso e foi se aproximando.

Diferente do estado histérico de seu tio, estava tranqüilo.

“Hu, sim, o ataque foi um fracasso, mas ao menos algo saiu como planejado, usar o androgênesis em Sorae, isso abre uma nova possibilidade.”

“Nova?!”

“Exato, embora seja muito mais uma aposta, o único meio de inutilizar o gene está aqui, ou seja…Ela vai precisar ter uma filha se não quiser ser morta, e dependendo de como as coisas ocorrerem…Podemos fazer algo novo.”

A visão de Perseus fora a que viria se tornar realidade.

Ter uma filha e afastar Kai até conseguirem achar a cura, tinham que apostar nessa possibilidade, afinal, se Sorae fosse embora com a garota, sim, tudo seria em vão.

Contou ao trio o que pensou.

Não diminuiu o ódio de seu tio.

Afinal era uma possibilidade, e seu humor queria urgentemente uma compensação.

Mas…A essa altura. era a única coisa ao qual podia se apoiar.

Deviam deixar o tempo fazer o trabalho.

—–

Um ano havia se passado desde o ataque.

Sorae iria morrer nesse tempo se a sobrecarga não fosse dividida o quanto antes, sendo assim, não poderiam perder muito tempo, uma semana após o ataque logo engravidou de Kaori.

Fora usado meios artificiais para não correr nenhum risco de ser um garoto, Kai fora colocado em uma cidade distante, assunto que Sorae contrariou muito.

Afinal, disse que iria sair do país com Kaori, mesmo grávida, assim nada de injusto iria ocorrer a seu filho.

Mas Adeko recusou.

Não poderia deixar Sorae sozinha sair do país, principalmente por ser mulher, que, quando estão em gestação, perdem a capacidade de usar magia.

Others com certeza ainda tem espiões no país e não poderiam ter a certeza que manteriam em segredo a noticia de sua partida, inimigos com certeza seriam mandados, Kanszes também entraria em um processo de longa reconstrução após os escombros da batalha.

Vide que como a ilha principal não foi a única atacada precisa de todas as suas forças no país pelo maior tempo possível.

E o alcance do gene é imenso.

Nem mesmo nos arredores do país poderiam ficar.

Adeko retirou dois soldados de elite, o que, na situação, ainda não era o ideal e deixou Kai a cuidados dos mesmos enquanto mantinha Sorae sobre proteção no castelo.

Momentaneamente concordou.

Mas, estava, no momento, irredutível, a quando Kaori nascer, ir embora.

O tempo passou, os soldados de elite, junto a Kai, viajavam sem rumo nesse tempo.

Os espiões dentro do país tropical fizeram seu trabalho, os dois generais viviam sobre ataque constantes todos os dias, não era fácil ficar parado em apenas um único lugar.

A idéia dela era ir agora, quando sua filha completou sete anos.

Mas…

Kai fugiu.

Por algum motivo.

Os dois homens foram pegos completamente de surpresa, simplesmente não estava mais lá quando acordaram

Claro.

O pânico foi geral.

Jamais foi encontrado novamente.

Enquanto mantinham suas buscas por ele…Ao menos neste momento.

Deviam realmente criar um sucessor se o pior acontecer.

—–

“Mais rápido, mais forte!”

Adeko gritava em direção a Kaori.

Se virou e a chutou em cheio gerando uma corrente de ar que a arremessou contra um coqueiro.

Hoje, estava com 27 anos e 1,87cm.

Seus cabelos cresceram indo até os ombros o dando uma aparência realmente imponente.

Não fora apenas no exterior.

Desde a morte de Órion, passou a treinar magia exaustivamente todos os dias com Sorae e os melhores professores do país, lutar na linha de frente e resolver aos assuntos internos e externos pessoalmente.

Neste caminho sua personalidade e seu jeito de ser mudaram radicalmente.

Tendo se transformado em um homem imponente, rígido e disposto a tudo para fazer a cidade prosperar, Tal como seu irmão e os outros Reis.

Também fora pego na maldição?

Bem, é algo que pode ser discutido.

“Sua força não pode ser apenas isso, se levante dae, agora, Kaori!AGORA!”

“S..Sim!”

O sol brilhava forte e a água era crystalina dando para ver facilmente abaixo dela.

Aliás…

Todas as ilhas que compõe o país são verdadeiros paraísos tropicais com cenários utópicos e animais diferentes, cada uma delas tem seu próprio bioma.

E ao mesmo tempo especificações diferentes.

Algumas tem uso totalmente militar, outras de turismo na qual são responsáveis diretas pelo lucro que é desviado para o banco da ilha principal.

Ao longo da praia várias pessoas estavam observando o treino.

“O Adeko é rígido demais com a Kaori, não é?”

“Sim, dá pena vê-la sendo jogada igual bola para todos os lados.”

“Está escutando, Tio!?”

Gritou e ficou em pé, Originalmente se encontravam em cima da água.

Mas…O chute a jogou 50 metros para trás a fazendo se chocar com a árvore na praia.

A resposta ao grito…Foi uma expressão ainda mais séria que a fez sorrir amarelo.

“Falei algo que não devia…?”

“Seu pai não protegeu este reino pegando leve nos treinos.”

Foi em um flash…Subitamente apareceu a frente o que a fez dar um grito!

“Então, não espere que eu peque leve um único momento!”

A explosão gerou ventos incrivelmente violentos.

—–

Sim.

Kaori estava desmaiada em seu quarto e Adeko em sua sala fazendo anotações.

Olhou para frente vendo Sorae se aproximar.

“Não acha que…Hoje foi só um pouco mais pesado?Ela não acorda há duas horas.”

“Ela acostuma, se não passar por isso não vai poder ser uma princesa de elite, os fins vão justificar os meios e ao final tudo vai valer a pena.”

“…”

Era impressionante.

Não importa o quanto tentava…Parecia quase impossível pensar que este homem, e aquele de sete anos atrás eram a mesma pessoa.

Não.

Não era uma mudança ruim, pois sabia que se realmente Kaori fosse ter ferimentos graves, ele não forçaria.

“Aquela menina não domina o aurae direito, seus socos são leves, suas investidas recheadas de abertura, reflexos são horríveis, ainda não aprendeu artes marciais.”

Suspirou.

“Eu tenho que pegar pesado.”

Sorriu ao ouvir as fraquezas de Kaori.

Separou e bateu as mãos fazendo um alto estalo.

“ELA PUXOU O PAI!”

“EHHH???”

Exatamente!

Adeko no começo era realmente um fracasso.

“Seria melhor não ter herdado essa inaptidão no inicio…”

—–

“…”

Kaori havia acordado há 10 minutos e estava irritada.

Bastante.

“Aquele idiota!!!O que está pensando batendo daquela maneira…!!?E EU SEI QUE VOCÊ ESTÁ AE!”

O grito fora para sua mãe que realmente levou um susto.

“Eh?Embora seja ruim em tudo, seu sensor é de primeira linha, né?”

Ficou em pé e a encarou.

“Mãe!Não podemos deixar pra amanhã??É sério, treinar com o pai de manhã, você a tarde, e o Ground  a noite todos os dias é cansativo!”

“Não há nada que possamos fazer, você é a primeira princesa de Kanszes, acha que realmente pode ser uma princesa fraca?Não…Pelo Órion você tem que ser a mais forte que conseguir, eu entendo que os treinamentos são pesados, mas temos que fazer toda a força que você possui despertar, de preferência o quanto antes.”

“…”

Fez uma careta se jogando sentada ao chão.

Olhou para baixo com um olhar desanimado.

“Primeira princesa…?Apesar de você e do pai viverem me falando isso…O herdeiro disso tudo é o Kai, estou apenas vivendo uma vida que não é minha, nada aqui é meu, e a essa altura com certeza o Tio Akarian também já tem os de-

“Kaori, já falamos sobre isso, você sabe muito bem dos problemas que eu, você e o Kai temos, até acharmos uma cura…Precisa se portar como a herdeira que é.”

“Mas…”

Ainda sentada ao chão, “abraçou” seus joelhos.

“Eu fico realmente triste…Todos pensam que o Kai nunca existiu, eu roubei tudo dele…Que agora só Deus sabe como está…”

“Kaori…”

Deu um sorriso fraco, caminhou, e, então, passou atrás de sua filha levando ambas as mãos a seus ombros encostando cabeça a cabeça.

“Eu entendo que a vida não é fácil desde que nasceu…Você também, tal como ele possui muitos desafios e barreiras a serem quebradas, é por isso que é necessário, o seu pai luta todo dia para a cura do androgênesis, o Kai luta todo dia para sobreviver, precisamos fazer a nossa parte, por mais que seja doloroso e frustrante…Se nos rendermos a depressão…Algo tende a melhorar?Pois mais que seja difícil e-

“E ae, meninas?”

“!”

Foi imediato.

Sorae ficou em pé a frente de Kaori.

Aquela pessoa…

Esbugalhou os olhos surgindo as veias.

Por que…

Por que o agora Rei de Others está aqui!?

“Oi, oi, que olhar ameaçador é esse?”

Ergueu ambas as mãos em um claro gesto de paz.

“Eu só vim conversar.”

“NÃO TEMOS NADA A CONVERSAR!”

“Por favor, acha mesmo que eu sou idiota de buscar uma luta sozinho em território inimigo? Não carrego truques, ok, dessa vez.”

Estava com 25 anos e 1,86cm.

Seus cabelos cresceram até os ombros e trajava um elegante terno consigo.

Virou seu olhar na direção de Kaori e sorriu.

Ela não entendia nada.

Nem sabia quem era aquele homem.

E muito menos o que essa reação de Sorae significava.

Mas…

Algo poderia dizer sem ter nenhuma hesitação, nunca viu sua mãe assim antes.

“E o que você quer…!? Se for conversar vamos fazer isso em outro lugar e…-

“Não, essa menina precisa ouvir.”

“Heim?!”

Pesou.

A atmosfera ficou completamente pesada.

Perseus se arrepiou por completo.

Talvez tenha esquecido…Esta mulher a sua frente é uma julgadora.

Com poder o suficiente para erradicá-lo.

Irritá-la não deve ser a melhor das opções.

Ela virou um pouco a cabeça para a direita.

Era como um robô.

Estava pronta para atacar.

Esperando apenas ouvir o “comando”, que seria as seguintes palavras do príncipe de Others.

Se fosse algo que não queria ouvir…

Sim.

Iria agir no automático pronta para esmagá-lo.

“Você não vai falar…?”

Era difícil se mover.

Sentia que qualquer movimento…Iria terminar muito mal.

Se virasse as costas seria morto.

E se ficasse parado ali…O mesmo iria ocorrer.

Esse intimidar era impressionante.

Até mesmo as pernas tremeram.

Porém…Deu um largo sorriso.

“Você é uma mulher incrível!Então!Escutem bem!O pivete, o Kai, e-

Explosão.

Só ouvir o nome de seu filho foi o suficiente.

O resto era desnecessário.

O soco destruiu a parede o jogando de costas ao chão destruindo as janelas.

Os destroços caindo ao redor de Kaori pareceram em câmera totalmente lenta.

Ficou de boca aberta completamente atônita.

Não deu nem tempo do Rei ficar em pé.

Só levantar a cabeça e a ver apontar para a direita.

“Saia.”

Deu um sorriso.

Colocou a mão no joelho e ficou em pé.

Cuspiu sangue para a direita.

“Esse soco foi realmente violento, mulher, talvez tenha quebrado alguma coisa, mas vejo que consegui sua atenção, como eu disse, vamos negociar, Rainha de Kanszes!”

“Negociar você diz?Você vai atrás do meu filho e é tão covarde que espera o Adeko sair para então aparecer?”

Esse doeu.

Doeu em seu ego.

Só conseguiu ficar irritado.

“hu-hu…Entendi!Então chamem o Leão Dourado de Kanszes aqui!Eu vou levar…Um papo muito importante com ele!E então, vamos começar uma nova história!”

Sorae olhou para trás, foi sua filha que segurou seu braço, voltou a encarar o “inimigo”.

“Nova…História..!?”

“Hu, iremos colocar um fim em todo esse conflito que começou alguns anos atrás, Rainha de Kanszes, sobre condições realmente maravilhosas!”

Contos de Ustrael – Kai e Kaori, Parte I (Capítulo 1)

Uma lenda…Ela sempre tem inicio em algum lugar.

Todo boato tem um fundo de verdade.

Mas…Até qual ponto uma lenda é verdadeira?

Todas possuem erros e más interpretações.

E talvez…Estas “partes escondidas” da “história verdadeira” ao qual insistem em voltar de tempos em tempos…

Possa mudar o destino do planeta.

—–

Kaori…

A nova princesa e herdeira de Kanszes é uma verdadeira sensação no país e noticia em todo o continente.

Os motivos?

Eles não faltam.

O primeiro era claro.

Ser “filha” do Herói que salvou o país derrotando um abissal.

O fato de Adeko ser seu pai é desconhecido por todos.

Exceto quatro pessoas, e que entre elas , estão, logicamente seus pais.

É uma prodígio.

Sendo treinada desde os cinco anos por Adeko e Sorae até os atuais…

Era apenas inevitável.

Uma mera conseqüência.

Possuí um imenso poder por ter herdado os genes de sua mãe e o grande talento a magia de seu pai, e graças a todo esse treino se tornou a mais nova julgadora da história.

Um seleto grupo de dez pessoas que são consideradas as mais fortes do continente só possuindo uma autoridade menor que os reis de cada país.

Claro.

No caso de Kaori muitos consideram apenas marketing por tudo que está ao redor da jovem neste momento.

E…

Bem.

Não estão errado, é óbvio que não poderia estar ae se não fosse por outros motivos.

E isso cria muitas opiniões sobre ela.

“É uma farsa.”

“A mídia a faz”

“O titulo de julgador virou apenas marketing hoje em dia, é!?”

“Ela merece tudo que tem.”

“Trabalhou para ter tudo o que hoje está em suas mãos!”

“Muito mais forte que outros que já passaram por ali no passado.”

Porém…

Algo é um fato.

Era impossível negar o quão forte é.

Sim.

Grupo ao qual Órion foi considerado o mais forte 18 anos atrás.

—–

O país de Kanszes é um arquipélago de 17 ilhas com cada qual possuindo um pouco mais de 200km de diâmetro cada.

Todas são verdadeiros paraísos tropicais, algumas voltadas unicamente para o turismo, outras para militarismo e aquelas com a finalidade para administrar o lucro.

Era um país que por mês tirava bilhões e bilhões graças a estas ilhas.

Cada uma das 17 tinha um guerreiro de elite responsável por manter a proteção e várias vezes Kaori recebeu treinamento de todos assim crescendo sabendo lutar de mãos nuas e armas brancas.

Também tem uma rotina fixa.

Escolheu fazer aula de dança das 07:10 até 11:30 para ter um controle perfeito do corpo.

Depois pegava na academia a partir de 12:30 até as 14:00.

Começava o treino de Kenjutsu e magia das 14:00 as 22:00 com inúmeros outros guerreiros e seus pais.

Além de quase todo dia Adeko a pegar a noite e a levar para a biblioteca visando ler inúmeros tipos de histórias diferentes e adquirir um vasto conhecimento.

Mais de 400.

Já leu mais de 400 livros de mais de 1000 páginas nestes 7 anos.

Não.

Não é nenhum exagero, possivelmente leu mais.

E quando tinha “folga”, era treinada em situações mais formais como tocar piano, aprender línguas estrangeiras, o que resultou, em, com perfeição, dominar mais de oito idiomas, entre outras atividades.

Sim.

Uma perfeita elite.

Era o que podiam chamar de a “princesa perfeita.”, bonita, inteligente e uma julgadora.

Porém.

Claro.

Isso era apenas o exterior.

Ninguém realmente podia entendê-la, os sorrisos e jeito carinhoso que exibia perante todos não mostravam a verdade que sentia.

Culpa.

Arrependimento.

Um imenso sentimento de culpa que nunca acabava pelo o que aconteceu a Kai sempre a jogando para baixo.

Pois ela sabia, não tinha como negar que estava em um lugar que não pertencia a ela.

Afinal…

Nem deveria existir,  seu nascimento em nenhum momento fora pensado.

Apenas uma necessidade de momento.

Pois precisavam de outra criança, se Others não tivesse atacado…Essa vida jamais ia começar, não é fácil viver sabendo de algo assim.

Uma existência que não deveria estar aqui e que só surgiu para roubar a vida de outra pessoa.

Seu nome, reino, título, existência.

Tudo.

É assim que ela se sente dia após dia.

Uma estranha que não deveria estar ali.

Acabou aceitando ser submissa a Perseus o resto da vida para tentar salvar um irmão que a mesma tinha certeza que a odiava tendo todos os motivos necessários.

Após este casamento…Tinha planos que nem seus pais sabiam.

Iria morar com Perseus em Others e deixar Kanszes novamente para Kai quando estiver totalmente curado.

Sentia que era o mínimo que podia fazer.

Sorae e Adeko já falaram várias vezes que mesmo seu nascimento não sendo por amor eles a amam e fariam tudo por ela, até mesmo se sacrificariam sem pensar duas vezes.

O que nunca surtia efeito.

Mesmo a distância.

Sem nunca terem se visto ou conversado.

Os dois irmãos tem o mesmo sentimento.

Que ambos são “falsas existências.”

—–

O sol escaldante estava, como sempre, abençoando todo o país.

Kaori se encontrava em pé no meio do oceano que liga todas as ilhas de Kanszes treinando com Sorae como sempre fazem.

Mas ela podia perceber algo em sua filha.

Estava lenta.

Previsível.

E tinha um olhar abalado.

A princesa fora golpeada e forçada para trás.

“Algo errado?”

“…”

Não tinha como esconder algo que ua expressão desde que acordou entregava.

Deu uma risada.

“Mãe, podemos dar uma pausa?”

—–

Se dirigiram até a ilha quinze, a qual era a mais próxima.

Estavam sentadas lado a lado na areia.

A maré subia, batia em seus pés, e descia novamente.

Existia um resort ali e o movimento era considerável ao redor, ver a família real andando no meio de seu povo era algo normal, sempre fizeram isso e reagem normalmente a presença das duas.

Kanszes é um país onde não existe pobreza, por mais irreal que possa parecer, os lucros das ilhas dão muito dinheiro, mais do que precisam, então, não tem por que deixar o povo “infeliz”, e criaram um sistema justo para todos.

Kaori possui 1,76cm e um físico realmente acima da média que faria qualquer um não tirar os olhos tão facilmente, que não, não era fruto de toda sua rotina.

Todos os “príncipes guerreiros”, como são tratados os sucessores de países que possuem rank-5 na classificação geral do continente são abençoados por genes fantásticos hereditários das primeiras gerações da família que continuam sendo passados a frente.

E tal combinação faz o corpo de cada um deles se desenvolver de maneira mais rápida e forte do que as pessoas normais.

Também retém cabelos rosas que caem até a cintura.

Os olhos são azuis, “cortesia” de Sorae, parecendo um diamante de tão claro e belos que são, muito se parece que um pedaço caiu do céu e está em suas pupilas.

Também usava uma franja na testa o que realça as curvas perfeitas do rosto.

Sorae a encarou.

“O que houve?Hoje está bem dispersa, né?”

“…Não, realmente não adianta…Mãe!”

Foi do nada.

Virou seu olhar com lágrimas em direção a ela.

“Kaori…?”

O vento ficou mais forte fazendo o cabelo de ambas balançarem.

“Por que…?Por que eu nunca pude ver o Kai..?Não adianta como eu olhe…Eu não deveria existir, não deveria estar aqui!Não fui gerada por amor, e sim por uma única necessidade, cheguei, roubei tudo dele, seu cargo de príncipe, o país, e principalmente você…Cada dia que passa me sinto mais deslocada de tudo isso, meu lugar…Definitivamente não é aqui…”

Sua voz estava rouca.

E podia ser notado…Era verdade, toda sua tristeza era refletida nestas palavras.

O tom era realmente bem triste.

O que partiu um pouco o coração de Sorae, por que só estava dizendo por outras palavras, “eu não passo de um acidente.”

“O sentimento de culpa me corrói a cada dia, não consigo mais prestar atenção em nada, quando vou dançar, eu erro, quando vou na academia, sinto perca de força ,quando estou treinando, só apanho, quando vou estudar línguas, eu não consigo mais traduzir nem uma frase, quando vou ler, não sinto vontade de passar da primeira página…Só o rosto dele me vem a cabeça e…-

Colocou a mão em seu ombro antes de terminar.

“Já conversamos sobre isso antes, mesmo que seu nascimento não foi programado, tanto eu como o Adeko amamos você, lógico…”

Deu um sorriso reflexivo.

Por alguns segundos só fora possível ouvir o som da água.

“Não podemos saber que tipo de pensamentos o Kai tem agora…Mas eu tenho certeza, ele vai voltar.”

“Eu não consigo lidar com essa responsabilidade direito…”

Olhou para baixo fechando os punhos mais forte na areia.

“Quando ando pela rua eu só escuto as pessoas falarem…”Filha do Herói”, “Seu pai foi uma pessoa incrível, honre ele!”, “Eu sei que você vai se tornar tão forte quanto seu pai.”, só que…Eles acham que eu sou filha do Órion…E colocam em mim uma responsabilidade que não deveria ser minha, eu não consigo lidar com isso…E só me faz me sentir mais mal ainda pelo Kai…É como se ele nunca tivesse existid-

Chega.

Definitivamente já ouviu demais.

O próximo movimento pegou a herdeira de surpresa.

“Mãe…?”

Sim.

Sorae a abraçou bem forte.

Nada.

Não falaram nada.

Ficaram apenas assim por alguns segundos.

Até que…

“Eu entendo tudo isso…Quando o Kai foi levado para outra cidade…Eu perdi várias noites de sono chorando por não poder fazer nada, mas…Você também se deu um destino horrível de casar com o Perseus para salvá-lo, ele sabe disso, sabe de toda a dor que você sente, se ele entende isso…Vai impedir seu casamento, não é interessante voltar a guerra com Others, e  como o Kai não é mais do país, ele é o único que pode agir sem trazer danos para Kanszes, você e o Kai…Se ficassem perto, você também ia ficar sugando a energia vital dele…Lógico, eu falei para o Adeko que eu sairia do reino com você e deixaria o Kai ficar com o que é dele, mas ele não aceitou…Falou que o Kai por ter o sangue de Órion seria no futuro forte o suficiente para voltar a Kanszes, derrotar Perseus e reivindicar tudo novamente…”

Separaram o rosto.

Se encararam.

Sorriu na direção de sua filha.

“E quer saber?O Órion foi a pessoa mais forte que eu conheci, o Kai é filho dele, é apenas inevitável que retorne mais forte do que qualquer um, porém por mais forte que ele esteja, vai precisar da sua ajuda para lutar contra Perseus e Others, então você precisa ficar forte Kaori, por mim, seu pai ,seus primos, seus tios, e o seu irmão, eu confio no Kai, confio naquele que herdou todos os poderes de Órion, você pode fazer o mesmo sem se preocupar com mas nada.”

Devagar…

Levantou a mão e foi tirando os cabelos dos olhos de Kaori.

“Sua idiota, você não tem culpa nenhuma de estar viva, se não fosse seu nascimento, eu já estaria morta.”

“Mãe…”

As lágrimas começaram a pingar, abraçou sua mãe chorando copiosamente em seus peitos.

Sim.

Sorae também entende.

Por mais que a conforte não é o suficiente.

Jamais será.

E não pode culpá-la.

Kaori já nasceu com um fardo muito grande em suas costas e teria que lidar sem ter nenhuma chance de fugir ou aliviá-lo.

Tudo só viria a ficar pior no futuro com o casamento.

Os questionamentos são normais.

Mais do que ninguém, sabia que até agora…Sua filha teve uma  vida infeliz recheada de frustrações e decepções.

Pois nada.

Ela não tinha o direito “moral consigo mesma” de negar nada, nunca quis aceitar o cargo de Julgadora, sabia que isso só serviria para espalhar comentários desnecessários, mas Perseus quis, “Minha futura esposa ser uma julgadora será incrível!”, então…Não teve outra escolha.

Poderia ser talvez a maior vitima disso tudo.

Afinal…Não tinha o controle de nada nesta vida.

O sol no dia seguinte jamais iria brilhar.

Só a escuridão restaria…Representada pelo se aproximar cada vez mais iminente do casamento.

É difícil encarar o amanhã.

É difícil ter forças para sair da cama com tal destino batendo a porta.

É impossível aceitar que dormirá na mesma cama de Perseus em alguns meses.

Mas iria terminar.

Apenas uma pessoa tinha o poder de por um fim a essa maldição.

O verdadeiro herdeiro de Kanszes, aquele que herdou o poder do mais forte dos homens.

Sorae olhou para cima.

E teve flashes.

“E é por isso, Sorae, que você irá me ajudar, me ajudar a criar esta criança para ser um homem forte que defenda seu povo com mãos de aço e ajude o país a ficar cada vez mais e mais forte sem se perder no caminho.”

“Kai…”

Várias lágrimas começaram a pingar.

“Eu confio em você, sei que nunca pude ser uma mãe para você e com certeza pensa que o abandonei e nunca o amei…Mas…Isso não é verdade!Então…Volte, para podermos corrigir todas essas falhas…”

—–

O poder que Adeko se referiu que Kai possui…A maior arma para derrotar Perseus está dentro dele.

O Dna*R.

Ou…Também conhecido como o “Gene definitivo da guerra.”

É tido por todos como um dos, se não, o gene mais poderosos entre os infinitos que existem neste planeta.

É passado de maneira hereditária de pai para filho.

E sua funcionalidade…É rara e perigosa ao mesmo tempo.

O portador irá aprender tudo 10x mais rápido que uma pessoa normal, uma magia que em tese demoraria vários dias para ser dominada pode não levar um dia, além do próprio corpo se desenvolver mais rápido, forte e maior.

E claro.

Este não era o mais amedrontador deste gene.

E sim..Um outro lado.

O  herdeiro do gene terá o dobro da força do pai na idade mesmo sem precisar treinar para isto.

Exato.

É um gene que fica cada vez mais e mais forte a medida que é passado de geração em geração, juntando uma coisa a outra dava para perceber o quão amedrontador era o poder do gene.

Os maiores vilões e heróis da história o possuíam, e ao ser combinado com o Duas vidas onde todas as magias do pai também são passadas de maneira hereditária…

Este é possivelmente combo de genes mais poderoso do mundo.

A combinação que o criador de Kanszes possui e foi passando com o tempo.

A força que todo Rei de Kanszes possui.

O mesmo poder que está adormecido no corpo de Kai.

Despertar o Dna*R e os Duas vidas é a chave para mudar tudo.

—–

Kai caminha por uma auto-estrada.

Tendo outra a direita.

E mais uma a esquerda.

Ao qual o trio fazia incontáveis curvas que levam a destinos diferentes.

Mas está deserta.

Existe-se um motivo, ela é antiga, passa por lugares bastante perigosos, mas serve como atalhos para aventureiros que confiam em sua força.

Foi ontem que teve a conversa com Adeko sobre o casamento.

E mesmo tentando fingir que isso nunca aconteceu…Era impossível não lembrar deste assunto.

O motivo?

Estava em todo lugar.

A união de Kanszes e Others era potencialmente perigosa para os inimigos.

Como extremamente bem vista para os aliados.

E por isto, o casamento e a gigante festa está sendo patrocinada por muita gente influente, panfletos e anúncios ocorriam em todas as cidades.

Seja apoiando ou sendo contra.

E pelo menos por agora…Kai não tinha nenhuma intenção de gritar protesto.

Costumava usar um raciocínio lógico.

O que pode fazer no final das contas nesta situação, afinal?

Um dos maiores eventos do continente estava para acontecer, ou seja, inúmeros guerreiros de elite estariam ali para fazer a proteção de qualquer possível movimento terrorista.

Ao qual cada um era mais forte que ele.

Mesmo que tenha uma combinação de genes para dar inveja a qualquer um…Isso não adianta se nunca foi treinado adequadamente.

Kaori, a essa altura, é muito mais forte do que ele por causa disso.

E ela não pode fazer nada contra Perseus.

O titulo de Julgadora é apenas Marketing.

Mas o daquele homem…O do atual Rei de Others…

É real.

Muito real.

É uma regra de três simples, um abismo de força separa Perseus de Kaori, e um abismo o separa da sua irmã.

Também era inviável encontrar quem poderia treiná-lo faltando só três meses, e mesmo sse achasse esse abismo jamais será destruído em 90 dias.

Só conseguiria jogar o pouco tempo que tem de vida fora indo até ali.

E depois do casamento…Kaori e Sorae serão curadas.

Então todos só teriam a “ganhar.”

Certo?

Sim….

É.

Se decidiu, não vai se intrometer, o final feliz irá acontecer desta maneira, Kanszes a salvo, Kaori e Sorae curadas, e deixe o mundo seguir girando naturalmente, ninguém sabe quem é mesmo.

“Eu não posso fazer nada, afinal, também.”

Falou inconscientemente.

“!”

Algo aconteceu.

Levou a mão ao peito.

Sentiu um ressoar.

Seu coração bateu mais forte.

Isso foi inédito.

Mas ignorou.

Pensou se só o androgênesis.

Que mesmo sem Kaori e Sorae por perto…Roubava sua energia vital.

Qualquer outro motivo provavelmente seria errado.

Embora…Não devesse ser totalmente descartado?

A marca em seu ombro também ardia.

Mas ela…Não tinha ligação com o gene.

“Dane-se esse mundo.”

Kai está com 18 anos e 1,81cm.

Por ser um príncipe guerreiro, não, esse titulo com certeza também já se perdeu, mas ainda tinhas as características de um.

Um corpo bastante musculoso e robusto para a idade junto com um olhar que fazia olhar com desprezo para qualquer coisa ao redor.

Os mesmos olhos vermelhos de Órion eram extremamente penetrantes para qualquer coisa refletida.

Seus cabelos são negros caindo até a orelha, em muito também se assemelhavam aos de Órion.

Porém, a parte de trás é completamente espetada para trás, tendo algumas partes caindo ao redor da orelha.

Dando um visual diferente nesse aspecto.

Continuou andando sozinho e sem rumo por alguns minutos.

Estas estradas isoladas com certeza era um lugar ideal para quem quisesse fugir de movimento estando mais próximo da natureza ao redor delas.

Embora, vez ou outra carros e motos passem por aqui.

Mas…Algo chamou sua atenção.

A estrada continua para frente.

Isso se apenas quisesse se dirigir a cidade de Tall.

Porém, tem muitas curvas que levam a caminhos diferentes.

Olhou a direita.

Já fora da estrada…Uma garota estava dormindo encostada abaixo da sombra das folhas.

Não.

Não foi ela.

E sim o que estava ao redor.

Um homem se aproximava.

Cerrou os olhos.

Não parecia ter boas intenções.

Usava uma magia para apagar sua presença.

Uma das melhores que tem.

Uma que simplesmente destrói a existência do usuário no presente.

A ocultação “perfeita.”

Kai não devia ser capaz de sentir isso, mas a habilidade de sensor altamente elevada foi uma das habilidades passivas herdadas de Órion.

“Então é realmente essa garota?A chamada bruxa que fugiu da instituição, hu, não pensei que alguém tão temida poderia fazer esse tipo de coisa de dormir ao ar livre tão casualmente sendo recheada de inimigos, é hora de…”

Não terminou o pensamentos.

Olhou para a direita e viu Kai o encarando.

Era claro que estava sendo visto.

“Aquele moleque…”

Uma leve surpresa tomou seu rosto.

Kai realmente não se importa muito com o problema dos outros.

Talvez isso já tenha ficado claro, não?

Mas…Podia sentir a intenção deste homem, e ver uma pessoa “aparentemente” indefesa ser assassinada a sua frente, não combina muito com ele, sentira como se tivesse participado do crime.

“Ho, você é alguma coisa dessa mulher?”

“Hu, é uma pessoa que se morresse e aparecesse na televisão a noticia eu só iria dar de ombros por uma desconhecida qualquer, mas…”

Saltou a cerca que separa a estrada das planícies.

Tocou o solo, levantou o olhar.

“Isso acontecendo na minha frente, são outros quinhentos.”

“Oh?”

Fechou os olhos dando uma risada.

“Então é um dos idiotas que querem brincar de herói por ae?”

“Acredite, nem perto.”

Pelo jeito suas capacidades de sensor não eram tão boas assim.

Claro…Conseguir sentir alguém que destrói sua existência no presente era incrível.

Mas isso se valia de um único alvo.

Pelo menos oito novos homens apareceram o cercando, aos poucos começou a mover as pupilas os observando.

“É tarde demais, seu senso de justiça o trará a morte!”

Um dos homens…Fixou os pés no chão e avançou!

Um metro.

Era a distancia dos dois.

Socou trazendo a atenção de todos a ambos.

Kai ergueu o rádio do braço bloqueando o golpe.

Deu um passo a frente e o bateu de mão aberta na barriga gerando uma corrente de ar que o ergueu alguns metros do solo o fazendo se chocar contra uma árvore e cair derrotado.

“!!!”

Sim.

Conseguiram ver neste momento.

Não era um simples viajante.

Não mesmo.

Aliás.

Aquilo foi…

Exato.

Um falso-mago.

Neste mundo existem duas formas de se lutar.

Sendo um mago que usa magia.

Ou um falso-mago que manipula o Ki.

O segundo tipo é inferior ao primeiro.

Mas mestres…Conseguem fazer essa distancia sumir.

Foram até o companheiro derrotado que não abria os olhos.

“Não está morto, mas não quer dizer que vá abrir os olhos tão cedo.”

O lider cerrou os olhos.

Percebeu muito bem o que fora feito.

Primeiro…

Kai deixou seu Ki percorrer o corpo inteiro como uma armadura.

No momento que defendeu o soco…

Absorveu o impacto daquele golpe e o adicionou ao seu Ki.

O segundo…

Foi usar o Reiki.

Reiki…

É um gene raro que poucas pessoas no mundo possuem.

Ele só tem uma finalidade.

Multiplicar o poder de uma magia de qualquer natureza tal como golpes físicos.

Após ter roubado o impacto do golpe do inimigo, o multiplicou e devolveu.

O resultado fora este.

O ki possui inúmeras versatilidades.

Uma magia de qualquer natureza…Não importa qual seja.

Ela pode ser adicionada ao Ki que vai se ativar quando o Ki que contém essa magia entrar em contato com o alvo.

Após ter multiplicado a força…Kai colocou no Ki uma magia de remoção sensorial temporária.

Fazer todos estes complexos movimentos em apenas um único segundo.

Sim.

Não era qualquer um.

Mudou.

Todos os adversários viram o ar ao redor de Kai mudar por completo.

Se sentiram pequenos.

Talvez começar essa luta não tenha sido uma boa idéia.

E o ex-herdeiro de Kanszes é incapaz de perceber, ainda possui um intimidar natural que o acompanha sempre.

“Usei uma magia temporária por que estou de bom humor, se não quiserem acabar como ele, sumam.”

“NÃO DIGA BESTEIRAS!”

“PEQUEM ESSE VAGABUNDO!”

Estava cercado.

Foi em menos de um segundo.

Não havia nenhuma abertura.

E então…A tempestade começou!

Todos o atacaram.

Não era difícil de evitar.

Kai hora desviava, outras vezes absorvia o impacto dos golpes, o multiplicava e devolvia com a mesma magia de remoção sensorial.

Dez segundos.

Tirando o líder…Todos estavam nocauteados.

Kai olhou na direção dele.

Impacto!

Os dois colidiram os punhos violentamente gerando uma corrente de ar.

Se afastaram dois metros.

E aconteceu.

Uma violenta explosão a direita.

O “príncipe” sorriu.

“Nada mal.”

Quando estava sendo atacado pelos homens…Kai foi adicionando ainda mais impacto quando colidiam seus punhos.

O multiplicou e usou toda esta força nesse choque de punhos.

Junto a ele tinha a magia de remoção sensorial.

Sim.

Ela também foi jogada fora.

Para uma magia de qualquer natureza funcionar em um mago ou falso-mago neste mundo tem que vencer uma barreira…A manipulação de Ki.

Pois quando o Ki está ativo como uma armadura, invisível, ou não.

O usuário pode pegar seus efeitos e a jogar fora como este homem fez.

Não é apenas possível jogar fora.

E sim devolvê-la contra o usuário.

“Hu, não vá achando que sou como os outros.”

Uma nova explosão.

Agora fora Kai.

“Ho.”

O nível foi realmente alto.

O inimigo usou uma magia que ignora a distância e lançou uma magia de desintegração.

Embora a distancia até Kai não exista.

A manipulação de Ki estava ativa.

Em conjunto a seu super-sensor…Se eles poderem reagir a velocidade do golpe, são capazes de jogar seus efeitos fora antes que termine de atravessar sua “armadura”.

Kai jogou uma parte fora quando entrou em contato em seu Ki.

Enquanto “pegou” a outra em torno de seu Ki, deu um passo a frente e socou a “devolvendo” ao homem que jogou o corpo para a direita desintegrando a árvore atrás.

“Seu nome?”

“Ho, agora isso?”

“Hu, estou mostrando um pouco de respeito, quero saber seu nome para colocar no túmulo, mas se não quer dizer, não faz problema.”

Não respondeu.

Apenas entrou em posição de batalha.

E aquilo o surpreendeu.

Kai tinha uma postura “estranha.”

Com certeza lutava artes marciais.

“Vamos.”

Bateu o pé no chão e avançou!

Quando percebeu ambos estavam frente a frente!

Kai agiu primeiro iniciando uma chuva de golpes que o mesmo não conseguia ler.

Eram diferentes.

Nenhum golpe seguia o mesmo ritmo ou velocidade do outro.

Parecia que em um golpe usava um estilo de luta.

E no próximo.

Era um totalmente diferente.

Mas não!

Não se deixaria ser superado assim.

Fixou o olhar e não se permitiria perder.

Seguiam o mesmo ritmo…

Ou seja.

Absorviam o impacto com seu Ki´s e o jogavam para fora, algumas vezes eram diferentes, em vez de “jogar fora.”,  voltavam o golpe duas vezes mais potente contra o adversário que repetia o esquema.

Essa troca de socos era na verdade ambos absorvendo o impacto do golpe um do outro.

Com um porém.

Devolvendo sempre com o dobro de potencia.

Um único erro era fatal.

Pois cada vez o impacto ficava mais forte e levar um golpe com essa força não seria bom.

Bastava perder a concentração por um segundo.

Ser superado por um milésimo.

E seria o fim para qualquer um dos dois.

Não eram bom.

Definitivamente.

O lider percebeu algo…Os movimentos imprevisíveis de Kai começaram a fazer diferença.

Os golpes que ele já tinha dificuldades em ler, aos poucos começar a ultrapassá-lo totalmente.

“Maldito!”

Socou mirando o meio do rosto do principe que levou a mão esquerda dando um tapa no punho dele para a direita, algo inesperado aconteceu, com o mesmo punho que bloqueou…Ele o esticou a frente em uma velocidade maior que todas as outras vezes.

Um movimento usado para defesa e ataque ao mesmo tempo superando o líder por um único segundo, foi fatal, recebeu o tapa no meio do rosto.

Porém…Algo aconteceu.

Ou melhor.

“Não” aconteceu.

O tapa foi “normal”?

Mas…Percebeu logo em seguida que estaria errado.

Ele usou este golpe para absorver todo o Ki do adversário para seu punho.

Transformação.

Esta é outra variedade.

O ki pode ser moldado em algo totalmente novo, o limite é a imaginação e habilidade do usuário.

Kai moveu todo o Ki de seu corpo, e aquele que roubou do inimigo, para seu punho.

Usou a transformação e o moldou em uma flecha.

Multiplicou novamente com o Reiki.

Colocou seu elemento das chamas em cima.

Adicionou uma magia de impacto.

O golpe não seria pequeno.

Deu um passo a frente e bateu a flecha no inimigo.

A explosão fora imensa gerando ventos furiosos ao qual jogou o líder caído de costas ao chão.

O príncipe deu um sorriso.

“Eu sei que você se defendeu no ultimo instante.”

“…”

Notou a mesma expressão no rosto do adversário.

Sim.

Era verdade.

Quando Kai bateu nele…Conseguiu ativar seu Ki novamente.

Conseguiu jogar o impacto e a magia de remoção sensorial fora.

Mas não fora rápido o suficiente para as outras.

Porém…Evitou o pior.

Ficou sentado cuspindo sangue para a direita.

E claro.

Depois dessa ultima colisão…A garota começou a abrir os olhos.

Os dois perceberam.

“Hu.”

Ficou em pé.

“Agora que ela acordou…As coisas podem ficar complicadas, vamos terminar isso em outra hora.”

Sim.

Fora embora.

Desistiu na hora.

E a julgar que queria matá-la quando estava dormindo e chamou de bruxa…Deu uma risada.

Exatamente.

Talvez seja um pouco.

Só um pouco.

Perigosa?

Virou o olhar a encarando que ainda estava sonsa esfregando os olhos, meio que avulsa a tudo que tinha acontecido.

Porém…Após alguns segundo a ficha caiu.

O cenário foi completamente remodelado.

Kai deu de ombros.

Fez sua parte, se virou e foi andando, com certeza ela era problema, e era a ultima coisa que queria ter.

“Pode parar!”

“Hã?”

Foi pego de surpresa e se virou a encarando.

“O que foi?”

“Cadê minhas coisas…?”

“Coisas?”

Fez um esforço e lembrou.

Realmente.

Ao redor dela…Tinha pelo menos um báculo, duas mochilas, e uma nave de transporte.

Estavam ali até o momento que usou sua poderosa combinação.

Sim.

Suor frio pingou.

“…”

“…”

Logo..

Ele correu para frente!

“Volta aqui!”

—–

Adeko estava em seu escritório assinando vários documentos.

Desde o incidente de 18 anos atrás se transformou em uma outra pessoa.

Passou a treinar com Sorae todos os dias tendo a ajuda dos outros guerreiros.

Onde normalmente sempre costumava desistir…Não.

Não dessa vez.

Decidiu levar a frente colocando toda sua alma naquele objetivo.

Com certeza iria suceder Órion com mãos de aço.

Não importa o que.

Seu talento nato a magia aflorou de uma maneira imensa a ponto de ser convidado a se unir aos Julgadores ocupando o lugar do falecido irmão.

Mas negou.

Não queria algo assim.

E então com sua recusa foi o momento perfeito para fazer crescer ainda mais o mito ao redor de Kaori.

Adeko…Fez seu nome em várias guerras levando Kanszes a vitória atrás de vitória.

Seus cabelos cresceram caindo até os ombros, o principal responsável pelo seu apelido…

“O Leão dourado de Kanszes.”

Seu olhar imponente que passa a sensação de invencível faz parecer olhar com desprezo para qualquer outro, também cresceu neste tempo, estando com 1,87cm.

A porta foi aberta o fazendo levantar o olhar até ela.

Era Kaori.

“Houve algo?”

Balançou a cabeça positivamente.

“Ouvi dizer que você quer que eu participe da campanha em Ballas?”

Assentiu positivamente.

“Sim, está na hora de começar a lutar esse tipo de batalha, com você na linha de frente só teremos a ganhar, em alguns dias vai ser mandada para negociar uma aliança com o Rei de Ballas, estamos muito atrasados e você precisa dessas experiências, é o momento de lutar uma guerra, Kaori.”

“…”

Não.

Não podia negar.

Era o que sempre odiava.

Por estar em um lugar que não é dela.

Por tudo que se deu seu nascimento e as conseqüências dele.

Não.

Não se vê no direito de negar absolutamente nada.

Então…

Sim.

Só tem algo que pode falar.

“Sim, pai, eu farei…”

—–

Azul…A cena era no meio de um vasto oceano.

Transparente.

A água é tão limpa e recheada de recifes de corais que era possível ver por completo seu interior e toda a vida marítima passando.

E era apenas isto.

Para onde quer que olhasse apenas podia ver o infinito azul, como se o mundo fosse uma piscina infinita.

Uma sombra.

Ela passou dando um rasante na água de maneira extremamente veloz, logo depois, tomou caminho para cima levantando uma boa quantidade fazendo surgir um arco Iris, enquanto ele, aquele ser, ficou a frente do sol com partículas em volta.

Olhou para frente.

“Deixe renascer aqui…”

A história de 3000 anos atrás…

Ainda não terminou.

Está reiniciando, tendo seus protagonistas finais sendo colocados a prova.

E “intrusos.”

Estas pessoas não deveriam aparecer.

Mas quem realmente liga?

“Apenas irá tornar tudo mais interessante.”

A figura..

Deu um largo sorriso.

—–

Após a conversa com seu pai…Andava pelos corredores do castelo.

Colocou a mão no bolso da saia, tirou o celular e começou a ver alguns sites.

Fez um olhar desanimado.

“Você…Não vai vim mesmo…Kai…?”

Levou um susto.

Alguém ligava.

Viu o número.

“Kyara?”

É sua prima.

Imediatamente atendeu.

Foi conversando enquanto andava pelo castelo.

—–

Conversam por quase 20 minutos, Sólis, uma amiga de ambas também fez uma ligação cinco minutos depois e o trio levou um papo durante este tempo, mas já desligaram.

Parou na margem da praia.

O colocou no bolso.

“Sempre me falaram que os dois dias mais importantes da sua vida são quando você nasce, e quando você descobre a razão pelo qual você nasceu…”

Deu um sorriso, só que…Não é felicidade, e sim aquele sorriso de pura frustração.

“Então…Esses meus d-

“Está ali!”

“Eh?”

Quando se virou…Foi cercada por quatro garotas.

“Vocês…”

As reconheceu.

São as meninas do mesmo estúdio de dança que pratica, porém, da categoria sub-13.

“Não esperava encontrá-la aqui, Kaori.”

“Professora?”

Veio dando alguns passos a frente, sorriu e cruzou os braços.

“O torneio vai acontecer aqui amanhã, então as trouxe para praticar e já se habituarem a todo o clima, e sabe de algo?Elas são suas fãs.”

“Sério?”

Alunas mais velhas não costumam ter tanto contato com as mais novas.

O prédio é gigantesco.

E ficam separadas por andar de acordo com a idade, as competições, rotinas, horários, tudo é diferente.

Então raramente acontece.

“Sim!”

“Você é incrível, Kaori!”

“Seus movimentos, mesmo profissionais não podem repetir, né??”

“Ah, sério, Perseus vai ter tanta sorte!”

“Né?”

“…”

Abaixou a cabeça.

Mas…

Fez força.

Sorriu em direção a elas.

Se ajoelhou.

“Ok!Eu vou ficar com vocês, e se esforcem, heim?Para poderem, igualmente, ficarem com o garoto que realmente amam!”

“Sim!”

Doeu.

Dizer isso…Foi como uma facada no coração.

—–

“!”

Kai ainda fugia.

Mas…

Parou no meio da estrada.

Caminhou até uma banca.

E pegou o panfleto.

“OI, OI, OI, OI, VOCÊ VAI PAGAR ISSO, MOLEQUE!”

Era um anuncio do casamento.

O rasgou em mil pedaços!

Jogou algum dinheiro na direção dele o surpreendendo e voltou a correr.

Se distanciando cada vez mais.

Tentando fingir que tal evento nunca vai acontecer, até que algo chamou sua atenção na estrada, parou e olhou a direita, tinha dois mecânicos, um usava uma escada para poder alcançar a cabeça deste robô de 6 metros, enquanto o outro mexia no teclado ao lado, ao redor de ambos tinha uma blitz policial.

Ah sim…

São as unidades novas de guerra conhecidas como titã, a fase de testes acabou e serão usados para tentar pacificar novamente a área mais a frente onde entrou em combate com aqueles homens.

“Hu..!!Ainda faltam alguns ajustes aqui…”

Podia escutá-los.

“Mas ficar apenas fingindo que eles não existem…Nunca vamos mudar nada a respeito disso..!”

“!”

O irritou.

Por algum motivo o irritou.

Cerrou os dentes e voltou a andar sem rumo.

Aliás…

Algo não sai de sua cabeça, ainda a respeito do encontro que teve, ele tem uma sensação, “”leve”” sensação que…

—–

Perseus dirigia um carro por uma estrada na montanha junto a outro, tirou o óculos escuro, parou o veículo, saiu e caminhou até a beirada olhando a paisagem utópica a frente com o vento batendo em seus cabelos.

Levantou o punho na direção do sol, e então…Fechou!

Como se tivesse capturado a estrela.

Um sorriso surgiu em seu rosto.

“Em breve…Irei sem dúvida colocar todo esse continente aos meus pés usando o poder de Kanszes ao meu lado.”

Contos de Ustrael – Rodas do Destino (Prólogo)

O dia novamente se encontra amanhecendo em uma das ilhas que compõem o país de Kanszes.

Junto a esta manhã de um sol imponente ao qual nuvem alguma podia impedir a maior força do sistema solar brilhar em um show único…

Os pássaros passavam voando cantando mais alto que o normal.

Era diferente.

Tudo hoje era diferente no país.

O motivo?

Ele é um.

E ao mesmo tempo…

O maior possível.

Uma imensa festa que cobriu todas as ruas da cidade teve-se inicio com inúmeros balões tomando rumo ao infinito azul.

Papeis eram jogados dos aviões para baixo enfeitando por completo a cidade ao qual tinha seus habitantes fazendo diversas atividades distintas em meio as comemorações.

Um jovem caminhou até o topo do castelo e sorriu orgulhoso com o vento batendo confortavelmente em seus cabelos enquanto observava a paisagem utópica a frente.

O cabelo era um poderoso tom de dourado com olhos vermelhos profundos como fogo.

Adeko possui 20 anos e 1,80cm.

“Hoje, definitivamente é um dia especial.”

Sim.

Com certeza.

Afinal…

Seu irmão mais velho e Rei retornava do campo de batalha com uma esposa e filho.

Tinha ido para a guerra e o deixou cuidando do reino em sua ausência de dois anos fora.

Neste tempo se apaixonou e casou-se com uma mulher com a qual se tornou pai.

Explosões.

Fogos começaram a serem lançados no ar nesse momento e formar diferentes imagens.

No mesmo momento…

Um carro com enfeites dourados, tendo suas janelas totalmente negras, estava adentrando na rua sendo protegido por dez guardas.

Cinco a direita.

Cinco a esquerda.

Dentro dele.

Estavam ali.

Se encontravam Órion e Sorae.

Sorae, uma jovem mulher de 23 anos possuindo longos cabelos negros até as costas, também tem uma boa estatura com 1,75cm.

Lisos.

Eram completamente lisos e possuía luzes brancas.

Qualquer um podia perceber como eram bem cuidados.

Também retinha uma franja na testa ao qual ajudava a realçar as curvas perfeitas do rosto.

Aqueles olhos azuis eram profundos.

Até demais.

Tão belos que uma reação normal seria se perder nos mesmos se fosse encarada por muito tempo.

Usava uma camisa branca com uma saia negra junto a um colar de prata e a aliança no dedo.

Em seus braços…

Estava segurando uma criança.

Que dormia tranquilamente.

Se virou sorrindo a direção de Orion.

Que retribuiu a expressão.

O Rei de Kanszes retém cabelos roxos escuros espetados até a orelha junto a olhos vermelhos tal como o irmão.

1,85cm e 25 anos.

Só que é diferente.

Só de observar é o suficiente.

Até intimidante.

Qualquer coisa refletida por tais olhos profundos como o sangue se faz parecer menor do que realmente é.

Claro.

Com certeza.

É está a visão de um real conquistador.

Que só passa uma imagem a seus inimigos.

Invencível.

E nada.

Nada mais.

Usava uma roupa que muito se assemelhava aos capitães da marinha com acessórios dourados.

Sorae teve sua atenção a janela.

É a primeira vez.

Mesmo que estejam juntos a algum tempo…

É a primeira vez que vem ao país.

E não consegue tirar a expressão de felicidade do rosto.

É incrível.

“Então, este é o seu reino, né?”

Conseguia ver um grande número de pessoas do lado de fora tal como a festa.

“Hê, ele é realmente lindo e o povo olha bem feliz, não pensei que um cabeça dura como você pudesse ser tão adorado.”

Deu uma risada ao escutar, a encarou e repetiu a expressão.

“Este reino foi criado através de inúmeras batalhas e sacrifícios enormes, muitas pessoas deram sua vida para fazer dele o que é hoje.”

Era visível o orgulho com o qual estas palavras eram ditas.

Sim.

Sem duvidas.

Kanszes é um reino extremamente jovem que conseguiu ascender ao poder de maneira recorde.

Isto jamais seria possível se homens que não fossem dignos o bastante de serem chamados de Reis estivessem o regendo.

E com ele…

É apenas natural.

Não era nem um pouco diferente.

Alguém que coloca o país acima de sua própria vida e o rege com mãos de ferro fazendo o possível para deixar o povo protegido.

Sorae com certeza acha essa uma qualidade incrível.

Mas…

Ao mesmo tempo muito fácil de ser transformada em uma maldição.

“Sorae.”

“Sim?”

“Acho que ainda não perguntei isso até agora, mas…Você considera alguns atos que eu tomo como tirania?”

“Eh?”

Fora pega de surpresa com a pergunta.

Mas…

Teve alguns flashes da guerra.

E realmente.

Algumas atitudes podiam ser talvez questionadas pela aparente falta de humanidade.

Porém…

“…Um Rei precisa ter ambição, né?Precisa fazer que seu povo prospere, um Rei sem ambição e que por isso é incapaz de manter seu país prospero e fazê-lo vivenciar infinitas percas e choro daqueles que devia proteger, não pode ser um Rei, é necessário ser um exemplo para os dois extremos, não acho que seja um tirano, é apenas um Rei que faz o necessário para que tudo se mantenha e siga em frente, faz o trabalho de um, este é um mundo engraçado, sabe?Se você quer proteger o sorriso precisa derramar sangue, bem, não há nada que possa ser feito quando mesmo nos livros mais antigos da história da humanidade datam conflitos.”

Deu algumas risadas o surpreendendo.

“Mas o que foi isso?Aposto que essa pergunta foi por que tem medo que seu filho cresça com medo do pai, não é?”

“…”

Levou a mão a cabeça e sorriu.

Exatamente.

Infelizmente ele irá crescer no meio de um ciclo infinito de batalhas.

Desde jovem, será obrigado a vivenciar uma guerra real, e principalmente, certas decisões que precisam ser tomadas.

Em meio a tudo isso, ficou preocupado de passar uma imagem de insensível.

“O todo poderoso Rei de Kanszes na verdade, é uma manteiga derretida?”

“Talvez.”

Colocou a mão na pequena cabeça de seu filho.

“E é por isso, Sorae, que você irá me ajudar, me ajudar a criar esta criança para ser um homem forte que defenda seu povo com mãos de aço e ajude o país a ficar cada vez mais e mais forte sem se perder no caminho.”

O carro se moveu mais um pouco e pararam em uma praça enorme, ambos desceram e assim que tocaram o chão…

Uma verdadeira “explosão” de reações.

O grito ecoou.

Várias flores foram jogadas contra a dupla.

E por causa do barulho…

A criança abriu os olhos.

Sorae e Orion perceberam, o rei o pegou no colo e o colocou sentado em seu ombros.

“Veja bem Kai, você um dia ficara responsável por este povo.”

Kai não entendia o que estava ocorrendo.

Mas…

Aquelas pessoas que refletiam em seus olhos vermelhos, por algum motivo…

Sim.

Sentiu uma sensação nostálgica.

“E eu queria, queria realmente amor, que sua irmã pudesse estar aqui para vivenciar tudo isso.”

“Sim..Eu também…Mas a vida prega peças que não desejamos…”

—–

Assim que adentraram o castelo caminharam até a sala do Rei.

E então.

A porta se abriu.

Ele se encontrava em pé ali.

Os esperando.

Adeko.

Órion sorriu e se aproximou.

Nada.

Nenhuma palavra foi dita.

Apenas se encaravam.

Com uma imensa expressão de respeito.

Se aproximaram e abraçaram.

“Bem vindo, idiota.”

“O reino está em excelente estado, fez um trabalho fantástico enquanto estive fora, obrigado pelo esforço.”

Adeko se virou e foi em direção a Sorae que tinha Kai aos braços.

Neste momento, os raios de sol passavam pela janela e iluminavam o salão.

Deu um sorriso sincero.

“É um prazer conhecê-la, Sorae.”

“Sim!Igualmente.”

Deixaram Kai em um berço na outra sala.

Enquanto um banquete fora preparado para todos do país em homenagem a volta de Órion.

A comemoração durou algumas horas.

E, após ela, Sorae fora tomar banho enquanto os dois irmãos estavam sentados a sala.

Adeko o encarou.

“No campo de batalha…Como vão as coisas?”

“Já foram piores, a batalha contra Others está se aproximando de um clímax, apenas voltei pelo nascimento do Kai.”

Conseguiu notar nestas palavras…

Órion não gostou muito de ter voltado.

Nem um pouco.

A realidade é outra.

Se pudesse escolher com certeza iria liderar o exército.

É alguém que coloca o país até mesmo acima de sua própria felicidade e desejos pessoais.

Afinal…

Kanszes precisa prosperar.

É sempre o pensamento final.

Não importa o que.

“…Não podemos simplesmente abandonar aquela terra?Sim, eu entendo que é um local  fantástico e cheio de recursos!Mas essa batalha já perdura há muito tempo e-

“Eu entendo as conseqüências de continuá-la.”

O cortou antes de terminar.

“Mas simplesmente não posso recuar, Adeko, você sabe que tudo isso, esta cidade, este solo, foi construído do 0 por nosso avô apenas um pouco mais de 200 anos atrás, desde um pequeno grão de areia ele construiu muralhas, conseguiu aliados influentes fazendo missões de alto risco, obteve  dinheiro, poder militar e sozinho fundou Kanszes, morreu protegendo essa cidade com apenas 300 mil homens perante 600 mil do inimigo, e era um momento difícil, as secas grandes e a política em baixa não ajudavam, porém foi para a linha de frente fazendo todos recuarem e morreu em decorrência dos ferimentos, é por causa de pessoas como nosso avô foi que sempre devemos fazer o melhor por este país, eu não vou desistir daquela terra, de jeito nenhum!”

Conseguiu notar um brilho no rosto de seu irmão.

Tinha um orgulho imenso de toda a história deste país.

E iria protegê-la.

Não importando o que.

É uma maldição.

Adeko lendo em livros antigos descobriu algo que o fez ficar assustado.

Kanszes teve três reis até agora contando com Órion.

Todos morreram.

Morreram em grandes batalhas.

A frente de seu próprio povo.

E os dois predecessores eram iguais a Órion.

Colocando o país acima de tudo.

Por que?

Então por que?

Não faz sentido.

Nenhum.

Não importa por qual ângulo tente ver.

Ele com certeza sabe sobre essa “coincidência”, e mesmo assim continua tomando um caminho que pode fazê-lo ter o mesmo fim.

Por que todos que ficam a frente deste país possuem este sentimento?

Não conseguia entender.

Nem um pouco.

Percebeu o rosto preocupado de seu irmão mais novo.

Deu um sorriso de gratidão a tais sentimentos.

“Sabe, Adeko?Se você realmente vai lutar por algo, vivencie esse “algo” com seus próprios olhos, o sinta com suas próprias mãos para não restar nenhuma duvida ou incerteza do motivo ao qual usa para empunhar uma espada, pois no futuro quando finalmente visse a contradição que se tornou, se vendo transformado naquela pessoa que sempre odiou, como iria reagir?Como iria olhar os filhos?As pessoas ao redor?A realidade que nos cerca é horrível?Sim, mas viver um sonho impossível e ter sua personalidade moldada por uma fantasia ou por uma falsa certeza, é pior ainda.Então não seja alguém que não possa se orgulhar no futuro.É por isso que lutamos acreditando no que para nós é certo, pode ser para os outros?Não, nunca será, nossas espadas sempre vão causar dor, mas alguém tem que lutar.As pessoas que podem realmente fazer a diferença e tentar mudar o mundo fazendo os papeis de vilãs da histórias precisam carregar o fardo, precisam tirar vidas, destruir, fazer os outros chorarem, sim, tudo é necessário, os fins precisam justificar os meios, só assim a paz pode ser alcançada, e então, quando ver seu filho brincando, não se orgulhe por o dar esta vida sendo que antes matou, mas tenha orgulho do filho dele que não tem nada haver com o que veio antes viver em um mundo em paz que você lutou, um mundo que você buscou moldar sem nenhuma duvida, aquele mundo que vislumbrou da triste situação que fora obrigado a passar e imaginar.”

“!”

Esbugalhou os olhos.

Fora pego completamente de surpresa.

Exato.

Os dois cresceram sozinhos desde que o pai de ambos morreu protegendo todo este solo que pisam.

E Adeko sempre teve uma visão de uma terra em paz envolvendo a todos.

Não.

Não era só pelo país que Órion lutava.

Muito pelo contrário.

Ficou em pé.

Pelo irmão.

Pelo povo.

Até mesmo por reinos mais fracos que não podem tomar um partido.

Não é a toa que os outros Reis são incapazes de entender os motivos que levam uma potencia como Kanszes, muitas vezes, em firmar uma aliança com reinos mais fracos.

Está disposto.

Totalmente decidido a ser visto como um vilão.

Se isso signifique parar todas as batalhas…

Realmente, não liga.

Os fins vão justificar os meios.

Se ele será visto como o vilão.

Dane-se.

É desnecessário se preocupar.

Se tais ações podem levar a paz.

É o correto.

“Bem, eu vou caminhar um pouco e ficar reflexivo, nos vemos mais tarde.”

“Sim…”

—–

Após alguns minutos da conversa estava andando pelos corredores com os braços cruzados.

Ainda pensativo nas palavras de Órion.

“Aceitar ser visto como um tirano com o objetivo de criar um futuro em paz para todos, é…?”

O mundo faz questão de despedaçar os ideais.

Isso, infelizmente, é algo fácil de acontecer.

Até com os mais fortes psicologicamente.

Seu ideal para lutar sempre pode ser desmentido por qualquer um que fique do outro lado.

E como irá reagir quando isto ocorrer?

Muitos se quebram.

Mas Órion não era assim.

Parecia ser invencível em qualquer campo.

Deu uma risada.

“Comparado a ele, alguém que nem sabe lutar como eu, sou nada, não é?”

Abriu a porta de um cômodo e levou um susto.

O som da porta se abrindo, fez Sorae, que estava sentada lendo um livro, o encarar.

“Ah, Adeko?”

“Sorae…”

Sorriu e foi se aproximando.

Sempre teve algo em mente.

Como?

É possível?

Não vai encontrar uma resposta se não perguntar.

Então era o momento.

“Então, como conheceu meu irmão?Nunca pensei que alguém fosse se apaixonar pelo cabeça dura que ele é.”

Deu uma risada em resposta.

“Órion sem duvidas é um cara complicado, mas por baixo daquele exterior de general existe um molenga gentil, imagino que conheça melhor do que eu.”

“Talvez?”

Se sentou a poltrona a frente.

“Mas e você?Esteve cuidando desse reino o tempo todo que Órion lutava, certo?Dois anos inteiros.”

Fez um olhar um pouco cabisbaixo.

Foi perceptível.

A nova Rainha viu.

“Diferente do meu irmão…Eu não tenho força e nem sou um líder tão bom, mas me esforço para tentar fazer o que ele faria, já que não tenho o poder necessário para lutar em guerras de tão alto nível eu tenho que pelo menos fazer o que eu conseguir aqui.”

“Cada pessoa realmente faz o que está ao alcance, não diminua sua existência se comparando ao seu irmão, vocês são pessoas diferentes, tem forças diferentes.”

“Hê, mas eu queria mudar, nem que fosse só um pouco.”

Olhou para cima.

O teto tinha uma janela transparente onde os raios da maior força do sistema solar poderia adentrar.

E deixava o lindo céu azul exposto.

“Desde a infância sempre fomos nós dois, e sempre tive que deixar o trabalho pesado na mão dele, um dia, pelo menos uma única vez, gostaria de retribuir a altura tudo o que fez, pois com certeza não estaria aqui se não fosse por ele.”

“Eu posso te ensinar.”

Fora pego de surpresa.

Claro, Órion sempre disse a ele que Sorae era uma mulher realmente forte.

A mais forte que conheceu.

Um verdadeiro gênio.

Treinar com ela seria uma oportunidade única.

Mas…

Nunca foi nem mesmo mediano.

Mesmo com generais de elite do país o ensinando nunca foi muito bom em magia.

E quando a guerra chegava, ficava realmente frustrado.

Pois seus esforços nunca deram resultado.

Não importa quantas noites perdia treinando.

Não importa o quanto se ferisse.

Não importa o quanto se esforçava.

Não importa a alma que colocava em cada punho.

Nada.

O resultado nunca veio.

Acabou acreditando que não era para ele.

Então…

Sim.

Desistiu.

“Eh… Obrigado, mas acho que vou passar, apesar de eu ter algum talento para magia não acho que me tornaria muito bom nisso, mesmo na escola eu não conseguia, não falando que você seria uma professora ruim e-

Uma péssima escolhas de palavras.

Com certeza.

O motivo?

Bem…

Um livro voou em sua cabeça o jogando junto com a poltrona de costas ao chão.

Ficou com os olhos girando.

“O que diabos…AAAAH!”

O grito teve um motivo.

Terremoto.

Agora foi uma estante que o fez rolar para a direita.

Foi Sorae que o atacou.

“Isso é irritante!”

Caiu sentado.

“Rapaz…Essa personalidade…”

Sorriu assustado.

Até engoliu em seco.

“Acho que sei como atura o Órion.”

“Você, Adeko.”

“Hã?”

Agora a voz saiu séria.

A encarou.

“!”

O deu um olhar penetrante.

Até demais.

Sim.

Era como Órion.

Esses olhos rígidos que refletem qualquer coisa a frente…

Se faz parecer menor do que realmente é.

É difícil encarar.

Surge um desconforto.

“Você se amaldiçoa por não poder lutar ao lado do irmão, mas…Também não faz nada para mudar, não é?Não pode esperar resultados diferentes se você sempre repete os mesmos dias, é como aqueles que almejam o topo mas quando vêem o que existe entre o começo e a glória desanimam e desistem na hora, esse tipo de pessoas são realmente irritantes…Se tem medo de percorrer a estrada, por que ao menos cogita pensar?Isso cria um complexo de inferioridade e não só magoa você, e sim aqueles ao redor, se você realmente quer mudar…”

Se colocou de joelhos e sorriu.

“Não tenha medo da estrada e não procure motivos para fugir do amanhã, atropele essa estrada, eu vou lhe ajudar!”

“Sorae…”

Abaixou um pouco a cabeça.

“Claro, eu não conheço nada sobre seu passado, mas eu pude sentir, sentir muita decepção em cada palavra dita, como se já havia tentado e falhou antes, não apenas uma, duas, três, inúmeras vezes, mas escute algo, Adeko, você é um Rei, sim, Rei, fez esse papel por dois anos inteiros e fará novamente,  você mesmo desconhece a força e capacidade que tem, de tanto dar ouvido as pessoas que é fraco, acabou acreditando, e essas palavras se juntando a frustração do fracasso nos treinos, sim, é normal se sentir abalado, mas vamos, eu quero ajudá-lo a levantar.”

Sim.

O olhar lacrimejou.

Sorae era mesmo incrível, como Órion disse.

—–

As horas passaram rápido.

Já estava de noite.

Era uma visão sensacional.

Estava realmente utópico nesta noite.

Um número incontável de estrelas como se fossem grãos de areia na praia eram visíveis sem uma única nuvem no céu.

Galáxias.

Duas galáxias também podiam ser totalmente observáveis a olha nu.

O cenário…

Parecia ter sido criado por um Deus esta noite.

As comemorações ainda continuavam.

Porém em menor escala.

Duas pessoas.

Dois homens encapuzados se encontram sentados a uma barraca bebendo.

Eram soldados de Others.

A infiltração foi feita com sucesso.

Vide toda a festa e sendo apenas três pessoas…

Dificilmente seriam notados.

A missão era apenas uma.

“Eliminar Órion e destruir Kanszes.”

Fora dito por um deles.

Um sorriso foi visto na escuridão do capuz.

Fang era o nome.

“Isso nunca pareceu tão fácil.”

“Não deixe esse poder lhe subir a cabeça só por que foi o escolhido.”

“Ah?”

“Mesmo que o terceiro irmão não esteja aqui, e você tenha sido escolhido para reter um link-orgânico com o abyssal…Nunca é bom subestimar o mais poderoso julgador.”

“Ho, Irion, você está mesmo mostrando respeito por um general inimigo?Não aprendeu com tanto tempo de militar que adversários são apenas a escória que tiveram o triste destino de nascer no tempo e lugar errado?”

“Hu, estou tentando é botar um pouco de juízo nessa sua cabeça de imbecil.”

“Não que isso faça diferença.”

Perseus fora dando alguns passos a frente.

Olhou para o castelo e mostrou uma expressão sádica.

Se vestia de maneira curiosa para quem pretende causar uma carnificina.

Trajava um elegante terno com listras douradas.

“Independente de quem seja, apenas vamos destruir tudo.”

—–

Algo estava errado.

Órion e Sorae já haviam tido este pressentimento há algumas horas.

E agora se encontra pior.

Como se um perigo realmente grande estivesse ao lado.

Ela parou ao lado do Rei.

“Querido, você…-

Assentiu com a cabeça antes dela terminar.

“Isso é ruim, um ataque ocorrer agora iria atrasar muito nosso tempo de reação vide a todas as festividades.”

Levou o dedão ao queixo e cerrou os dentes.

“Fui descuidado.”

Era tudo que conseguia pensar.

Preparou esse retorno durante meses e montou a defesa buscando não deixar nenhum intruso ter sucesso em entrar na cidade.

Mas ocorreu.

Isso significava algo.

Já estavam ali dentro antes.

Pois já sabiam que hoje era o seu retorno, e buscando se aproveitar da guarda-baixa dos soldados iriam para o movimento no momento de maior “relaxamento” de sua força militar.

“Algum tipo de traidor no meu exército?Isso pode realmente se algo viável…”

Adeko estava na mesma sala.

E ao escutar sobre isso…

Flashes vinham a mente.

Só conseguiu ficar frustrado de se algo acontecer não ser capaz de fazer nada novamente.

E seu medo…

Iria se tornar realidade.

“!”

Órion abriu a janela e levantou o olhar.

“Isso…”

O céu fora completamente obstruído.

Nuvens cinzas em tons amarelados tamparam por completo a cidade trazendo a escuridão.

Uma sombra gigantesca “abraçou” tudo.

Não.

Uma sensação horrível de morte se impregnou no local.

O medo e desespero nas pessoas foi algo automático.

Claro.

Isso não era um fenômeno natural.

Era impossível.

Os ventos…

Ficaram fortes.

Terrivelmente mais fortes.

Podia levantar carros inteiros e causava ferimentos nas pessoas normais ao qual se apavoraram e começaram a buscar abrigo.

O sangue…

Parecia ter a forma de inúmeras partículas vermelhas pela cidade.

Furacões.

Começaram a se formar.

Algo também começou a nascer nas nuvens.

Uma esfera de 20 metros se abriu.

O olhar do Rei se abalou.

“Aquilo…”

Inúmeros soldados começaram a sair dali.

Era um teletransportador!

Foram como formigas deixando o formigueiro.

Explosões aconteciam em todas as partes da cidade conforme se chocavam ali e iniciavam o ataque brutal.

O cenário mudou radicalmente em um único flash.

—–

Construções desabavam seguidamente levando destruição e fumaça para todos os lugares.

As ruas foram pintadas do vermelho das chamas e do sangue daqueles que caíram e foram esmagados.

Em meio a tudo isto…

Um garoto caiu sentado ao chão altamente ofegante e sujo de poeira, quando levantou a cabeça…

Ele viu.

Viu muito bem.

A visão do que julgou ser o fim do mundo com o inferno subindo a terra junto ao grito das pessoas morrendo refletiu em suas pupilas, tal visão o fez tampar as orelhas como fechou os olhos fortemente.

Estas chamas.

Sim.

Não podiam ser apagadas.

—–

“MALDIÇÃO!”

Imediatamente se virou na direção de Adeko.

“DÊ A ORDEM PARA OS SOLDADOS SAIREM, EU VOU NA FRENTE!”

Após o grito…

Não abriu a porta.

Simplesmente a explodiu e correu para a direita.

“Órion…”

Sorae foi até Kai que estava no berço próximo.

O pegou e levou até Adeko que o segurou.

Ela balançou a cabeça positivamente.

“Tome conta dele, eu vou acompanhá-lo, sei como deve estar se sentindo agora, mas…Devemos ir por etapas, quando esta crise passar tenho certeza que irá nos ajudar no futuro.”

“…Sim, boa sorte.”

—–

Perseus não fazia distinções.

Mulheres.

Crianças.

Jovens.

Tanto faz.

Todos eram vitimas de suas mãos que a essa altura estavam recheadas de sangue.

O jovem herdeiro de Others…

Lambeu os beiços.

Tinha uma cabeça em suas mãos e a jogou para a direita.

Olhou para o castelo

“Vamos lá, Rei de Kanszes, quero que mostre o poder que seu nome tem, o mesmo poder que usou para trair meu pai na colisão de dois!”

Atrás dele já havia um mar de corpos.

Mesmo estando apenas em trio não tiveram problema em mudar radicalmente a cidade.

Isto era claro.

Eram soldados de elite.

—–

Órion…

Ao qual trajava as mesmas roupas de hoje de manhã tocou o topo do castelo.

Teve uma visão perfeita de tudo que o cercava.

E aquilo o encheu de ira.

“Muito prazer, Órion.”

“!”

Essa voz!

Veio de baixo!

Ao olhar…

Ele estava ali.

O soldado do link-orgânico.

Já sem o manto no corpo.

Sua aparência era exótica.

No mínimo.

Possuía longos cabelos negros até a cintura com inúmeras listras vermelhas pelo corpo.

Os olhos dourados possuem as pupilas de um felino.

Estava sem camisa, usando apenas uma bermuda negra até os joelhos, um colar e duas munhenqueiras brancas.

Órion o reconheceu.

Era apenas natural.

Possui uma boa fama.

O suficiente para chegar até ele.

Considerado um dos generais de elite em todos os países que lutam para unificar essa terra, apenas abaixo dos próprios Reis.

Fez seu nome sobrevivendo a inúmeras batalhas sempre voltando vivo sem um arranhão.

Alguém digno do título de exército de um homem só.

“Foi você que causou isso?”

“Hu, e se foi?”

“se foi você, este lugar será seu túmulo.”

Disse sem titubear.

Ignorando por completo a fama do adversário.

Não.

Mesmo que tivesse feitos dignos.

É pouco.

Muito pouco.

Insignificante.

Isso não podia chegar a seus pés.

Perante tal resposta só conseguiu sorrir em desafio.

“Irei colocá-lo no chão!”

Esticou os braços com a destruição ficando mais forte.

“A história desse jovem reino termina hoje!Veja bem, eu adquiri o maior poder deste planeta!”

Era isso!

A aura e sensação de morte não vinha dos soldados de Others.

E sim deste ser…

Um pé gigantesco saiu do portal e tocou o solo iniciando um terremoto.

Pela primeira vez…

O olhar de Órion realmente se abalou por um segundo.

Tinha 700 metros.

Os braços eram maiores que o corpo tocando o solo.

O corpo era completamente transparente podendo ver os órgãos.

Cada punho só tinha três dedos.

Aqueles olhos eram completamente vermelhos como fogo.

Exatamente.

Um ser Abyssal.

A criatura…

Levantou o punho direito para cima no mesmo momento que começou a relampear.

E então…

O desceu!

O impacto separou a cidade em duas criando uma gigantesca fenda de destruição além de cobri-la com fumaça.

A velocidade foi tanta que causou combustão.

Uma imagem aérea mostrou o fogo preenchendo todas as ruas em uma reação em cadeia.

—–

Tanto caos finalmente fez Kai abrir os olhos.

E começou a chorar.

Adeko o abraçou.

“Tenha calma sobrinho!Confie, confie no poder de seus pais, com certeza eles irão dar um jeito em tudo isso!”

—–

“Eu irei mostrar…Irei mostrar ao demônio o poder do coração humano!”

“Hu!Este é o fim!”

Novamente!

O colosso ergueu seu punho ao qual passava a altura das nuvens.

Porém..

Dessa vez o alvo era Órion.

E o desceu como um punidor divino na direção do mesmo!

“Vamos!Se você se esquivar todo o castelo será destruído!”

“Algo assim…”

Não.

Ele não se movia.

E cada vez o golpe se aproximava mais e mais.

A colisão parecia ser apenas uma questão de tempo.

“Não é necessário que eu me mova.”

Se ajoelhou, encostou a mão direita no castelo.

Uma esfera branca surgiu ao redor da construção.

O impacto aconteceu gerando furiosas correntes de ar e a liberar seguidos trovões que iam até a cidade causando explosões.

O gigante fora arremessado para trás.

O escudo sumiu.

Órion olhou para baixo e pulou na direção de Fang.

Este, que sorriu e disparou várias rajadas vermelhas na direção do Rei.

Era como um teletransporte.

No ar, ele se movia que parecia desaparecer e aparecer deixando apenas partículas brancas onde estava.

Foi rápido!

5 metros.

Fora a distancia que parou de Fang quando tocou o solo.

Levantou o olhar e avançou!

Não viu nada.

Só percebeu quando fora fortemente golpeado no rosto o fazendo cuspir sangue gerando uma corrente de ar que jogou o soldado para o ar e começou a cair abaixo.

Não perdeu tempo.

Novamente o perseguiu!

Quando preparava o novo golpe…

Ele voltou.

Ao olhar para a direita só teve tempo de reforçar o corpo com a aura e formar um X com os braços.

Levou um violento soco do Abyssal sendo jogado para trás ocorrendo uma explosão pelo impacto ao qual destruiu a casa em que fora arremessado.

Só deu tempo de ficar sentado.

Uma sombra…

Ela se aproximava.

O motivo?

Estava para ser esmagado por uma pisada.

Cerrou os olhos e novamente se teletransportou conseguido se esquivar.

Tocou o teto de uma casa.

“!”

Jogou o corpo para a direita.

Porém.

Não tão rápido.

Teve o ombro transpassado por uma rajada de Fang sendo obrigado a se colocar ajoelhado.

Ardia.

Queimava seu corpo inteiro de dentro para fora além do sangue começar a escorrer como se fosse uma torneira.

“Hu!Vamos!Será fácil demais se for apenas isso!”

“Você, está confiante demais.”

Ignorando o ferimento.

Ficou em pé e virou o olhar para trás.

Certamente tinha motivos.

Fazer um link-orgânico com a maior força do mundo…

Sim.

Com certeza faria qualquer pessoa ficar auto-confiante.

Mas…

Por que?

Então por que?

Fang não se sentia seguro.

Nem um pouco.

“Eu já disse, este lugar é o seu túmulo, não importa se trouxe um abyssal, NADA VAI MUDAR!”

—–

Irion avançava correndo pelo teto das casas no meio das explosões.

Seu destino era apenas um.

O castelo real!

Ter pego o país com a guarda baixa facilitava muito seu movimento vide que a maioria dos soldados ainda estavam se preparando para sair.

E a elite…

Não tinha nenhum no campo de batalha por enquanto.

—–

Adeko escutou a porta sendo aberta e virou o olhar para lá.

Era um soldado.

“Senhor!Um dos generais do inimigo está se aproximando, ele irá conseguir passar por nossas defesas antes que estejam montadas, vai chegar aqui em pouco tempo!Preciso que o senhor saia!”

“…”

Não.

Novamente?

Novamente teria que fugir e se deixar ser protegido por um número incontável?

Pois seus esforços nunca deram resultado.

Acabou acreditando que não era para ele.

Você se amaldiçoa por não poder lutar ao lado do Órion, mas…Também não faz nada para mudar, não é?Não pode esperar resultados diferentes se você sempre repete os mesmos dias.

Se tem medo de percorrer a estrada, por que ao menos cogita pensar?Isso cria um complexo de inferioridade e não só magoa você, e sim aqueles ao redor.

Inúmeros flashes começaram a vir.

Se fugir aqui, o que vai mudar?

Irá apenas ser um covarde novamente.

Se escondendo atrás de um passado que não deu resultado e fechando as portas da possibilidade de um novo futuro…

Por quanto tempo?

“Não…”

Sim.

Se não pode nem mesmo defender seu sobrinho.

Jamais vai ter a determinação necessária para treinar com Sorae.

Novamente iria desistir no meio do caminho.

Precisa de algo a mais.

Era o momento de começar a mudar.

Este precisa ser o primeiro passo.

Pode morrer?

Claro.

Mas se uma transformação não ocorrer agora.

Não irá com Sorae.

Irá arriscar tudo.

Fez um olhar determinado.

Se aproximou do soldado e o entregou Kai.

“Meu Rei…?”

“Tire o Kai daqui!”

Apontou para a direita.

“O leve para outra sala!”

“Mas meu Rei!Você n-

“Por favor, não faça muitas perguntas, este garoto é o futuro do país, estou apenas, como um Rei, buscando proteger a nova geração, então, vá!”

“…”

Ele viu.

Conseguiu ver a determinação em Adeko.

Apenas balançou a cabeça positivamente.

“Irei voltar logo!”

Correu para fora da sala.

Adeko ficou ali sozinho.

Ele finalmente tomou a decisão.

Ou foge e vive uma vida covarde a vida inteira.

Ou luta e muda.

Ou luta e morre tentando mudar.

A primeira, não é mais uma opção.

A explosão ocorreu na parede a esquerda.

Quando olhou na direção da mesma…

Irion vinha andando por meio da fumaça.

“Onde está Sorae?”

“Eu não sei.”

Retirou a capa e a jogou longe.

“Eu sou o único aqui.”

“Ho.”

Começou a caminhar.

“Por que eu acho que está escondendo algo?”

Adeko pegou uma espada que estava a direita.

A segurou firmemente com as duas mãos entrando em posição de batalha.

“Eu irei proteger…Irei proteger a vida de Kai e a felicidade do meu irmão!”

Bateu o pé no chão e avançou contra o inimigo.

Era um amador.

Não tinha como esconder.

Todos seus golpes eram facilmente lidos.

Não passava perto de acertá-lo.

Nem um pouco.

O soldado de Others deu um passo a frente e bateu na espada para a esquerda.

Foi ao mesmo tempo.

No segundo que o desarmou…

Com a outra mão o socou na barriga fazendo perder totalmente o ar.

E então, no movimento seguinte, o chutou na costela fazendo se chocar violentamente ao chão.

“Onde está Sorae!?”

Esse tom de voz mostrou muito mais pressa do que o primeiro.

Claramente queria terminar rápido.

Então…

Tinha que ganhar mais tempo!

Socou o chão.

Colocou a mão no joelho.

Fez esforço e jogou o corpo para cima.

Dourado.

Uma aura dourada começou a percorrer o corpo do Rei.

“Aquilo é…Aurae?”

Queimava como fogo.

Esta aura queimava como uma chama e liberava partículas.

Este mesmo efeito era notado no fundo de seus olhos.

Deu um passo determinado a frente.

Era diferente.

O clima mudou totalmente.

Até mesmo Irion ficou um pouco surpreso.

Adeko sentia um forte desejo de continuar em pé.

Após finalmente ter decidido parar de viver os mesmos dias imutáveis de lamentações…

Não.

Não podia se permitir ser morto aqui!

Em seu punho direito uma esfera de ouro começou a se formar.

Gritou com toda a força dos pulmões e a disparou na direção do inimigo.

“!!!!”

Foi engolido.

Completamente engolido pela energia dourada.

Explosão!

—–

“Heim!?”

Sorae mandou os soldados a frente, e quando estava se preparando para sair…

Viu todas as janelas do andar de cima explodirem.

“O que está acontecendo ali…?ADEKO!!?”

Imediatamente correu para dentro.

—–

Uma fumaça preencheu todo o salão principal.

Adeko se colocou ajoelhado.

Não tinha realmente controle nenhum de sua magia.

A usou toda e esqueceu de adicionar a potência necessária.

Se tivesse feito os dois…

Teria desintegrado o inimigo.

Dentro dele havia uma potencia invejável, até por isso nem mesmo magos de elite conseguem estabilizá-la.

E por ter falhado…

Uma rajada saiu da fumaça e o atingiu causando uma explosão que o jogou completamente derrotado ao solo.

“Urg..!!!”

Irion ficou irritado.

“Maldito, hu, me assustou sim um pouco, mas vejo que não tem talento algum, é alguém que posso simplesmente deixar pra lá, mas…”

Deu alguns passos a frente.

“Mesmo que pequeno, eu comecei a sem-

Adeko segurou seu tornozelo.

O que o fez parar e olhar para baixo.

Não.

Se recusava a deixá-la avançar.

Ainda podia se mover.

Então tinha algo que podia fazer!

“Me solte!”

Moveu rápido a perna e o chutou no rosto o jogando alguns metros para trás.

Se aproximou da parede ao qual sentiu a pequena pulsação.

Fechou o punho e socou a destruindo.

O que estava ali atrás…

Era o soldado junto a Kai no berço.

Deu um sorriso.

“Escutei algo assim, o filho de Órion, não é?Possui uma magia considerável, tanto que ela simplesmente jorra de seu corpo, certamente é uma ameaça ao qual irei apagar!”

“SAIA!”

O soldado avançou com toda a força.

Mas…

Não era o suficiente.

Fora golpeado violentamente para a direita e caiu desmaiado ao chão.

Agora…

Nada podia impedi-lo.

Apontou o punho na direção do berço.

“Desapareça.”

“PARE!!!!!!”

Adeko gritou desesperado.

Se Kai morresse…

Não.

Não podia permitir!

Mas, o corpo não o respondia.

Tentava se mover.

Mas era inútil.

Novamente…

Então era isso?

Realmente não importava o quanto tentasse mudar.

Sempre o mesmo final estava a espera.

E isso…

O fez socar o chão de raiva com as lágrimas pingando.

Quando a rajada estava para ser disparada…

Sorae o socou forçando para trás.

Um total de 15 metros.

Cuspiu sangue para a direita.

“Sorae!?”

Ela sorriu na direção de Adeko.

“Sorae…”

“Limpe essas lágrimas, eu estou grata, realmente, obrigada por proteger a vida do Kai, agora…”

Ficou séria.

Aliás.

Séria era a palavra errada.

Irada.

Completamente furiosa.

Irion percebeu no mesmo momento o que aquela expressão passava.

“Hu, então finalmente apareceu!”

—–

Órion tocou uma casa levando a mão ao ombro.

Estava difícil lutar contra Fang e o Abyssal ao mesmo tempo graças ao ferimento.

Sentia que podia perder a consciência a qualquer momento.

E então…

O general inimigo simplesmente apareceu a suas costas em uma corrente de ar.

“PEGUEI VOCÊ!”

Fechou o punho e socou!

Não.

Era o que ele queria!

Tudo o que socou foram inúmeras partículas brancas.

Órion tocou suas costas com o punho direito.

“MALDIÇÃO!”

Teve sucesso em jogar o corpo para baixo evitando a rajada que explodiu a construção.

Porém, ainda no ar, o Rei girou o corpo e o chutou com toda a força na nuca o desmaiando no mesmo momento.

Menos um.

Olhou para a direita e cerrou os dentes.

O Abyssal corria na direção do castelo.

Parou abruptamente, e socou!

O Rei surgiu na frente do golpe.

Ergueu as duas mãos para frente criando uma esfera ao seu redor.

Novamente!

Ele e a besta disputaram forças causando um terremoto a atingir a ilha inteira liberando raios do epicentro.

Empate!

Ambos foram forçados violentamente para trás liberando uma corrente de ar.

Órion tocou o castelo.

E ajoelhou.

Estava quase no limite.

Era simplesmente impossível ficar disputando força com tal criatura.

Precisa sempre colocar tudo o que tem de energia para ao menos jogá-lo para trás.

Continuar nesse ritmo era inviável.

Vai perder.

Para completar, seu ferimento só piorava o estado.

“Não permitirei…”

Disse em um sussurro quase inaudível.

Neste momento…

O Abyssal ergueu o punho para cima começando a criar uma esfera.

O ar…

Começou a se concentrar todo ali vindo do país inteiro.

“Não deixarei que faça nada contra esse castelo!Adeko e Kai estão aqui dentro!”

O que veio a sua mente neste momento…

A “maldição” de Kanszes.

Claro.

É apenas natural?

Sobre todos os seus Reis estarem destinados a morrer em batalhas.

Tal como o país sempre atrair conflitos após conflitos.

E ficar arruinado depois do evento precisando de um tempo para se reconstruir.

Sim.

Era uma maldição.

Com certeza.

Parece que este reino só nasceu para lutar e sofrer tragédias.

Não.

Não podia ser.

Órion sempre se recusou a acreditar em coisas tão idiotas.

Sempre disse a si mesmo que mudaria essa maldição.

Então…

Sorriu.

Este com certeza.

Era o momento perfeito!

Ainda não.

Ainda não perdeu.

Socou o chão e ficou em pé observando a criatura que continuava a concentrar energia.

E por causa disso.

Feixes brancos transparentes vinham de todos os lados se “acoplando” ali formando uma esfera.

Encarava o inimigo a frente com um olhar rígido.

O de um verdadeiro Rei.

Sem titubear.

Em momento algum.

“Eu sou o guardião desta cidade, deste país, todas estas pessoas confiaram a mim seus sonhos, e não, eu não vou deixar que um monstro como você tome a vida destas pessoas!”

Levou os dois dedos até a boca dando um alto assobio.

Foi em um único flash.

Dois círculos mágicos surgiram atrás de Órion.

E dele…

Dois dragões chineses saíram.

Um vermelho e um negro.

Possuindo mais de 500 metros cada e bilhões de toneladas de puro músculo.

Como uma corrente protetora se “abraçaram” ao castelo.

O vermelho levantou o olhar.

“Órion, vejo que está com problemas.”

“Hu.”

Deu uma risada em resposta.

“Sim…Vou precisa que me emprestem sua força!”

Ambos viram que precisavam terminar o quanto antes.

O Rei gastou toda a sua energia na colisão de golpes contra o monstro.

Não seria possível abrir esse portal.

A não ser…

Que estivesse mantendo a porta aberta usando sua própria força vital.

Podia realmente morrer se não fossem rápidos.

Estava pronto!

A criatura disparou a rajada!

O olhar de ambos os dragões brilhou e soltaram um rugido em resposta.

As três forças se encontraram no meio do céu de Kanszes…

O resultado fora uma explosão extremamente violenta que jogou fumaça até o oceano e além.

O teto do castelo fora completamente desintegrado.

Adeko, Sorae e Irion olharam para cima.

“ÓRION!?”

O Rei saltou na cabeça do vermelho.

Ao mesmo tempo…

Que o monstro começou a preparar pelo menos 30 do mesmo golpe.

O negro cerrou os olhos.

“Aquele poder todo reunido ali…É por isso que tais criaturas jamais deveriam pisar neste solo, podem colocar em risco a existência do planeta.”

“Este é o maior trunfo de Others que estavam guardado por gerações, para usar hoje…Realmente planejavam nos destruir, mas irei mostrar a eles, com certeza irão se arrepender!”

O Rei subitamente apareceu no céu.

A frente do portal que permitia os inimigos a continuarem descendo.

As 30…

Foram arremessadas!

A dupla novamente disparou os rugidos começando inúmeras explosões no céu.

Órion reforçava os braços com aura e socava todos que iam em sua direção as deixando em melhor posição de abate.

Deu um sorriso.

“Agora.”

Só restou uma.

Se teletransportou a deixando passar.

—–

“Vamos!Continuem indo!”

A cena não era em Others.

E sim em outro país ao qual o exército dos mesmos usavam para se esconderem e usarem o portal.

Isso tinha um motivo claro.

Se os soldados de Kanszes resolvessem atravessá-lo iriam sair em um local completamente diferente.

Este ataque de agora noite…

Sim.

Foi planejado a algum tempo.

“Esperem!O que dia-

A esfera saiu ali.

O resultado fora uma catástrofe.

Uma explosão gigante aconteceu destruindo completamente o país sem deixar um único vestígio varrendo todo os 20mil km de Wiu iniciando uma reação em cadeia.

Uma imagem fora da terra mostrou o caos se espalhando como formigas saindo do formigueiro.

Nada.

Apenas uma cratera perdurava onde uma vez Wiu existiu.

Abyssais retém poder para colocar nações inteiras no chão.

Não é uma existência que deve pisar na terra.

—–

O portal a cima de Kanszes foi destruído em um flash de luz dourada liberando partículas.

Orion caiu ajoelhado em cima dos dragões.

Mais um golpe.

Só tinha condições de fazer um ultimo movimento.

Ambas as criaturas…

Começaram a desaparecer.

Não tinha mais como mantê-los nesta dimensão.

“Órion, você…”

Apenas sorriu.

“Obrigado, talvez, esta tenha sido a ultima vez.”

Manter a porta aberta mesmo por esse curto período de tempo tinha um preço extremamente caro se eram duas criaturas de Rank-S do mundo celestial.

Praticamente…

Sua força vital tinha acabado.

Então…

Fechou o punho mais forte.

Se realmente abraçou este destino.

Ainda tinha uma ultima coisa que deveria fazer.

O Abyssal voltou a avançar para frente.

Os dragões, então, finalmente retornaram.

Olhou para seu punho o abrindo e fechando algumas vezes.

Talvez realmente a maldição seja verdadeira e invencível?

Não.

Com certeza não.

Apenas não devia ser por suas mãos.

Se é mesmo real.

Não é ele que deve destruí-la.

Teve flashes de quando colocou a mão na cabeça de Kai.

Apenas sorriu.

“Vamos lá.”

Sua aura branca começou a queimar como um incêndio ao redor de seu corpo.

Seis assas.

Três a direita.

Três a esquerda.

Formada desta aura foram criadas.

Era o estado final.

O estado definitivo dos magos que usam o Aurae.

Explodiu na direção da criatura deixando partículas por onde passava.

Seu corpo fora preenchido por listras vermelhas.

O Abyssal preparou o soco.

Órion também!

“Experimente, monstro!Vá para o inferno e nunca mais volte!”

Novamente colidiram.

Só que fora diferente de todas as outras vezes.

O Abyssal…

Desapareceu.

Fora a magia final de Órion.

O estado final concede ao usuário três magias para o golpe definitivo.

E por isso apenas cinco na história chegaram até tal lugar.

A vitória foi apenas inevitável.

O primeiro, foi um golpe conhecido como “Age Atack”

Isso o permite atacar no presente, passado e futuro ao mesmo tempo.

Podia ir até dois anos tanto no passado e futuro, ou seja, atacou no passado quando o Abyssal estava dormindo, aliás, quando estava dormindo, a mesma coisa no futuro.

Os danos seriam levados ao corpo no presente.

Junto a ele…

Usou a manipulação da probabilidade.

Mudou para 0 a chance dele se defender ou usar qualquer magia e aumentou para 100% a chance do ataque em conjunto com o Age atack funcionar.

Um ataque que age 2 anos no passado e futuro com 0% de chances de defender e 100% de chances de acertar.

Sim.

Um golpe invencível ao qual poderia ser usado com qualquer outra magia para combinar a essas duas ou apenas um movimento mais físico.

E a terceira magia.

Uma que apaga os átomos de qualquer coisa que entra em contato.

O motivo de não ter usado isso antes…

É por que consume a energia vital em um grau imenso.

Uma sentença de morte maior do que ter mantido o portão dos dragões aberto.

Tentou lutar contra a maldição até ver que não poderia derrotá-la.

Mas…

Não.

Não tinha nenhum arrependimento.

Toda a aura ao redor de seu corpo sumiu e estava caindo.

Usou seu ultimo esforço para se teletransportar acima do castelo e cair lá dentro assustando os três.

“ÓRION!!!”

Irion ficou branco.

“Ele…Derrotou Fang, o Abyssal e destruiu o portal…Aquele cara…”

“Mesmo que o terceiro irmão não esteja aqui, e você tenha sido escolhido para reter um link-orgânico com o abyssal…Nunca é bom subestimar o mais poderoso julgador.”

Sim.

Mesmo que tenha dito isso.

Não achou que chegaria a tanto.

Não!

A missão não podia fracassar até esse ponto!

Aproveitou que Sorae estava sem a atenção no mesmo…

Apontou uma arma na direção dela.

Sorriu e disparou.

Não foi uma bala.

E sim um tiro de energia.

Quando se virou e o viu chegando…

Tarde demais!

Fora atingida e jogada de costas ao solo.

“ISSO NÃO VAI FICAR ASSIM!”

Pulou pelo teto destruído e fugiu.

Ela ficou sentada.

Não sentiu nada de errado.

Então decidiu ignorar e correu até Órion.

Imediatamente o colocou em seu colo.

Mas conseguiu perceber de imediato.

Não.

Era impossível que sobrevivesse.

Nem por causa do ferimento que poderia ser curado uma magia.

Mas…

Estava branco.

Sem cor.

Até mesmo seus olhos.

A força vital…

Ia acabar.

E isso não é recuperado.

Por tal…

Começou a chorar das lágrimas pingar.

“Querido…Você…”

Conseguiu notar algo.

E só a fez ficar pior.

Por que?

Por que ele a deu esse sorriso?

De maneira hesitante…

Conseguiu levar a mão até a bochecha de sua esposa.

“Eu quero vê-lo…O Kai…”

Passos.

Olhou para a direita.

E viu Adeko com ele nos braços.

Nada.

Sem dizer uma palavra, se ajoelhou e o colocou em seus peitos.

“Obrigado…”

Levou a mão esquerda a pequena cabeça de seu filho.

“Desculpe, Kai…”

Algumas lágrimas começaram a pingar.

“Mas o papai não estará aqui para vê-lo crescer…”

“NÃO DIGA ALGO ASSIM!”

O grito de Adeko ecoou forte.

Sorae olhou assustada na direção dele.

“POR QUE, ÓRION!?VOCÊ SEMPRE SOUBE DA MALDIÇÃO DESTE PAÍS, NÃO É!?ENTÃO…POR QUE!!?”

Não escondia mais as lágrimas.

“POR QUE CONTINUOU TOMANDO TODOS ESSES CAMINHOS QUE COM CERTEZA O FARIAM FICAR CADA VEZ MAIS E MAIS PRÓXIMO DESSE CENÁRIO!!!?”

Se ajoelhou e começou a socar o chão.

Era visível.

Visível a frustração.

Desespero.

E angustia em cada som.

Mesmo que suas mãos tenham começado a sangrar.

Não iria parar.

“VOCÊ VAI MESMO NOS ABANDONAR?!O QUE EU POSSO FAZER?!ME DIGA, O QUE SERÁ DE KANSZES SEM VOCÊ!!!?”

….

Apenas fechou os olhos dando uma ultima risada.

“Adeko…Você…Vai entender tudo quando for alguém melhor do que eu para este solo.”

“NÃO!EU REALMENTE NÃO PO-

“Você cresceu, cresceu demais em apenas dois anos…”

As lágrimas de Órion pingavam.

“Desculpe…Eu nunca pude estar ali para acompanhar isso de perto, queria sempre tê-lo incentivado mais vezes quando éramos mais jovens, sei que cresceu sempre achando que era um fardo, não, nunca foi, sempre foi forte onde eu não conseguia, realmente nascemos para sermos irmãos com cada qual se completando…”

Devagar…

Levantou a mão.

“Órion…”

Se aproximou e a segurou forte.

“A partir de hoje você é o Rei, meu irmão, não chore, continue vivendo…Viva uma vida feliz e que consiga realizar todos seus objetivos, eu…”

Sorriu.

De maneira sincera pela ultima vez.

“Estarei sempre observando.”

E então.

Este foi o ultimo suspiro.

Sua mão sem vida perdeu toda a força.

Tal como os outros dois Reis que vieram antes.

A frente de seu povo.

O protegendo de um desastre.

Órion Kanszes Lancelot…

Faleceu.

Kai continuava dormindo nos peitos de seu pai.

Silêncio.

Nenhum dos dois falava nada.

As lágrimas de Adeko pingavam no chão sem parar.

Mas…

Algo chamou sua atenção.

Por que?

Uma marca…

Surgiu no ombro de Kai nesse momento?

Sorae estava igual.

O abraçou que não tinha reação.

“Adeko…!Eu sei o que está sentido, e…E…Eu…-

Não.

Por que isso aconteceu?

Uma corrente de dor a fez gritar e cair de costas.

“SORAE!”

Sim.

Só podia ser algo.

Aquela arma!

Adeko também a viu a direita.

Com as pernas completamente bambas…

Ficou em pé.

Se aproximou.

A pegou e ficou branco.

Completamente atônito e sem acreditar.

“O gene do androgênesis…”

Um gene militar criado por Others e que fora depois popularizado no continente.

O principal motivo daquele país ter crescido e virado potência.

Foi criado para retirar o filho homem dos pais e o obrigar a entrar no exército.

Sempre quando a mãe possui um filho…

Ela divide uma parte de sua aura com ele.

É algo natural.

O androgênesis força essa aura da mãe a voltar a ela se estiver muito perto do filho.

E quando está voltando…

Leva junto a força vital do filho.

E possui um link natural…

Se a mãe for infectada…

Um nasce no filho.

E vice-versa.

Assim obrigando a se separarem.

Existiam duas versões deste gene.

Esta acima que era a mais “casual”

E outra.

Que faz tudo da primeira versão.

Porém.

Tem outro efeito horrível.

Sobrecarrega por completo a força vital da mãe, o que além de acelerar o processo de sugar a energia vital de seu filho, a mata também por que essa sobrecarga irá explodi-la de dentro para fora.

Não termina por ae.

Coloca uma “validade” no filho.

Jamais passará dos 20 anos.

Com alguma sorte, chega aos 23.

Pois mesmo que mantenha distancia…

Vai ficando cada vez mais fraco.

E fora essa…

A usada em Sorae.

E que por conseqüência…Infectou Kai pelo link do gene.

Só tem um jeito de “aliviar” a aura da mãe.

Tendo uma filha.

Exatamente.

Visto que o gene não funcionaria nela.

Mas…

Por ter a aura idêntica de sua mãe.

Também vai sugar a energia vital do irmão.

O gene não faria distinção neste caso.

Iria para as duas.

Porém, isso serviria para “dividir” a carga e permitir que a mãe sobreviva.

Os dois ficaram em silêncio.

Claro.

Entenderam na hora o que precisava ser feito para salvar a vida de Sorae.

“Não!!!!Não podemos fazer algo assim!”

“Sorae!”

Adeko se virou em prantos em sua direção.

“Você e o Kai não podem morrer!!!Não podem…!Órion nunca ficaria feliz com isso…!Me deixe, pelo menos uma vez, fazer algo pelo Orion…!”

Se ajoelhou e socou o chão.

“Eu também…Eu também…Vou ser a nova espada desse país..‼Ser forte, como meu irmão foi..‼”

“Adeko…”

—–

E então…

Um ano se passou após o ataque.

Uma criança chorava no berço em Kanszes.

Sorae a pegou no colo e a abraçou.

“Kaori, não chore.”

A batalha contra Others não terminou e após o incidente o ódio só se fez aumentar entre ambos os reinos e as batalhas se intensificaram.

Órion virou uma lenda por ter sido a primeira pessoa do mundo a derrotar um ser abissal e ao mesmo tempo proteger o país.

As pessoas do reino não sabiam se Kai era uma garota ou garoto só o tendo visto uma única vez.

A informação também foi escondida por Órion.

Ninguém precisava saber.

Realmente ninguém.

Fez o parto aquele dia sozinho.

Então…

Kaori herdou com tudo o que deveria ter sido dele enquanto ele foi colocado em uma cidade muito distante para não ativar o gene, sendo assim, ele, Sorae, e Kaori não ficariam se matando.

Claro.

Sorae não concordou.

Nem um pouco.

Foi algo que discutiu com Adeko durante todo o período de gestação.

Queria ir embora com Kaori e deixar seu filho com o que direito era dele.

Mas…

A ouvir o que o Rei verdadeiramente pretendia…

Talvez o risco valesse a pena?

“Veja bem, Sorae, por que hoje existe um avião?Por que hoje existe um navio?Um carro?Existem homens que sempre vivem no limite, podiam morrer por suas invenções e idéias, mas…A questão é, a recompensa compensa o risco?Só tem uma maneira de descobrirmos, vamos jogar o jogo do destino, do jeito que estamos…Não podemos salvar os três, essa opção só se torna valida…Arriscando tudo, precisamos viver os próximos anos no limite, vamos confiar, confiar no Kai, em seu filho, no filho de Órion, alguém que herdou os sentimentos do mais forte de todos os homens.”

Sete anos após a batalha, Perseus foi até Kanzes como um homem formado em seus 26 anos e disse que a batalha terminaria se Kaori aceitasse um casamento com ele.

Se isto acontecesse…

Daria a eles, no grande dia, a cura do androgênesis para os três.

E quando ouviu…

Kaori praticamente implorou que fosse marcado o mais cedo possível.

Porém, só aconteceria quando completasse 18 anos.

Após isso a batalha entre Kanzes e Others terminou e o tempo passou.

Só que algo não funcionou como deveria.

Kai fugiu do Reino um dia antes dessa notícia e nunca mais fora achado pelos próximos 10 anos.

Boatos contam que Perseus o enganou.

—–

Kai andava por uma estrada, na ala dos pedestres, enquanto ao seu lado carros e motos passavam a todo momento.

A noticia sobre o casamento de Kaori e Perseus que aconteceria em poucos meses corria o continente.

Adeko o tinha localizado.

Mas manteve em segredo e falou que não o obrigaria a voltar.

Sim.

A decisão deveria partir do mesmo.

Se não…

Não haveria significado algum.

Três meses Kai, sua irmã vai se casar com Perseus nesse tempo, mas espero que saiba que ele não nutre amor nenhum por ela e nem o contrário, só quer ter acesso ao nosso poder militar e usar para conquistar o continente enquanto ela busca a cura, você é o único que pode parar esse casamento, salvar sua irmã, o reino e parar Perseus, então…Pare de perder tempo!

Apenas deu um sorriso.

Não é como se ele tivesse 1/10 do amor de seu pai por Kanszes.

Afinal, quem poderia culpá-lo?

Caminhava no caminho oposto do país.

A conversa era feita por celular.

Conseguiu o número de seu sobrinho algum tempo atrás.

“O que eu poderia fazer indo até lá arrombando a porta e gritando protesto?Perseus é mais poderoso do que eu tal como a Kaori também por ter tido todo um treinamento descente, e quando ela se casar com ele…Qual o problema?tanto ela como minha mãe vão ser curadas do gene, vão poder levar o resto de uma vida normal, eu sou apenas uma falsa existência, se eu morrer ninguém vai ligar ou sentir falta porque eu não tenho ninguém, não significo nada para ninguém neste mundo, porque uma falsa existência como eu temeria a morte?”

Não.

Adeko não recebeu nem um pouco bem estas palavras.

Ficou irado.

“Elas vão ficar tristes quando eu morrer antes dos 23 vitima do gene sendo que minha mãe só esteve comigo por alguns meses e nunca vi minha irmã?Acho que terão muitas outras coisas a se preocupar do que uma tristeza passageira, afinal…”

Sorriu.

“Elas são da elite mundial, e eu, um mero vagabundo, certo?”

“KAI!PARE DE VER AS COISAS PELO PIOR LADO, É VERDADE QUE O PERSEUS LHE ENCONTROU E COLOCOU MENTIRAS NESSA CABEÇA!??!!?”

“Então eu só vou viver esses últimos quatro anos do melhor jeito que conseguir,  hu, eu não preciso fazer nada, tio, apenas vivam suas vidas felizes enquanto eu sigo a minha.”

“EU VOU DIZER NOVAMENTE QU-

Nada.

A voz se perdeu.

O motivo?

Kai encerrou a ligação.

O colocou no bolso e voltou a andar.

“Aquele moleque..!!!”

Parou em um posto de abastecimento na estrada.

Comprou um hanburguer.

Saiu da loja.

Olhou a direita.

Percebeu um homem se preparando para ligar a caminhonete e sair do estacionamento.

Caminhou até o próprio e pediu carona para a cidade mais próxima.

Aceitou.

Subiu na parte de trás.

“Não quer vir dentro do carro?”

“Não, eu gosto de sentir o vento.”

“Entendo, cuidado para não cair.”

Deu a partida, saiu do posto, e então seguiu estrada a frente.

Kai se sentou, pegou o celular, colocou os fones, abriu o pacote e foi comendo enquanto observava as belas planícies recheadas de vida ao redor.

Deixe rodar.

As rodas do destino começaram a se mover.

A história começa a partir daqui.

Nova Light Novel no Itadaki! – Contos de Ustrael

Olá a todos!

Hoje venho anunciar que mais uma nova light novel, assim como mais um novo autor, está dando as caras no nosso site!

A obra se chama “Contos de Ustrael”, e será escrita pelo Anders, e promete vir com muita ação, aventura e fantasia, trazendo o conto de vários reis e suas respectivas nações, conflitos familiares e incontáveis batalhas predestinadas a acontecer! Confiram a sinopse:

Quando as batalhas realmente começaram nesse mundo? É algo impossível de se dizer. Pois não importa em qual livro se olhe, mesmo os registros mais antigos da história da humanidade datam batalhas.

Muitas vidas continuam sendo diretamente afetadas pelo conflito ao qual parece que permanecerá gravado no solo enquanto existirem pessoas diferentes que em nome de sua proposta de paz a usam como simples desculpa para buscar seus objetivos e colocar o mundo inteiro a seus pés.

E é a partir desse pretexto, desse mundo em constante mudança, que a história dos escolhidos à escreverem seus nomes no livro em branco do futuro…

Tem início.

Atiçou sua curiosidade? Então, não perca tempo e dê uma olhada! Mesmo que não tenha sido o caso, vale a pena ler os primeiros capítulos e ver que tipo de primeiras impressões você terá, não custa nada!

A pedido do autor, o prólogo e o capítulo 1 serão postados logo logo, e após isso seguirá lançando semanalmente.

Boa sorte ao novo escritor!

Eraba Remashita – (Volume 1, Capítulo 3)

Capítulo 3

 

 

 

Aviso pós hiatus:

 

Caros leitores, primeiramente, antes de iniciar esse novo capítulo, gostaria de pedir minhas sinceras desculpas pelo tempo sem publicar decorrido de um problema de saúde e também de alguns problemas na faculdade.

Agora estou de volta e melhor do que nunca, sem mais pausas e com um maior conhecimento sobre as light novels e uma melhor escrita. Para isso, farei algumas mudanças na forma como contarei essa história, por exemplo a narrativa que passará a ser em primeira pessoa, combinando mais com o estilo das novels.

Além disso, pretendo encaixar alguns desenhos dos personagens na obra, desenhos que estão sendo feitos com muita qualidade por um amigo meu, Lucas Prado, espero que gostem tanto quanto eu.

Enfim, é isso que eu queria dizer, agora posso seguir com o capítulo, espero que gostem, me esforçarei ao máximo para melhorar cada vez mais e compensar o tempo perdido.

 

 

 

Realm of Swords

 

Assim que abri meus olhos, me deparei com uma linda e imensa paisagem de montanhas, cheia de árvores e flores diversificadas, além de um céu com diversos tons diferentes de cores quentes. Isso porque ele era iluminado por dois sóis, algo que era realmente incrível e que fez com que eu não acreditasse que aquilo era real.

 

Apenas após alguns minutos parado e observando aquele magnífico lugar, que me lembrei de Kanisa. Quando olhei para o lado e à vi, percebi que ela ainda estava paralisada observando o horizonte ainda mais impressionada do que eu fiquei.

 

Pouco depois, quando ela finalmente percebeu que havia ficado um bom tempo parada ali e me viu encarando-a, levou um baita susto e deu um passo para trás. Nesse momento, percebi que ainda estava de mãos dadas com ela e comecei a ficar vermelho e Kanisa logo em seguida percebeu.

 

– Até quando pretende segurar minha mão e me olhar desse jeito, seu pervertido! – disse ela mais vermelha do que eu, logo ao perceber.

 

– Hã? Como se você tivesse tentado soltar em algum momento, só fiz isso para nos teletransportar, do contrário, nunca ficaria de mãos dadas com você – virei-me e comecei a andar. – Se ficar parada aí irá se perder, idiota.

 

Então ela começou a me seguir de uma certa distância, aparentemente brava, mas já que isso ocorre com frequência, não liguei e continuei andando, andando, andando.

 

Droga, estou perdido.

 

Apesar de ser um lindo lugar, o qual eu não me importaria de ficar o dia inteiro observando, percebi que estávamos no meio do nada, sem contar que eu mal lembrava da visão que tive desse mundo.

 

– Por acaso você sabe onde está indo? Estamos perdidos não estamos? – Disse ela num tom sarcástico.

 

– C-c-claro que não. Eu sei exatamente onde estamos indo, agora dá pra deixar eu me concentrar?

 

– Mmm, você que sabe, não fui eu que nos trouxe pro meio do nada mesmo.

 

Eu já estava perdendo a paciência com os comentários dela, mas dessa vez decidi ficar em silêncio porque ela estava certa. Apesar de ser minha melhor amiga, sempre brigávamos, acredito que era por ambos gostarmos de provocar um ao outro.

 

Ficamos andando por horas e apenas um dos sóis havia baixado, mas mesmo assim não fazia muito calor, era um clima bem agradável, mas mesmo assim tanto eu quanto Kanisa estávamos exaustos. Ela aliás ficou reclamando o tempo todo o que me deixou mais cansado ainda.

 

– Espera, o que é aquilo lá na frente? – Olhei para trás para ver se Kanisa conseguia enxergar, afinal a visão dela era bem melhor que a minha. Mas ela já não estava aguentando me acompanhar mais e estava um pouco longe ainda, então decidi esperá-la um pouco e descansar.

 

– O que você disse Caed? – Disse ela exausta ao me alcançar.

 

– Acho que tem algo mais à frente, antes daquelas montanhas.

 

– Calma, parece que há algumas pequenas casas ali. Um vilarejo talvez. Espero que tenha algo para comer.

 

– Afinal você só se preocupou em trazer roupas em vez de trazer água e comida. Sem contar que comeu tudo que eu trouxe, espero que engorde.

 

– Mas você só sabe reclamar hein…

 

Fazer uma missão para salvar um mundo, beleza, deixa comigo. Agora ter que aturar essa garota 24 horas por dia vai ser difícil.

 

– Bom Kanisa, chega de descansar, vamos continuar logo para ver esse lugar. Ande perto de mim agora, nunca sabemos o que nos espera lá.

 

– Estou indo…

 

Apesar de ter dito isso para alertá-la, na verdade o que eu realmente estava pensando é se haveria magos, garotas com orelhas de gatos, dragões e eu não estava preocupado, mas sim torcendo pra que realmente houvessem.

 

Então voltamos a andar, em direção ao que parecia ser um pequeno vilarejo e com uma grande curiosidade sobre o que iríamos encontrar por lá, mas por mais que estivéssemos ansiosos, era preciso ter cuidado.

 

Quando estávamos a apenas 50 metros, nos escondemos atrás de algumas pedras que haviam no caminho e começamos a observar. O lugar era maior do que eu imaginava, um vilarejo que lembrava as cidades de antigamente, algo bem subdesenvolvido, porém bem chamativo.

 

Haviam poucas casas, o que mais se destacava, eram as diversas barracas lotadas de objetos que aparentemente estavam à venda. Acredito que seja um lugar voltado para os comerciantes, algo bem mais comum do que eu imaginava.

 

– Vamos Kanisa, acho que não é perigoso.

 

– S-sim.

 

Pelo menos ela estava me escutando quanto à isso. Apesar de sua personalidade, Kanisa parecia estar bem aflita, imaginando tudo que poderia ocorrer daqui pra frente. Uma bipolaridade tremenda. Uma hora me provoca, outra hora está sensível. Vai entender…

 

Entramos na cidade e de início parecia tudo normal, mas quando reparei nas pessoas que ali estavam, se é que posso me referir dessa forma, meus olhos começaram a brilhar de entusiasmo. Eram criaturas de todos os tipos, com rostos exóticos, tamanhos diferentes, alguns com orelhas estranhas e até mesmo rabos, eram tantas coisas peculiares em cada um, que nem sei direito como descrever. Esse com certeza era o dia mais feliz da minha vida.

 

– Caed, você está vendo as mesmas coisas que eu?

 

– Estou sim, não acredito, mas estou sim.

 

– Acho que nesse lugar, nós que somos os estranhos, de qualquer forma vamos passear por aqui e ver o que enc… – Dizia Kanisa até ser interrompida.

 

– Hey vocês dois – disse uma moça que tinha um olhar bem forte, cabelos longos e coloridos, muito linda por sinal, mas parecia ser mais velha, uma pena –, parecem estar perdidos, se precisarem de informações venham comigo, eu posso vendê-las por um bom preço.

 

– Vender informações? Desculpa mas não temos dinheiro. – Aliás eu não faço nem ideia da moeda utilizada por aqui. Bom, pelo menos a linguagem eu entendi.

 

– Esse é um dos centros de comércio desse reino, não conseguirão nada de graça. Mas podemos negociar, podem oferecer uma troca ou me fazer um favor se quiserem.

 

Já que precisávamos de informações para seguir em frente, decidi dar algo por elas. Por ser um lugar que não parecia ter tecnologia, peguei meu relógio de pulso e mostrei para ela.

 

– Olhe, o que acha disso?

 

– Eee, o que é isso? – Ela ficou observando aparentemente bem curiosa.

 

– Bom, é um aparelho mágico muito raro, que consegue ler as horas e sempre que há algo prestes a acontecer ele começa a apitar. Além disso ele acende luzes para você enxergar no escuro, possui um guia que te leva à tesouros e ainda lhe dá proteção contra água. – Talvez eu tenha forçado um pouco a barra, principalmente quanto à bússola e quanto a ser a prova d’àgua, mas o importante é que ao ver o relógio disparar o alarme de repente, ela acreditou em tudo que eu disse.

 

– Mas isso parece muito valioso garoto. O que você quer em troca disso?

 

– Eu preciso apenas que você me dê todas as informações que eu irei lhe pedir.

 

– Queremos água e comida também – completou Kanisa.

 

– Mas você não perde uma oportunidade hein Kanisa.

 

– Venham comigo então – disse a linda moça –, lhes levarei até minha casa, não quero que outros ouçam minhas informações.

 

Seguimo-la pelo vilarejo, cada vez mais encantados com o que víamos. As barracas com objetos à venda, tinham itens que eu não fazia ideia do que eram e cada uma com um vendedor de raça diferente.

 

A casa da “informante” era uma das últimas e a única que era grande naquele lugar. Apesar dela parecer uma pessoa gentil eu ainda estava hesitante quanto a entrar, poderia talvez ser alguma armadilha para viajantes, mas decidi ir até o fim.

 

– Então, de quais informações vocês precisam? Eu sei de quase tudo que acontece por aqui, então podem perguntar o que quiserem – disse a moça enquanto nos servia comida e bebida.

 

– Errr… bom, nós somos viajantes de um lugar muito distante e não sabemos muito sobre o lugar onde estamos agora, então pode nos dizer mais sobre esse reino que você mencionou, sobre esse mundo e sobre as pessoas que vivem nele? Além disso, a aparência de praticamente todos aqui é diferente das pessoas de nossa cidade natal, por que isso?

 

Enquanto eu perguntava, Kanisa se preocupava apenas em comer, nem prestava atenção no que eu dizia. Realmente não sei como ela podia ser tão magra.

 

– Vocês parecem realmente bem curiosos hein. Primeiramente, deixe eu me apresentar, meu nome é Akemi.

 

– Ake-chan? Bem, meu nome é Caed e essa é minha amiga Kanisa. – Assim como ela havia mencionado apenas um nome, não sabia se era o primeiro ou o segundo, então decidi não me preocupar muito com isso. Até porque por ser estrangeiro eu sempre me confundi com isso.

 

– Pode me chamar assim mesmo – disse ela com um sorriso, e que sorriso. – Bom, agora lhe respondendo, esse mundo é composto por cinco reinos. O primeiro reino, o reino das espadas; o segundo, o reino dos magos; o terceiro, o reino místico; o quarto, o reino sombrio e o quinto, esse no qual estamos, que é o reino dos plebeus. Pela sua espada, você deve ter vindo do reino das espadas certo?

 

– Errr, isso mesmo, nós viemos de lá para aprender sobre os outros reinos. – Uma mentirinha de leve já que não achei conveniente contar de onde realmente eu e Kanisa somos.

 

– Enfim, continuando então. Os reinos estão classificados pelo poder de cada. No primeiro reino, como você já deve saber, há os guerreiros, plebeus bem fortes que possuem espadas especiais e que se dedicam à lutar para conseguir poder para seu reino. Por ser o reino mais forte, eles mantêm a ordem entre os outros reinos, sempre interferindo em guerras. O segundo, assim como o nome diz, é onde aqueles que nascem com poderes mágicos estão.

 

Após escutar isso, até mesmo Kanisa começou a prestar mais atenção à conversa.

 

– O terceiro e o quarto são separados por criaturas místicas do bem e do mal respectivamente, como fadas, elfos, monstros, duendes – continuou Akemi, enquanto eu ficava cada vez mais surpreso com esse mundo. – E por fim, o quinto é onde as pessoas comuns e pacíficas vivem. Esse é o único reino onde habitantes dos outros reinos podem entrar sem causar intrigas, porém apenas nos limites, onde se encontram os centros de comércio como esse. Nesses lugares que são feitas as negociações entre os reinos, como trocas e vendas. Aqui vocês podem encontrar pessoas de diferentes raças, eu por exemplo sou uma maga.

 

– Que? Quer dizer que você pode usar magia, mas está trabalhando como uma informante? – disse Kanisa se metendo na conversa.

 

– Sim, afinal eu nasci nesse reino e como minha família mora aqui, eu não quis ir embora, então decidi vir para esse centro comercial. Mas não ache que eu faço mal uso da magia. Persuasão, telepatia, clarividência, meus poderes se adequam perfeitamente ao que eu faço, consigo toda informação que quero, então sou bem conhecida e muitos pagam uma fortuna para ter minhas informações – respondeu Akemi de forma bem orgulhosa.

 

– Espera, se você tem o poder da telepatia então você pode ler minha mente? – Eu nem estava ligando muito pra ela saber sobre minha origem, mas estava meio envergonhado com a possibilidade dela saber que eu estava reparando na beleza dela.

 

– Não se preocupe rsrs, eu só utilizo meus poderes quando há um pedido de alguém para que eu consiga algumas informações.

 

Eu achei que ia ser difícil eu me surpreender depois de tudo que já havia acontecido, mas eu estava completamente errado. Mesmo eu vendo tudo aquilo, está difícil de acreditar no que Ake-chan diz, mas a verdade é que apesar da surpresa, isso é sensacional, é um sonho que se torna realidade.

 

– …Ok, estou começando a assimilar isso. Então você é uma maga e esse mundo tem diversas criaturas. Isso é maneiro. Mas posso fazer apenas mais uma pergunta?

 

– Bom, geralmente eu só respondo uma coisa, mas contanto que se enquadre no mesmo assunto, pode perguntar sim.

 

O que faltava era o mais importante, a informação que eu precisava para iniciar minha missão.

 

 

 

Até o próximo capítulo. ^.^

PARAGOBALA CAPÍTULO 19 – NOVA CASA

Paragobala – Capítulo 19 – Nova casa


O Pastor terminava mais um culto, e se despedia de cima de seu palanque dos fiéis. Fez um sinal para uma mulher ao fundo, pedindo para ela se aproximar. Ela veio ao seu lado, e ele continuou acenando até que a última pessoa tivesse saído da igreja. Só então ele se virou a mulher, que aguardava ansiosamente a palavra dele.

– Rosemari, muito obrigado por ter vindo. Como você está? – perguntou já segurando as suas duas mãos.– Estou muito bem Pastor! Desde que eu comecei a conversar com você…abandonei a minha vida antiga. Sou uma nova mulher, uma que Deus e Jesus aprovam.
– Com certeza. Tudo é perdoado quando se aceita Jesus no coração. Inclusive…o Senhor tem uma chamado para você Rosemari…um chamado para fazer o bem, para ajudar os outros assim como você teve ajuda. “E não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque com tais sacrifícios Deus se agrada.” – recitou o versículo de Hebreus 13:16
– Claro! – disse a moça surpresa.

O Pastor colocou sua mão nas costas de Rosemari e a encaminhou a uma mesinha para sentarem e conversarem.

***

Agha parou de digitar e olhou para os lados. Nem Bal, nem o promotor Vincent estavam nas suas mesas. Havia chegado a 2 horas, e desde então não teve sinal algum dos seus companheiros. Ficou receoso que a ausência de Bal tivesse alguma ligação com a discussão que eles tiveram durante o almoço do dia anterior. “O sujeito é maluco mas espero que não tanto” pensava para se tranquilizar. Já a ausência de Vincent, era algo mais costumeiro. O promotor já havia deixado de ir trabalhar várias vezes, além das longas ausências. “Esse vem quando quer…faz o que quer, e deve ser um dos primeiros a reclamar de políticos e xingá-los de corruptos e vagabundos”.

Trabalhava em mais um caso em que via que não daria em nada. Outro arquivamento. Mas sabia que o promotor não se contentaria com isso, e quebrava a cabeça para encontrar outra solução.

Energicamente, Vincent entrou na sala, visivelmente animado.

– Boa tarde Agha. Estava na delegacia acertando algumas coisas com o delegado.

“ A sua fatia?” – pensou maldosamente. Porém, apesar dos pontos negativos que havia identificado em seu chefe, não lhe parecia corrupto, mas ele nunca colocaria a mão no fogo por ele. “Esse pessoal que acha que pode tudo e que é herói, sempre tem um teto de vidro”.

– Sabe alguma coisa do Bal? – perguntou Vincent, que agora já estava sentado a sua mesa.
– Não deu as caras…e nem avisou nada – respondeu Agha.
– Estranho…de uma ligada pra ele, tenho o telefone aqui.

Vincent anotou em o número em um papel e deixou na mesa de Agha. O pedido o irritou. Não constava nas suas atribuições servir de secretário ao promotor. Muito menos, queria falar com Bal, devido a discussão do dia anterior. Contrariado, pegou o número e ligou. Deixou o telefone tocar 6 vezes e desligou. Em seguida tentou mais uma vez, sem sucesso.

***

Bal enxergava apenas uma imensidão escura. Ao longe ouvia um barulho. Ele parava e continuava. Sempre igual, como um apito. Cada vez mais forte. Até que repentinamente ele acordou assustado, e percebeu que o telefone estava tocando. Ele ainda estava na poltrona. Ao acordar uma garrafa de vidro vazia caiu da sua mão. Ela bateu no chão e depois rolou para o lado, sem quebrar. Bal fez menção de se levantar e sentiu uma pontada de dor forte na cabeça. Levou uma mão a testa, e pensou “ é a ressaca”. O telefone continuou a tocar por mais um tempo, e, finalmente parou. Bal sentiu alívio pelo som cessar, e esticou o braço para pegar o celular que estava na mesa. Olhou para o horário : 3 da tarde. “Merda!” pensou. Novamente tentou se levantar, e desta vez conseguiu, mesmo sentido uma grande dor. Foi caminhando vagarosamente até o chuveiro. Tirou a roupa com dificuldade, e entrou debaixo da ducha fria. Enquanto era impactado pela água fria, começou a se lembrar da noite anterior. Tudo foi voltando aos poucos. O jantar romântico, a transa, a discussão com Clara e finalmente o porre que tomou ao chegar em casa. “Merda!” repetiu, dessa vez em volta alta.

Depois de tomar banho se sentou na sua cama, já se sentindo um pouco melhor. Odiava faltar ao trabalho. Se sentia necessário no fórum e considerava a sua posição importante. Indo trabalhar sempre, sem exceções, se sentia uma pessoa responsável e honesta. Jamais iria confessar que perdeu a hora devido a bebida, e começou a pensar em uma desculpa. E então uma ideia surgiu a sua cabeça. “Vou me mudar de casa hoje!”. A mudança estava agendada para o final de semana, mas faria um esforço para realizá-la naquele dia. Desde que Caolho apareceu na porta de sua casa, ele já não sentia que aquele lugar era seguro. Para muitos poderia parecer paranóia, mas na cabeça do Doutor, era simples lógica e uma maneira de se proteger.

Começou a empacotar tudo. Sabia que não tinha muita coisa para levar, não era dado a extravagâncias e comprava apenas o necessário. Sua casa era pouco decorada e os espaços vazios predominavam. Ele tinha dificuldades para se prender a pessoas. A objetos, era mais difícil ainda. No inicio da sua fase adulta, quando achou que certas histórias em quadrinhos estavam apenas ocupando um espaço desnecessário em sua casa, Bal simplesmente foi a um terreno baldio, jogou as revistas no chão e derramou álcool nelas, para por fim, acender o fogo. Sem pestanejar, ele queimou as mesmas revistas que foram a sua fuga da realidade e fonte de esperança na difícil juventude. Se livrara de objetos com até mais facilidade com que cortava sua relação com pessoas. Se não serve mais, pode ser descartado, e com esse mantra, pesava as suas decisões.

Lembrou subitamente que tinha combinado com o seu irmão para fazer a mudança no sábado, e precisava avisá-lo que já a faria hoje e não precisaria de ajuda. Por ele ser o seu irmão, era o único membro do grupo que ele se contava por telefone e permitia a visita em sua casa. Dois irmãos se encontrando não gera suspeita alguma. Parou o que estava fazendo e enviou uma mensagem ao Pastor avisando da mudança de planos.

***

Schneider deu um soco na mesa. Sua expressão demonstrava o inferno em que vivia. Tinha olheiras e um olhar cansado. O seu cabelo, que sempre estava perfeitamente alinhado, estava bagunçado. Trabalhava sem descanso, fazendo ligações e andando muito pelas ruas para tentar restabelecer toda a rede de Bezerro. A tarefa, no entanto, se demonstrou muito mais difícil do que sua expectativa inicial. Quando achava que havia feito algum progresso, a pessoa com quem tinha estabelecido contato simplesmente sumia. Precisava de sargentos que trabalhassem para Bezerro, e que controlassem regiões localizadas da cidade. Sem eles, as brigas locais entre traficantes explodia. Sem musculatura operacional, o mero nome de Bezerro pouco contava. Nas ruas, o que sempre prevalecia, era a força. E, ele reconhecia que o próprio nome de Bezerro ainda não era tão forte. Precisa de muito mais tempo para se estabelecer. Ele chegou como um furacão, uma força nova e potente na região, mas estava longe de criar uma dinastia.

Schneider ainda tinha esperança de recuperar o status perdido de seu chefe, pois o aporte financeiro que o grupo possuía ela muito grande. Com dinheiro, tudo era possível. Sua dificuldade era encontrar pessoas ideais e mantê-las por perto. Começou a desconfiar que alguém estava agindo contra eles. Desaparecimento de pessoas, e até de produto, era algo comum nesse submundo. Mas não na quantidade em que estava ocorrendo. Aquilo era o trabalho de alguém muito ardiloso, com objetivo claro de prejudicar e desestruturar o grupo. No entanto, até agora, não tinha nenhuma pista, e estava realizando todo esse trabalho sozinho. Estava cansado, desgastado e com poucas ideias.

Bezerro ainda se recuperava, e apenas reclamava e cobrava resultados. Estava de cama, e Schneider desconfiava que quando ele voltasse a ativa, só iria dificultar mais o seu trabalho. Vândalo estava já andava, mas pouco tinha a oferecer no campo estratégico. O usava apenas como um assistente, uma mão de obra em que ele confiava, e claro, como um martelo quando precisava esmagar alguém.

Fez mais uma ligação.

– Chefe?
– Cadê o Vanderlei – perguntou Schneider
– O Vanderlei não aparece faz 2 dias aqui, chefe. Eu assumi por enquanto…

Merda! Esbravejou e desligou o telefone, em um surto de raiva.

***

Agha já havia ido embora, e Vincent estava sozinho em sua sala. Tinha dificuldades de se concentrar, pois não parava de pensar no suspeito que a polícia agora já estava procurando. Sabia que as chances dele ser identificado tão rapidamente eram ínfimas, e por mais que achasse um sentimento infantil, não deixava de ficar na expectativa de alguma ligação com novidades. Percebendo que não faria nada útil ali, pegou suas coisas e saiu. Iria até o bar onde Nédio e Junior haviam presenciado o ataque a Carlos, fazer algumas perguntas.

Chegou lá rapidamente e adentrou ao lugar. Não era um estabelecimento onde ele passaria o seu tempo. Era sujo, mal conservado e os frequentadores lhe causavam certa repulsa. Vários homens bêbados, mulheres que eram visivelmente prostitutas e gente mal encarada. “Aposto que aqui tem muita gente com passagem”. Chegou no balcão, e, a contra gosto pediu algo para beber. Recusou as bebidas alcoólicas e na falta de suco, aceitou um copo de água. O atendente do balcão era um clichê ambulante. Um senhor corpulento e de bigode, com pouco cabelo e mangas arregaçadas.

– Aqui está o seu copo de água – e deixou na frente de Vincent
– Muito obrigado…deixa eu te perguntar uma coisa senhor. Você trabalha aqui a muito tempo?
– Muito tempo? Mais de 20 anos!
– E conhece bem a freguesia?
– Bom, temos alguns clientes mais fiéis e outros que só vem de vez em quando. Fazemos amizades com alguns caras ai…e com algumas também – e riu

Vincent forçou uma risada também. Aquele papo de boteco sujo com aquele tiozão não eram o tipo de atividade que ele tinha muita vivência, ou que gostava.

– Sou novo por aqui na cidade…mas já vi cada figura. Outro dia me deparei com um sujeito que tinha o braço inteiro marcado…cheio de riscos.

Imediatamente, o senhor que parecia ser bonachão, fechou a cara para uma expressão séria. Pegou um copo do de algum lugar, e começou a secá-lo com um pano, sem olhar diretamente para o promotor. Vincent percebeu o incômodo. “Ele sabe” pensou de forma animada.

– Gente assim eu nunca vi não. Pelo menos por aqui.

Já esperava a negação, e veio preparado. Faria qualquer coisa para obter os seus resultados. Primeiro tentaria a forma mais agradável para o sujeito.
– Olha…eu realmente queria saber mais sobre esse sujeito. Nunca viu ele por aqui não?
-Já disse que aqui nunca vi – respondeu ríspido
– Tem certeza – e então empurrou 3 notas de 100 pelo balcão.

O senhor olhou assustado para aquilo. Depois olhou para os lados, como se estivesse procurando alguém.

– Não sei o que você quer…mas é melhor se retirar daqui! Esquece essa história e guarde o seu dinheiro.

A negativa o irritou. “Que seja” pensou.

– Seu João – falou, agora mudando o tom para algo mais sério – sei que trabalha aqui a muito tempo, na verdade você é o proprietário disso aqui.

João parou de secar o copo, e agora encarou Vincent. Tentou fazer uma expressão firme, mas qualquer um com percepção um pouco apurada perceberia que ele estava tenso.

– Esse lugar não tem autorização da brigada de bombeiros e nem da vigilância sanitária. E dando uma rápida olhada aqui, sei que o lugar não seria aprovado por nenhum dos dois. Tenho como fazer que eles baixem aqui amanhã. E tenho também poder para fazer com que eles nunca venham aqui. Mas isso depende muito do que vamos conversar nos próximos minutos.

Vincent havia pesquisado anteriormente tudo sobre o estabelecimento. Mas ele não pretendia realmente denunciar o proprietário, e muito menos protegê-lo de fiscalização nenhuma.

João engoliu seco, olhou para os lados novamente, e então se aproximou e falou baixo.

Não sei muito sobre ele. As vezes vem aqui sozinho, e outras com uns amigos. Tem quem diga que ele é um índio, que foi expulso da tribo dos Kaapor. Outros falam que é um ex-presidiário e que já matou muita gente. Mas pode ser tudo mentira só boatos. Só sei que já vi ele brigar nesse bar, a muito tempo atrás, e ele espancou um homem com o dobro do tamanho dele. O coitado quase morreu. Ninguém sabe muito sobre ele e ninguém quer saber.

– Me fale mais sobre esses amigos dele.
– 
É uma turma, vem aqui esporadicamente. 5 ou 6 homens eu acho.
– Me conte absolutamente tudo que você lembra desses homens. Tamanho, aparência, qualquer detalhe.

***

Bal estava deitado, já em sua nova casa. Estava repousando depois de todo o esforço da mudança. Começou a lembrar de sua noite com Clara. Constatou que a parte boa do prazer de desvirginar uma garota vinha do antes e do depois. O antes pela excitação e curiosidade, o convencimento e a luta, para fazer a garota se entregar a você. No caso de Clara, tinha um componente a mais: ela tinha que abrir mão da coisa mais importante para ela, Deus, por ele. Ou, como ele gostava de pensar, pelo seu pau. O depois, pelo orgulho de ter conseguido, a sensação de que você é um mago das mulheres, e ter ali mais uma figurinha rara na sua coleção. Mas o durante, o ato em si, era bem sem graça. Não foi memorável e estava longe das melhores relações que ele já tivera. Porém, devido a sua seca, foi o suficiente. Um barulho o libertou de seus pensamentos. O som vinha do corredor. Se levantou e foi até lá. Viu uma mulher segurando uma grande caixa, cheia de objetos. Logo deduziu que era uma mudança, e o som que ouviu foi de um objeto caindo da caixa. Rapidamente foi até ela e segurou a caixa.

– Muito obrigada! – disse a mulher.

– Para onde levo essa caixa – perguntou Bal.

A mulher apontou para uma porta.

– Ora, ora…então você será a minha vizinha.

Bal colocou a caixa na frente da porta do apartamento, e depois foi até a mulher. Enquanto caminhava, deu uma bela olhada nela. Sua análise do corpo feminino era metódica. Inicialmente olhava a bunda e o tamanho da cintura: era atraído por mulheres de cintura fina. Depois analisava as pernas, e por fim, os peitos. Como estava de frente, olhou primeiro a cintura, depois as pernas e por fim os peitos. Era uma mulher do jeito que ele gostava. Possuía o famoso corpo violão: tinha um tamanho de peito razoável, um pouco acima da média, o corpo se afinava na cintura para depois se alargar novamente na região dos quadris e pernas. Algumas mulheres com esse tipo de corpo tinham tendência ao sobrepeso, mas esta em questão, estava rigorosamente em forma. Bal considerava um rosto bonito apenas uma alegoria a mais, porém essa mulher também o tinha. Olhos verdes e cabelos pretos. Não era exatamente um rosto delicado, mas emanava um ar misterioso e até selvagem. Só por uma olhada rápida Bal imediatamente supôs que essa mulher tinha uma boa experiência sexual e que adorava sexo. Isso o excitou imediatamente.

Quando se aproximou dela, disse:

– Meu nome é Bal, vizinha. Muito prazer.

– Obrigada novamente pela ajuda! Meu nome é Rosemari.

PARAGOBALA – CAPITULO 18 – RETRATO FALADO

PARAGOBALA – CAPITULO 18 – RETRATO FALADO

– Fale mais sobre esse Júnior.

– Ele é…diferente – disse Nédio, pensativo, e com dificuldade de encontrar as palavras corretas para descrever o seu cliente.

– Como assim? – retrucou Vincent, ávido por respostas

– É uma pessoa singular, nunca conheci ninguém parecido. Ele é sonhador, inocente e solitário…tem uma grande imaginação, e as vezes, penso que tem dificuldades para aceitar e compreender a nossa realidade…como se ele vivesse no seu próprio mundo.

– Esse cara é maluco? – perguntou com preocupação. Desejava uma testemunha com faculdades mentais plenas.

– Não! Quer dizer…acho que não? Ele tem emprego, uma casa…não toma remédios…pelo que eu sei. Ele só gosta de contar histórias e fantasiar. O que ele quer é só um pouco de carinho.

“Ótimo. Parece ser um doente” – pensou o Pelicano.

– Ok Nédio. Muito obrigado por tudo. Te ligarei se precisar de alguma coisa, e vou entrar em contato com o Júnior.

– Espero que ele colabore, mas não sei, acho que ele pode negar tudo! Ninguém sabe que ele tem esse tipo de encontro comigo…

“Em outras palavras, ele é enrustido” – concluiu o promotor.

– Não se preocupe, vou dar um jeito.

***

Bal se encarava no espelho do banheiro do fórum, com o rosto molhado, depois de o lavá-lo.

“ Não acredito que perdi o controle por causa de um moleque inútil como aquele! Mas que merda!”. E deu um soco na pia de pedra. “Estou com os nervos à flor da pele, prestes a explodir”. “Sinto falta da bebida…como sinto! E do sexo…qual foi a última vez que fiquei sem transar!? E também…a quanto tempo fiquei sem matar ninguém? Não! Não! Nunca matei por satisfação pessoal, fiz para salvar a cidade. Não sinto falta nem dependo disso. Tenho que dar um jeito na minha situação.”. Ficou estático por longos 30 segundos, com sua mente trabalhando em um turbilhão de pensamentos. Até que levantou a cabeça e sorriu levemente na frente do espelho, já sabendo o que faria. Tirou o celular do bolso, ligou para Clara, e marcou um encontro a noite.

***

Antonio xingava enquanto segurava um processo.

– Porque essa merda voltou!? Esse promotor acha que aqui é o CSI? – esbravejou, sozinho na sala. Era o caso da mulher que havia sido encontrada com o ânus cauterizado.

As evidências contra os garotos presos são insuficientes. Recomendo uma nova investigação para acharmos novos suspeitos

– Filho da puta – continuou reclamando. Se achou insuficiente deveria ter arquivado.

Pegou o telefone e chamou um policial.

– Sidney, sabe o caso da mulher encontrada próxima da estrada? Vai pra lá, entrevista umas pessoas lá por perto, documenta tudo e trás pra mim. Ai o promotor não enche o saco.

Antônio estava mais preocupado com outro caso. O ataque a base de Bezerro do Acre. O traficante estava fragilizado, e era a melhor oportunidade de tirá-lo do poder e voltar a lucrar com o tráfico de drogas. No entanto, o que lhe preocupava era justamente o novo promotor. Ainda não o conhecia bem. Por isso tinha montado um plano que julgava estar acima de qualquer suspeita. Uma pessoa ligaria para a delegacia reportando um assalto, a polícia chegaria, tiros seriam disparados pelos assaltantes, e a polícia apenas reagiria. Tudo isso geraria um grande tiroteio que iria escalar até a morte de Bezerro. Ele se achava muito inteligente por ter bolado aquele plano. Os últimos ajustes estavam sendo feitos e a ação aconteceria em breve

***

Vincent aguardava dentro do carro, na frente de uma academia. Era o lugar onde havia combinado de encontrar Júnior. Já conhecia a aparência dele, após uma pesquisa no Facebook. O resultado da pesquisa foi um pouco perturbador. No perfil, haviam dezenas de comentários de jovens mulheres. No entanto, não foi difícil de perceber que eram perfis falsos, provavelmente criado pelo próprio Junior. Nos posts, frases que faziam pouco sentido, e uma veneração a um personagem de quadrinhos. Ficava cada vez mais preocupado, com dúvidas se aquele homem teria capacidades de lhe prover um relato coerente e confiável. Logo identificou a figura vindo: tinha por volta de 1,80, pele bem clara, musculoso e com um corte de cabelo peculiar, repartido na frente, fazendo com que uma franja despencasse sobre o rosto. Lhe lembrava o psicopata interpretado por Javier Bardem em Onde os fracos não tem vez. “Espero que esse não seja tão maluquinho quanto”.

Vincent saiu do carro, colocou os seus óculos escuros, e o aguardou. Acenou para Junior, que veio em sua direção. Se comprimentaram rápidamente, e já entraram no carro. O Pelicano logo deu partida, e então, informalmente, começou o seu interrogatório.

– Muito obrigado por se colocar à disposição.

– Tudo que eu puder fazer para ajudar na luta da justiça contra os bandidos eu farei! Todos estão cansados da situação injusta desse país, que prejudica os honestos e bons trabalhadores.

– Eu estou investigando o desaparecimento de um homem. Carlos Henrique Becker. Eu acredito que você tenha presenciado algo importante. A foto dele está no porta luvas.

Junior pegou a foto e olhou com atenção. Ficou calado por alguns instantes. Vincent percebeu que era óbvio que ele reconheceu a imagem, mas provavelmente não estava a vontade de falar sobre as circunstâncias que lhe permitiram ver Carlos.

– É…não sei não – respondeu, inseguro.

– Carlos era um pai de família. Filha e esposa o procuram até hoje. Todas as investigações estão em becos sem saídas…pela primeira vez em meses conseguimos uma pista – argumentou Vincent, misturando realidade e ficção.

– Talvez eu tenha visto alguém parecido, mas não me lembro muito bem…

– Deixe eu te ajudar. A um tempo atrás…em um estacionamento de um bar…

– Ah sim! Eu estava lá, com minha ex-namorada, Jéssica!

– E lembra mais o que? – incentivou Vincent, mesmo sabendo que Junior estava mentindo.

– Bom…estávamos no carro…namorando. Eu queria ir a um motel mas ela estava impossível, me agarrou lá mesmo! Eu dou duro na academia, e você sabe que é disso que elas gostam. Homens sarados, bonitos e definidos.

Vincent apenas concordou com a cabeça.

– Agora estou me recordando. Eu estava no volante, quando ela segurou o meu braço e o colocou no seio dela. Eu disse “calma Jéssica, vamos para um lugar mais confortável”. Ela me ignorou, e agarrou as minhas partes intimas. Então eu apontei para o banco traseiro, e atravessamos o carro até lá. Logo me acomodei, e ela começou a abrir minha calça e…acho que foi aí que percebi alguma coisa lá fora. Ouvi gritos. Talvez eu tenha ouvido o nome Carlos. Vi homens brigando. Falei para Jéssica que iria lá fora ver que confusão era essa e ela me implorou para ficar. Depois colocaram o Carlos em um porta malas e foram embora.

– Você consegue identificar alguém de lá???

– Eram pessoas comuns, ordinárias. Um deles era fortinho até, mas não acho que chega a ter mais de 40 cm de braço. O que eu me lembro melhor era um cara magro, que parecia um índio…e o braço dele, era todo riscado. Pareciam marcas, não sei bem o que era.

Vincent se animou com a resposta. Era uma característica física diferenciada, e com isso, seria possível fazer uma busca. A sua dúvida era saber se o relato era confiável.

– Senhor, se precisar de ajuda para pegar esse bandido pode contar comigo. Eu gosto de ajudar as pessoas, as vezes saio por aí protegendo donzelas e idosos contra pessoas mal educadas ou animais raivosos.

–  Ah! Não tenha dúvidas que irei te chamar caso eu precise de ajuda.

O Pelicano prosseguiu e perguntou a ele detalhes da aparência física do homem com marcas no braço e depois deixou Júnior na frente de sua casa. No caminho para o seu lar, começou a bolar a estratégia para descobrir mais sobre esse homem com marcas no braço. Vislumbrava dois caminhos: colocar cartazes pela cidade, ou, divulgar a aparência apenas para a polícia, que iria realizar as buscas. Ele tinha receio que expondo publicamente a imagem de quem estava procurando, o bando descobrisse que estava sendo investigado e fugisse. Por outro lado, ele não sabia se poderia confiar na polícia, ou até mesmo se algum membro do bando era policial. Qualquer opção era um risco. Ele estava sozinho nesse jogo de gato e rato e teria que se arriscar.

***

Bal abriu a porta de sua casa, e deixou Clara entrar. Ela viu uma mesa arrumada, com uma vela no centro.

– Isso é…tão romântico! – disse, e em seguida beijou o seu namorado.

– Agora sente-se lá e espere. O melhor está por vir.

Clara aguardou na mesa, enquanto Bal foi a cozinha pegar a comida. Havia preparado uma macarronada com molho. Ele considerava uma comida romântica e ideal para se comer a dois. Depois, trouxe uma jarra com suco de laranja, que ele mesmo havia espremido. Achava que o toque caseiro iria encantar ainda mais a sua namorada. Bal gostava de pensar que era uma mistura de um macho alfa e um homem moderno e sofisticado.

O jantar saiu exatamente como o esperado. Bal controlava a conversa e a direcionava, levando Clara para onde ele queria. Para um homem com tanta experiência com mulheres, manipular aquela inocente virgem era como uma brincadeira de criança.

Terminaram de comer, e Bal rapidamente tirou os pratos e trouxe um vinho. Clara não era muito de beber, e ele sabia disso. Ofereceu um pouco, de forma encantadora, e os dois beberam. Depois levantou, foi até a cadeira dela. Clara levantou e os dois se beijaram. Bal então foi usando todas as técnicas que conhecia para excitá-la cada vez mais. Progressivamente, suas mãos se distribuiam pelo corpo dela, sem receio ou pudor. Clara não ofereceu resistência, e Bal sabia que ela estava gostando. Ele a levou para a cama, e começou a abrir o vestido dela. Chegou ao seu ouvido e disse “tem certeza que quer isso?”. Ela ficou encabulada, e respondeu “sim”. Pronto, agora ele estava de consciência livre.

***

Bal acordou horas depois, se sentindo muito aliviado. Um peso tinha saído de suas costas. Uma relação monogâmica, e ainda sem sexo, era algo extremamente difícil para ele. Durante a semana, havia sido cantado por moças na academia, e teve de recusar. Foi até acusado de ter trocado de time pelas garotas. “Até pensam que eu virei gay!” pensava, com um misto de orgulho, por se mostrar um homem diferenciado, que respeita sua namorada, e ao mesmo tempo uma outra sensação de inconformismo, que o fazia pensar “ porque estou me sujeitando a isso? Por que não posso sair com outras mulheres igual a todos!?”. Agora, após transar com Clara, estava com um sentimento de culpa menor. Afinal, ele tinha desvirginado uma garota bonita e recatada. Não era a primeira, mas tirar a virgindade de alguém era como um selo especial de sua coleção de mulheres. Levantou-se da cama e foi ao banheiro.

Enquanto lavava o rosto, ouviu um som de choramingo ao fundo. Não se apressou e terminou de urinar e escovar os dentes. Ao voltar a cama, encontrou Clara chorando. Ela olhou para ele, que rapidamente falou:

– O que é? Eu te perguntei se você queria ou não. Não venha me culpar – disse de maneira dura.

– Eu..eu não te culpo – disse meio que chorando. Eu pequei…Deus estava me vendo..ai meu deus, o que eu fiz?

– Você fez o que estava com vontade de fazer, e ninguém pode te julgar por isso. Bom é melhor você se arrumar, já está tarde, e seus pais vão achar ruim se você não voltar pra casa.

Clara concordou com a cabeça, e foi ao banheiro se limpar e se vestir. Bal a levou para casa, e eles trocaram poucas palavras no caminho. Ele não dava abertura a ela para reclamar ou se lamentar, com respostas frias e duras. A deixou em casa e voltou correndo para a sua. Foi até a geladeira, onde ainda tinha cervejas guardadas. Pegou um punhado de garrafas e se sentou no sofá. Começou a beber freneticamente, uma a uma. Tentava não pensar, inutilmente. Era bombardeado por pensamentos negativos. “Eu não presto”. “ Eu sou um monstro”. “Eu não tenho jeito”. E continuou assim até apagar.

***

Ao final da madrugada, Vincent já havia decidido o seu plano. Iria divulgar internamente, dentro da polícia, o retrato do homem que havia sido identificado por Junior. Ele não era alto, parecia um índio e tinha diversas marcas no antebraço direito. Ao mesmo tempo conduziria uma investigação, perguntando por aí sobre a figura. Colocaria em risco a investigação e teria que confiar na polícia, o que não era fácil, pois não tinha confiança alguma no delegado Antonio. No entanto, achava que podia mantê-lo sob controle.

Chegou na delegacia, e percebeu um clima diferente. Homens andando de um lado para outro, murais com um terreno e várias marcações. Armas sendo transportadas. Era fácil de deduzir que aquilo era a preparação para um ataque em grande escala.

Foi até a sala do delegado, bateu duas vezes e logo entrou. Antônio estava na sala com mais 3 homens, e disse com surpresa:

– Doutor! O senhor por aqui…e deem licença por favor, já chamo  vocês – disse ao seus homens.

Assim que eles saíram, Vincent tomou a iniciativa.

– Vi toda a movimentação na delegacia…alguma coisa vai acontecer?

– Estamos recebendo muitas denúncias sobre atividade de traficantes…estamos no preparando caso as coisas piorem.

– Hum…e o caso da mulher?

– Caso da mulher….ah! Sei…estamos investigando ainda doutor, qualquer coisa te aviso.

– Bem, você não vai acreditar, mas sabe aqueles cartazes que pedi para distribuir? Recebi ligações e consegui informação para montar um retrato falado de um suspeito.

– É claro…temos alguém aqui na delegacia que pode te ajudar com isso. Já irei chamá-lo…mas doutor preciso lhe pedir uma coisa.

O Pelicano já esperava uma contrapartida do delegado. Conhecia o tipo.

– O que? – perguntou de forma seca.

– Como eu te disse, a atividade dos traficantes está aumentando muito. Eles estão se armando e criando verdadeiros exércitos. Logo teremos que tomar uma medida mais dura…e as coisas vão ficar feias.

– E o que o senhor quer de mim?

– Essas coisas são..sujas e as vezes barulhentas. Sabe como a imprensa age, certo? Sempre defendendo os bandidinhos? Vão falar de excessos e tudo mais…sem saber que isso aqui é uma verdadeira guerra! Vão querer a cabeça dos policiais e responsáveis. Precisamos de apoio e proteção para podermos agir.

Vincent não respondeu nada e ficou pensativo. Sabia que aquilo que lhe foi dito era apenas uma meia verdade.

– Sempre protegerei policiais honestos que buscam enfrentar criminosos. Pode ficar tranquilo.

Apertaram as mãos, e o delegado sorria. Em seguida, foi montar o retrato falado do homem misterioso, e planejou, junto do delegado como seria essa investigação.

***

Em um bar sujo, homens bebiam com expressões fechadas.

– Isso já foi longe demais! Precisamos discutir isso – falou o Caolho, visivelmente nervoso.

Os outros homens da mesa o olharam, mas nada falaram.

– O Doutor nos abandonou! Esqueceu o nosso projeto? Veio com esse papo de não beber mais e de querer ter uma namorada religiosa? Todos aqui sabem que é questão de tempo até tudo isso acabar. Mas está demorando muito! Falem alguma coisa! – exigiu.

– Temos que respeitar a decisão dele – disse Italiano, sem querer sair do muro.

Caolho olhou então para Índio que não expressou nenhuma reação.

O Pastor então falou:

– Eu vou falar com o meu irmão….mas não precisamos esperar ele vir até aqui para fazer alguma coisa. Ele nos proibiu de algo por acaso?

Então, o impassível Índio, fincou uma faca na mesa, assustando a todos. Os olhares se direcionaram a ele, esperando alguma declaração, mas ele apenas pegou seu copo e bebeu mais cerveja.

– Talvez seja melhor nós esperarmos essa sua conversa com ele antes de pensar em qualquer coisa – disse o evasivo italiano.

– Tem razão – disse o Pastor.

Em seguida, Índio retirou a sua faca da mesa.

Eles continuaram bebendo e conversando sobre temas mais leves, e aos poucos os membros iam embora. Índio fez questão de ficar até o final e foi saiu logo após o Pastor, que saiu do bar com pensamentos em sua mente. “ Malditos cordeirinhos! Não veem que estamos perdendo tempo nessa espera. Perdendo dinheiro!”. “Essa palhaçada do meu irmão vai acabar logo”, prometeu a si mesmo.

Eraba Remashita – (Volume 1: Capítulo 2)

Capítulo 2

O Primeiro Mundo

 

Assim que retornei, percebi que me encontrava deitado no terraço da escola, como se novamente tudo não tivesse passado de um sonho mas, quando olhei para o lado, entendi o que Erictónio queria dizer com “eu te darei uma prova”: havia uma espada muito bonita e aparentemente bem afiada comigo. Possuía um tamanho médio, o que devia torná-la mais manejável a ponto de eu poder segurá-la com apenas uma das mãos.

 

Acho que eu estava empolgado demais nessa conversa, não faço ideia de como eu poderia fazer tudo isso, mas pra falar a verdade, entre tentar salvar o universo e estudar acho que a escolha é bem óbvia. De qualquer forma se eu quiser aceitar essa missão, precisei inventar uma desculpa para o meu sumiço.

 

Mesmo sendo algo repentino, eu estava começando a aceitar essa possibilidade de ter uma vida totalmente diferente a partir de agora e para isso, eu teria que me desapegar um pouco deste mundo.

 

Hm, deixa eu ver … e se eu falar que voltarei para o Canadá? Não, não, ainda quero continuar vendo meus amigos, mesmo que sejam poucas vezes… Droga! É difícil até mesmo pensar em deixar tudo isso pra trás… Espera! já sei!

 

Levantei-me rapidamente e saí correndo para retornar à sala. Antes disso, apenas escondi a espada acima da área que dava acesso ao terraço para que ninguém à visse.

 

Assim que cheguei, abri a porta e entrei indo em direção ao professor que me olhou franzindo a testa.

 

– Onde você estava até agora?

 

– Desculpa sensei, acontece que eu estava resolvendo um assunto muuuito importante. Aliás, posso conversar sobre isto com a classe? – eu disse de cabeça baixa.

 

– Você chega atrasado e agora quer interromper a aula? Espero que seja um assunto realmente sério! Seja breve!

 

– Bom, como posso dizer… Pessoal! Eu vou me mudar amanhã para Quioto. – De repente todos ficaram em silêncio e eu aproveitei para continuar. – Acabei de receber uma ligação do Colégio Kyodai e eles me ofereceram uma bolsa de estudos. Como vocês devem saber, é o melhor colégio do país no quesito ensino. Depois de pensar um pouco, acebei decidindo que a escolha certa era ir estudar lá, isso porque meu pai recentemente me ligou e disse que se eu não entrar numa das melhores universidades do Japão, terei que voltar para o Canadá e isso é uma coisa que eu não quero que aconteça. Além disso, agora que o programa de intercâmbio acabou, eu estava precisando mesmo de uma bolsa de estudos.

 

– Como assim cara?! Isso é muito repentino, não brinca com a gente. Você não pode ir, somos todos uma família aqui – disse inconformado meu melhor amigo, Takahashi Akira, um garoto que usava óculos e que tinha um cabelo curto e preto assim como seus olhos.

 

Todos na sala pareciam pensar a mesma coisa que Akira, concordando com tudo que ele dizia e, por isso, eu decidi tentar ser mais convincente e dar mais detalhes. Nesse momento ergui a cabeça decidido de que ia convencê-los e percebi que Kanisa não estava na sala, provavelmente pelo que havia ocorrido no terraço, mas continuei mesmo assim.

 

– Eu preciso ir cara. Eu amo muito vocês e virei sempre visitá-los, mas eu preciso ir. É a melhor forma de eu permanecer no Japão. Os momentos que passei aqui nunca irei esquecer, foram os melhores da minha vida. Me desculpem, por favor – Era uma mentira a ida para Quioto, eu sei, mas eu realmente amava meus amigos, então era muito difícil deixá-los.

 

– Helik-kun – disse meu professor – você deve ir. É uma oportunidade única e eu estou orgulhoso de você conseguir entrar num colégio tão bom. As vezes na vida precisamos tomar decisões difíceis pelo melhor.

 

Graças às palavras dele, todos ficaram em silêncio e começaram a repensar no que eu havia dito, percebendo que, mesmo sendo algo triste e repentino, era algo que eu deveria fazer. Pouco depois, acompanhando Akira, todos se levantaram e começaram a se despedir de mim e desejar boa sorte, enquanto eu me segurava para não parecer triste.

 

De qualquer forma, ainda falta a parte mais difícil: falar com Kanisa.

 

Nossa amizade sempre foi maior do que qualquer outra que ambos tínhamos e além disso, ela provavelmente tinha sentimentos por mim. Convencê-la disso tudo e distanciar-me seria a coisa mais difícil que já fiz em toda a minha vida.

 

Esperei então que as aulas acabassem e fui procurá-la em sua casa, afinal, é o lugar mais provável de encontrá-la para conversar. A diferença, é que ao contrário do que eu disse para o pessoal da sala, para Kanisa eu devo e vou contar toda a verdade.

 

Não posso mentir dessa vez, na verdade ela nunca acreditaria numa mentira minha.

 

Antes de partir, eu apenas voltei ao terraço para buscar a espada aonde eu havia à escondido e coloquei-a dentro da minha mochila. Depois disso, saí correndo da escola, porque não coube por completo e não seria muito conveniente se alguém me visse com uma espada na mochila.

 

Assim que cheguei à casa de Kanisa, decidi entrar sem nem chamar, por dois motivos: primeiro que ela estava brava comigo e talvez não abrisse e segundo porque eu estava habituado a ir visitá-la. De qualquer forma, eu estava certo, ela realmente estava lá.

 

– Kanisa, desculpa aparecer assim, mas preciso conversar com você. – Depois do que havia acontecido mais cedo, eu estava com um pouco de vergonha por isso falei da forma mais calma possível, mas a verdade é que depois de ter aquela reação, ela parecia estar tão envergonhada quanto eu.

 

– … Fala logo e vai embora.

 

– Sobre o que eu te contei mais cedo, e se eu te dissesse que era tudo real?

 

– De novo isso? Você deve estar louco – disse ela tirando sarro de mim.

 

– Talvez um pouco – afinal ando falando sozinho –, na verdade nem eu sei direito se é verdade, mas irei explicar detalhadamente dessa vez. – Então contei-lhe tudo sobre as conversas com Erictónio e também sobre o que eu disse para o pessoal da sala.

 

– Tá, mas mesmo assim, como você sabe que tudo isso é real e não foi apenas um sonho? Não faz nenhum sentido, você é idiota por acreditar num son… – Nesse momento eu à interrompi.

 

– Bom, também pensei nisso, até que… – Peguei minha mochila e tirei a espada de dentro, entregando-a para Kanisa – logo após eu falar com Erictónio e voltar ao terraço, a espada que ele havia prometido me dar estava ao meu lado.

 

Após isso Kanisa ficou simplesmente sem reação, ela que até agora não havia nem se quer considerado a possibilidade de aquela história ser real, começou a ser contrariada.

 

– Caed você não está brincando comigo né? Porque se estiver…

 

– Não, é sério, eu juro! Você me conhece melhor do que ninguém e sabe muito bem quando estou falando sério.

 

– Está bem, eu posso até acreditar, mas o que você pode fazer?

 

– Bom, eu vou aceitar essa missão que Erictónio me deu, se foi algo passado para mim então é meu dever agora. Além disso, precisarei que você me ajude para que ninguém mais descubra sobre isso. Preciso que dê falsas notícias sobre mim e também…

 

– Sem chances, se existir realmente a possibilidade de você fazer isso, eu vou com você. – Ela estava até mesmo empolgada. Estranha. – O Deus disse que você pode teletransportar uma pessoa junto, certo?

 

– Hã?!… Sim, mas na verdade eu nem deveria ter lhe contado e …

 

Nesse momento, Kanisa me interrompeu colocando a espada que eu havia entregue para ela em meu pescoço e disse com firmeza – EU VOU!!!

 

E sabendo que eu não ia conseguir convencê-la do contrário acabei aceitando, com medo que ela fizesse algo com aquela espada.

 

– Está bem, está bem. Mas antes, preciso arrumar umas coisas para poder levar, assim como você também deve. Além disso, também precisará justificar o motivo de ficar fora por uns dias. Mesmo sem termos certeza se isso dará certo ou não.

 

– Nossa, isso foi muito fácil. Certeza que você já queria que eu fosse. Enfim, sem problemas, eu vou à escola agora e direi que irei viajar à estudo – Kanisa era órfã, havia perdido seus pais num acidente de carro a apenas dois anos e tinha se afastado de todos que conhecia, até que eu entrei na escola e acabei me tornando seu melhor amigo. Isso porque quando entrei, ela era a única que não andava em grupos e isso acabou nos aproximando. Após isso, ela voltou a se aproximar do resto do pessoal da sala, à mesma medida que eu ia fazendo amigos.

 

No início, após perder seus pais, ela morou com sua avó, mas logo acabou decidindo ir morar sozinha para amadurecer e tornar-se independente. Aos poucos ela foi superando essas dificuldades e tristezas, por mais que muitas vezes ela parecesse apenas esconder esses sentimentos.

 

– Bem, então nos encontramos amanhã às 9 horas, na minha casa – concluí, completamente nervoso e ansioso com tudo isso que aconteceu num só dia.

 

– Está bem. E … Caed, vai dar tudo certo, você sempre quis mudar o mundo não é? Além disso eu estarei lá haha. – Ao contrário de mim ela estava bem confiante e não duvidava nem um pouco do que eu contei.

 

Então nos despedimos e eu fui para casa arrumar as coisas que eu iria querer levar e me preparar psicologicamente para o que estava por vir. Estava parecendo que eu ia apenas fazer uma simples viagem, mas a verdade é que não era nada disso.

 

— — —

 

No dia seguinte, às 9:38 Kanisa tocou a campainha.

 

– Você está atrasada! Eu não devia ter te esperado – disse já impaciente, mas ela me ignorou.

 

Ambos parecíamos realmente prontos para uma viagem. Eu não havia preparado mala nem nada do tipo, iria levar apenas uma roupa que vestia casualmente no dia a dia com uma única diferença: junto a mim, estava pendurada em minhas costas e dentro de uma bainha de couro, a espada que ganhei de Erictónio.

 

– Gostei da espada, mas…onde está sua mala? – disse ela um tanto confusa.

 

– Estamos indo numa missão e não numa viagem a passeio, sabia? Você também deveria pegar apenas o necessário, ficar carregando uma mala só irá atrapalhar.

 

– Sério isso? Aff. – Mesmo sem gostar da ideia, ela acabou cedendo e colocando as coisas que realmente precisava, dentro da mochila que eu usava na escola e depois colocou-a em suas costas. Talvez ela estivesse me escutando apenas para eu não voltar atrás sobre levá-la comigo. – Então, o que fazemos agora?

 

– Bom, o Erictónio disse que eu só precisava me imaginar no mundo que vier a minha mente. Ontem, antes de eu ter a minha segunda conversa com ele, eu vi imagens de um mundo, mas já não me lembro muito bem do que vi. Então não sei se conse… Aaargh.

 

Nesse momento, comecei a sentir fortes dores de cabeça e em seguida, escutei uma voz – preste bastante atenção em sua visão, ela te dará informações preciosas – Logo em seguida, começou a vir imagens de um mundo à minha mente.

 

Parecia ser uma espécie de sonho com coisas, seres, lugares e objetos que eu jamais imaginei que seria possível existirem. Era um lugar lindo, o que tornava difícil de imaginar que nele não havia paz. Por fim, vi uma espada enfincada numa pedra no alto de uma montanha e logo após veio a imagem de uma pessoa, era uma jovem e bela garota, provavelmente um pouco mais nova eu, porém não consegui vê-la direito pois a imagem dela passou rapidamente e se distorceu antes da visão se encerrar.

 

A espada que vi enfincada na pedra, acredito que seja a Excalibur, talvez por isso Erictónio esteja me mandando imagens primeiramente desse mundo que segundo ele chama-se “Realm of Swords”, onde terei meu primeiro desafio para parar a guerra e trazer a paz. Fácil, fácil… Quem sabe eu volto vivo. Bom, eu só preciso me imaginar nesse mundo né.

 

– Kanisa, segure minha mão.

 

Então, demos as mãos e concentrei-me ao máximo no outro mundo, de modo que eu não esquecesse de nenhuma das imagens que vi e, logo em seguida, eu e Kanisa desaparecemos do lugar que habitávamos e fomos teletransportados para um completamente diferente, um outro mundo, uma outra dimensão, era o início da missão passada pelo Deus, era o início de uma nova vida.

 

E assim inicia-se a nossa aventura para salvar o universo.

 

 

Até o próximo capítulo *-*

O lugar certo para quem gosta de contar histórias!