Contos de Ustrael – Kai e Kaori, Parte I (Capítulo 1)

Uma lenda…Ela sempre tem inicio em algum lugar.

Todo boato tem um fundo de verdade.

Mas…Até qual ponto uma lenda é verdadeira?

Todas possuem erros e más interpretações.

E talvez…Estas “partes escondidas” da “história verdadeira” ao qual insistem em voltar de tempos em tempos…

Possa mudar o destino do planeta.

—–

Kaori…

A nova princesa e herdeira de Kanszes é uma verdadeira sensação no país e noticia em todo o continente.

Os motivos?

Eles não faltam.

O primeiro era claro.

Ser “filha” do Herói que salvou o país derrotando um abissal.

O fato de Adeko ser seu pai é desconhecido por todos.

Exceto quatro pessoas, e que entre elas , estão, logicamente seus pais.

É uma prodígio.

Sendo treinada desde os cinco anos por Adeko e Sorae até os atuais…

Era apenas inevitável.

Uma mera conseqüência.

Possuí um imenso poder por ter herdado os genes de sua mãe e o grande talento a magia de seu pai, e graças a todo esse treino se tornou a mais nova julgadora da história.

Um seleto grupo de dez pessoas que são consideradas as mais fortes do continente só possuindo uma autoridade menor que os reis de cada país.

Claro.

No caso de Kaori muitos consideram apenas marketing por tudo que está ao redor da jovem neste momento.

E…

Bem.

Não estão errado, é óbvio que não poderia estar ae se não fosse por outros motivos.

E isso cria muitas opiniões sobre ela.

“É uma farsa.”

“A mídia a faz”

“O titulo de julgador virou apenas marketing hoje em dia, é!?”

“Ela merece tudo que tem.”

“Trabalhou para ter tudo o que hoje está em suas mãos!”

“Muito mais forte que outros que já passaram por ali no passado.”

Porém…

Algo é um fato.

Era impossível negar o quão forte é.

Sim.

Grupo ao qual Órion foi considerado o mais forte 18 anos atrás.

—–

O país de Kanszes é um arquipélago de 17 ilhas com cada qual possuindo um pouco mais de 200km de diâmetro cada.

Todas são verdadeiros paraísos tropicais, algumas voltadas unicamente para o turismo, outras para militarismo e aquelas com a finalidade para administrar o lucro.

Era um país que por mês tirava bilhões e bilhões graças a estas ilhas.

Cada uma das 17 tinha um guerreiro de elite responsável por manter a proteção e várias vezes Kaori recebeu treinamento de todos assim crescendo sabendo lutar de mãos nuas e armas brancas.

Também tem uma rotina fixa.

Escolheu fazer aula de dança das 07:10 até 11:30 para ter um controle perfeito do corpo.

Depois pegava na academia a partir de 12:30 até as 14:00.

Começava o treino de Kenjutsu e magia das 14:00 as 22:00 com inúmeros outros guerreiros e seus pais.

Além de quase todo dia Adeko a pegar a noite e a levar para a biblioteca visando ler inúmeros tipos de histórias diferentes e adquirir um vasto conhecimento.

Mais de 400.

Já leu mais de 400 livros de mais de 1000 páginas nestes 7 anos.

Não.

Não é nenhum exagero, possivelmente leu mais.

E quando tinha “folga”, era treinada em situações mais formais como tocar piano, aprender línguas estrangeiras, o que resultou, em, com perfeição, dominar mais de oito idiomas, entre outras atividades.

Sim.

Uma perfeita elite.

Era o que podiam chamar de a “princesa perfeita.”, bonita, inteligente e uma julgadora.

Porém.

Claro.

Isso era apenas o exterior.

Ninguém realmente podia entendê-la, os sorrisos e jeito carinhoso que exibia perante todos não mostravam a verdade que sentia.

Culpa.

Arrependimento.

Um imenso sentimento de culpa que nunca acabava pelo o que aconteceu a Kai sempre a jogando para baixo.

Pois ela sabia, não tinha como negar que estava em um lugar que não pertencia a ela.

Afinal…

Nem deveria existir,  seu nascimento em nenhum momento fora pensado.

Apenas uma necessidade de momento.

Pois precisavam de outra criança, se Others não tivesse atacado…Essa vida jamais ia começar, não é fácil viver sabendo de algo assim.

Uma existência que não deveria estar aqui e que só surgiu para roubar a vida de outra pessoa.

Seu nome, reino, título, existência.

Tudo.

É assim que ela se sente dia após dia.

Uma estranha que não deveria estar ali.

Acabou aceitando ser submissa a Perseus o resto da vida para tentar salvar um irmão que a mesma tinha certeza que a odiava tendo todos os motivos necessários.

Após este casamento…Tinha planos que nem seus pais sabiam.

Iria morar com Perseus em Others e deixar Kanszes novamente para Kai quando estiver totalmente curado.

Sentia que era o mínimo que podia fazer.

Sorae e Adeko já falaram várias vezes que mesmo seu nascimento não sendo por amor eles a amam e fariam tudo por ela, até mesmo se sacrificariam sem pensar duas vezes.

O que nunca surtia efeito.

Mesmo a distância.

Sem nunca terem se visto ou conversado.

Os dois irmãos tem o mesmo sentimento.

Que ambos são “falsas existências.”

—–

O sol escaldante estava, como sempre, abençoando todo o país.

Kaori se encontrava em pé no meio do oceano que liga todas as ilhas de Kanszes treinando com Sorae como sempre fazem.

Mas ela podia perceber algo em sua filha.

Estava lenta.

Previsível.

E tinha um olhar abalado.

A princesa fora golpeada e forçada para trás.

“Algo errado?”

“…”

Não tinha como esconder algo que ua expressão desde que acordou entregava.

Deu uma risada.

“Mãe, podemos dar uma pausa?”

—–

Se dirigiram até a ilha quinze, a qual era a mais próxima.

Estavam sentadas lado a lado na areia.

A maré subia, batia em seus pés, e descia novamente.

Existia um resort ali e o movimento era considerável ao redor, ver a família real andando no meio de seu povo era algo normal, sempre fizeram isso e reagem normalmente a presença das duas.

Kanszes é um país onde não existe pobreza, por mais irreal que possa parecer, os lucros das ilhas dão muito dinheiro, mais do que precisam, então, não tem por que deixar o povo “infeliz”, e criaram um sistema justo para todos.

Kaori possui 1,76cm e um físico realmente acima da média que faria qualquer um não tirar os olhos tão facilmente, que não, não era fruto de toda sua rotina.

Todos os “príncipes guerreiros”, como são tratados os sucessores de países que possuem rank-5 na classificação geral do continente são abençoados por genes fantásticos hereditários das primeiras gerações da família que continuam sendo passados a frente.

E tal combinação faz o corpo de cada um deles se desenvolver de maneira mais rápida e forte do que as pessoas normais.

Também retém cabelos rosas que caem até a cintura.

Os olhos são azuis, “cortesia” de Sorae, parecendo um diamante de tão claro e belos que são, muito se parece que um pedaço caiu do céu e está em suas pupilas.

Também usava uma franja na testa o que realça as curvas perfeitas do rosto.

Sorae a encarou.

“O que houve?Hoje está bem dispersa, né?”

“…Não, realmente não adianta…Mãe!”

Foi do nada.

Virou seu olhar com lágrimas em direção a ela.

“Kaori…?”

O vento ficou mais forte fazendo o cabelo de ambas balançarem.

“Por que…?Por que eu nunca pude ver o Kai..?Não adianta como eu olhe…Eu não deveria existir, não deveria estar aqui!Não fui gerada por amor, e sim por uma única necessidade, cheguei, roubei tudo dele, seu cargo de príncipe, o país, e principalmente você…Cada dia que passa me sinto mais deslocada de tudo isso, meu lugar…Definitivamente não é aqui…”

Sua voz estava rouca.

E podia ser notado…Era verdade, toda sua tristeza era refletida nestas palavras.

O tom era realmente bem triste.

O que partiu um pouco o coração de Sorae, por que só estava dizendo por outras palavras, “eu não passo de um acidente.”

“O sentimento de culpa me corrói a cada dia, não consigo mais prestar atenção em nada, quando vou dançar, eu erro, quando vou na academia, sinto perca de força ,quando estou treinando, só apanho, quando vou estudar línguas, eu não consigo mais traduzir nem uma frase, quando vou ler, não sinto vontade de passar da primeira página…Só o rosto dele me vem a cabeça e…-

Colocou a mão em seu ombro antes de terminar.

“Já conversamos sobre isso antes, mesmo que seu nascimento não foi programado, tanto eu como o Adeko amamos você, lógico…”

Deu um sorriso reflexivo.

Por alguns segundos só fora possível ouvir o som da água.

“Não podemos saber que tipo de pensamentos o Kai tem agora…Mas eu tenho certeza, ele vai voltar.”

“Eu não consigo lidar com essa responsabilidade direito…”

Olhou para baixo fechando os punhos mais forte na areia.

“Quando ando pela rua eu só escuto as pessoas falarem…”Filha do Herói”, “Seu pai foi uma pessoa incrível, honre ele!”, “Eu sei que você vai se tornar tão forte quanto seu pai.”, só que…Eles acham que eu sou filha do Órion…E colocam em mim uma responsabilidade que não deveria ser minha, eu não consigo lidar com isso…E só me faz me sentir mais mal ainda pelo Kai…É como se ele nunca tivesse existid-

Chega.

Definitivamente já ouviu demais.

O próximo movimento pegou a herdeira de surpresa.

“Mãe…?”

Sim.

Sorae a abraçou bem forte.

Nada.

Não falaram nada.

Ficaram apenas assim por alguns segundos.

Até que…

“Eu entendo tudo isso…Quando o Kai foi levado para outra cidade…Eu perdi várias noites de sono chorando por não poder fazer nada, mas…Você também se deu um destino horrível de casar com o Perseus para salvá-lo, ele sabe disso, sabe de toda a dor que você sente, se ele entende isso…Vai impedir seu casamento, não é interessante voltar a guerra com Others, e  como o Kai não é mais do país, ele é o único que pode agir sem trazer danos para Kanszes, você e o Kai…Se ficassem perto, você também ia ficar sugando a energia vital dele…Lógico, eu falei para o Adeko que eu sairia do reino com você e deixaria o Kai ficar com o que é dele, mas ele não aceitou…Falou que o Kai por ter o sangue de Órion seria no futuro forte o suficiente para voltar a Kanszes, derrotar Perseus e reivindicar tudo novamente…”

Separaram o rosto.

Se encararam.

Sorriu na direção de sua filha.

“E quer saber?O Órion foi a pessoa mais forte que eu conheci, o Kai é filho dele, é apenas inevitável que retorne mais forte do que qualquer um, porém por mais forte que ele esteja, vai precisar da sua ajuda para lutar contra Perseus e Others, então você precisa ficar forte Kaori, por mim, seu pai ,seus primos, seus tios, e o seu irmão, eu confio no Kai, confio naquele que herdou todos os poderes de Órion, você pode fazer o mesmo sem se preocupar com mas nada.”

Devagar…

Levantou a mão e foi tirando os cabelos dos olhos de Kaori.

“Sua idiota, você não tem culpa nenhuma de estar viva, se não fosse seu nascimento, eu já estaria morta.”

“Mãe…”

As lágrimas começaram a pingar, abraçou sua mãe chorando copiosamente em seus peitos.

Sim.

Sorae também entende.

Por mais que a conforte não é o suficiente.

Jamais será.

E não pode culpá-la.

Kaori já nasceu com um fardo muito grande em suas costas e teria que lidar sem ter nenhuma chance de fugir ou aliviá-lo.

Tudo só viria a ficar pior no futuro com o casamento.

Os questionamentos são normais.

Mais do que ninguém, sabia que até agora…Sua filha teve uma  vida infeliz recheada de frustrações e decepções.

Pois nada.

Ela não tinha o direito “moral consigo mesma” de negar nada, nunca quis aceitar o cargo de Julgadora, sabia que isso só serviria para espalhar comentários desnecessários, mas Perseus quis, “Minha futura esposa ser uma julgadora será incrível!”, então…Não teve outra escolha.

Poderia ser talvez a maior vitima disso tudo.

Afinal…Não tinha o controle de nada nesta vida.

O sol no dia seguinte jamais iria brilhar.

Só a escuridão restaria…Representada pelo se aproximar cada vez mais iminente do casamento.

É difícil encarar o amanhã.

É difícil ter forças para sair da cama com tal destino batendo a porta.

É impossível aceitar que dormirá na mesma cama de Perseus em alguns meses.

Mas iria terminar.

Apenas uma pessoa tinha o poder de por um fim a essa maldição.

O verdadeiro herdeiro de Kanszes, aquele que herdou o poder do mais forte dos homens.

Sorae olhou para cima.

E teve flashes.

“E é por isso, Sorae, que você irá me ajudar, me ajudar a criar esta criança para ser um homem forte que defenda seu povo com mãos de aço e ajude o país a ficar cada vez mais e mais forte sem se perder no caminho.”

“Kai…”

Várias lágrimas começaram a pingar.

“Eu confio em você, sei que nunca pude ser uma mãe para você e com certeza pensa que o abandonei e nunca o amei…Mas…Isso não é verdade!Então…Volte, para podermos corrigir todas essas falhas…”

—–

O poder que Adeko se referiu que Kai possui…A maior arma para derrotar Perseus está dentro dele.

O Dna*R.

Ou…Também conhecido como o “Gene definitivo da guerra.”

É tido por todos como um dos, se não, o gene mais poderosos entre os infinitos que existem neste planeta.

É passado de maneira hereditária de pai para filho.

E sua funcionalidade…É rara e perigosa ao mesmo tempo.

O portador irá aprender tudo 10x mais rápido que uma pessoa normal, uma magia que em tese demoraria vários dias para ser dominada pode não levar um dia, além do próprio corpo se desenvolver mais rápido, forte e maior.

E claro.

Este não era o mais amedrontador deste gene.

E sim..Um outro lado.

O  herdeiro do gene terá o dobro da força do pai na idade mesmo sem precisar treinar para isto.

Exato.

É um gene que fica cada vez mais e mais forte a medida que é passado de geração em geração, juntando uma coisa a outra dava para perceber o quão amedrontador era o poder do gene.

Os maiores vilões e heróis da história o possuíam, e ao ser combinado com o Duas vidas onde todas as magias do pai também são passadas de maneira hereditária…

Este é possivelmente combo de genes mais poderoso do mundo.

A combinação que o criador de Kanszes possui e foi passando com o tempo.

A força que todo Rei de Kanszes possui.

O mesmo poder que está adormecido no corpo de Kai.

Despertar o Dna*R e os Duas vidas é a chave para mudar tudo.

—–

Kai caminha por uma auto-estrada.

Tendo outra a direita.

E mais uma a esquerda.

Ao qual o trio fazia incontáveis curvas que levam a destinos diferentes.

Mas está deserta.

Existe-se um motivo, ela é antiga, passa por lugares bastante perigosos, mas serve como atalhos para aventureiros que confiam em sua força.

Foi ontem que teve a conversa com Adeko sobre o casamento.

E mesmo tentando fingir que isso nunca aconteceu…Era impossível não lembrar deste assunto.

O motivo?

Estava em todo lugar.

A união de Kanszes e Others era potencialmente perigosa para os inimigos.

Como extremamente bem vista para os aliados.

E por isto, o casamento e a gigante festa está sendo patrocinada por muita gente influente, panfletos e anúncios ocorriam em todas as cidades.

Seja apoiando ou sendo contra.

E pelo menos por agora…Kai não tinha nenhuma intenção de gritar protesto.

Costumava usar um raciocínio lógico.

O que pode fazer no final das contas nesta situação, afinal?

Um dos maiores eventos do continente estava para acontecer, ou seja, inúmeros guerreiros de elite estariam ali para fazer a proteção de qualquer possível movimento terrorista.

Ao qual cada um era mais forte que ele.

Mesmo que tenha uma combinação de genes para dar inveja a qualquer um…Isso não adianta se nunca foi treinado adequadamente.

Kaori, a essa altura, é muito mais forte do que ele por causa disso.

E ela não pode fazer nada contra Perseus.

O titulo de Julgadora é apenas Marketing.

Mas o daquele homem…O do atual Rei de Others…

É real.

Muito real.

É uma regra de três simples, um abismo de força separa Perseus de Kaori, e um abismo o separa da sua irmã.

Também era inviável encontrar quem poderia treiná-lo faltando só três meses, e mesmo sse achasse esse abismo jamais será destruído em 90 dias.

Só conseguiria jogar o pouco tempo que tem de vida fora indo até ali.

E depois do casamento…Kaori e Sorae serão curadas.

Então todos só teriam a “ganhar.”

Certo?

Sim….

É.

Se decidiu, não vai se intrometer, o final feliz irá acontecer desta maneira, Kanszes a salvo, Kaori e Sorae curadas, e deixe o mundo seguir girando naturalmente, ninguém sabe quem é mesmo.

“Eu não posso fazer nada, afinal, também.”

Falou inconscientemente.

“!”

Algo aconteceu.

Levou a mão ao peito.

Sentiu um ressoar.

Seu coração bateu mais forte.

Isso foi inédito.

Mas ignorou.

Pensou se só o androgênesis.

Que mesmo sem Kaori e Sorae por perto…Roubava sua energia vital.

Qualquer outro motivo provavelmente seria errado.

Embora…Não devesse ser totalmente descartado?

A marca em seu ombro também ardia.

Mas ela…Não tinha ligação com o gene.

“Dane-se esse mundo.”

Kai está com 18 anos e 1,81cm.

Por ser um príncipe guerreiro, não, esse titulo com certeza também já se perdeu, mas ainda tinhas as características de um.

Um corpo bastante musculoso e robusto para a idade junto com um olhar que fazia olhar com desprezo para qualquer coisa ao redor.

Os mesmos olhos vermelhos de Órion eram extremamente penetrantes para qualquer coisa refletida.

Seus cabelos são negros caindo até a orelha, em muito também se assemelhavam aos de Órion.

Porém, a parte de trás é completamente espetada para trás, tendo algumas partes caindo ao redor da orelha.

Dando um visual diferente nesse aspecto.

Continuou andando sozinho e sem rumo por alguns minutos.

Estas estradas isoladas com certeza era um lugar ideal para quem quisesse fugir de movimento estando mais próximo da natureza ao redor delas.

Embora, vez ou outra carros e motos passem por aqui.

Mas…Algo chamou sua atenção.

A estrada continua para frente.

Isso se apenas quisesse se dirigir a cidade de Tall.

Porém, tem muitas curvas que levam a caminhos diferentes.

Olhou a direita.

Já fora da estrada…Uma garota estava dormindo encostada abaixo da sombra das folhas.

Não.

Não foi ela.

E sim o que estava ao redor.

Um homem se aproximava.

Cerrou os olhos.

Não parecia ter boas intenções.

Usava uma magia para apagar sua presença.

Uma das melhores que tem.

Uma que simplesmente destrói a existência do usuário no presente.

A ocultação “perfeita.”

Kai não devia ser capaz de sentir isso, mas a habilidade de sensor altamente elevada foi uma das habilidades passivas herdadas de Órion.

“Então é realmente essa garota?A chamada bruxa que fugiu da instituição, hu, não pensei que alguém tão temida poderia fazer esse tipo de coisa de dormir ao ar livre tão casualmente sendo recheada de inimigos, é hora de…”

Não terminou o pensamentos.

Olhou para a direita e viu Kai o encarando.

Era claro que estava sendo visto.

“Aquele moleque…”

Uma leve surpresa tomou seu rosto.

Kai realmente não se importa muito com o problema dos outros.

Talvez isso já tenha ficado claro, não?

Mas…Podia sentir a intenção deste homem, e ver uma pessoa “aparentemente” indefesa ser assassinada a sua frente, não combina muito com ele, sentira como se tivesse participado do crime.

“Ho, você é alguma coisa dessa mulher?”

“Hu, é uma pessoa que se morresse e aparecesse na televisão a noticia eu só iria dar de ombros por uma desconhecida qualquer, mas…”

Saltou a cerca que separa a estrada das planícies.

Tocou o solo, levantou o olhar.

“Isso acontecendo na minha frente, são outros quinhentos.”

“Oh?”

Fechou os olhos dando uma risada.

“Então é um dos idiotas que querem brincar de herói por ae?”

“Acredite, nem perto.”

Pelo jeito suas capacidades de sensor não eram tão boas assim.

Claro…Conseguir sentir alguém que destrói sua existência no presente era incrível.

Mas isso se valia de um único alvo.

Pelo menos oito novos homens apareceram o cercando, aos poucos começou a mover as pupilas os observando.

“É tarde demais, seu senso de justiça o trará a morte!”

Um dos homens…Fixou os pés no chão e avançou!

Um metro.

Era a distancia dos dois.

Socou trazendo a atenção de todos a ambos.

Kai ergueu o rádio do braço bloqueando o golpe.

Deu um passo a frente e o bateu de mão aberta na barriga gerando uma corrente de ar que o ergueu alguns metros do solo o fazendo se chocar contra uma árvore e cair derrotado.

“!!!”

Sim.

Conseguiram ver neste momento.

Não era um simples viajante.

Não mesmo.

Aliás.

Aquilo foi…

Exato.

Um falso-mago.

Neste mundo existem duas formas de se lutar.

Sendo um mago que usa magia.

Ou um falso-mago que manipula o Ki.

O segundo tipo é inferior ao primeiro.

Mas mestres…Conseguem fazer essa distancia sumir.

Foram até o companheiro derrotado que não abria os olhos.

“Não está morto, mas não quer dizer que vá abrir os olhos tão cedo.”

O lider cerrou os olhos.

Percebeu muito bem o que fora feito.

Primeiro…

Kai deixou seu Ki percorrer o corpo inteiro como uma armadura.

No momento que defendeu o soco…

Absorveu o impacto daquele golpe e o adicionou ao seu Ki.

O segundo…

Foi usar o Reiki.

Reiki…

É um gene raro que poucas pessoas no mundo possuem.

Ele só tem uma finalidade.

Multiplicar o poder de uma magia de qualquer natureza tal como golpes físicos.

Após ter roubado o impacto do golpe do inimigo, o multiplicou e devolveu.

O resultado fora este.

O ki possui inúmeras versatilidades.

Uma magia de qualquer natureza…Não importa qual seja.

Ela pode ser adicionada ao Ki que vai se ativar quando o Ki que contém essa magia entrar em contato com o alvo.

Após ter multiplicado a força…Kai colocou no Ki uma magia de remoção sensorial temporária.

Fazer todos estes complexos movimentos em apenas um único segundo.

Sim.

Não era qualquer um.

Mudou.

Todos os adversários viram o ar ao redor de Kai mudar por completo.

Se sentiram pequenos.

Talvez começar essa luta não tenha sido uma boa idéia.

E o ex-herdeiro de Kanszes é incapaz de perceber, ainda possui um intimidar natural que o acompanha sempre.

“Usei uma magia temporária por que estou de bom humor, se não quiserem acabar como ele, sumam.”

“NÃO DIGA BESTEIRAS!”

“PEQUEM ESSE VAGABUNDO!”

Estava cercado.

Foi em menos de um segundo.

Não havia nenhuma abertura.

E então…A tempestade começou!

Todos o atacaram.

Não era difícil de evitar.

Kai hora desviava, outras vezes absorvia o impacto dos golpes, o multiplicava e devolvia com a mesma magia de remoção sensorial.

Dez segundos.

Tirando o líder…Todos estavam nocauteados.

Kai olhou na direção dele.

Impacto!

Os dois colidiram os punhos violentamente gerando uma corrente de ar.

Se afastaram dois metros.

E aconteceu.

Uma violenta explosão a direita.

O “príncipe” sorriu.

“Nada mal.”

Quando estava sendo atacado pelos homens…Kai foi adicionando ainda mais impacto quando colidiam seus punhos.

O multiplicou e usou toda esta força nesse choque de punhos.

Junto a ele tinha a magia de remoção sensorial.

Sim.

Ela também foi jogada fora.

Para uma magia de qualquer natureza funcionar em um mago ou falso-mago neste mundo tem que vencer uma barreira…A manipulação de Ki.

Pois quando o Ki está ativo como uma armadura, invisível, ou não.

O usuário pode pegar seus efeitos e a jogar fora como este homem fez.

Não é apenas possível jogar fora.

E sim devolvê-la contra o usuário.

“Hu, não vá achando que sou como os outros.”

Uma nova explosão.

Agora fora Kai.

“Ho.”

O nível foi realmente alto.

O inimigo usou uma magia que ignora a distância e lançou uma magia de desintegração.

Embora a distancia até Kai não exista.

A manipulação de Ki estava ativa.

Em conjunto a seu super-sensor…Se eles poderem reagir a velocidade do golpe, são capazes de jogar seus efeitos fora antes que termine de atravessar sua “armadura”.

Kai jogou uma parte fora quando entrou em contato em seu Ki.

Enquanto “pegou” a outra em torno de seu Ki, deu um passo a frente e socou a “devolvendo” ao homem que jogou o corpo para a direita desintegrando a árvore atrás.

“Seu nome?”

“Ho, agora isso?”

“Hu, estou mostrando um pouco de respeito, quero saber seu nome para colocar no túmulo, mas se não quer dizer, não faz problema.”

Não respondeu.

Apenas entrou em posição de batalha.

E aquilo o surpreendeu.

Kai tinha uma postura “estranha.”

Com certeza lutava artes marciais.

“Vamos.”

Bateu o pé no chão e avançou!

Quando percebeu ambos estavam frente a frente!

Kai agiu primeiro iniciando uma chuva de golpes que o mesmo não conseguia ler.

Eram diferentes.

Nenhum golpe seguia o mesmo ritmo ou velocidade do outro.

Parecia que em um golpe usava um estilo de luta.

E no próximo.

Era um totalmente diferente.

Mas não!

Não se deixaria ser superado assim.

Fixou o olhar e não se permitiria perder.

Seguiam o mesmo ritmo…

Ou seja.

Absorviam o impacto com seu Ki´s e o jogavam para fora, algumas vezes eram diferentes, em vez de “jogar fora.”,  voltavam o golpe duas vezes mais potente contra o adversário que repetia o esquema.

Essa troca de socos era na verdade ambos absorvendo o impacto do golpe um do outro.

Com um porém.

Devolvendo sempre com o dobro de potencia.

Um único erro era fatal.

Pois cada vez o impacto ficava mais forte e levar um golpe com essa força não seria bom.

Bastava perder a concentração por um segundo.

Ser superado por um milésimo.

E seria o fim para qualquer um dos dois.

Não eram bom.

Definitivamente.

O lider percebeu algo…Os movimentos imprevisíveis de Kai começaram a fazer diferença.

Os golpes que ele já tinha dificuldades em ler, aos poucos começar a ultrapassá-lo totalmente.

“Maldito!”

Socou mirando o meio do rosto do principe que levou a mão esquerda dando um tapa no punho dele para a direita, algo inesperado aconteceu, com o mesmo punho que bloqueou…Ele o esticou a frente em uma velocidade maior que todas as outras vezes.

Um movimento usado para defesa e ataque ao mesmo tempo superando o líder por um único segundo, foi fatal, recebeu o tapa no meio do rosto.

Porém…Algo aconteceu.

Ou melhor.

“Não” aconteceu.

O tapa foi “normal”?

Mas…Percebeu logo em seguida que estaria errado.

Ele usou este golpe para absorver todo o Ki do adversário para seu punho.

Transformação.

Esta é outra variedade.

O ki pode ser moldado em algo totalmente novo, o limite é a imaginação e habilidade do usuário.

Kai moveu todo o Ki de seu corpo, e aquele que roubou do inimigo, para seu punho.

Usou a transformação e o moldou em uma flecha.

Multiplicou novamente com o Reiki.

Colocou seu elemento das chamas em cima.

Adicionou uma magia de impacto.

O golpe não seria pequeno.

Deu um passo a frente e bateu a flecha no inimigo.

A explosão fora imensa gerando ventos furiosos ao qual jogou o líder caído de costas ao chão.

O príncipe deu um sorriso.

“Eu sei que você se defendeu no ultimo instante.”

“…”

Notou a mesma expressão no rosto do adversário.

Sim.

Era verdade.

Quando Kai bateu nele…Conseguiu ativar seu Ki novamente.

Conseguiu jogar o impacto e a magia de remoção sensorial fora.

Mas não fora rápido o suficiente para as outras.

Porém…Evitou o pior.

Ficou sentado cuspindo sangue para a direita.

E claro.

Depois dessa ultima colisão…A garota começou a abrir os olhos.

Os dois perceberam.

“Hu.”

Ficou em pé.

“Agora que ela acordou…As coisas podem ficar complicadas, vamos terminar isso em outra hora.”

Sim.

Fora embora.

Desistiu na hora.

E a julgar que queria matá-la quando estava dormindo e chamou de bruxa…Deu uma risada.

Exatamente.

Talvez seja um pouco.

Só um pouco.

Perigosa?

Virou o olhar a encarando que ainda estava sonsa esfregando os olhos, meio que avulsa a tudo que tinha acontecido.

Porém…Após alguns segundo a ficha caiu.

O cenário foi completamente remodelado.

Kai deu de ombros.

Fez sua parte, se virou e foi andando, com certeza ela era problema, e era a ultima coisa que queria ter.

“Pode parar!”

“Hã?”

Foi pego de surpresa e se virou a encarando.

“O que foi?”

“Cadê minhas coisas…?”

“Coisas?”

Fez um esforço e lembrou.

Realmente.

Ao redor dela…Tinha pelo menos um báculo, duas mochilas, e uma nave de transporte.

Estavam ali até o momento que usou sua poderosa combinação.

Sim.

Suor frio pingou.

“…”

“…”

Logo..

Ele correu para frente!

“Volta aqui!”

—–

Adeko estava em seu escritório assinando vários documentos.

Desde o incidente de 18 anos atrás se transformou em uma outra pessoa.

Passou a treinar com Sorae todos os dias tendo a ajuda dos outros guerreiros.

Onde normalmente sempre costumava desistir…Não.

Não dessa vez.

Decidiu levar a frente colocando toda sua alma naquele objetivo.

Com certeza iria suceder Órion com mãos de aço.

Não importa o que.

Seu talento nato a magia aflorou de uma maneira imensa a ponto de ser convidado a se unir aos Julgadores ocupando o lugar do falecido irmão.

Mas negou.

Não queria algo assim.

E então com sua recusa foi o momento perfeito para fazer crescer ainda mais o mito ao redor de Kaori.

Adeko…Fez seu nome em várias guerras levando Kanszes a vitória atrás de vitória.

Seus cabelos cresceram caindo até os ombros, o principal responsável pelo seu apelido…

“O Leão dourado de Kanszes.”

Seu olhar imponente que passa a sensação de invencível faz parecer olhar com desprezo para qualquer outro, também cresceu neste tempo, estando com 1,87cm.

A porta foi aberta o fazendo levantar o olhar até ela.

Era Kaori.

“Houve algo?”

Balançou a cabeça positivamente.

“Ouvi dizer que você quer que eu participe da campanha em Ballas?”

Assentiu positivamente.

“Sim, está na hora de começar a lutar esse tipo de batalha, com você na linha de frente só teremos a ganhar, em alguns dias vai ser mandada para negociar uma aliança com o Rei de Ballas, estamos muito atrasados e você precisa dessas experiências, é o momento de lutar uma guerra, Kaori.”

“…”

Não.

Não podia negar.

Era o que sempre odiava.

Por estar em um lugar que não é dela.

Por tudo que se deu seu nascimento e as conseqüências dele.

Não.

Não se vê no direito de negar absolutamente nada.

Então…

Sim.

Só tem algo que pode falar.

“Sim, pai, eu farei…”

—–

Azul…A cena era no meio de um vasto oceano.

Transparente.

A água é tão limpa e recheada de recifes de corais que era possível ver por completo seu interior e toda a vida marítima passando.

E era apenas isto.

Para onde quer que olhasse apenas podia ver o infinito azul, como se o mundo fosse uma piscina infinita.

Uma sombra.

Ela passou dando um rasante na água de maneira extremamente veloz, logo depois, tomou caminho para cima levantando uma boa quantidade fazendo surgir um arco Iris, enquanto ele, aquele ser, ficou a frente do sol com partículas em volta.

Olhou para frente.

“Deixe renascer aqui…”

A história de 3000 anos atrás…

Ainda não terminou.

Está reiniciando, tendo seus protagonistas finais sendo colocados a prova.

E “intrusos.”

Estas pessoas não deveriam aparecer.

Mas quem realmente liga?

“Apenas irá tornar tudo mais interessante.”

A figura..

Deu um largo sorriso.

—–

Após a conversa com seu pai…Andava pelos corredores do castelo.

Colocou a mão no bolso da saia, tirou o celular e começou a ver alguns sites.

Fez um olhar desanimado.

“Você…Não vai vim mesmo…Kai…?”

Levou um susto.

Alguém ligava.

Viu o número.

“Kyara?”

É sua prima.

Imediatamente atendeu.

Foi conversando enquanto andava pelo castelo.

—–

Conversam por quase 20 minutos, Sólis, uma amiga de ambas também fez uma ligação cinco minutos depois e o trio levou um papo durante este tempo, mas já desligaram.

Parou na margem da praia.

O colocou no bolso.

“Sempre me falaram que os dois dias mais importantes da sua vida são quando você nasce, e quando você descobre a razão pelo qual você nasceu…”

Deu um sorriso, só que…Não é felicidade, e sim aquele sorriso de pura frustração.

“Então…Esses meus d-

“Está ali!”

“Eh?”

Quando se virou…Foi cercada por quatro garotas.

“Vocês…”

As reconheceu.

São as meninas do mesmo estúdio de dança que pratica, porém, da categoria sub-13.

“Não esperava encontrá-la aqui, Kaori.”

“Professora?”

Veio dando alguns passos a frente, sorriu e cruzou os braços.

“O torneio vai acontecer aqui amanhã, então as trouxe para praticar e já se habituarem a todo o clima, e sabe de algo?Elas são suas fãs.”

“Sério?”

Alunas mais velhas não costumam ter tanto contato com as mais novas.

O prédio é gigantesco.

E ficam separadas por andar de acordo com a idade, as competições, rotinas, horários, tudo é diferente.

Então raramente acontece.

“Sim!”

“Você é incrível, Kaori!”

“Seus movimentos, mesmo profissionais não podem repetir, né??”

“Ah, sério, Perseus vai ter tanta sorte!”

“Né?”

“…”

Abaixou a cabeça.

Mas…

Fez força.

Sorriu em direção a elas.

Se ajoelhou.

“Ok!Eu vou ficar com vocês, e se esforcem, heim?Para poderem, igualmente, ficarem com o garoto que realmente amam!”

“Sim!”

Doeu.

Dizer isso…Foi como uma facada no coração.

—–

“!”

Kai ainda fugia.

Mas…

Parou no meio da estrada.

Caminhou até uma banca.

E pegou o panfleto.

“OI, OI, OI, OI, VOCÊ VAI PAGAR ISSO, MOLEQUE!”

Era um anuncio do casamento.

O rasgou em mil pedaços!

Jogou algum dinheiro na direção dele o surpreendendo e voltou a correr.

Se distanciando cada vez mais.

Tentando fingir que tal evento nunca vai acontecer, até que algo chamou sua atenção na estrada, parou e olhou a direita, tinha dois mecânicos, um usava uma escada para poder alcançar a cabeça deste robô de 6 metros, enquanto o outro mexia no teclado ao lado, ao redor de ambos tinha uma blitz policial.

Ah sim…

São as unidades novas de guerra conhecidas como titã, a fase de testes acabou e serão usados para tentar pacificar novamente a área mais a frente onde entrou em combate com aqueles homens.

“Hu..!!Ainda faltam alguns ajustes aqui…”

Podia escutá-los.

“Mas ficar apenas fingindo que eles não existem…Nunca vamos mudar nada a respeito disso..!”

“!”

O irritou.

Por algum motivo o irritou.

Cerrou os dentes e voltou a andar sem rumo.

Aliás…

Algo não sai de sua cabeça, ainda a respeito do encontro que teve, ele tem uma sensação, “”leve”” sensação que…

—–

Perseus dirigia um carro por uma estrada na montanha junto a outro, tirou o óculos escuro, parou o veículo, saiu e caminhou até a beirada olhando a paisagem utópica a frente com o vento batendo em seus cabelos.

Levantou o punho na direção do sol, e então…Fechou!

Como se tivesse capturado a estrela.

Um sorriso surgiu em seu rosto.

“Em breve…Irei sem dúvida colocar todo esse continente aos meus pés usando o poder de Kanszes ao meu lado.”

Contos de Ustrael – Rodas do Destino (Prólogo)

O dia novamente se encontra amanhecendo em uma das ilhas que compõem o país de Kanszes.

Junto a esta manhã de um sol imponente ao qual nuvem alguma podia impedir a maior força do sistema solar brilhar em um show único…

Os pássaros passavam voando cantando mais alto que o normal.

Era diferente.

Tudo hoje era diferente no país.

O motivo?

Ele é um.

E ao mesmo tempo…

O maior possível.

Uma imensa festa que cobriu todas as ruas da cidade teve-se inicio com inúmeros balões tomando rumo ao infinito azul.

Papeis eram jogados dos aviões para baixo enfeitando por completo a cidade ao qual tinha seus habitantes fazendo diversas atividades distintas em meio as comemorações.

Um jovem caminhou até o topo do castelo e sorriu orgulhoso com o vento batendo confortavelmente em seus cabelos enquanto observava a paisagem utópica a frente.

O cabelo era um poderoso tom de dourado com olhos vermelhos profundos como fogo.

Adeko possui 20 anos e 1,80cm.

“Hoje, definitivamente é um dia especial.”

Sim.

Com certeza.

Afinal…

Seu irmão mais velho e Rei retornava do campo de batalha com uma esposa e filho.

Tinha ido para a guerra e o deixou cuidando do reino em sua ausência de dois anos fora.

Neste tempo se apaixonou e casou-se com uma mulher com a qual se tornou pai.

Explosões.

Fogos começaram a serem lançados no ar nesse momento e formar diferentes imagens.

No mesmo momento…

Um carro com enfeites dourados, tendo suas janelas totalmente negras, estava adentrando na rua sendo protegido por dez guardas.

Cinco a direita.

Cinco a esquerda.

Dentro dele.

Estavam ali.

Se encontravam Órion e Sorae.

Sorae, uma jovem mulher de 23 anos possuindo longos cabelos negros até as costas, também tem uma boa estatura com 1,75cm.

Lisos.

Eram completamente lisos e possuía luzes brancas.

Qualquer um podia perceber como eram bem cuidados.

Também retinha uma franja na testa ao qual ajudava a realçar as curvas perfeitas do rosto.

Aqueles olhos azuis eram profundos.

Até demais.

Tão belos que uma reação normal seria se perder nos mesmos se fosse encarada por muito tempo.

Usava uma camisa branca com uma saia negra junto a um colar de prata e a aliança no dedo.

Em seus braços…

Estava segurando uma criança.

Que dormia tranquilamente.

Se virou sorrindo a direção de Orion.

Que retribuiu a expressão.

O Rei de Kanszes retém cabelos roxos escuros espetados até a orelha junto a olhos vermelhos tal como o irmão.

1,85cm e 25 anos.

Só que é diferente.

Só de observar é o suficiente.

Até intimidante.

Qualquer coisa refletida por tais olhos profundos como o sangue se faz parecer menor do que realmente é.

Claro.

Com certeza.

É está a visão de um real conquistador.

Que só passa uma imagem a seus inimigos.

Invencível.

E nada.

Nada mais.

Usava uma roupa que muito se assemelhava aos capitães da marinha com acessórios dourados.

Sorae teve sua atenção a janela.

É a primeira vez.

Mesmo que estejam juntos a algum tempo…

É a primeira vez que vem ao país.

E não consegue tirar a expressão de felicidade do rosto.

É incrível.

“Então, este é o seu reino, né?”

Conseguia ver um grande número de pessoas do lado de fora tal como a festa.

“Hê, ele é realmente lindo e o povo olha bem feliz, não pensei que um cabeça dura como você pudesse ser tão adorado.”

Deu uma risada ao escutar, a encarou e repetiu a expressão.

“Este reino foi criado através de inúmeras batalhas e sacrifícios enormes, muitas pessoas deram sua vida para fazer dele o que é hoje.”

Era visível o orgulho com o qual estas palavras eram ditas.

Sim.

Sem duvidas.

Kanszes é um reino extremamente jovem que conseguiu ascender ao poder de maneira recorde.

Isto jamais seria possível se homens que não fossem dignos o bastante de serem chamados de Reis estivessem o regendo.

E com ele…

É apenas natural.

Não era nem um pouco diferente.

Alguém que coloca o país acima de sua própria vida e o rege com mãos de ferro fazendo o possível para deixar o povo protegido.

Sorae com certeza acha essa uma qualidade incrível.

Mas…

Ao mesmo tempo muito fácil de ser transformada em uma maldição.

“Sorae.”

“Sim?”

“Acho que ainda não perguntei isso até agora, mas…Você considera alguns atos que eu tomo como tirania?”

“Eh?”

Fora pega de surpresa com a pergunta.

Mas…

Teve alguns flashes da guerra.

E realmente.

Algumas atitudes podiam ser talvez questionadas pela aparente falta de humanidade.

Porém…

“…Um Rei precisa ter ambição, né?Precisa fazer que seu povo prospere, um Rei sem ambição e que por isso é incapaz de manter seu país prospero e fazê-lo vivenciar infinitas percas e choro daqueles que devia proteger, não pode ser um Rei, é necessário ser um exemplo para os dois extremos, não acho que seja um tirano, é apenas um Rei que faz o necessário para que tudo se mantenha e siga em frente, faz o trabalho de um, este é um mundo engraçado, sabe?Se você quer proteger o sorriso precisa derramar sangue, bem, não há nada que possa ser feito quando mesmo nos livros mais antigos da história da humanidade datam conflitos.”

Deu algumas risadas o surpreendendo.

“Mas o que foi isso?Aposto que essa pergunta foi por que tem medo que seu filho cresça com medo do pai, não é?”

“…”

Levou a mão a cabeça e sorriu.

Exatamente.

Infelizmente ele irá crescer no meio de um ciclo infinito de batalhas.

Desde jovem, será obrigado a vivenciar uma guerra real, e principalmente, certas decisões que precisam ser tomadas.

Em meio a tudo isso, ficou preocupado de passar uma imagem de insensível.

“O todo poderoso Rei de Kanszes na verdade, é uma manteiga derretida?”

“Talvez.”

Colocou a mão na pequena cabeça de seu filho.

“E é por isso, Sorae, que você irá me ajudar, me ajudar a criar esta criança para ser um homem forte que defenda seu povo com mãos de aço e ajude o país a ficar cada vez mais e mais forte sem se perder no caminho.”

O carro se moveu mais um pouco e pararam em uma praça enorme, ambos desceram e assim que tocaram o chão…

Uma verdadeira “explosão” de reações.

O grito ecoou.

Várias flores foram jogadas contra a dupla.

E por causa do barulho…

A criança abriu os olhos.

Sorae e Orion perceberam, o rei o pegou no colo e o colocou sentado em seu ombros.

“Veja bem Kai, você um dia ficara responsável por este povo.”

Kai não entendia o que estava ocorrendo.

Mas…

Aquelas pessoas que refletiam em seus olhos vermelhos, por algum motivo…

Sim.

Sentiu uma sensação nostálgica.

“E eu queria, queria realmente amor, que sua irmã pudesse estar aqui para vivenciar tudo isso.”

“Sim..Eu também…Mas a vida prega peças que não desejamos…”

—–

Assim que adentraram o castelo caminharam até a sala do Rei.

E então.

A porta se abriu.

Ele se encontrava em pé ali.

Os esperando.

Adeko.

Órion sorriu e se aproximou.

Nada.

Nenhuma palavra foi dita.

Apenas se encaravam.

Com uma imensa expressão de respeito.

Se aproximaram e abraçaram.

“Bem vindo, idiota.”

“O reino está em excelente estado, fez um trabalho fantástico enquanto estive fora, obrigado pelo esforço.”

Adeko se virou e foi em direção a Sorae que tinha Kai aos braços.

Neste momento, os raios de sol passavam pela janela e iluminavam o salão.

Deu um sorriso sincero.

“É um prazer conhecê-la, Sorae.”

“Sim!Igualmente.”

Deixaram Kai em um berço na outra sala.

Enquanto um banquete fora preparado para todos do país em homenagem a volta de Órion.

A comemoração durou algumas horas.

E, após ela, Sorae fora tomar banho enquanto os dois irmãos estavam sentados a sala.

Adeko o encarou.

“No campo de batalha…Como vão as coisas?”

“Já foram piores, a batalha contra Others está se aproximando de um clímax, apenas voltei pelo nascimento do Kai.”

Conseguiu notar nestas palavras…

Órion não gostou muito de ter voltado.

Nem um pouco.

A realidade é outra.

Se pudesse escolher com certeza iria liderar o exército.

É alguém que coloca o país até mesmo acima de sua própria felicidade e desejos pessoais.

Afinal…

Kanszes precisa prosperar.

É sempre o pensamento final.

Não importa o que.

“…Não podemos simplesmente abandonar aquela terra?Sim, eu entendo que é um local  fantástico e cheio de recursos!Mas essa batalha já perdura há muito tempo e-

“Eu entendo as conseqüências de continuá-la.”

O cortou antes de terminar.

“Mas simplesmente não posso recuar, Adeko, você sabe que tudo isso, esta cidade, este solo, foi construído do 0 por nosso avô apenas um pouco mais de 200 anos atrás, desde um pequeno grão de areia ele construiu muralhas, conseguiu aliados influentes fazendo missões de alto risco, obteve  dinheiro, poder militar e sozinho fundou Kanszes, morreu protegendo essa cidade com apenas 300 mil homens perante 600 mil do inimigo, e era um momento difícil, as secas grandes e a política em baixa não ajudavam, porém foi para a linha de frente fazendo todos recuarem e morreu em decorrência dos ferimentos, é por causa de pessoas como nosso avô foi que sempre devemos fazer o melhor por este país, eu não vou desistir daquela terra, de jeito nenhum!”

Conseguiu notar um brilho no rosto de seu irmão.

Tinha um orgulho imenso de toda a história deste país.

E iria protegê-la.

Não importando o que.

É uma maldição.

Adeko lendo em livros antigos descobriu algo que o fez ficar assustado.

Kanszes teve três reis até agora contando com Órion.

Todos morreram.

Morreram em grandes batalhas.

A frente de seu próprio povo.

E os dois predecessores eram iguais a Órion.

Colocando o país acima de tudo.

Por que?

Então por que?

Não faz sentido.

Nenhum.

Não importa por qual ângulo tente ver.

Ele com certeza sabe sobre essa “coincidência”, e mesmo assim continua tomando um caminho que pode fazê-lo ter o mesmo fim.

Por que todos que ficam a frente deste país possuem este sentimento?

Não conseguia entender.

Nem um pouco.

Percebeu o rosto preocupado de seu irmão mais novo.

Deu um sorriso de gratidão a tais sentimentos.

“Sabe, Adeko?Se você realmente vai lutar por algo, vivencie esse “algo” com seus próprios olhos, o sinta com suas próprias mãos para não restar nenhuma duvida ou incerteza do motivo ao qual usa para empunhar uma espada, pois no futuro quando finalmente visse a contradição que se tornou, se vendo transformado naquela pessoa que sempre odiou, como iria reagir?Como iria olhar os filhos?As pessoas ao redor?A realidade que nos cerca é horrível?Sim, mas viver um sonho impossível e ter sua personalidade moldada por uma fantasia ou por uma falsa certeza, é pior ainda.Então não seja alguém que não possa se orgulhar no futuro.É por isso que lutamos acreditando no que para nós é certo, pode ser para os outros?Não, nunca será, nossas espadas sempre vão causar dor, mas alguém tem que lutar.As pessoas que podem realmente fazer a diferença e tentar mudar o mundo fazendo os papeis de vilãs da histórias precisam carregar o fardo, precisam tirar vidas, destruir, fazer os outros chorarem, sim, tudo é necessário, os fins precisam justificar os meios, só assim a paz pode ser alcançada, e então, quando ver seu filho brincando, não se orgulhe por o dar esta vida sendo que antes matou, mas tenha orgulho do filho dele que não tem nada haver com o que veio antes viver em um mundo em paz que você lutou, um mundo que você buscou moldar sem nenhuma duvida, aquele mundo que vislumbrou da triste situação que fora obrigado a passar e imaginar.”

“!”

Esbugalhou os olhos.

Fora pego completamente de surpresa.

Exato.

Os dois cresceram sozinhos desde que o pai de ambos morreu protegendo todo este solo que pisam.

E Adeko sempre teve uma visão de uma terra em paz envolvendo a todos.

Não.

Não era só pelo país que Órion lutava.

Muito pelo contrário.

Ficou em pé.

Pelo irmão.

Pelo povo.

Até mesmo por reinos mais fracos que não podem tomar um partido.

Não é a toa que os outros Reis são incapazes de entender os motivos que levam uma potencia como Kanszes, muitas vezes, em firmar uma aliança com reinos mais fracos.

Está disposto.

Totalmente decidido a ser visto como um vilão.

Se isso signifique parar todas as batalhas…

Realmente, não liga.

Os fins vão justificar os meios.

Se ele será visto como o vilão.

Dane-se.

É desnecessário se preocupar.

Se tais ações podem levar a paz.

É o correto.

“Bem, eu vou caminhar um pouco e ficar reflexivo, nos vemos mais tarde.”

“Sim…”

—–

Após alguns minutos da conversa estava andando pelos corredores com os braços cruzados.

Ainda pensativo nas palavras de Órion.

“Aceitar ser visto como um tirano com o objetivo de criar um futuro em paz para todos, é…?”

O mundo faz questão de despedaçar os ideais.

Isso, infelizmente, é algo fácil de acontecer.

Até com os mais fortes psicologicamente.

Seu ideal para lutar sempre pode ser desmentido por qualquer um que fique do outro lado.

E como irá reagir quando isto ocorrer?

Muitos se quebram.

Mas Órion não era assim.

Parecia ser invencível em qualquer campo.

Deu uma risada.

“Comparado a ele, alguém que nem sabe lutar como eu, sou nada, não é?”

Abriu a porta de um cômodo e levou um susto.

O som da porta se abrindo, fez Sorae, que estava sentada lendo um livro, o encarar.

“Ah, Adeko?”

“Sorae…”

Sorriu e foi se aproximando.

Sempre teve algo em mente.

Como?

É possível?

Não vai encontrar uma resposta se não perguntar.

Então era o momento.

“Então, como conheceu meu irmão?Nunca pensei que alguém fosse se apaixonar pelo cabeça dura que ele é.”

Deu uma risada em resposta.

“Órion sem duvidas é um cara complicado, mas por baixo daquele exterior de general existe um molenga gentil, imagino que conheça melhor do que eu.”

“Talvez?”

Se sentou a poltrona a frente.

“Mas e você?Esteve cuidando desse reino o tempo todo que Órion lutava, certo?Dois anos inteiros.”

Fez um olhar um pouco cabisbaixo.

Foi perceptível.

A nova Rainha viu.

“Diferente do meu irmão…Eu não tenho força e nem sou um líder tão bom, mas me esforço para tentar fazer o que ele faria, já que não tenho o poder necessário para lutar em guerras de tão alto nível eu tenho que pelo menos fazer o que eu conseguir aqui.”

“Cada pessoa realmente faz o que está ao alcance, não diminua sua existência se comparando ao seu irmão, vocês são pessoas diferentes, tem forças diferentes.”

“Hê, mas eu queria mudar, nem que fosse só um pouco.”

Olhou para cima.

O teto tinha uma janela transparente onde os raios da maior força do sistema solar poderia adentrar.

E deixava o lindo céu azul exposto.

“Desde a infância sempre fomos nós dois, e sempre tive que deixar o trabalho pesado na mão dele, um dia, pelo menos uma única vez, gostaria de retribuir a altura tudo o que fez, pois com certeza não estaria aqui se não fosse por ele.”

“Eu posso te ensinar.”

Fora pego de surpresa.

Claro, Órion sempre disse a ele que Sorae era uma mulher realmente forte.

A mais forte que conheceu.

Um verdadeiro gênio.

Treinar com ela seria uma oportunidade única.

Mas…

Nunca foi nem mesmo mediano.

Mesmo com generais de elite do país o ensinando nunca foi muito bom em magia.

E quando a guerra chegava, ficava realmente frustrado.

Pois seus esforços nunca deram resultado.

Não importa quantas noites perdia treinando.

Não importa o quanto se ferisse.

Não importa o quanto se esforçava.

Não importa a alma que colocava em cada punho.

Nada.

O resultado nunca veio.

Acabou acreditando que não era para ele.

Então…

Sim.

Desistiu.

“Eh… Obrigado, mas acho que vou passar, apesar de eu ter algum talento para magia não acho que me tornaria muito bom nisso, mesmo na escola eu não conseguia, não falando que você seria uma professora ruim e-

Uma péssima escolhas de palavras.

Com certeza.

O motivo?

Bem…

Um livro voou em sua cabeça o jogando junto com a poltrona de costas ao chão.

Ficou com os olhos girando.

“O que diabos…AAAAH!”

O grito teve um motivo.

Terremoto.

Agora foi uma estante que o fez rolar para a direita.

Foi Sorae que o atacou.

“Isso é irritante!”

Caiu sentado.

“Rapaz…Essa personalidade…”

Sorriu assustado.

Até engoliu em seco.

“Acho que sei como atura o Órion.”

“Você, Adeko.”

“Hã?”

Agora a voz saiu séria.

A encarou.

“!”

O deu um olhar penetrante.

Até demais.

Sim.

Era como Órion.

Esses olhos rígidos que refletem qualquer coisa a frente…

Se faz parecer menor do que realmente é.

É difícil encarar.

Surge um desconforto.

“Você se amaldiçoa por não poder lutar ao lado do irmão, mas…Também não faz nada para mudar, não é?Não pode esperar resultados diferentes se você sempre repete os mesmos dias, é como aqueles que almejam o topo mas quando vêem o que existe entre o começo e a glória desanimam e desistem na hora, esse tipo de pessoas são realmente irritantes…Se tem medo de percorrer a estrada, por que ao menos cogita pensar?Isso cria um complexo de inferioridade e não só magoa você, e sim aqueles ao redor, se você realmente quer mudar…”

Se colocou de joelhos e sorriu.

“Não tenha medo da estrada e não procure motivos para fugir do amanhã, atropele essa estrada, eu vou lhe ajudar!”

“Sorae…”

Abaixou um pouco a cabeça.

“Claro, eu não conheço nada sobre seu passado, mas eu pude sentir, sentir muita decepção em cada palavra dita, como se já havia tentado e falhou antes, não apenas uma, duas, três, inúmeras vezes, mas escute algo, Adeko, você é um Rei, sim, Rei, fez esse papel por dois anos inteiros e fará novamente,  você mesmo desconhece a força e capacidade que tem, de tanto dar ouvido as pessoas que é fraco, acabou acreditando, e essas palavras se juntando a frustração do fracasso nos treinos, sim, é normal se sentir abalado, mas vamos, eu quero ajudá-lo a levantar.”

Sim.

O olhar lacrimejou.

Sorae era mesmo incrível, como Órion disse.

—–

As horas passaram rápido.

Já estava de noite.

Era uma visão sensacional.

Estava realmente utópico nesta noite.

Um número incontável de estrelas como se fossem grãos de areia na praia eram visíveis sem uma única nuvem no céu.

Galáxias.

Duas galáxias também podiam ser totalmente observáveis a olha nu.

O cenário…

Parecia ter sido criado por um Deus esta noite.

As comemorações ainda continuavam.

Porém em menor escala.

Duas pessoas.

Dois homens encapuzados se encontram sentados a uma barraca bebendo.

Eram soldados de Others.

A infiltração foi feita com sucesso.

Vide toda a festa e sendo apenas três pessoas…

Dificilmente seriam notados.

A missão era apenas uma.

“Eliminar Órion e destruir Kanszes.”

Fora dito por um deles.

Um sorriso foi visto na escuridão do capuz.

Fang era o nome.

“Isso nunca pareceu tão fácil.”

“Não deixe esse poder lhe subir a cabeça só por que foi o escolhido.”

“Ah?”

“Mesmo que o terceiro irmão não esteja aqui, e você tenha sido escolhido para reter um link-orgânico com o abyssal…Nunca é bom subestimar o mais poderoso julgador.”

“Ho, Irion, você está mesmo mostrando respeito por um general inimigo?Não aprendeu com tanto tempo de militar que adversários são apenas a escória que tiveram o triste destino de nascer no tempo e lugar errado?”

“Hu, estou tentando é botar um pouco de juízo nessa sua cabeça de imbecil.”

“Não que isso faça diferença.”

Perseus fora dando alguns passos a frente.

Olhou para o castelo e mostrou uma expressão sádica.

Se vestia de maneira curiosa para quem pretende causar uma carnificina.

Trajava um elegante terno com listras douradas.

“Independente de quem seja, apenas vamos destruir tudo.”

—–

Algo estava errado.

Órion e Sorae já haviam tido este pressentimento há algumas horas.

E agora se encontra pior.

Como se um perigo realmente grande estivesse ao lado.

Ela parou ao lado do Rei.

“Querido, você…-

Assentiu com a cabeça antes dela terminar.

“Isso é ruim, um ataque ocorrer agora iria atrasar muito nosso tempo de reação vide a todas as festividades.”

Levou o dedão ao queixo e cerrou os dentes.

“Fui descuidado.”

Era tudo que conseguia pensar.

Preparou esse retorno durante meses e montou a defesa buscando não deixar nenhum intruso ter sucesso em entrar na cidade.

Mas ocorreu.

Isso significava algo.

Já estavam ali dentro antes.

Pois já sabiam que hoje era o seu retorno, e buscando se aproveitar da guarda-baixa dos soldados iriam para o movimento no momento de maior “relaxamento” de sua força militar.

“Algum tipo de traidor no meu exército?Isso pode realmente se algo viável…”

Adeko estava na mesma sala.

E ao escutar sobre isso…

Flashes vinham a mente.

Só conseguiu ficar frustrado de se algo acontecer não ser capaz de fazer nada novamente.

E seu medo…

Iria se tornar realidade.

“!”

Órion abriu a janela e levantou o olhar.

“Isso…”

O céu fora completamente obstruído.

Nuvens cinzas em tons amarelados tamparam por completo a cidade trazendo a escuridão.

Uma sombra gigantesca “abraçou” tudo.

Não.

Uma sensação horrível de morte se impregnou no local.

O medo e desespero nas pessoas foi algo automático.

Claro.

Isso não era um fenômeno natural.

Era impossível.

Os ventos…

Ficaram fortes.

Terrivelmente mais fortes.

Podia levantar carros inteiros e causava ferimentos nas pessoas normais ao qual se apavoraram e começaram a buscar abrigo.

O sangue…

Parecia ter a forma de inúmeras partículas vermelhas pela cidade.

Furacões.

Começaram a se formar.

Algo também começou a nascer nas nuvens.

Uma esfera de 20 metros se abriu.

O olhar do Rei se abalou.

“Aquilo…”

Inúmeros soldados começaram a sair dali.

Era um teletransportador!

Foram como formigas deixando o formigueiro.

Explosões aconteciam em todas as partes da cidade conforme se chocavam ali e iniciavam o ataque brutal.

O cenário mudou radicalmente em um único flash.

—–

Construções desabavam seguidamente levando destruição e fumaça para todos os lugares.

As ruas foram pintadas do vermelho das chamas e do sangue daqueles que caíram e foram esmagados.

Em meio a tudo isto…

Um garoto caiu sentado ao chão altamente ofegante e sujo de poeira, quando levantou a cabeça…

Ele viu.

Viu muito bem.

A visão do que julgou ser o fim do mundo com o inferno subindo a terra junto ao grito das pessoas morrendo refletiu em suas pupilas, tal visão o fez tampar as orelhas como fechou os olhos fortemente.

Estas chamas.

Sim.

Não podiam ser apagadas.

—–

“MALDIÇÃO!”

Imediatamente se virou na direção de Adeko.

“DÊ A ORDEM PARA OS SOLDADOS SAIREM, EU VOU NA FRENTE!”

Após o grito…

Não abriu a porta.

Simplesmente a explodiu e correu para a direita.

“Órion…”

Sorae foi até Kai que estava no berço próximo.

O pegou e levou até Adeko que o segurou.

Ela balançou a cabeça positivamente.

“Tome conta dele, eu vou acompanhá-lo, sei como deve estar se sentindo agora, mas…Devemos ir por etapas, quando esta crise passar tenho certeza que irá nos ajudar no futuro.”

“…Sim, boa sorte.”

—–

Perseus não fazia distinções.

Mulheres.

Crianças.

Jovens.

Tanto faz.

Todos eram vitimas de suas mãos que a essa altura estavam recheadas de sangue.

O jovem herdeiro de Others…

Lambeu os beiços.

Tinha uma cabeça em suas mãos e a jogou para a direita.

Olhou para o castelo

“Vamos lá, Rei de Kanszes, quero que mostre o poder que seu nome tem, o mesmo poder que usou para trair meu pai na colisão de dois!”

Atrás dele já havia um mar de corpos.

Mesmo estando apenas em trio não tiveram problema em mudar radicalmente a cidade.

Isto era claro.

Eram soldados de elite.

—–

Órion…

Ao qual trajava as mesmas roupas de hoje de manhã tocou o topo do castelo.

Teve uma visão perfeita de tudo que o cercava.

E aquilo o encheu de ira.

“Muito prazer, Órion.”

“!”

Essa voz!

Veio de baixo!

Ao olhar…

Ele estava ali.

O soldado do link-orgânico.

Já sem o manto no corpo.

Sua aparência era exótica.

No mínimo.

Possuía longos cabelos negros até a cintura com inúmeras listras vermelhas pelo corpo.

Os olhos dourados possuem as pupilas de um felino.

Estava sem camisa, usando apenas uma bermuda negra até os joelhos, um colar e duas munhenqueiras brancas.

Órion o reconheceu.

Era apenas natural.

Possui uma boa fama.

O suficiente para chegar até ele.

Considerado um dos generais de elite em todos os países que lutam para unificar essa terra, apenas abaixo dos próprios Reis.

Fez seu nome sobrevivendo a inúmeras batalhas sempre voltando vivo sem um arranhão.

Alguém digno do título de exército de um homem só.

“Foi você que causou isso?”

“Hu, e se foi?”

“se foi você, este lugar será seu túmulo.”

Disse sem titubear.

Ignorando por completo a fama do adversário.

Não.

Mesmo que tivesse feitos dignos.

É pouco.

Muito pouco.

Insignificante.

Isso não podia chegar a seus pés.

Perante tal resposta só conseguiu sorrir em desafio.

“Irei colocá-lo no chão!”

Esticou os braços com a destruição ficando mais forte.

“A história desse jovem reino termina hoje!Veja bem, eu adquiri o maior poder deste planeta!”

Era isso!

A aura e sensação de morte não vinha dos soldados de Others.

E sim deste ser…

Um pé gigantesco saiu do portal e tocou o solo iniciando um terremoto.

Pela primeira vez…

O olhar de Órion realmente se abalou por um segundo.

Tinha 700 metros.

Os braços eram maiores que o corpo tocando o solo.

O corpo era completamente transparente podendo ver os órgãos.

Cada punho só tinha três dedos.

Aqueles olhos eram completamente vermelhos como fogo.

Exatamente.

Um ser Abyssal.

A criatura…

Levantou o punho direito para cima no mesmo momento que começou a relampear.

E então…

O desceu!

O impacto separou a cidade em duas criando uma gigantesca fenda de destruição além de cobri-la com fumaça.

A velocidade foi tanta que causou combustão.

Uma imagem aérea mostrou o fogo preenchendo todas as ruas em uma reação em cadeia.

—–

Tanto caos finalmente fez Kai abrir os olhos.

E começou a chorar.

Adeko o abraçou.

“Tenha calma sobrinho!Confie, confie no poder de seus pais, com certeza eles irão dar um jeito em tudo isso!”

—–

“Eu irei mostrar…Irei mostrar ao demônio o poder do coração humano!”

“Hu!Este é o fim!”

Novamente!

O colosso ergueu seu punho ao qual passava a altura das nuvens.

Porém..

Dessa vez o alvo era Órion.

E o desceu como um punidor divino na direção do mesmo!

“Vamos!Se você se esquivar todo o castelo será destruído!”

“Algo assim…”

Não.

Ele não se movia.

E cada vez o golpe se aproximava mais e mais.

A colisão parecia ser apenas uma questão de tempo.

“Não é necessário que eu me mova.”

Se ajoelhou, encostou a mão direita no castelo.

Uma esfera branca surgiu ao redor da construção.

O impacto aconteceu gerando furiosas correntes de ar e a liberar seguidos trovões que iam até a cidade causando explosões.

O gigante fora arremessado para trás.

O escudo sumiu.

Órion olhou para baixo e pulou na direção de Fang.

Este, que sorriu e disparou várias rajadas vermelhas na direção do Rei.

Era como um teletransporte.

No ar, ele se movia que parecia desaparecer e aparecer deixando apenas partículas brancas onde estava.

Foi rápido!

5 metros.

Fora a distancia que parou de Fang quando tocou o solo.

Levantou o olhar e avançou!

Não viu nada.

Só percebeu quando fora fortemente golpeado no rosto o fazendo cuspir sangue gerando uma corrente de ar que jogou o soldado para o ar e começou a cair abaixo.

Não perdeu tempo.

Novamente o perseguiu!

Quando preparava o novo golpe…

Ele voltou.

Ao olhar para a direita só teve tempo de reforçar o corpo com a aura e formar um X com os braços.

Levou um violento soco do Abyssal sendo jogado para trás ocorrendo uma explosão pelo impacto ao qual destruiu a casa em que fora arremessado.

Só deu tempo de ficar sentado.

Uma sombra…

Ela se aproximava.

O motivo?

Estava para ser esmagado por uma pisada.

Cerrou os olhos e novamente se teletransportou conseguido se esquivar.

Tocou o teto de uma casa.

“!”

Jogou o corpo para a direita.

Porém.

Não tão rápido.

Teve o ombro transpassado por uma rajada de Fang sendo obrigado a se colocar ajoelhado.

Ardia.

Queimava seu corpo inteiro de dentro para fora além do sangue começar a escorrer como se fosse uma torneira.

“Hu!Vamos!Será fácil demais se for apenas isso!”

“Você, está confiante demais.”

Ignorando o ferimento.

Ficou em pé e virou o olhar para trás.

Certamente tinha motivos.

Fazer um link-orgânico com a maior força do mundo…

Sim.

Com certeza faria qualquer pessoa ficar auto-confiante.

Mas…

Por que?

Então por que?

Fang não se sentia seguro.

Nem um pouco.

“Eu já disse, este lugar é o seu túmulo, não importa se trouxe um abyssal, NADA VAI MUDAR!”

—–

Irion avançava correndo pelo teto das casas no meio das explosões.

Seu destino era apenas um.

O castelo real!

Ter pego o país com a guarda baixa facilitava muito seu movimento vide que a maioria dos soldados ainda estavam se preparando para sair.

E a elite…

Não tinha nenhum no campo de batalha por enquanto.

—–

Adeko escutou a porta sendo aberta e virou o olhar para lá.

Era um soldado.

“Senhor!Um dos generais do inimigo está se aproximando, ele irá conseguir passar por nossas defesas antes que estejam montadas, vai chegar aqui em pouco tempo!Preciso que o senhor saia!”

“…”

Não.

Novamente?

Novamente teria que fugir e se deixar ser protegido por um número incontável?

Pois seus esforços nunca deram resultado.

Acabou acreditando que não era para ele.

Você se amaldiçoa por não poder lutar ao lado do Órion, mas…Também não faz nada para mudar, não é?Não pode esperar resultados diferentes se você sempre repete os mesmos dias.

Se tem medo de percorrer a estrada, por que ao menos cogita pensar?Isso cria um complexo de inferioridade e não só magoa você, e sim aqueles ao redor.

Inúmeros flashes começaram a vir.

Se fugir aqui, o que vai mudar?

Irá apenas ser um covarde novamente.

Se escondendo atrás de um passado que não deu resultado e fechando as portas da possibilidade de um novo futuro…

Por quanto tempo?

“Não…”

Sim.

Se não pode nem mesmo defender seu sobrinho.

Jamais vai ter a determinação necessária para treinar com Sorae.

Novamente iria desistir no meio do caminho.

Precisa de algo a mais.

Era o momento de começar a mudar.

Este precisa ser o primeiro passo.

Pode morrer?

Claro.

Mas se uma transformação não ocorrer agora.

Não irá com Sorae.

Irá arriscar tudo.

Fez um olhar determinado.

Se aproximou do soldado e o entregou Kai.

“Meu Rei…?”

“Tire o Kai daqui!”

Apontou para a direita.

“O leve para outra sala!”

“Mas meu Rei!Você n-

“Por favor, não faça muitas perguntas, este garoto é o futuro do país, estou apenas, como um Rei, buscando proteger a nova geração, então, vá!”

“…”

Ele viu.

Conseguiu ver a determinação em Adeko.

Apenas balançou a cabeça positivamente.

“Irei voltar logo!”

Correu para fora da sala.

Adeko ficou ali sozinho.

Ele finalmente tomou a decisão.

Ou foge e vive uma vida covarde a vida inteira.

Ou luta e muda.

Ou luta e morre tentando mudar.

A primeira, não é mais uma opção.

A explosão ocorreu na parede a esquerda.

Quando olhou na direção da mesma…

Irion vinha andando por meio da fumaça.

“Onde está Sorae?”

“Eu não sei.”

Retirou a capa e a jogou longe.

“Eu sou o único aqui.”

“Ho.”

Começou a caminhar.

“Por que eu acho que está escondendo algo?”

Adeko pegou uma espada que estava a direita.

A segurou firmemente com as duas mãos entrando em posição de batalha.

“Eu irei proteger…Irei proteger a vida de Kai e a felicidade do meu irmão!”

Bateu o pé no chão e avançou contra o inimigo.

Era um amador.

Não tinha como esconder.

Todos seus golpes eram facilmente lidos.

Não passava perto de acertá-lo.

Nem um pouco.

O soldado de Others deu um passo a frente e bateu na espada para a esquerda.

Foi ao mesmo tempo.

No segundo que o desarmou…

Com a outra mão o socou na barriga fazendo perder totalmente o ar.

E então, no movimento seguinte, o chutou na costela fazendo se chocar violentamente ao chão.

“Onde está Sorae!?”

Esse tom de voz mostrou muito mais pressa do que o primeiro.

Claramente queria terminar rápido.

Então…

Tinha que ganhar mais tempo!

Socou o chão.

Colocou a mão no joelho.

Fez esforço e jogou o corpo para cima.

Dourado.

Uma aura dourada começou a percorrer o corpo do Rei.

“Aquilo é…Aurae?”

Queimava como fogo.

Esta aura queimava como uma chama e liberava partículas.

Este mesmo efeito era notado no fundo de seus olhos.

Deu um passo determinado a frente.

Era diferente.

O clima mudou totalmente.

Até mesmo Irion ficou um pouco surpreso.

Adeko sentia um forte desejo de continuar em pé.

Após finalmente ter decidido parar de viver os mesmos dias imutáveis de lamentações…

Não.

Não podia se permitir ser morto aqui!

Em seu punho direito uma esfera de ouro começou a se formar.

Gritou com toda a força dos pulmões e a disparou na direção do inimigo.

“!!!!”

Foi engolido.

Completamente engolido pela energia dourada.

Explosão!

—–

“Heim!?”

Sorae mandou os soldados a frente, e quando estava se preparando para sair…

Viu todas as janelas do andar de cima explodirem.

“O que está acontecendo ali…?ADEKO!!?”

Imediatamente correu para dentro.

—–

Uma fumaça preencheu todo o salão principal.

Adeko se colocou ajoelhado.

Não tinha realmente controle nenhum de sua magia.

A usou toda e esqueceu de adicionar a potência necessária.

Se tivesse feito os dois…

Teria desintegrado o inimigo.

Dentro dele havia uma potencia invejável, até por isso nem mesmo magos de elite conseguem estabilizá-la.

E por ter falhado…

Uma rajada saiu da fumaça e o atingiu causando uma explosão que o jogou completamente derrotado ao solo.

“Urg..!!!”

Irion ficou irritado.

“Maldito, hu, me assustou sim um pouco, mas vejo que não tem talento algum, é alguém que posso simplesmente deixar pra lá, mas…”

Deu alguns passos a frente.

“Mesmo que pequeno, eu comecei a sem-

Adeko segurou seu tornozelo.

O que o fez parar e olhar para baixo.

Não.

Se recusava a deixá-la avançar.

Ainda podia se mover.

Então tinha algo que podia fazer!

“Me solte!”

Moveu rápido a perna e o chutou no rosto o jogando alguns metros para trás.

Se aproximou da parede ao qual sentiu a pequena pulsação.

Fechou o punho e socou a destruindo.

O que estava ali atrás…

Era o soldado junto a Kai no berço.

Deu um sorriso.

“Escutei algo assim, o filho de Órion, não é?Possui uma magia considerável, tanto que ela simplesmente jorra de seu corpo, certamente é uma ameaça ao qual irei apagar!”

“SAIA!”

O soldado avançou com toda a força.

Mas…

Não era o suficiente.

Fora golpeado violentamente para a direita e caiu desmaiado ao chão.

Agora…

Nada podia impedi-lo.

Apontou o punho na direção do berço.

“Desapareça.”

“PARE!!!!!!”

Adeko gritou desesperado.

Se Kai morresse…

Não.

Não podia permitir!

Mas, o corpo não o respondia.

Tentava se mover.

Mas era inútil.

Novamente…

Então era isso?

Realmente não importava o quanto tentasse mudar.

Sempre o mesmo final estava a espera.

E isso…

O fez socar o chão de raiva com as lágrimas pingando.

Quando a rajada estava para ser disparada…

Sorae o socou forçando para trás.

Um total de 15 metros.

Cuspiu sangue para a direita.

“Sorae!?”

Ela sorriu na direção de Adeko.

“Sorae…”

“Limpe essas lágrimas, eu estou grata, realmente, obrigada por proteger a vida do Kai, agora…”

Ficou séria.

Aliás.

Séria era a palavra errada.

Irada.

Completamente furiosa.

Irion percebeu no mesmo momento o que aquela expressão passava.

“Hu, então finalmente apareceu!”

—–

Órion tocou uma casa levando a mão ao ombro.

Estava difícil lutar contra Fang e o Abyssal ao mesmo tempo graças ao ferimento.

Sentia que podia perder a consciência a qualquer momento.

E então…

O general inimigo simplesmente apareceu a suas costas em uma corrente de ar.

“PEGUEI VOCÊ!”

Fechou o punho e socou!

Não.

Era o que ele queria!

Tudo o que socou foram inúmeras partículas brancas.

Órion tocou suas costas com o punho direito.

“MALDIÇÃO!”

Teve sucesso em jogar o corpo para baixo evitando a rajada que explodiu a construção.

Porém, ainda no ar, o Rei girou o corpo e o chutou com toda a força na nuca o desmaiando no mesmo momento.

Menos um.

Olhou para a direita e cerrou os dentes.

O Abyssal corria na direção do castelo.

Parou abruptamente, e socou!

O Rei surgiu na frente do golpe.

Ergueu as duas mãos para frente criando uma esfera ao seu redor.

Novamente!

Ele e a besta disputaram forças causando um terremoto a atingir a ilha inteira liberando raios do epicentro.

Empate!

Ambos foram forçados violentamente para trás liberando uma corrente de ar.

Órion tocou o castelo.

E ajoelhou.

Estava quase no limite.

Era simplesmente impossível ficar disputando força com tal criatura.

Precisa sempre colocar tudo o que tem de energia para ao menos jogá-lo para trás.

Continuar nesse ritmo era inviável.

Vai perder.

Para completar, seu ferimento só piorava o estado.

“Não permitirei…”

Disse em um sussurro quase inaudível.

Neste momento…

O Abyssal ergueu o punho para cima começando a criar uma esfera.

O ar…

Começou a se concentrar todo ali vindo do país inteiro.

“Não deixarei que faça nada contra esse castelo!Adeko e Kai estão aqui dentro!”

O que veio a sua mente neste momento…

A “maldição” de Kanszes.

Claro.

É apenas natural?

Sobre todos os seus Reis estarem destinados a morrer em batalhas.

Tal como o país sempre atrair conflitos após conflitos.

E ficar arruinado depois do evento precisando de um tempo para se reconstruir.

Sim.

Era uma maldição.

Com certeza.

Parece que este reino só nasceu para lutar e sofrer tragédias.

Não.

Não podia ser.

Órion sempre se recusou a acreditar em coisas tão idiotas.

Sempre disse a si mesmo que mudaria essa maldição.

Então…

Sorriu.

Este com certeza.

Era o momento perfeito!

Ainda não.

Ainda não perdeu.

Socou o chão e ficou em pé observando a criatura que continuava a concentrar energia.

E por causa disso.

Feixes brancos transparentes vinham de todos os lados se “acoplando” ali formando uma esfera.

Encarava o inimigo a frente com um olhar rígido.

O de um verdadeiro Rei.

Sem titubear.

Em momento algum.

“Eu sou o guardião desta cidade, deste país, todas estas pessoas confiaram a mim seus sonhos, e não, eu não vou deixar que um monstro como você tome a vida destas pessoas!”

Levou os dois dedos até a boca dando um alto assobio.

Foi em um único flash.

Dois círculos mágicos surgiram atrás de Órion.

E dele…

Dois dragões chineses saíram.

Um vermelho e um negro.

Possuindo mais de 500 metros cada e bilhões de toneladas de puro músculo.

Como uma corrente protetora se “abraçaram” ao castelo.

O vermelho levantou o olhar.

“Órion, vejo que está com problemas.”

“Hu.”

Deu uma risada em resposta.

“Sim…Vou precisa que me emprestem sua força!”

Ambos viram que precisavam terminar o quanto antes.

O Rei gastou toda a sua energia na colisão de golpes contra o monstro.

Não seria possível abrir esse portal.

A não ser…

Que estivesse mantendo a porta aberta usando sua própria força vital.

Podia realmente morrer se não fossem rápidos.

Estava pronto!

A criatura disparou a rajada!

O olhar de ambos os dragões brilhou e soltaram um rugido em resposta.

As três forças se encontraram no meio do céu de Kanszes…

O resultado fora uma explosão extremamente violenta que jogou fumaça até o oceano e além.

O teto do castelo fora completamente desintegrado.

Adeko, Sorae e Irion olharam para cima.

“ÓRION!?”

O Rei saltou na cabeça do vermelho.

Ao mesmo tempo…

Que o monstro começou a preparar pelo menos 30 do mesmo golpe.

O negro cerrou os olhos.

“Aquele poder todo reunido ali…É por isso que tais criaturas jamais deveriam pisar neste solo, podem colocar em risco a existência do planeta.”

“Este é o maior trunfo de Others que estavam guardado por gerações, para usar hoje…Realmente planejavam nos destruir, mas irei mostrar a eles, com certeza irão se arrepender!”

O Rei subitamente apareceu no céu.

A frente do portal que permitia os inimigos a continuarem descendo.

As 30…

Foram arremessadas!

A dupla novamente disparou os rugidos começando inúmeras explosões no céu.

Órion reforçava os braços com aura e socava todos que iam em sua direção as deixando em melhor posição de abate.

Deu um sorriso.

“Agora.”

Só restou uma.

Se teletransportou a deixando passar.

—–

“Vamos!Continuem indo!”

A cena não era em Others.

E sim em outro país ao qual o exército dos mesmos usavam para se esconderem e usarem o portal.

Isso tinha um motivo claro.

Se os soldados de Kanszes resolvessem atravessá-lo iriam sair em um local completamente diferente.

Este ataque de agora noite…

Sim.

Foi planejado a algum tempo.

“Esperem!O que dia-

A esfera saiu ali.

O resultado fora uma catástrofe.

Uma explosão gigante aconteceu destruindo completamente o país sem deixar um único vestígio varrendo todo os 20mil km de Wiu iniciando uma reação em cadeia.

Uma imagem fora da terra mostrou o caos se espalhando como formigas saindo do formigueiro.

Nada.

Apenas uma cratera perdurava onde uma vez Wiu existiu.

Abyssais retém poder para colocar nações inteiras no chão.

Não é uma existência que deve pisar na terra.

—–

O portal a cima de Kanszes foi destruído em um flash de luz dourada liberando partículas.

Orion caiu ajoelhado em cima dos dragões.

Mais um golpe.

Só tinha condições de fazer um ultimo movimento.

Ambas as criaturas…

Começaram a desaparecer.

Não tinha mais como mantê-los nesta dimensão.

“Órion, você…”

Apenas sorriu.

“Obrigado, talvez, esta tenha sido a ultima vez.”

Manter a porta aberta mesmo por esse curto período de tempo tinha um preço extremamente caro se eram duas criaturas de Rank-S do mundo celestial.

Praticamente…

Sua força vital tinha acabado.

Então…

Fechou o punho mais forte.

Se realmente abraçou este destino.

Ainda tinha uma ultima coisa que deveria fazer.

O Abyssal voltou a avançar para frente.

Os dragões, então, finalmente retornaram.

Olhou para seu punho o abrindo e fechando algumas vezes.

Talvez realmente a maldição seja verdadeira e invencível?

Não.

Com certeza não.

Apenas não devia ser por suas mãos.

Se é mesmo real.

Não é ele que deve destruí-la.

Teve flashes de quando colocou a mão na cabeça de Kai.

Apenas sorriu.

“Vamos lá.”

Sua aura branca começou a queimar como um incêndio ao redor de seu corpo.

Seis assas.

Três a direita.

Três a esquerda.

Formada desta aura foram criadas.

Era o estado final.

O estado definitivo dos magos que usam o Aurae.

Explodiu na direção da criatura deixando partículas por onde passava.

Seu corpo fora preenchido por listras vermelhas.

O Abyssal preparou o soco.

Órion também!

“Experimente, monstro!Vá para o inferno e nunca mais volte!”

Novamente colidiram.

Só que fora diferente de todas as outras vezes.

O Abyssal…

Desapareceu.

Fora a magia final de Órion.

O estado final concede ao usuário três magias para o golpe definitivo.

E por isso apenas cinco na história chegaram até tal lugar.

A vitória foi apenas inevitável.

O primeiro, foi um golpe conhecido como “Age Atack”

Isso o permite atacar no presente, passado e futuro ao mesmo tempo.

Podia ir até dois anos tanto no passado e futuro, ou seja, atacou no passado quando o Abyssal estava dormindo, aliás, quando estava dormindo, a mesma coisa no futuro.

Os danos seriam levados ao corpo no presente.

Junto a ele…

Usou a manipulação da probabilidade.

Mudou para 0 a chance dele se defender ou usar qualquer magia e aumentou para 100% a chance do ataque em conjunto com o Age atack funcionar.

Um ataque que age 2 anos no passado e futuro com 0% de chances de defender e 100% de chances de acertar.

Sim.

Um golpe invencível ao qual poderia ser usado com qualquer outra magia para combinar a essas duas ou apenas um movimento mais físico.

E a terceira magia.

Uma que apaga os átomos de qualquer coisa que entra em contato.

O motivo de não ter usado isso antes…

É por que consume a energia vital em um grau imenso.

Uma sentença de morte maior do que ter mantido o portão dos dragões aberto.

Tentou lutar contra a maldição até ver que não poderia derrotá-la.

Mas…

Não.

Não tinha nenhum arrependimento.

Toda a aura ao redor de seu corpo sumiu e estava caindo.

Usou seu ultimo esforço para se teletransportar acima do castelo e cair lá dentro assustando os três.

“ÓRION!!!”

Irion ficou branco.

“Ele…Derrotou Fang, o Abyssal e destruiu o portal…Aquele cara…”

“Mesmo que o terceiro irmão não esteja aqui, e você tenha sido escolhido para reter um link-orgânico com o abyssal…Nunca é bom subestimar o mais poderoso julgador.”

Sim.

Mesmo que tenha dito isso.

Não achou que chegaria a tanto.

Não!

A missão não podia fracassar até esse ponto!

Aproveitou que Sorae estava sem a atenção no mesmo…

Apontou uma arma na direção dela.

Sorriu e disparou.

Não foi uma bala.

E sim um tiro de energia.

Quando se virou e o viu chegando…

Tarde demais!

Fora atingida e jogada de costas ao solo.

“ISSO NÃO VAI FICAR ASSIM!”

Pulou pelo teto destruído e fugiu.

Ela ficou sentada.

Não sentiu nada de errado.

Então decidiu ignorar e correu até Órion.

Imediatamente o colocou em seu colo.

Mas conseguiu perceber de imediato.

Não.

Era impossível que sobrevivesse.

Nem por causa do ferimento que poderia ser curado uma magia.

Mas…

Estava branco.

Sem cor.

Até mesmo seus olhos.

A força vital…

Ia acabar.

E isso não é recuperado.

Por tal…

Começou a chorar das lágrimas pingar.

“Querido…Você…”

Conseguiu notar algo.

E só a fez ficar pior.

Por que?

Por que ele a deu esse sorriso?

De maneira hesitante…

Conseguiu levar a mão até a bochecha de sua esposa.

“Eu quero vê-lo…O Kai…”

Passos.

Olhou para a direita.

E viu Adeko com ele nos braços.

Nada.

Sem dizer uma palavra, se ajoelhou e o colocou em seus peitos.

“Obrigado…”

Levou a mão esquerda a pequena cabeça de seu filho.

“Desculpe, Kai…”

Algumas lágrimas começaram a pingar.

“Mas o papai não estará aqui para vê-lo crescer…”

“NÃO DIGA ALGO ASSIM!”

O grito de Adeko ecoou forte.

Sorae olhou assustada na direção dele.

“POR QUE, ÓRION!?VOCÊ SEMPRE SOUBE DA MALDIÇÃO DESTE PAÍS, NÃO É!?ENTÃO…POR QUE!!?”

Não escondia mais as lágrimas.

“POR QUE CONTINUOU TOMANDO TODOS ESSES CAMINHOS QUE COM CERTEZA O FARIAM FICAR CADA VEZ MAIS E MAIS PRÓXIMO DESSE CENÁRIO!!!?”

Se ajoelhou e começou a socar o chão.

Era visível.

Visível a frustração.

Desespero.

E angustia em cada som.

Mesmo que suas mãos tenham começado a sangrar.

Não iria parar.

“VOCÊ VAI MESMO NOS ABANDONAR?!O QUE EU POSSO FAZER?!ME DIGA, O QUE SERÁ DE KANSZES SEM VOCÊ!!!?”

….

Apenas fechou os olhos dando uma ultima risada.

“Adeko…Você…Vai entender tudo quando for alguém melhor do que eu para este solo.”

“NÃO!EU REALMENTE NÃO PO-

“Você cresceu, cresceu demais em apenas dois anos…”

As lágrimas de Órion pingavam.

“Desculpe…Eu nunca pude estar ali para acompanhar isso de perto, queria sempre tê-lo incentivado mais vezes quando éramos mais jovens, sei que cresceu sempre achando que era um fardo, não, nunca foi, sempre foi forte onde eu não conseguia, realmente nascemos para sermos irmãos com cada qual se completando…”

Devagar…

Levantou a mão.

“Órion…”

Se aproximou e a segurou forte.

“A partir de hoje você é o Rei, meu irmão, não chore, continue vivendo…Viva uma vida feliz e que consiga realizar todos seus objetivos, eu…”

Sorriu.

De maneira sincera pela ultima vez.

“Estarei sempre observando.”

E então.

Este foi o ultimo suspiro.

Sua mão sem vida perdeu toda a força.

Tal como os outros dois Reis que vieram antes.

A frente de seu povo.

O protegendo de um desastre.

Órion Kanszes Lancelot…

Faleceu.

Kai continuava dormindo nos peitos de seu pai.

Silêncio.

Nenhum dos dois falava nada.

As lágrimas de Adeko pingavam no chão sem parar.

Mas…

Algo chamou sua atenção.

Por que?

Uma marca…

Surgiu no ombro de Kai nesse momento?

Sorae estava igual.

O abraçou que não tinha reação.

“Adeko…!Eu sei o que está sentido, e…E…Eu…-

Não.

Por que isso aconteceu?

Uma corrente de dor a fez gritar e cair de costas.

“SORAE!”

Sim.

Só podia ser algo.

Aquela arma!

Adeko também a viu a direita.

Com as pernas completamente bambas…

Ficou em pé.

Se aproximou.

A pegou e ficou branco.

Completamente atônito e sem acreditar.

“O gene do androgênesis…”

Um gene militar criado por Others e que fora depois popularizado no continente.

O principal motivo daquele país ter crescido e virado potência.

Foi criado para retirar o filho homem dos pais e o obrigar a entrar no exército.

Sempre quando a mãe possui um filho…

Ela divide uma parte de sua aura com ele.

É algo natural.

O androgênesis força essa aura da mãe a voltar a ela se estiver muito perto do filho.

E quando está voltando…

Leva junto a força vital do filho.

E possui um link natural…

Se a mãe for infectada…

Um nasce no filho.

E vice-versa.

Assim obrigando a se separarem.

Existiam duas versões deste gene.

Esta acima que era a mais “casual”

E outra.

Que faz tudo da primeira versão.

Porém.

Tem outro efeito horrível.

Sobrecarrega por completo a força vital da mãe, o que além de acelerar o processo de sugar a energia vital de seu filho, a mata também por que essa sobrecarga irá explodi-la de dentro para fora.

Não termina por ae.

Coloca uma “validade” no filho.

Jamais passará dos 20 anos.

Com alguma sorte, chega aos 23.

Pois mesmo que mantenha distancia…

Vai ficando cada vez mais fraco.

E fora essa…

A usada em Sorae.

E que por conseqüência…Infectou Kai pelo link do gene.

Só tem um jeito de “aliviar” a aura da mãe.

Tendo uma filha.

Exatamente.

Visto que o gene não funcionaria nela.

Mas…

Por ter a aura idêntica de sua mãe.

Também vai sugar a energia vital do irmão.

O gene não faria distinção neste caso.

Iria para as duas.

Porém, isso serviria para “dividir” a carga e permitir que a mãe sobreviva.

Os dois ficaram em silêncio.

Claro.

Entenderam na hora o que precisava ser feito para salvar a vida de Sorae.

“Não!!!!Não podemos fazer algo assim!”

“Sorae!”

Adeko se virou em prantos em sua direção.

“Você e o Kai não podem morrer!!!Não podem…!Órion nunca ficaria feliz com isso…!Me deixe, pelo menos uma vez, fazer algo pelo Orion…!”

Se ajoelhou e socou o chão.

“Eu também…Eu também…Vou ser a nova espada desse país..‼Ser forte, como meu irmão foi..‼”

“Adeko…”

—–

E então…

Um ano se passou após o ataque.

Uma criança chorava no berço em Kanszes.

Sorae a pegou no colo e a abraçou.

“Kaori, não chore.”

A batalha contra Others não terminou e após o incidente o ódio só se fez aumentar entre ambos os reinos e as batalhas se intensificaram.

Órion virou uma lenda por ter sido a primeira pessoa do mundo a derrotar um ser abissal e ao mesmo tempo proteger o país.

As pessoas do reino não sabiam se Kai era uma garota ou garoto só o tendo visto uma única vez.

A informação também foi escondida por Órion.

Ninguém precisava saber.

Realmente ninguém.

Fez o parto aquele dia sozinho.

Então…

Kaori herdou com tudo o que deveria ter sido dele enquanto ele foi colocado em uma cidade muito distante para não ativar o gene, sendo assim, ele, Sorae, e Kaori não ficariam se matando.

Claro.

Sorae não concordou.

Nem um pouco.

Foi algo que discutiu com Adeko durante todo o período de gestação.

Queria ir embora com Kaori e deixar seu filho com o que direito era dele.

Mas…

A ouvir o que o Rei verdadeiramente pretendia…

Talvez o risco valesse a pena?

“Veja bem, Sorae, por que hoje existe um avião?Por que hoje existe um navio?Um carro?Existem homens que sempre vivem no limite, podiam morrer por suas invenções e idéias, mas…A questão é, a recompensa compensa o risco?Só tem uma maneira de descobrirmos, vamos jogar o jogo do destino, do jeito que estamos…Não podemos salvar os três, essa opção só se torna valida…Arriscando tudo, precisamos viver os próximos anos no limite, vamos confiar, confiar no Kai, em seu filho, no filho de Órion, alguém que herdou os sentimentos do mais forte de todos os homens.”

Sete anos após a batalha, Perseus foi até Kanzes como um homem formado em seus 26 anos e disse que a batalha terminaria se Kaori aceitasse um casamento com ele.

Se isto acontecesse…

Daria a eles, no grande dia, a cura do androgênesis para os três.

E quando ouviu…

Kaori praticamente implorou que fosse marcado o mais cedo possível.

Porém, só aconteceria quando completasse 18 anos.

Após isso a batalha entre Kanzes e Others terminou e o tempo passou.

Só que algo não funcionou como deveria.

Kai fugiu do Reino um dia antes dessa notícia e nunca mais fora achado pelos próximos 10 anos.

Boatos contam que Perseus o enganou.

—–

Kai andava por uma estrada, na ala dos pedestres, enquanto ao seu lado carros e motos passavam a todo momento.

A noticia sobre o casamento de Kaori e Perseus que aconteceria em poucos meses corria o continente.

Adeko o tinha localizado.

Mas manteve em segredo e falou que não o obrigaria a voltar.

Sim.

A decisão deveria partir do mesmo.

Se não…

Não haveria significado algum.

Três meses Kai, sua irmã vai se casar com Perseus nesse tempo, mas espero que saiba que ele não nutre amor nenhum por ela e nem o contrário, só quer ter acesso ao nosso poder militar e usar para conquistar o continente enquanto ela busca a cura, você é o único que pode parar esse casamento, salvar sua irmã, o reino e parar Perseus, então…Pare de perder tempo!

Apenas deu um sorriso.

Não é como se ele tivesse 1/10 do amor de seu pai por Kanszes.

Afinal, quem poderia culpá-lo?

Caminhava no caminho oposto do país.

A conversa era feita por celular.

Conseguiu o número de seu sobrinho algum tempo atrás.

“O que eu poderia fazer indo até lá arrombando a porta e gritando protesto?Perseus é mais poderoso do que eu tal como a Kaori também por ter tido todo um treinamento descente, e quando ela se casar com ele…Qual o problema?tanto ela como minha mãe vão ser curadas do gene, vão poder levar o resto de uma vida normal, eu sou apenas uma falsa existência, se eu morrer ninguém vai ligar ou sentir falta porque eu não tenho ninguém, não significo nada para ninguém neste mundo, porque uma falsa existência como eu temeria a morte?”

Não.

Adeko não recebeu nem um pouco bem estas palavras.

Ficou irado.

“Elas vão ficar tristes quando eu morrer antes dos 23 vitima do gene sendo que minha mãe só esteve comigo por alguns meses e nunca vi minha irmã?Acho que terão muitas outras coisas a se preocupar do que uma tristeza passageira, afinal…”

Sorriu.

“Elas são da elite mundial, e eu, um mero vagabundo, certo?”

“KAI!PARE DE VER AS COISAS PELO PIOR LADO, É VERDADE QUE O PERSEUS LHE ENCONTROU E COLOCOU MENTIRAS NESSA CABEÇA!??!!?”

“Então eu só vou viver esses últimos quatro anos do melhor jeito que conseguir,  hu, eu não preciso fazer nada, tio, apenas vivam suas vidas felizes enquanto eu sigo a minha.”

“EU VOU DIZER NOVAMENTE QU-

Nada.

A voz se perdeu.

O motivo?

Kai encerrou a ligação.

O colocou no bolso e voltou a andar.

“Aquele moleque..!!!”

Parou em um posto de abastecimento na estrada.

Comprou um hanburguer.

Saiu da loja.

Olhou a direita.

Percebeu um homem se preparando para ligar a caminhonete e sair do estacionamento.

Caminhou até o próprio e pediu carona para a cidade mais próxima.

Aceitou.

Subiu na parte de trás.

“Não quer vir dentro do carro?”

“Não, eu gosto de sentir o vento.”

“Entendo, cuidado para não cair.”

Deu a partida, saiu do posto, e então seguiu estrada a frente.

Kai se sentou, pegou o celular, colocou os fones, abriu o pacote e foi comendo enquanto observava as belas planícies recheadas de vida ao redor.

Deixe rodar.

As rodas do destino começaram a se mover.

A história começa a partir daqui.

Nova Light Novel no Itadaki! – Contos de Ustrael

Olá a todos!

Hoje venho anunciar que mais uma nova light novel, assim como mais um novo autor, está dando as caras no nosso site!

A obra se chama “Contos de Ustrael”, e será escrita pelo Anders, e promete vir com muita ação, aventura e fantasia, trazendo o conto de vários reis e suas respectivas nações, conflitos familiares e incontáveis batalhas predestinadas a acontecer! Confiram a sinopse:

Quando as batalhas realmente começaram nesse mundo? É algo impossível de se dizer. Pois não importa em qual livro se olhe, mesmo os registros mais antigos da história da humanidade datam batalhas.

Muitas vidas continuam sendo diretamente afetadas pelo conflito ao qual parece que permanecerá gravado no solo enquanto existirem pessoas diferentes que em nome de sua proposta de paz a usam como simples desculpa para buscar seus objetivos e colocar o mundo inteiro a seus pés.

E é a partir desse pretexto, desse mundo em constante mudança, que a história dos escolhidos à escreverem seus nomes no livro em branco do futuro…

Tem início.

Atiçou sua curiosidade? Então, não perca tempo e dê uma olhada! Mesmo que não tenha sido o caso, vale a pena ler os primeiros capítulos e ver que tipo de primeiras impressões você terá, não custa nada!

A pedido do autor, o prólogo e o capítulo 1 serão postados logo logo, e após isso seguirá lançando semanalmente.

Boa sorte ao novo escritor!

Eraba Remashita – (Volume 1, Capítulo 3)

Capítulo 3

 

 

 

Aviso pós hiatus:

 

Caros leitores, primeiramente, antes de iniciar esse novo capítulo, gostaria de pedir minhas sinceras desculpas pelo tempo sem publicar decorrido de um problema de saúde e também de alguns problemas na faculdade.

Agora estou de volta e melhor do que nunca, sem mais pausas e com um maior conhecimento sobre as light novels e uma melhor escrita. Para isso, farei algumas mudanças na forma como contarei essa história, por exemplo a narrativa que passará a ser em primeira pessoa, combinando mais com o estilo das novels.

Além disso, pretendo encaixar alguns desenhos dos personagens na obra, desenhos que estão sendo feitos com muita qualidade por um amigo meu, Lucas Prado, espero que gostem tanto quanto eu.

Enfim, é isso que eu queria dizer, agora posso seguir com o capítulo, espero que gostem, me esforçarei ao máximo para melhorar cada vez mais e compensar o tempo perdido.

 

 

 

Realm of Swords

 

Assim que abri meus olhos, me deparei com uma linda e imensa paisagem de montanhas, cheia de árvores e flores diversificadas, além de um céu com diversos tons diferentes de cores quentes. Isso porque ele era iluminado por dois sóis, algo que era realmente incrível e que fez com que eu não acreditasse que aquilo era real.

 

Apenas após alguns minutos parado e observando aquele magnífico lugar, que me lembrei de Kanisa. Quando olhei para o lado e à vi, percebi que ela ainda estava paralisada observando o horizonte ainda mais impressionada do que eu fiquei.

 

Pouco depois, quando ela finalmente percebeu que havia ficado um bom tempo parada ali e me viu encarando-a, levou um baita susto e deu um passo para trás. Nesse momento, percebi que ainda estava de mãos dadas com ela e comecei a ficar vermelho e Kanisa logo em seguida percebeu.

 

– Até quando pretende segurar minha mão e me olhar desse jeito, seu pervertido! – disse ela mais vermelha do que eu, logo ao perceber.

 

– Hã? Como se você tivesse tentado soltar em algum momento, só fiz isso para nos teletransportar, do contrário, nunca ficaria de mãos dadas com você – virei-me e comecei a andar. – Se ficar parada aí irá se perder, idiota.

 

Então ela começou a me seguir de uma certa distância, aparentemente brava, mas já que isso ocorre com frequência, não liguei e continuei andando, andando, andando.

 

Droga, estou perdido.

 

Apesar de ser um lindo lugar, o qual eu não me importaria de ficar o dia inteiro observando, percebi que estávamos no meio do nada, sem contar que eu mal lembrava da visão que tive desse mundo.

 

– Por acaso você sabe onde está indo? Estamos perdidos não estamos? – Disse ela num tom sarcástico.

 

– C-c-claro que não. Eu sei exatamente onde estamos indo, agora dá pra deixar eu me concentrar?

 

– Mmm, você que sabe, não fui eu que nos trouxe pro meio do nada mesmo.

 

Eu já estava perdendo a paciência com os comentários dela, mas dessa vez decidi ficar em silêncio porque ela estava certa. Apesar de ser minha melhor amiga, sempre brigávamos, acredito que era por ambos gostarmos de provocar um ao outro.

 

Ficamos andando por horas e apenas um dos sóis havia baixado, mas mesmo assim não fazia muito calor, era um clima bem agradável, mas mesmo assim tanto eu quanto Kanisa estávamos exaustos. Ela aliás ficou reclamando o tempo todo o que me deixou mais cansado ainda.

 

– Espera, o que é aquilo lá na frente? – Olhei para trás para ver se Kanisa conseguia enxergar, afinal a visão dela era bem melhor que a minha. Mas ela já não estava aguentando me acompanhar mais e estava um pouco longe ainda, então decidi esperá-la um pouco e descansar.

 

– O que você disse Caed? – Disse ela exausta ao me alcançar.

 

– Acho que tem algo mais à frente, antes daquelas montanhas.

 

– Calma, parece que há algumas pequenas casas ali. Um vilarejo talvez. Espero que tenha algo para comer.

 

– Afinal você só se preocupou em trazer roupas em vez de trazer água e comida. Sem contar que comeu tudo que eu trouxe, espero que engorde.

 

– Mas você só sabe reclamar hein…

 

Fazer uma missão para salvar um mundo, beleza, deixa comigo. Agora ter que aturar essa garota 24 horas por dia vai ser difícil.

 

– Bom Kanisa, chega de descansar, vamos continuar logo para ver esse lugar. Ande perto de mim agora, nunca sabemos o que nos espera lá.

 

– Estou indo…

 

Apesar de ter dito isso para alertá-la, na verdade o que eu realmente estava pensando é se haveria magos, garotas com orelhas de gatos, dragões e eu não estava preocupado, mas sim torcendo pra que realmente houvessem.

 

Então voltamos a andar, em direção ao que parecia ser um pequeno vilarejo e com uma grande curiosidade sobre o que iríamos encontrar por lá, mas por mais que estivéssemos ansiosos, era preciso ter cuidado.

 

Quando estávamos a apenas 50 metros, nos escondemos atrás de algumas pedras que haviam no caminho e começamos a observar. O lugar era maior do que eu imaginava, um vilarejo que lembrava as cidades de antigamente, algo bem subdesenvolvido, porém bem chamativo.

 

Haviam poucas casas, o que mais se destacava, eram as diversas barracas lotadas de objetos que aparentemente estavam à venda. Acredito que seja um lugar voltado para os comerciantes, algo bem mais comum do que eu imaginava.

 

– Vamos Kanisa, acho que não é perigoso.

 

– S-sim.

 

Pelo menos ela estava me escutando quanto à isso. Apesar de sua personalidade, Kanisa parecia estar bem aflita, imaginando tudo que poderia ocorrer daqui pra frente. Uma bipolaridade tremenda. Uma hora me provoca, outra hora está sensível. Vai entender…

 

Entramos na cidade e de início parecia tudo normal, mas quando reparei nas pessoas que ali estavam, se é que posso me referir dessa forma, meus olhos começaram a brilhar de entusiasmo. Eram criaturas de todos os tipos, com rostos exóticos, tamanhos diferentes, alguns com orelhas estranhas e até mesmo rabos, eram tantas coisas peculiares em cada um, que nem sei direito como descrever. Esse com certeza era o dia mais feliz da minha vida.

 

– Caed, você está vendo as mesmas coisas que eu?

 

– Estou sim, não acredito, mas estou sim.

 

– Acho que nesse lugar, nós que somos os estranhos, de qualquer forma vamos passear por aqui e ver o que enc… – Dizia Kanisa até ser interrompida.

 

– Hey vocês dois – disse uma moça que tinha um olhar bem forte, cabelos longos e coloridos, muito linda por sinal, mas parecia ser mais velha, uma pena –, parecem estar perdidos, se precisarem de informações venham comigo, eu posso vendê-las por um bom preço.

 

– Vender informações? Desculpa mas não temos dinheiro. – Aliás eu não faço nem ideia da moeda utilizada por aqui. Bom, pelo menos a linguagem eu entendi.

 

– Esse é um dos centros de comércio desse reino, não conseguirão nada de graça. Mas podemos negociar, podem oferecer uma troca ou me fazer um favor se quiserem.

 

Já que precisávamos de informações para seguir em frente, decidi dar algo por elas. Por ser um lugar que não parecia ter tecnologia, peguei meu relógio de pulso e mostrei para ela.

 

– Olhe, o que acha disso?

 

– Eee, o que é isso? – Ela ficou observando aparentemente bem curiosa.

 

– Bom, é um aparelho mágico muito raro, que consegue ler as horas e sempre que há algo prestes a acontecer ele começa a apitar. Além disso ele acende luzes para você enxergar no escuro, possui um guia que te leva à tesouros e ainda lhe dá proteção contra água. – Talvez eu tenha forçado um pouco a barra, principalmente quanto à bússola e quanto a ser a prova d’àgua, mas o importante é que ao ver o relógio disparar o alarme de repente, ela acreditou em tudo que eu disse.

 

– Mas isso parece muito valioso garoto. O que você quer em troca disso?

 

– Eu preciso apenas que você me dê todas as informações que eu irei lhe pedir.

 

– Queremos água e comida também – completou Kanisa.

 

– Mas você não perde uma oportunidade hein Kanisa.

 

– Venham comigo então – disse a linda moça –, lhes levarei até minha casa, não quero que outros ouçam minhas informações.

 

Seguimo-la pelo vilarejo, cada vez mais encantados com o que víamos. As barracas com objetos à venda, tinham itens que eu não fazia ideia do que eram e cada uma com um vendedor de raça diferente.

 

A casa da “informante” era uma das últimas e a única que era grande naquele lugar. Apesar dela parecer uma pessoa gentil eu ainda estava hesitante quanto a entrar, poderia talvez ser alguma armadilha para viajantes, mas decidi ir até o fim.

 

– Então, de quais informações vocês precisam? Eu sei de quase tudo que acontece por aqui, então podem perguntar o que quiserem – disse a moça enquanto nos servia comida e bebida.

 

– Errr… bom, nós somos viajantes de um lugar muito distante e não sabemos muito sobre o lugar onde estamos agora, então pode nos dizer mais sobre esse reino que você mencionou, sobre esse mundo e sobre as pessoas que vivem nele? Além disso, a aparência de praticamente todos aqui é diferente das pessoas de nossa cidade natal, por que isso?

 

Enquanto eu perguntava, Kanisa se preocupava apenas em comer, nem prestava atenção no que eu dizia. Realmente não sei como ela podia ser tão magra.

 

– Vocês parecem realmente bem curiosos hein. Primeiramente, deixe eu me apresentar, meu nome é Akemi.

 

– Ake-chan? Bem, meu nome é Caed e essa é minha amiga Kanisa. – Assim como ela havia mencionado apenas um nome, não sabia se era o primeiro ou o segundo, então decidi não me preocupar muito com isso. Até porque por ser estrangeiro eu sempre me confundi com isso.

 

– Pode me chamar assim mesmo – disse ela com um sorriso, e que sorriso. – Bom, agora lhe respondendo, esse mundo é composto por cinco reinos. O primeiro reino, o reino das espadas; o segundo, o reino dos magos; o terceiro, o reino místico; o quarto, o reino sombrio e o quinto, esse no qual estamos, que é o reino dos plebeus. Pela sua espada, você deve ter vindo do reino das espadas certo?

 

– Errr, isso mesmo, nós viemos de lá para aprender sobre os outros reinos. – Uma mentirinha de leve já que não achei conveniente contar de onde realmente eu e Kanisa somos.

 

– Enfim, continuando então. Os reinos estão classificados pelo poder de cada. No primeiro reino, como você já deve saber, há os guerreiros, plebeus bem fortes que possuem espadas especiais e que se dedicam à lutar para conseguir poder para seu reino. Por ser o reino mais forte, eles mantêm a ordem entre os outros reinos, sempre interferindo em guerras. O segundo, assim como o nome diz, é onde aqueles que nascem com poderes mágicos estão.

 

Após escutar isso, até mesmo Kanisa começou a prestar mais atenção à conversa.

 

– O terceiro e o quarto são separados por criaturas místicas do bem e do mal respectivamente, como fadas, elfos, monstros, duendes – continuou Akemi, enquanto eu ficava cada vez mais surpreso com esse mundo. – E por fim, o quinto é onde as pessoas comuns e pacíficas vivem. Esse é o único reino onde habitantes dos outros reinos podem entrar sem causar intrigas, porém apenas nos limites, onde se encontram os centros de comércio como esse. Nesses lugares que são feitas as negociações entre os reinos, como trocas e vendas. Aqui vocês podem encontrar pessoas de diferentes raças, eu por exemplo sou uma maga.

 

– Que? Quer dizer que você pode usar magia, mas está trabalhando como uma informante? – disse Kanisa se metendo na conversa.

 

– Sim, afinal eu nasci nesse reino e como minha família mora aqui, eu não quis ir embora, então decidi vir para esse centro comercial. Mas não ache que eu faço mal uso da magia. Persuasão, telepatia, clarividência, meus poderes se adequam perfeitamente ao que eu faço, consigo toda informação que quero, então sou bem conhecida e muitos pagam uma fortuna para ter minhas informações – respondeu Akemi de forma bem orgulhosa.

 

– Espera, se você tem o poder da telepatia então você pode ler minha mente? – Eu nem estava ligando muito pra ela saber sobre minha origem, mas estava meio envergonhado com a possibilidade dela saber que eu estava reparando na beleza dela.

 

– Não se preocupe rsrs, eu só utilizo meus poderes quando há um pedido de alguém para que eu consiga algumas informações.

 

Eu achei que ia ser difícil eu me surpreender depois de tudo que já havia acontecido, mas eu estava completamente errado. Mesmo eu vendo tudo aquilo, está difícil de acreditar no que Ake-chan diz, mas a verdade é que apesar da surpresa, isso é sensacional, é um sonho que se torna realidade.

 

– …Ok, estou começando a assimilar isso. Então você é uma maga e esse mundo tem diversas criaturas. Isso é maneiro. Mas posso fazer apenas mais uma pergunta?

 

– Bom, geralmente eu só respondo uma coisa, mas contanto que se enquadre no mesmo assunto, pode perguntar sim.

 

O que faltava era o mais importante, a informação que eu precisava para iniciar minha missão.

 

 

 

Até o próximo capítulo. ^.^

PARAGOBALA CAPÍTULO 19 – NOVA CASA

Paragobala – Capítulo 19 – Nova casa


O Pastor terminava mais um culto, e se despedia de cima de seu palanque dos fiéis. Fez um sinal para uma mulher ao fundo, pedindo para ela se aproximar. Ela veio ao seu lado, e ele continuou acenando até que a última pessoa tivesse saído da igreja. Só então ele se virou a mulher, que aguardava ansiosamente a palavra dele.

– Rosemari, muito obrigado por ter vindo. Como você está? – perguntou já segurando as suas duas mãos.– Estou muito bem Pastor! Desde que eu comecei a conversar com você…abandonei a minha vida antiga. Sou uma nova mulher, uma que Deus e Jesus aprovam.
– Com certeza. Tudo é perdoado quando se aceita Jesus no coração. Inclusive…o Senhor tem uma chamado para você Rosemari…um chamado para fazer o bem, para ajudar os outros assim como você teve ajuda. “E não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque com tais sacrifícios Deus se agrada.” – recitou o versículo de Hebreus 13:16
– Claro! – disse a moça surpresa.

O Pastor colocou sua mão nas costas de Rosemari e a encaminhou a uma mesinha para sentarem e conversarem.

***

Agha parou de digitar e olhou para os lados. Nem Bal, nem o promotor Vincent estavam nas suas mesas. Havia chegado a 2 horas, e desde então não teve sinal algum dos seus companheiros. Ficou receoso que a ausência de Bal tivesse alguma ligação com a discussão que eles tiveram durante o almoço do dia anterior. “O sujeito é maluco mas espero que não tanto” pensava para se tranquilizar. Já a ausência de Vincent, era algo mais costumeiro. O promotor já havia deixado de ir trabalhar várias vezes, além das longas ausências. “Esse vem quando quer…faz o que quer, e deve ser um dos primeiros a reclamar de políticos e xingá-los de corruptos e vagabundos”.

Trabalhava em mais um caso em que via que não daria em nada. Outro arquivamento. Mas sabia que o promotor não se contentaria com isso, e quebrava a cabeça para encontrar outra solução.

Energicamente, Vincent entrou na sala, visivelmente animado.

– Boa tarde Agha. Estava na delegacia acertando algumas coisas com o delegado.

“ A sua fatia?” – pensou maldosamente. Porém, apesar dos pontos negativos que havia identificado em seu chefe, não lhe parecia corrupto, mas ele nunca colocaria a mão no fogo por ele. “Esse pessoal que acha que pode tudo e que é herói, sempre tem um teto de vidro”.

– Sabe alguma coisa do Bal? – perguntou Vincent, que agora já estava sentado a sua mesa.
– Não deu as caras…e nem avisou nada – respondeu Agha.
– Estranho…de uma ligada pra ele, tenho o telefone aqui.

Vincent anotou em o número em um papel e deixou na mesa de Agha. O pedido o irritou. Não constava nas suas atribuições servir de secretário ao promotor. Muito menos, queria falar com Bal, devido a discussão do dia anterior. Contrariado, pegou o número e ligou. Deixou o telefone tocar 6 vezes e desligou. Em seguida tentou mais uma vez, sem sucesso.

***

Bal enxergava apenas uma imensidão escura. Ao longe ouvia um barulho. Ele parava e continuava. Sempre igual, como um apito. Cada vez mais forte. Até que repentinamente ele acordou assustado, e percebeu que o telefone estava tocando. Ele ainda estava na poltrona. Ao acordar uma garrafa de vidro vazia caiu da sua mão. Ela bateu no chão e depois rolou para o lado, sem quebrar. Bal fez menção de se levantar e sentiu uma pontada de dor forte na cabeça. Levou uma mão a testa, e pensou “ é a ressaca”. O telefone continuou a tocar por mais um tempo, e, finalmente parou. Bal sentiu alívio pelo som cessar, e esticou o braço para pegar o celular que estava na mesa. Olhou para o horário : 3 da tarde. “Merda!” pensou. Novamente tentou se levantar, e desta vez conseguiu, mesmo sentido uma grande dor. Foi caminhando vagarosamente até o chuveiro. Tirou a roupa com dificuldade, e entrou debaixo da ducha fria. Enquanto era impactado pela água fria, começou a se lembrar da noite anterior. Tudo foi voltando aos poucos. O jantar romântico, a transa, a discussão com Clara e finalmente o porre que tomou ao chegar em casa. “Merda!” repetiu, dessa vez em volta alta.

Depois de tomar banho se sentou na sua cama, já se sentindo um pouco melhor. Odiava faltar ao trabalho. Se sentia necessário no fórum e considerava a sua posição importante. Indo trabalhar sempre, sem exceções, se sentia uma pessoa responsável e honesta. Jamais iria confessar que perdeu a hora devido a bebida, e começou a pensar em uma desculpa. E então uma ideia surgiu a sua cabeça. “Vou me mudar de casa hoje!”. A mudança estava agendada para o final de semana, mas faria um esforço para realizá-la naquele dia. Desde que Caolho apareceu na porta de sua casa, ele já não sentia que aquele lugar era seguro. Para muitos poderia parecer paranóia, mas na cabeça do Doutor, era simples lógica e uma maneira de se proteger.

Começou a empacotar tudo. Sabia que não tinha muita coisa para levar, não era dado a extravagâncias e comprava apenas o necessário. Sua casa era pouco decorada e os espaços vazios predominavam. Ele tinha dificuldades para se prender a pessoas. A objetos, era mais difícil ainda. No inicio da sua fase adulta, quando achou que certas histórias em quadrinhos estavam apenas ocupando um espaço desnecessário em sua casa, Bal simplesmente foi a um terreno baldio, jogou as revistas no chão e derramou álcool nelas, para por fim, acender o fogo. Sem pestanejar, ele queimou as mesmas revistas que foram a sua fuga da realidade e fonte de esperança na difícil juventude. Se livrara de objetos com até mais facilidade com que cortava sua relação com pessoas. Se não serve mais, pode ser descartado, e com esse mantra, pesava as suas decisões.

Lembrou subitamente que tinha combinado com o seu irmão para fazer a mudança no sábado, e precisava avisá-lo que já a faria hoje e não precisaria de ajuda. Por ele ser o seu irmão, era o único membro do grupo que ele se contava por telefone e permitia a visita em sua casa. Dois irmãos se encontrando não gera suspeita alguma. Parou o que estava fazendo e enviou uma mensagem ao Pastor avisando da mudança de planos.

***

Schneider deu um soco na mesa. Sua expressão demonstrava o inferno em que vivia. Tinha olheiras e um olhar cansado. O seu cabelo, que sempre estava perfeitamente alinhado, estava bagunçado. Trabalhava sem descanso, fazendo ligações e andando muito pelas ruas para tentar restabelecer toda a rede de Bezerro. A tarefa, no entanto, se demonstrou muito mais difícil do que sua expectativa inicial. Quando achava que havia feito algum progresso, a pessoa com quem tinha estabelecido contato simplesmente sumia. Precisava de sargentos que trabalhassem para Bezerro, e que controlassem regiões localizadas da cidade. Sem eles, as brigas locais entre traficantes explodia. Sem musculatura operacional, o mero nome de Bezerro pouco contava. Nas ruas, o que sempre prevalecia, era a força. E, ele reconhecia que o próprio nome de Bezerro ainda não era tão forte. Precisa de muito mais tempo para se estabelecer. Ele chegou como um furacão, uma força nova e potente na região, mas estava longe de criar uma dinastia.

Schneider ainda tinha esperança de recuperar o status perdido de seu chefe, pois o aporte financeiro que o grupo possuía ela muito grande. Com dinheiro, tudo era possível. Sua dificuldade era encontrar pessoas ideais e mantê-las por perto. Começou a desconfiar que alguém estava agindo contra eles. Desaparecimento de pessoas, e até de produto, era algo comum nesse submundo. Mas não na quantidade em que estava ocorrendo. Aquilo era o trabalho de alguém muito ardiloso, com objetivo claro de prejudicar e desestruturar o grupo. No entanto, até agora, não tinha nenhuma pista, e estava realizando todo esse trabalho sozinho. Estava cansado, desgastado e com poucas ideias.

Bezerro ainda se recuperava, e apenas reclamava e cobrava resultados. Estava de cama, e Schneider desconfiava que quando ele voltasse a ativa, só iria dificultar mais o seu trabalho. Vândalo estava já andava, mas pouco tinha a oferecer no campo estratégico. O usava apenas como um assistente, uma mão de obra em que ele confiava, e claro, como um martelo quando precisava esmagar alguém.

Fez mais uma ligação.

– Chefe?
– Cadê o Vanderlei – perguntou Schneider
– O Vanderlei não aparece faz 2 dias aqui, chefe. Eu assumi por enquanto…

Merda! Esbravejou e desligou o telefone, em um surto de raiva.

***

Agha já havia ido embora, e Vincent estava sozinho em sua sala. Tinha dificuldades de se concentrar, pois não parava de pensar no suspeito que a polícia agora já estava procurando. Sabia que as chances dele ser identificado tão rapidamente eram ínfimas, e por mais que achasse um sentimento infantil, não deixava de ficar na expectativa de alguma ligação com novidades. Percebendo que não faria nada útil ali, pegou suas coisas e saiu. Iria até o bar onde Nédio e Junior haviam presenciado o ataque a Carlos, fazer algumas perguntas.

Chegou lá rapidamente e adentrou ao lugar. Não era um estabelecimento onde ele passaria o seu tempo. Era sujo, mal conservado e os frequentadores lhe causavam certa repulsa. Vários homens bêbados, mulheres que eram visivelmente prostitutas e gente mal encarada. “Aposto que aqui tem muita gente com passagem”. Chegou no balcão, e, a contra gosto pediu algo para beber. Recusou as bebidas alcoólicas e na falta de suco, aceitou um copo de água. O atendente do balcão era um clichê ambulante. Um senhor corpulento e de bigode, com pouco cabelo e mangas arregaçadas.

– Aqui está o seu copo de água – e deixou na frente de Vincent
– Muito obrigado…deixa eu te perguntar uma coisa senhor. Você trabalha aqui a muito tempo?
– Muito tempo? Mais de 20 anos!
– E conhece bem a freguesia?
– Bom, temos alguns clientes mais fiéis e outros que só vem de vez em quando. Fazemos amizades com alguns caras ai…e com algumas também – e riu

Vincent forçou uma risada também. Aquele papo de boteco sujo com aquele tiozão não eram o tipo de atividade que ele tinha muita vivência, ou que gostava.

– Sou novo por aqui na cidade…mas já vi cada figura. Outro dia me deparei com um sujeito que tinha o braço inteiro marcado…cheio de riscos.

Imediatamente, o senhor que parecia ser bonachão, fechou a cara para uma expressão séria. Pegou um copo do de algum lugar, e começou a secá-lo com um pano, sem olhar diretamente para o promotor. Vincent percebeu o incômodo. “Ele sabe” pensou de forma animada.

– Gente assim eu nunca vi não. Pelo menos por aqui.

Já esperava a negação, e veio preparado. Faria qualquer coisa para obter os seus resultados. Primeiro tentaria a forma mais agradável para o sujeito.
– Olha…eu realmente queria saber mais sobre esse sujeito. Nunca viu ele por aqui não?
-Já disse que aqui nunca vi – respondeu ríspido
– Tem certeza – e então empurrou 3 notas de 100 pelo balcão.

O senhor olhou assustado para aquilo. Depois olhou para os lados, como se estivesse procurando alguém.

– Não sei o que você quer…mas é melhor se retirar daqui! Esquece essa história e guarde o seu dinheiro.

A negativa o irritou. “Que seja” pensou.

– Seu João – falou, agora mudando o tom para algo mais sério – sei que trabalha aqui a muito tempo, na verdade você é o proprietário disso aqui.

João parou de secar o copo, e agora encarou Vincent. Tentou fazer uma expressão firme, mas qualquer um com percepção um pouco apurada perceberia que ele estava tenso.

– Esse lugar não tem autorização da brigada de bombeiros e nem da vigilância sanitária. E dando uma rápida olhada aqui, sei que o lugar não seria aprovado por nenhum dos dois. Tenho como fazer que eles baixem aqui amanhã. E tenho também poder para fazer com que eles nunca venham aqui. Mas isso depende muito do que vamos conversar nos próximos minutos.

Vincent havia pesquisado anteriormente tudo sobre o estabelecimento. Mas ele não pretendia realmente denunciar o proprietário, e muito menos protegê-lo de fiscalização nenhuma.

João engoliu seco, olhou para os lados novamente, e então se aproximou e falou baixo.

Não sei muito sobre ele. As vezes vem aqui sozinho, e outras com uns amigos. Tem quem diga que ele é um índio, que foi expulso da tribo dos Kaapor. Outros falam que é um ex-presidiário e que já matou muita gente. Mas pode ser tudo mentira só boatos. Só sei que já vi ele brigar nesse bar, a muito tempo atrás, e ele espancou um homem com o dobro do tamanho dele. O coitado quase morreu. Ninguém sabe muito sobre ele e ninguém quer saber.

– Me fale mais sobre esses amigos dele.
– 
É uma turma, vem aqui esporadicamente. 5 ou 6 homens eu acho.
– Me conte absolutamente tudo que você lembra desses homens. Tamanho, aparência, qualquer detalhe.

***

Bal estava deitado, já em sua nova casa. Estava repousando depois de todo o esforço da mudança. Começou a lembrar de sua noite com Clara. Constatou que a parte boa do prazer de desvirginar uma garota vinha do antes e do depois. O antes pela excitação e curiosidade, o convencimento e a luta, para fazer a garota se entregar a você. No caso de Clara, tinha um componente a mais: ela tinha que abrir mão da coisa mais importante para ela, Deus, por ele. Ou, como ele gostava de pensar, pelo seu pau. O depois, pelo orgulho de ter conseguido, a sensação de que você é um mago das mulheres, e ter ali mais uma figurinha rara na sua coleção. Mas o durante, o ato em si, era bem sem graça. Não foi memorável e estava longe das melhores relações que ele já tivera. Porém, devido a sua seca, foi o suficiente. Um barulho o libertou de seus pensamentos. O som vinha do corredor. Se levantou e foi até lá. Viu uma mulher segurando uma grande caixa, cheia de objetos. Logo deduziu que era uma mudança, e o som que ouviu foi de um objeto caindo da caixa. Rapidamente foi até ela e segurou a caixa.

– Muito obrigada! – disse a mulher.

– Para onde levo essa caixa – perguntou Bal.

A mulher apontou para uma porta.

– Ora, ora…então você será a minha vizinha.

Bal colocou a caixa na frente da porta do apartamento, e depois foi até a mulher. Enquanto caminhava, deu uma bela olhada nela. Sua análise do corpo feminino era metódica. Inicialmente olhava a bunda e o tamanho da cintura: era atraído por mulheres de cintura fina. Depois analisava as pernas, e por fim, os peitos. Como estava de frente, olhou primeiro a cintura, depois as pernas e por fim os peitos. Era uma mulher do jeito que ele gostava. Possuía o famoso corpo violão: tinha um tamanho de peito razoável, um pouco acima da média, o corpo se afinava na cintura para depois se alargar novamente na região dos quadris e pernas. Algumas mulheres com esse tipo de corpo tinham tendência ao sobrepeso, mas esta em questão, estava rigorosamente em forma. Bal considerava um rosto bonito apenas uma alegoria a mais, porém essa mulher também o tinha. Olhos verdes e cabelos pretos. Não era exatamente um rosto delicado, mas emanava um ar misterioso e até selvagem. Só por uma olhada rápida Bal imediatamente supôs que essa mulher tinha uma boa experiência sexual e que adorava sexo. Isso o excitou imediatamente.

Quando se aproximou dela, disse:

– Meu nome é Bal, vizinha. Muito prazer.

– Obrigada novamente pela ajuda! Meu nome é Rosemari.

PARAGOBALA – CAPITULO 18 – RETRATO FALADO

PARAGOBALA – CAPITULO 18 – RETRATO FALADO

– Fale mais sobre esse Júnior.

– Ele é…diferente – disse Nédio, pensativo, e com dificuldade de encontrar as palavras corretas para descrever o seu cliente.

– Como assim? – retrucou Vincent, ávido por respostas

– É uma pessoa singular, nunca conheci ninguém parecido. Ele é sonhador, inocente e solitário…tem uma grande imaginação, e as vezes, penso que tem dificuldades para aceitar e compreender a nossa realidade…como se ele vivesse no seu próprio mundo.

– Esse cara é maluco? – perguntou com preocupação. Desejava uma testemunha com faculdades mentais plenas.

– Não! Quer dizer…acho que não? Ele tem emprego, uma casa…não toma remédios…pelo que eu sei. Ele só gosta de contar histórias e fantasiar. O que ele quer é só um pouco de carinho.

“Ótimo. Parece ser um doente” – pensou o Pelicano.

– Ok Nédio. Muito obrigado por tudo. Te ligarei se precisar de alguma coisa, e vou entrar em contato com o Júnior.

– Espero que ele colabore, mas não sei, acho que ele pode negar tudo! Ninguém sabe que ele tem esse tipo de encontro comigo…

“Em outras palavras, ele é enrustido” – concluiu o promotor.

– Não se preocupe, vou dar um jeito.

***

Bal se encarava no espelho do banheiro do fórum, com o rosto molhado, depois de o lavá-lo.

“ Não acredito que perdi o controle por causa de um moleque inútil como aquele! Mas que merda!”. E deu um soco na pia de pedra. “Estou com os nervos à flor da pele, prestes a explodir”. “Sinto falta da bebida…como sinto! E do sexo…qual foi a última vez que fiquei sem transar!? E também…a quanto tempo fiquei sem matar ninguém? Não! Não! Nunca matei por satisfação pessoal, fiz para salvar a cidade. Não sinto falta nem dependo disso. Tenho que dar um jeito na minha situação.”. Ficou estático por longos 30 segundos, com sua mente trabalhando em um turbilhão de pensamentos. Até que levantou a cabeça e sorriu levemente na frente do espelho, já sabendo o que faria. Tirou o celular do bolso, ligou para Clara, e marcou um encontro a noite.

***

Antonio xingava enquanto segurava um processo.

– Porque essa merda voltou!? Esse promotor acha que aqui é o CSI? – esbravejou, sozinho na sala. Era o caso da mulher que havia sido encontrada com o ânus cauterizado.

As evidências contra os garotos presos são insuficientes. Recomendo uma nova investigação para acharmos novos suspeitos

– Filho da puta – continuou reclamando. Se achou insuficiente deveria ter arquivado.

Pegou o telefone e chamou um policial.

– Sidney, sabe o caso da mulher encontrada próxima da estrada? Vai pra lá, entrevista umas pessoas lá por perto, documenta tudo e trás pra mim. Ai o promotor não enche o saco.

Antônio estava mais preocupado com outro caso. O ataque a base de Bezerro do Acre. O traficante estava fragilizado, e era a melhor oportunidade de tirá-lo do poder e voltar a lucrar com o tráfico de drogas. No entanto, o que lhe preocupava era justamente o novo promotor. Ainda não o conhecia bem. Por isso tinha montado um plano que julgava estar acima de qualquer suspeita. Uma pessoa ligaria para a delegacia reportando um assalto, a polícia chegaria, tiros seriam disparados pelos assaltantes, e a polícia apenas reagiria. Tudo isso geraria um grande tiroteio que iria escalar até a morte de Bezerro. Ele se achava muito inteligente por ter bolado aquele plano. Os últimos ajustes estavam sendo feitos e a ação aconteceria em breve

***

Vincent aguardava dentro do carro, na frente de uma academia. Era o lugar onde havia combinado de encontrar Júnior. Já conhecia a aparência dele, após uma pesquisa no Facebook. O resultado da pesquisa foi um pouco perturbador. No perfil, haviam dezenas de comentários de jovens mulheres. No entanto, não foi difícil de perceber que eram perfis falsos, provavelmente criado pelo próprio Junior. Nos posts, frases que faziam pouco sentido, e uma veneração a um personagem de quadrinhos. Ficava cada vez mais preocupado, com dúvidas se aquele homem teria capacidades de lhe prover um relato coerente e confiável. Logo identificou a figura vindo: tinha por volta de 1,80, pele bem clara, musculoso e com um corte de cabelo peculiar, repartido na frente, fazendo com que uma franja despencasse sobre o rosto. Lhe lembrava o psicopata interpretado por Javier Bardem em Onde os fracos não tem vez. “Espero que esse não seja tão maluquinho quanto”.

Vincent saiu do carro, colocou os seus óculos escuros, e o aguardou. Acenou para Junior, que veio em sua direção. Se comprimentaram rápidamente, e já entraram no carro. O Pelicano logo deu partida, e então, informalmente, começou o seu interrogatório.

– Muito obrigado por se colocar à disposição.

– Tudo que eu puder fazer para ajudar na luta da justiça contra os bandidos eu farei! Todos estão cansados da situação injusta desse país, que prejudica os honestos e bons trabalhadores.

– Eu estou investigando o desaparecimento de um homem. Carlos Henrique Becker. Eu acredito que você tenha presenciado algo importante. A foto dele está no porta luvas.

Junior pegou a foto e olhou com atenção. Ficou calado por alguns instantes. Vincent percebeu que era óbvio que ele reconheceu a imagem, mas provavelmente não estava a vontade de falar sobre as circunstâncias que lhe permitiram ver Carlos.

– É…não sei não – respondeu, inseguro.

– Carlos era um pai de família. Filha e esposa o procuram até hoje. Todas as investigações estão em becos sem saídas…pela primeira vez em meses conseguimos uma pista – argumentou Vincent, misturando realidade e ficção.

– Talvez eu tenha visto alguém parecido, mas não me lembro muito bem…

– Deixe eu te ajudar. A um tempo atrás…em um estacionamento de um bar…

– Ah sim! Eu estava lá, com minha ex-namorada, Jéssica!

– E lembra mais o que? – incentivou Vincent, mesmo sabendo que Junior estava mentindo.

– Bom…estávamos no carro…namorando. Eu queria ir a um motel mas ela estava impossível, me agarrou lá mesmo! Eu dou duro na academia, e você sabe que é disso que elas gostam. Homens sarados, bonitos e definidos.

Vincent apenas concordou com a cabeça.

– Agora estou me recordando. Eu estava no volante, quando ela segurou o meu braço e o colocou no seio dela. Eu disse “calma Jéssica, vamos para um lugar mais confortável”. Ela me ignorou, e agarrou as minhas partes intimas. Então eu apontei para o banco traseiro, e atravessamos o carro até lá. Logo me acomodei, e ela começou a abrir minha calça e…acho que foi aí que percebi alguma coisa lá fora. Ouvi gritos. Talvez eu tenha ouvido o nome Carlos. Vi homens brigando. Falei para Jéssica que iria lá fora ver que confusão era essa e ela me implorou para ficar. Depois colocaram o Carlos em um porta malas e foram embora.

– Você consegue identificar alguém de lá???

– Eram pessoas comuns, ordinárias. Um deles era fortinho até, mas não acho que chega a ter mais de 40 cm de braço. O que eu me lembro melhor era um cara magro, que parecia um índio…e o braço dele, era todo riscado. Pareciam marcas, não sei bem o que era.

Vincent se animou com a resposta. Era uma característica física diferenciada, e com isso, seria possível fazer uma busca. A sua dúvida era saber se o relato era confiável.

– Senhor, se precisar de ajuda para pegar esse bandido pode contar comigo. Eu gosto de ajudar as pessoas, as vezes saio por aí protegendo donzelas e idosos contra pessoas mal educadas ou animais raivosos.

–  Ah! Não tenha dúvidas que irei te chamar caso eu precise de ajuda.

O Pelicano prosseguiu e perguntou a ele detalhes da aparência física do homem com marcas no braço e depois deixou Júnior na frente de sua casa. No caminho para o seu lar, começou a bolar a estratégia para descobrir mais sobre esse homem com marcas no braço. Vislumbrava dois caminhos: colocar cartazes pela cidade, ou, divulgar a aparência apenas para a polícia, que iria realizar as buscas. Ele tinha receio que expondo publicamente a imagem de quem estava procurando, o bando descobrisse que estava sendo investigado e fugisse. Por outro lado, ele não sabia se poderia confiar na polícia, ou até mesmo se algum membro do bando era policial. Qualquer opção era um risco. Ele estava sozinho nesse jogo de gato e rato e teria que se arriscar.

***

Bal abriu a porta de sua casa, e deixou Clara entrar. Ela viu uma mesa arrumada, com uma vela no centro.

– Isso é…tão romântico! – disse, e em seguida beijou o seu namorado.

– Agora sente-se lá e espere. O melhor está por vir.

Clara aguardou na mesa, enquanto Bal foi a cozinha pegar a comida. Havia preparado uma macarronada com molho. Ele considerava uma comida romântica e ideal para se comer a dois. Depois, trouxe uma jarra com suco de laranja, que ele mesmo havia espremido. Achava que o toque caseiro iria encantar ainda mais a sua namorada. Bal gostava de pensar que era uma mistura de um macho alfa e um homem moderno e sofisticado.

O jantar saiu exatamente como o esperado. Bal controlava a conversa e a direcionava, levando Clara para onde ele queria. Para um homem com tanta experiência com mulheres, manipular aquela inocente virgem era como uma brincadeira de criança.

Terminaram de comer, e Bal rapidamente tirou os pratos e trouxe um vinho. Clara não era muito de beber, e ele sabia disso. Ofereceu um pouco, de forma encantadora, e os dois beberam. Depois levantou, foi até a cadeira dela. Clara levantou e os dois se beijaram. Bal então foi usando todas as técnicas que conhecia para excitá-la cada vez mais. Progressivamente, suas mãos se distribuiam pelo corpo dela, sem receio ou pudor. Clara não ofereceu resistência, e Bal sabia que ela estava gostando. Ele a levou para a cama, e começou a abrir o vestido dela. Chegou ao seu ouvido e disse “tem certeza que quer isso?”. Ela ficou encabulada, e respondeu “sim”. Pronto, agora ele estava de consciência livre.

***

Bal acordou horas depois, se sentindo muito aliviado. Um peso tinha saído de suas costas. Uma relação monogâmica, e ainda sem sexo, era algo extremamente difícil para ele. Durante a semana, havia sido cantado por moças na academia, e teve de recusar. Foi até acusado de ter trocado de time pelas garotas. “Até pensam que eu virei gay!” pensava, com um misto de orgulho, por se mostrar um homem diferenciado, que respeita sua namorada, e ao mesmo tempo uma outra sensação de inconformismo, que o fazia pensar “ porque estou me sujeitando a isso? Por que não posso sair com outras mulheres igual a todos!?”. Agora, após transar com Clara, estava com um sentimento de culpa menor. Afinal, ele tinha desvirginado uma garota bonita e recatada. Não era a primeira, mas tirar a virgindade de alguém era como um selo especial de sua coleção de mulheres. Levantou-se da cama e foi ao banheiro.

Enquanto lavava o rosto, ouviu um som de choramingo ao fundo. Não se apressou e terminou de urinar e escovar os dentes. Ao voltar a cama, encontrou Clara chorando. Ela olhou para ele, que rapidamente falou:

– O que é? Eu te perguntei se você queria ou não. Não venha me culpar – disse de maneira dura.

– Eu..eu não te culpo – disse meio que chorando. Eu pequei…Deus estava me vendo..ai meu deus, o que eu fiz?

– Você fez o que estava com vontade de fazer, e ninguém pode te julgar por isso. Bom é melhor você se arrumar, já está tarde, e seus pais vão achar ruim se você não voltar pra casa.

Clara concordou com a cabeça, e foi ao banheiro se limpar e se vestir. Bal a levou para casa, e eles trocaram poucas palavras no caminho. Ele não dava abertura a ela para reclamar ou se lamentar, com respostas frias e duras. A deixou em casa e voltou correndo para a sua. Foi até a geladeira, onde ainda tinha cervejas guardadas. Pegou um punhado de garrafas e se sentou no sofá. Começou a beber freneticamente, uma a uma. Tentava não pensar, inutilmente. Era bombardeado por pensamentos negativos. “Eu não presto”. “ Eu sou um monstro”. “Eu não tenho jeito”. E continuou assim até apagar.

***

Ao final da madrugada, Vincent já havia decidido o seu plano. Iria divulgar internamente, dentro da polícia, o retrato do homem que havia sido identificado por Junior. Ele não era alto, parecia um índio e tinha diversas marcas no antebraço direito. Ao mesmo tempo conduziria uma investigação, perguntando por aí sobre a figura. Colocaria em risco a investigação e teria que confiar na polícia, o que não era fácil, pois não tinha confiança alguma no delegado Antonio. No entanto, achava que podia mantê-lo sob controle.

Chegou na delegacia, e percebeu um clima diferente. Homens andando de um lado para outro, murais com um terreno e várias marcações. Armas sendo transportadas. Era fácil de deduzir que aquilo era a preparação para um ataque em grande escala.

Foi até a sala do delegado, bateu duas vezes e logo entrou. Antônio estava na sala com mais 3 homens, e disse com surpresa:

– Doutor! O senhor por aqui…e deem licença por favor, já chamo  vocês – disse ao seus homens.

Assim que eles saíram, Vincent tomou a iniciativa.

– Vi toda a movimentação na delegacia…alguma coisa vai acontecer?

– Estamos recebendo muitas denúncias sobre atividade de traficantes…estamos no preparando caso as coisas piorem.

– Hum…e o caso da mulher?

– Caso da mulher….ah! Sei…estamos investigando ainda doutor, qualquer coisa te aviso.

– Bem, você não vai acreditar, mas sabe aqueles cartazes que pedi para distribuir? Recebi ligações e consegui informação para montar um retrato falado de um suspeito.

– É claro…temos alguém aqui na delegacia que pode te ajudar com isso. Já irei chamá-lo…mas doutor preciso lhe pedir uma coisa.

O Pelicano já esperava uma contrapartida do delegado. Conhecia o tipo.

– O que? – perguntou de forma seca.

– Como eu te disse, a atividade dos traficantes está aumentando muito. Eles estão se armando e criando verdadeiros exércitos. Logo teremos que tomar uma medida mais dura…e as coisas vão ficar feias.

– E o que o senhor quer de mim?

– Essas coisas são..sujas e as vezes barulhentas. Sabe como a imprensa age, certo? Sempre defendendo os bandidinhos? Vão falar de excessos e tudo mais…sem saber que isso aqui é uma verdadeira guerra! Vão querer a cabeça dos policiais e responsáveis. Precisamos de apoio e proteção para podermos agir.

Vincent não respondeu nada e ficou pensativo. Sabia que aquilo que lhe foi dito era apenas uma meia verdade.

– Sempre protegerei policiais honestos que buscam enfrentar criminosos. Pode ficar tranquilo.

Apertaram as mãos, e o delegado sorria. Em seguida, foi montar o retrato falado do homem misterioso, e planejou, junto do delegado como seria essa investigação.

***

Em um bar sujo, homens bebiam com expressões fechadas.

– Isso já foi longe demais! Precisamos discutir isso – falou o Caolho, visivelmente nervoso.

Os outros homens da mesa o olharam, mas nada falaram.

– O Doutor nos abandonou! Esqueceu o nosso projeto? Veio com esse papo de não beber mais e de querer ter uma namorada religiosa? Todos aqui sabem que é questão de tempo até tudo isso acabar. Mas está demorando muito! Falem alguma coisa! – exigiu.

– Temos que respeitar a decisão dele – disse Italiano, sem querer sair do muro.

Caolho olhou então para Índio que não expressou nenhuma reação.

O Pastor então falou:

– Eu vou falar com o meu irmão….mas não precisamos esperar ele vir até aqui para fazer alguma coisa. Ele nos proibiu de algo por acaso?

Então, o impassível Índio, fincou uma faca na mesa, assustando a todos. Os olhares se direcionaram a ele, esperando alguma declaração, mas ele apenas pegou seu copo e bebeu mais cerveja.

– Talvez seja melhor nós esperarmos essa sua conversa com ele antes de pensar em qualquer coisa – disse o evasivo italiano.

– Tem razão – disse o Pastor.

Em seguida, Índio retirou a sua faca da mesa.

Eles continuaram bebendo e conversando sobre temas mais leves, e aos poucos os membros iam embora. Índio fez questão de ficar até o final e foi saiu logo após o Pastor, que saiu do bar com pensamentos em sua mente. “ Malditos cordeirinhos! Não veem que estamos perdendo tempo nessa espera. Perdendo dinheiro!”. “Essa palhaçada do meu irmão vai acabar logo”, prometeu a si mesmo.

Eraba Remashita – (Volume 1: Capítulo 2)

Capítulo 2

O Primeiro Mundo

 

Assim que retornei, percebi que me encontrava deitado no terraço da escola, como se novamente tudo não tivesse passado de um sonho mas, quando olhei para o lado, entendi o que Erictónio queria dizer com “eu te darei uma prova”: havia uma espada muito bonita e aparentemente bem afiada comigo. Possuía um tamanho médio, o que devia torná-la mais manejável a ponto de eu poder segurá-la com apenas uma das mãos.

 

Acho que eu estava empolgado demais nessa conversa, não faço ideia de como eu poderia fazer tudo isso, mas pra falar a verdade, entre tentar salvar o universo e estudar acho que a escolha é bem óbvia. De qualquer forma se eu quiser aceitar essa missão, precisei inventar uma desculpa para o meu sumiço.

 

Mesmo sendo algo repentino, eu estava começando a aceitar essa possibilidade de ter uma vida totalmente diferente a partir de agora e para isso, eu teria que me desapegar um pouco deste mundo.

 

Hm, deixa eu ver … e se eu falar que voltarei para o Canadá? Não, não, ainda quero continuar vendo meus amigos, mesmo que sejam poucas vezes… Droga! É difícil até mesmo pensar em deixar tudo isso pra trás… Espera! já sei!

 

Levantei-me rapidamente e saí correndo para retornar à sala. Antes disso, apenas escondi a espada acima da área que dava acesso ao terraço para que ninguém à visse.

 

Assim que cheguei, abri a porta e entrei indo em direção ao professor que me olhou franzindo a testa.

 

– Onde você estava até agora?

 

– Desculpa sensei, acontece que eu estava resolvendo um assunto muuuito importante. Aliás, posso conversar sobre isto com a classe? – eu disse de cabeça baixa.

 

– Você chega atrasado e agora quer interromper a aula? Espero que seja um assunto realmente sério! Seja breve!

 

– Bom, como posso dizer… Pessoal! Eu vou me mudar amanhã para Quioto. – De repente todos ficaram em silêncio e eu aproveitei para continuar. – Acabei de receber uma ligação do Colégio Kyodai e eles me ofereceram uma bolsa de estudos. Como vocês devem saber, é o melhor colégio do país no quesito ensino. Depois de pensar um pouco, acebei decidindo que a escolha certa era ir estudar lá, isso porque meu pai recentemente me ligou e disse que se eu não entrar numa das melhores universidades do Japão, terei que voltar para o Canadá e isso é uma coisa que eu não quero que aconteça. Além disso, agora que o programa de intercâmbio acabou, eu estava precisando mesmo de uma bolsa de estudos.

 

– Como assim cara?! Isso é muito repentino, não brinca com a gente. Você não pode ir, somos todos uma família aqui – disse inconformado meu melhor amigo, Takahashi Akira, um garoto que usava óculos e que tinha um cabelo curto e preto assim como seus olhos.

 

Todos na sala pareciam pensar a mesma coisa que Akira, concordando com tudo que ele dizia e, por isso, eu decidi tentar ser mais convincente e dar mais detalhes. Nesse momento ergui a cabeça decidido de que ia convencê-los e percebi que Kanisa não estava na sala, provavelmente pelo que havia ocorrido no terraço, mas continuei mesmo assim.

 

– Eu preciso ir cara. Eu amo muito vocês e virei sempre visitá-los, mas eu preciso ir. É a melhor forma de eu permanecer no Japão. Os momentos que passei aqui nunca irei esquecer, foram os melhores da minha vida. Me desculpem, por favor – Era uma mentira a ida para Quioto, eu sei, mas eu realmente amava meus amigos, então era muito difícil deixá-los.

 

– Helik-kun – disse meu professor – você deve ir. É uma oportunidade única e eu estou orgulhoso de você conseguir entrar num colégio tão bom. As vezes na vida precisamos tomar decisões difíceis pelo melhor.

 

Graças às palavras dele, todos ficaram em silêncio e começaram a repensar no que eu havia dito, percebendo que, mesmo sendo algo triste e repentino, era algo que eu deveria fazer. Pouco depois, acompanhando Akira, todos se levantaram e começaram a se despedir de mim e desejar boa sorte, enquanto eu me segurava para não parecer triste.

 

De qualquer forma, ainda falta a parte mais difícil: falar com Kanisa.

 

Nossa amizade sempre foi maior do que qualquer outra que ambos tínhamos e além disso, ela provavelmente tinha sentimentos por mim. Convencê-la disso tudo e distanciar-me seria a coisa mais difícil que já fiz em toda a minha vida.

 

Esperei então que as aulas acabassem e fui procurá-la em sua casa, afinal, é o lugar mais provável de encontrá-la para conversar. A diferença, é que ao contrário do que eu disse para o pessoal da sala, para Kanisa eu devo e vou contar toda a verdade.

 

Não posso mentir dessa vez, na verdade ela nunca acreditaria numa mentira minha.

 

Antes de partir, eu apenas voltei ao terraço para buscar a espada aonde eu havia à escondido e coloquei-a dentro da minha mochila. Depois disso, saí correndo da escola, porque não coube por completo e não seria muito conveniente se alguém me visse com uma espada na mochila.

 

Assim que cheguei à casa de Kanisa, decidi entrar sem nem chamar, por dois motivos: primeiro que ela estava brava comigo e talvez não abrisse e segundo porque eu estava habituado a ir visitá-la. De qualquer forma, eu estava certo, ela realmente estava lá.

 

– Kanisa, desculpa aparecer assim, mas preciso conversar com você. – Depois do que havia acontecido mais cedo, eu estava com um pouco de vergonha por isso falei da forma mais calma possível, mas a verdade é que depois de ter aquela reação, ela parecia estar tão envergonhada quanto eu.

 

– … Fala logo e vai embora.

 

– Sobre o que eu te contei mais cedo, e se eu te dissesse que era tudo real?

 

– De novo isso? Você deve estar louco – disse ela tirando sarro de mim.

 

– Talvez um pouco – afinal ando falando sozinho –, na verdade nem eu sei direito se é verdade, mas irei explicar detalhadamente dessa vez. – Então contei-lhe tudo sobre as conversas com Erictónio e também sobre o que eu disse para o pessoal da sala.

 

– Tá, mas mesmo assim, como você sabe que tudo isso é real e não foi apenas um sonho? Não faz nenhum sentido, você é idiota por acreditar num son… – Nesse momento eu à interrompi.

 

– Bom, também pensei nisso, até que… – Peguei minha mochila e tirei a espada de dentro, entregando-a para Kanisa – logo após eu falar com Erictónio e voltar ao terraço, a espada que ele havia prometido me dar estava ao meu lado.

 

Após isso Kanisa ficou simplesmente sem reação, ela que até agora não havia nem se quer considerado a possibilidade de aquela história ser real, começou a ser contrariada.

 

– Caed você não está brincando comigo né? Porque se estiver…

 

– Não, é sério, eu juro! Você me conhece melhor do que ninguém e sabe muito bem quando estou falando sério.

 

– Está bem, eu posso até acreditar, mas o que você pode fazer?

 

– Bom, eu vou aceitar essa missão que Erictónio me deu, se foi algo passado para mim então é meu dever agora. Além disso, precisarei que você me ajude para que ninguém mais descubra sobre isso. Preciso que dê falsas notícias sobre mim e também…

 

– Sem chances, se existir realmente a possibilidade de você fazer isso, eu vou com você. – Ela estava até mesmo empolgada. Estranha. – O Deus disse que você pode teletransportar uma pessoa junto, certo?

 

– Hã?!… Sim, mas na verdade eu nem deveria ter lhe contado e …

 

Nesse momento, Kanisa me interrompeu colocando a espada que eu havia entregue para ela em meu pescoço e disse com firmeza – EU VOU!!!

 

E sabendo que eu não ia conseguir convencê-la do contrário acabei aceitando, com medo que ela fizesse algo com aquela espada.

 

– Está bem, está bem. Mas antes, preciso arrumar umas coisas para poder levar, assim como você também deve. Além disso, também precisará justificar o motivo de ficar fora por uns dias. Mesmo sem termos certeza se isso dará certo ou não.

 

– Nossa, isso foi muito fácil. Certeza que você já queria que eu fosse. Enfim, sem problemas, eu vou à escola agora e direi que irei viajar à estudo – Kanisa era órfã, havia perdido seus pais num acidente de carro a apenas dois anos e tinha se afastado de todos que conhecia, até que eu entrei na escola e acabei me tornando seu melhor amigo. Isso porque quando entrei, ela era a única que não andava em grupos e isso acabou nos aproximando. Após isso, ela voltou a se aproximar do resto do pessoal da sala, à mesma medida que eu ia fazendo amigos.

 

No início, após perder seus pais, ela morou com sua avó, mas logo acabou decidindo ir morar sozinha para amadurecer e tornar-se independente. Aos poucos ela foi superando essas dificuldades e tristezas, por mais que muitas vezes ela parecesse apenas esconder esses sentimentos.

 

– Bem, então nos encontramos amanhã às 9 horas, na minha casa – concluí, completamente nervoso e ansioso com tudo isso que aconteceu num só dia.

 

– Está bem. E … Caed, vai dar tudo certo, você sempre quis mudar o mundo não é? Além disso eu estarei lá haha. – Ao contrário de mim ela estava bem confiante e não duvidava nem um pouco do que eu contei.

 

Então nos despedimos e eu fui para casa arrumar as coisas que eu iria querer levar e me preparar psicologicamente para o que estava por vir. Estava parecendo que eu ia apenas fazer uma simples viagem, mas a verdade é que não era nada disso.

 

— — —

 

No dia seguinte, às 9:38 Kanisa tocou a campainha.

 

– Você está atrasada! Eu não devia ter te esperado – disse já impaciente, mas ela me ignorou.

 

Ambos parecíamos realmente prontos para uma viagem. Eu não havia preparado mala nem nada do tipo, iria levar apenas uma roupa que vestia casualmente no dia a dia com uma única diferença: junto a mim, estava pendurada em minhas costas e dentro de uma bainha de couro, a espada que ganhei de Erictónio.

 

– Gostei da espada, mas…onde está sua mala? – disse ela um tanto confusa.

 

– Estamos indo numa missão e não numa viagem a passeio, sabia? Você também deveria pegar apenas o necessário, ficar carregando uma mala só irá atrapalhar.

 

– Sério isso? Aff. – Mesmo sem gostar da ideia, ela acabou cedendo e colocando as coisas que realmente precisava, dentro da mochila que eu usava na escola e depois colocou-a em suas costas. Talvez ela estivesse me escutando apenas para eu não voltar atrás sobre levá-la comigo. – Então, o que fazemos agora?

 

– Bom, o Erictónio disse que eu só precisava me imaginar no mundo que vier a minha mente. Ontem, antes de eu ter a minha segunda conversa com ele, eu vi imagens de um mundo, mas já não me lembro muito bem do que vi. Então não sei se conse… Aaargh.

 

Nesse momento, comecei a sentir fortes dores de cabeça e em seguida, escutei uma voz – preste bastante atenção em sua visão, ela te dará informações preciosas – Logo em seguida, começou a vir imagens de um mundo à minha mente.

 

Parecia ser uma espécie de sonho com coisas, seres, lugares e objetos que eu jamais imaginei que seria possível existirem. Era um lugar lindo, o que tornava difícil de imaginar que nele não havia paz. Por fim, vi uma espada enfincada numa pedra no alto de uma montanha e logo após veio a imagem de uma pessoa, era uma jovem e bela garota, provavelmente um pouco mais nova eu, porém não consegui vê-la direito pois a imagem dela passou rapidamente e se distorceu antes da visão se encerrar.

 

A espada que vi enfincada na pedra, acredito que seja a Excalibur, talvez por isso Erictónio esteja me mandando imagens primeiramente desse mundo que segundo ele chama-se “Realm of Swords”, onde terei meu primeiro desafio para parar a guerra e trazer a paz. Fácil, fácil… Quem sabe eu volto vivo. Bom, eu só preciso me imaginar nesse mundo né.

 

– Kanisa, segure minha mão.

 

Então, demos as mãos e concentrei-me ao máximo no outro mundo, de modo que eu não esquecesse de nenhuma das imagens que vi e, logo em seguida, eu e Kanisa desaparecemos do lugar que habitávamos e fomos teletransportados para um completamente diferente, um outro mundo, uma outra dimensão, era o início da missão passada pelo Deus, era o início de uma nova vida.

 

E assim inicia-se a nossa aventura para salvar o universo.

 

 

Até o próximo capítulo *-*

Kami no Sensou – Cravo Branco (Volume 6: Prólogo)

Sem saber como reagir, Kuroshi acabou não fazendo nada até Kurona separar os lábios de ambos e se levantar.

“Ah, acabei exagerando, desculpe.”

Kurona se dirigiu até o quarto para se vestir, não era possível ver nada de onde Kuroshi estava, e ele permaneceu sentado no chão com o olhar distante.

Então realmente… Kurona…

Seu cérebro começou a voltar a funcionar. Imediatamente algumas memórias do passado vieram a sua cabeça.

Está certo… Naquela época, meus pesadelos costumavam serem centrados nela… Quando meus pesadelos com ela pararam?

Kuroshi estava se lembrando de quando chegou no Colégio Aohoshi, naquela época ele ainda tinha pesadelos que mostravam Kurona, quando ainda criança, sempre sendo morta por ele.

Era esperado, afinal, apenas pessoas importantes apareciam nesses pesadelos, não seria diferente… Com minha amiga de infância.

“Kuroshi? Ei, Kuroshi!”

A mente de Kuroshi, que vagava no passado, voltou ao presente com aquela voz nostálgica. Ele olhou para cima e viu que Kurona já estava vestida com o uniforme do Colégio Aohoshi.

“Tudo bem? Me ver foi tão chocante assim?”

Kuroshi se levantou com uma mão no rosto.

“Não, está tudo bem… Acho que não é tão surpreendente assim, mas eu não esperava te reencontrar aqui.”

“Realmente. Digamos que eu dei meu jeito, haha.”

Kurona, já arrumada, pegou sua bolsa e se dirigiu até a porta.

“Eh? Você está saindo?”

“Sim, até eu tenho o bom senso de notar seu estado, não acho que te fará bem dormir no mesmo quarto que eu hoje… Ou talvez faça, hmm… Enfim, vou dormir em um hotel hoje, depois conversamos melhor, tchau tchau, Kuroshi.”

Kurona abriu a porta.

“Kurona!”

E parou após o chamado de Kuroshi.

“… Obrigado…”

“Hm? Pelo o que?”

“Pelo aviso para ir até Julie e mostrar onde ela estava, só o seu poder seria capaz de fazer o aroma de uma flor chegar tão longe a ponto de eu sentir, certo?”

“Haha, fui descoberta? Em todo caso, que bom que acabou tudo bem. Então, estou indo.”

Sem mais nenhuma palavra, Kurona saiu e fechou a porta.

Kuroshi ficou um tempo olhando para a porta antes de ir até sua cama e deitar.

Então é por isso que as cartas que eu enviava para ela voltavam para cá… Como eu nunca percebi antes?

Kurona… Porque você voltou agora?

Sentimentos difíceis de organizam se acumularam no peito de Kuroshi. Ele ainda não sabe as motivações dela, nem se ela ficará de vez por aqui…

Kuroshi levou a mão até o peito, seu coração pulsava violentamente. Ele então levou a mão até a boca.

Mas logo depois sacudiu a cabeça para ambos os lados.

Não, não, não… Estou ficando confuso… É melhor não pensar nisso agora…

Kuroshi tentou pensar em outras coisas para esquecer o que acabou de acontecer.

Mas o que realmente vinha a sua cabeça eram memórias do passado.

Da sua infância, do início da sua adolescência.

Eu nunca a entendi completamente… Uma garota realmente misteriosa, sempre foi e pelo visto continua sendo tão enigmática quanto antes…

Mas são coisas do passado, eu decidi viver uma nova vida depois de tudo que aconteceu, e é nisso que preciso me focar agora…

Kuroshi se levantou e foi até o banheiro, chegou próximo a pia e jogou água no rosto, para assim então se olhar no espelho e—

“Huh? O que…”

Ao se olhar no espelho, ele se surpreendeu. Seu rosto estava como sempre, mas… Seus olhos estavam vermelhos. Não como “olhos vermelhos de sono” ou algo do tipo, suas pupilas estavam da cor vermelha, da mesma forma que ficam quando ele atinge 20% de poder.

Mas seu poder estava definitivamente abaixo dos 5%, então como—

Ei, Hades! O que isso significa?!

Hades? Responda!

… Nenhuma resposta, huh. O que diabos está acontecendo?

Decidindo que era melhor descansar por enquanto, Kuroshi foi se deitar.

As coisas definitivamente ficarão ruins…

Fechando os olhos, Kuroshi foi dormir com aquele pressentimento de que a tempestade estava apenas começando.

 

 

O mais belo e perfeito jardim, algo impossível para a humanidade, flores jamais antes vistas e com belezas sobrenaturais ocupavam toda a visão. O vasto céu azul oferecia luz solar por toda a área, que consistia apenas de um mar de flores.

Essas flores ficavam logo na frente de um grande portão negro e vermelho escuro, não havia muro nem nada do tipo, apenas um grande portão parado diante do jardim.

No meio do jardim, uma bela garota de longos cabelos negros dançava com os braços abertos.

Era difícil imaginar uma cena mais bela que essa, qualquer um ficaria com um sorriso no rosto ao ver algo assim.

Após um tempo dançando, a garota, Kurona, se jogou no chão, deitando no jardim.

“Kuroshi… Acho que essa é a hora perfeita para você saber toda a verdade, huh. Você vai me amar? Ou você vai me odiar?”

Kurona pegou uma flor do jardim e ameaçou começar a jogar “Bem me quer, mal me quer”.

“… Só brincando.”

Mas desistiu e colocou a flor de volta no solo, de alguma forma suas raízes se juntaram ao solo novamente.

Ela ficou séria enquanto olhava para o céu. Levantando uma das mãos na frente do seu rosto, ela cobriu parcialmente a luz solar. Uma onda de vento passava e mexia nas flores e trazia algum som para aquele mundo. Mas logo depois o vento parava e o silêncio tomava conta.

 

 

No dia seguinte. Kuroshi tinha um compromisso marcado de se encontrar com seus amigos na árvore que fica logo em frente ao edifício de ensino médio do Colégio Aohoshi. Hoje, Ryoka irá contar uma história do seu passado para todos, ou seria mais preciso dizer que é a história de Masaya?

“Kuroshi? Kuroshi!”

Enquanto caminhava em direção ao lugar indicado, Kuroshi, muito distraído, teve sua atenção chamada.

“Uh?! Ah… É você, Seira…”

Seira se aproximou por trás e lançou um olhar de curiosidade para a reação dele.

“Uhm? Estava esperando que fosse outra pessoa?”

“Er, não, só estava um pouco distraído mesmo, haha…”

“Entendo…”

Aquela resposta foi bem estranha se combinada com as reações meio sem jeito e desviando o olhar dele, mas Seira não persistiu no assunto.

Ao chegar no local, Ryoka, Masaya e Julie já estavam presentes.

Após os cumprimentos—

Ryoka começou a introdução.

“Bem, reuni todos aqui para contar uma parte do meu passado que vocês ainda não conhecem. Eu gostaria que vocês conhecessem mais sobre nossas histórias, e também me sentirei mais próxima de vocês sabendo que vocês realmente me conhecem e sabem tudo sobre mim.”

Kuroshi olhou para o chão com um olhar dolorido para as palavras de Ryoka, mas foi por apenas um instante.

“Pois então, tudo começou quando—“

E assim, uma história do passado começou a ser exposta para Kuroshi, Seira e Julie.

Kami no Sensou – Mudanças (Volume 5: Epílogo)

Os dias mais ou menos voltaram a ser como eram antes depois de tudo aquilo.

A princípio, depois da adrenalina do momento passar, Julie ficou bem constrangida de ficar perto de Kuroshi, Seira, Ryoka, Masaya ou qualquer outro dos seus amigos, apesar de ter sido uma experiência que a levou a evoluir, ainda era algo constrangedor de certa forma, mas rapidamente ela deixou isso de lado.

Em relação ao treinamento, eles continuaram treinando a terceira fase do controle de [Reisei], só que dessa vez com a Julie inclusa. Quando souberam que Julie também já tinha um bom controle sobre o [Reisei], todos ficaram surpresos, mas é possível que graças a isso ela tenha conseguido vencer a última luta.

Depois de alguns dias, as buscas de Karl, Thomas e Max geraram resultados, e eles encontraram a família de Kogane, devido ao seu nome japonês, eles puderam reduzir completamente a área de busca. Foi uma grande comoção pelas duas partes quando se reencontraram, Kogane não parecia se lembrar de nada sobre sua vida como [Avatar de Deus], apenas que se perdeu da sua família em outro país e que precisou morar na rua por muitos anos.

Tudo havia se ajeitado, e lentamente esses eventos recentes começaram a fazer parte do passado.

 

Em uma certa segunda-feira.

Na sala do conselho estudantil, um grupo de pessoas estava reunido. Mas não era o conselho estudantil atual (Kuroshi, Seira, Julie e Alicia), mas sim o grupo de sempre, com Ryoka e Masaya presentes, e Alicia ausente. Isso porque o horário de aula já havia acabado, e o forte laranja do sol se ponto atravessava as janelas da sala.

“Eeh, vocês combinaram isso?”

Julie comentou, surpresa. Ela estava sentada na cadeira do presidente do conselho estudantil, vestindo um sobretudo preto ao invés do blazer de sempre, que era uma vestimenta específica do presidente do conselho estudantil, além disso, ela estava usando óculos. Não é como se ela tivesse problemas de vista, talvez ela apenas tenha achado que pareceria mais “intelectual” dessa forma, ou talvez—

“Sim, como você estava ausente no dia, decidimos esperar você voltar.”

Ryoka respondeu, ela e Masaya vieram explicar para Julie o que tinha sido combinado enquanto ela estava fora. Que era contar toda a história que envolve o passado dos dois juntos.

Além de querer compartilhar tudo sobre si com seus amigos, havia algumas coisas que eles tinham o direito de saber.

“Ooh, entendi. E então, como vai ser?”

“Hoje já foi um dia bem cansativo, vamos combinar um outro dia, preferencialmente em um fim de semana, já que estudamos em locais diferentes.”

“Certo.”

Após tudo estar combinado, Ryoka e Masaya se despediram e todos e se retiraram.

“Vocês podem ir também, Kuroshi, Seira-senpai.”

“Uh? Você vai ficar bem terminando tudo sozinha?”

Kuroshi perguntou, preocupado. Até por fazer só alguns dias desde que tudo aquilo aconteceu, e eles estarem treinando todos os dias.

“Mas é claro! Vocês podem depender de mim, jovens!”

Levantando um punho fechado, Julie incentivou seus amigos, que por alguma razão, ambos reagiram com um olhar desacreditado.

“Sim, sim. Estamos indo então. Até amanhã, Julie.”

“Até amanhã, Julie.”

“Até amanhã, vocês dois!”

Kuroshi e Seira também se retiraram.

Ao saber que estava sozinha, Julie apoiou suas costas totalmente na cadeira e virou ela em direção as grandes janelas atrás dela, olhando a paisagem lá fora.

Um silêncio total tomou conta do lugar, sua expressão estava escondida. Alguns segundos depois, ela suspirou e virou novamente em direção a mesa.

“Hora de trabalhar!”

 

Após se despedirem de Julie, Kuroshi e Seira caminharam juntos até próximo ao dormitório feminino, onde eles se despediram. Kuroshi caminhava ao por do sol em direção ao dormitório masculino.

Contar todo o passado sobre você para seus amigos, huh…

Ele lembrava as palavras de Ryoka. O [Analyzer] é realmente uma técnica bem perigosa, Kuroshi de certa forma estava contente que Ryoka não esteja mais utilizando ela nos últimos tempos, com ela, Ryoka conseguia facilmente ver através dos outros, verdadeiramente um poder sinistro.

Me pergunto o que devo fazer.

Kuroshi parou e olhou para o céu. Um sentimento de culpa tomou conta dele naquele dia.

 

 

Mais alguns dias depois.

Após um dia cansativo de treinamento, Kuroshi voltou para o dormitório masculino. Diferente dos outros dias, Kuroshi faltou algumas aulas para ficar treinando, por isso ele estava voltando mais cedo que o normal para o seu quarto.

Ultimamente, toda vez que ficava sozinho, alguns pensamentos específicos vinham à cabeça de Kuroshi.

A conversa de depois de amanhã em que Ryoka e Masaya contarão sobre o passado deles.

Certas palavras e certos sentimentos que Seira irá eventualmente passar adiante para ele.

A razão para que tudo aquilo que aconteceu no dia do resgate de Julie fosse possível, principalmente.

Ao entrar no seu quarto, estava tudo escuro como de costume, exceto por um barulho.

Era o barulho de água caindo, que logo parou.

A luz do seu banheiro estava acesa.

Meu colega de quarto…!

Quanto tempo já faz? Desde que ele entrou no Colégio Aohoshi, ele nunca teve a chance de conhecer seu colega de quarto, quando perguntava para os outros, ninguém sabia dizer ao certo, uma situação bem estranha. É difícil imaginar que uma escola desse porte não tenha essa informação, então Kuroshi sempre suspeitou que seu colega de quarto fosse um [Avatar de Deus].

E agora, pela primeira vez, uma chance clara de descobrir quem esse cara é.

Ansiedade tomava conta de Kuroshi, ele se posicionou na frente da porta sem fazer absolutamente nenhum barulho. Certos pensamentos circulavam sua cabeça.

Será que é uma pessoa completamente normal e aleatória?

Ou talvez um [Avatar de Deus] aleatório?

Um plot twist e na verdade sempre foi o Masaya?!

Ou talvez um inimigo?

Enquanto considerava as varias possibilidades, Kuroshi aguardava. Esse evento poderia estar sendo usado por Kuroshi para esquecer das coisas que ele vinha pensando recentemente, mas de qualquer forma—

A porta se abriu.

Será que o tempo parou? Não havia mais reações, tudo estava parado, até a mente de Kuroshi parou de trabalhar, o brilho dos seus olhos desapareceu.

A pessoa na sua frente—Uma toalha enrolada no corpo, e outra secando o cabelo, uma garota. Longos e lindos cabelos negros que passavam da cintura, além de olhos profundamente negros.

Certo, numa situação normal, teriam muitas coisas para processar na cabeça de uma vez só. Primeiro o fato de uma das garotas mais bonitas já vista nesse território escolar estar só de toalha na sua frente, já que a informação que a visão fornece é geralmente o que funciona primeiro no cérebro. Segundo, ter uma garota em um quarto do dormitório masculino, que é totalmente contra as regras. Terceiro, saber como uma garota conseguiu um quarto no dormitório masculino.

No entanto, nada disso passou pela cabeça de Kuroshi naquele momento. O que realmente o deixou paralisado foi—

“Kurona?!”

A garota, que foi chamada pelo nome de Kurona, também parecia surpresa com o desenvolvimento, mas logo agiu, embora talvez não da maneira esperada.

“Kuroshi!”

Ela saltou em cima de Kuroshi, o abraçando, que em um momento de surpresa, não conseguiu manter o equilíbrio e os dois caíram. Sua mente realmente se recusava a funcionar.

Kuroshi estava basicamente sentado no chão com ela em cima dele. Colocando as mãos no ombro dele e se afastando um pouco, ela olhou diretamente nos olhos dele, nas partes mais profundas do seu ser.

“Eu queria poder olhar novamente para você assim…”

Após dizer o que queria dizer, Kurona aproximou o rosto e conectou os lábios dos dois, dando o mais sentimental beijo que poderia dar.

Uma grande mudança na situação do grupo principal estava para começar.

Eraba Remashita – (Volume 1: Capítulo 1)

Capítulo 1

O Poder Divino

 

Enquanto eu andava pelas ruas de Tóquio sem nada para fazer naquela noite um tanto peculiar, talvez por causa do ar obscuro e distorcido que havia no céu, como se o mundo estivesse sendo ligado a outra dimensão, algo aconteceu e tudo ficou escuro.

 

– Onde eu estou? O que aconteceu?

 

– Você foi o escolhido para mudar o universo e todos os mundos nele existentes – disse uma voz que vinha em meio a escuridão na qual eu me encontrava.

 

– Como assim escolhido? Você deve estar falando com a pessoa errada! Nunca fiz nada para que isso acontecesse. Espera, isso deve ser um sonho.

 

– Realmente você é um preguiçoso, porém eu venho observando atentamente este mundo, por ser o único no qual não há anomalias e estou em busca de alguém que sempre tome sábias decisões para ajudar os que necessitam – disse a voz que vinha da escuridão, cada vez mais próxima.

 

– Não achei ninguém com as características exatas que eu procurava, porém você é muito interessante garoto. Eu estive te observando e percebi que quando deseja algo, corre atrás e consegue, sempre almeja mais e mais. Porém diferente de muitos, você faz isso sem pisar em quem está a sua volta, ajuda a todos e cresce junto com eles. Acredito que se tivesse poder, nunca se contentaria com o que tem, sempre iria atrás de mais, porém você o usaria para o bem de outras pessoas. O que você não sabe é que há outros mundos além deste, que precisam de muito mais ajuda, pois vivem em guerras e assim boa parte de seus habitantes acabam morrendo. Meu objetivo é mudar esse cenário e trazer a paz, sem escolher um lado certo e sim convencendo todos a ficarem do mesmo lado – continuou.

 

– E-eu não estou entendendo direito, como isso seria possível para alguém como eu?

 

– Você entenderá assim que retornar Caed-kun. Apenas concentre-se nas imagens que em breve aparecerão em sua mente e verá a mágica acontecer.

 

– Q-quem é você? Além disso, como sabe meu nome?

 

Finalmente o dono da voz mostrou seu rosto, parecia mais jovem do que eu imaginava, devia ter no máximo uns 20 anos. Possuía cabelos bem longos e prateados e emanava uma aura calma que fazia com que parecesse a de uma divindade.

 

– Meu nome é Erictónio, sou filho de Atena e Hefesto e decidi tentar mudar o universo confiando em você para isso, antes que acabe ocorrendo a Grande Guerra, afinal, por ser um Deus, eu não posso interferir em ações humanas.

 

– Isso ainda não faz sentido algum para mim. E o que seria essa grande guerra? – Na verdade eu não sabia nem o porquê de eu estar conversando com uma ilusão.

 

– Um dia você descobrirá. Agora lhe mandarei de volta, não se esqueça do que te falei. Nos vemos em breve, conto com você – encerrou Erictónio mandando Caed de volta.

 

– Espere, me explique isso direito!

 

De repente, acordei em minha cama. Eu estava completamente suado, confuso e assustado.

 

– Isso só pode ter sido um sonho. Aliás como voltei para casa? Ah legal, agora estou falando sozinho, devo estar mesmo ficando louco.

 

Pra piorar ainda mais a situação, já é de manhã e hoje começa um ano escolar.

 

Era o início do meu segundo ano no Ensino Médio. O Colégio no qual estudo é o Gakushuin, um dos melhores de Tóquio.

 

Bom, apresentando-me, meu nome é Helik Caed e tenho 16 anos. Meu cabelo é loiro com uma grande franja e quanto a meu físico sou alto e estou em forma, mas digamos que meu estilo é um pouco diferente do dos outros daqui, talvez por eu ter nascido no Canadá, onde morei até meus 14 anos, mas sinceramente, esse meu jeito até que faz sucesso com as garotas.

 

Me mudei para o Japão através de um programa de intercâmbio, afinal sempre foi um dos meus sonhos conhecer a Terra do Sol Nascente. Após o termino do primeiro ano, eu deveria ter retornado ao Canadá, mas continuei aqui e decidi não voltar mais. Isso porque me identifiquei muito com o país e fiz diversos amigos. Além disso eu nunca havia me dado bem com minha família e eles não viram problemas quando eu pedi para ficar, apenas passaram a me mandar dinheiro para cobrir meus gastos.

 

Na escola apesar de não me esforçar muito, minhas notas sempre foram muito altas e eu me dou muito bem com todos, principalmente com as garotas, o que é ótimo.

 

Retornando, após aquela espécie de visão que eu tive, acabei não conseguindo prestar nem um pouco atenção nas aulas, a única coisa que eu queria entender o que significou tudo aquilo. Por algum motivo eu não consegui apenas deixar isso de lado.

 

PEEEEEEEENNN!!! – finalmente o sinal pro almoço.

 

– Bom dia Caed-kun – disse Hayashi Kanisa, uma linda garota de olhos azuis e cabelos castanhos e longos, além de belos seios, coisa que sempre me chamou a atenção. Ela era a minha melhor amiga desde que nos conhecemos no início do ano anterior, em parte por sermos vizinhos, mas principalmente por ela ser sido a minha primeira amiga desde que cheguei aqui. Por esse motivo, muitos achavam que tínhamos um caso, mas isso nunca havia acontecido, apesar de parecer que ela gosta de mim.

 

– Bom dia Kan-chan.

 

– Quer almoçar no terraço comigo hoje?

 

– Claro, aliás, quero te contar uma coisa.

 

Nessa hora percebi que muitos na sala começaram a olhar em minha direção. Deviam estar imaginando o que eu iria falar para Kanisa, como sempre. Então a puxei até o terraço para irmos logo, afinal eu queria muito falar sobre meu sonho.

 

– Então Caed-kun, o que você tem pra me falar? – Por algum motivo ela estava corada, além de parecer muito mais gentil do que geralmente é.

 

– Eu tive um sonho estranho essa noite e quero sua opinião. – Então ela, a garota mais bipolar que conheço e que estava toda feliz segundos atrás, parou de sorrir e me olhou com ódio. Acho, só acho, que ela esperava outra coisa.

 

Enfim, decidi não ligar muito para isso e contei tudo o que aconteceu em meu sonho, detalhadamente, afinal Kanisa era a pessoa com quem eu sempre pude contar, mas ela não parecia estar prestando atenção ao que eu dizia.

 

– Então você acha que isso possa realmente ter acontecido?

 

Nessa hora ela levantou-se olhando fixamente para mim.

 

– Idiota! – murmurou num tom triste e bravo, e foi embora sem me responder.

 

Apesar de eu imaginar o que ela esperava que eu dissesse, Kanisa era mais como uma irmã para mim.

 

Depois dessa, acho melhor eu nem voltar para a sala, não que seja apenas um motivo para matar aula nem nada, vou ficar aqui e pensar em como consertar tudo sem deixá-la triste novamente, é isso.

 

Em vez disso, acabei voltando a pensar em minha visão, quando, de repente, vieram à minha mente imagens de um lugar e de pessoas que eu nunca havia visto. Após isso escutei uma frase parecida com a que Erictónio havia dito: “Imagine-se neste local se quiser começar a mudar o universo”. Então eu comecei a me imaginar naquele local, mas acabei indo parar novamente no meio do nada e lá estava Erictónio.

 

– Você tomou a sua decisão, estou feliz, vejo que escolhi a pessoa certa. Bom, agora vou tirar aquela sua dúvida dizendo como você será capaz de mudar o mundo. Eu lhe darei todos os 3 poderes que possuo, não serão o suficiente para salvar todo o universo é claro, porém confio em você para buscar novos poderes e habilidades em outros mundos. É por isso que eu precisava de alguém que almejasse se tornar cada vez mais forte.

 

– Isso é loucura cara!

 

– Me escute e irá entender. Bom, dentre os poderes, o primeiro te tornará capaz de aprender qualquer tipo de magia ou habilidade, isso irá facilitar para que se torne cada vez mais poderoso. É o poder da cópia. Mas de qualquer forma é preciso muito treino e conhecimento para copiar cada habilidade, será um caminho árduo. Os outros mundos são repletos de seres, objetos e diversas outras coisas sobrenaturais, então você poderá aprender muitas coisas em cada lugar. O segundo, te tornará especialista no uso de algum tipo de arma que você escolher.

 

– Espera, como assim?! – A cada palavra dele, eu apenas ficava mais confuso, mas também mais convencido.

 

– Espadas, machados, lanças, arcos, armas de qualquer tipo. A escolhida será a que você dominará melhor que qualquer um.

 

– Espada. – Foi a primeira coisa que veio à minha cabeça e instantaneamente eu falei, não sei porque, mas fiquei com uma enorme vontade de ter habilidade com uma espada.

 

– Sua determinação e confiança são realmente incríveis garoto – enalteceu o jovem Deus.

 

– Calma, ainda estou confuso e sem entender direito. Pra falar a verdade, eu realmente acho que isso é apenas um sonho, mas apesar de tudo, parece legal sonhar com a possibilidade de mudar o mundo.

 

– Esse é o espírito garoto. Pra te convencer que isso é real, lhe darei uma espada feita pelo meu pai. Ela é de titânio e reforçada por garras de dragão, uma espada indestrutível e que corta tudo que vê pela frente, a melhor espada já feita dentre as armas não sagradas.

 

– Não… sagradas?! O que seriam então as sagradas?!

 

– São armas feitas para Deuses, que possuem um poder acima do normal e são capazes de matar até mesmo divindades, porém é necessário muito potencial para conseguir usufruir do poder delas, caso contrário não passarão de armas normais. Além disso elas consomem sua força vital, então é quase impossível para humanos normais dominarem-nas.

 

– Hmm… E há alguma espada sagrada?

 

– Sim, a mais forte delas é a Excalibur, assim como a da mitologia. Se você quiser obtê-la, terá um grande desafio pela frente, tanto para consegui-la, quanto para utilizá-la, mas se existe algum humano capaz disso, é você. O mundo que você viu antes de vir até mim, chama-se Realm of Swords, é onde a Excalibur se encontra.

 

– Como grande fã da mitologia, seria bem legal ter uma espada como essa em mãos.

 

– Até eu gostaria haha. Enfim garoto, o terceiro e mais importante poder, é o de se teletransportar entre mundos. Para usá-lo você precisará apenas imaginar o lugar de um mundo para o qual deseja ir e conseguirá viajar até o mesmo.

 

– Acho que tem um erro nisso. Eu não conheço outros mundos para poder imaginá-los.

 

– Se você aceitar essa missão, por meio de um tipo de telepatia, você passará a receber imagens desses lugares quando estiverem em guerras. Quero que você viaje para esses diversos mundos e busque a paz em cada um, mesmo que precise tomar medidas drásticas. Além disso, quero que se torne a pessoa mais poderosa do universo.

 

– Aliás, eu já ia me esquecendo, o terceiro poder possui algumas regras, então você deve tomar cuidado – alertou-me.

 

– E quais seriam?

 

– Primeiro, você não pode ser visto se teletransportando. Se as pessoas erradas descobrirem sobre seus poderes, precisarei retirá-los imediatamente, então caso precise contar a alguém, deve ser apenas para a pessoa em quem você mais confia. Segundo, o tempo continuará correndo onde vive, então você precisará inventar alguma desculpa para justificar sua ausência em seu mundo. Terceiro, você pode teletransportar no máximo uma pessoa com você, um número além disso lhe causaria efeitos colaterais. E por fim, quarto e mais importante, você só pode fazer dois teletransportes no mês, ida para um mundo e volta para o seu mundo, ou seja, você irá apenas a um lugar diferente por mês, entendeu?

 

– E-está bem, acho que entendi. – Por algum motivo, eu estava passando a acreditar em tudo que era dito, era tudo muito real e surreal ao mesmo tempo e não era só questão de acreditar, eu realmente queria que tudo aquilo realmente estivesse acontecendo.

 

– Muito bem, então, você irá aceitar a sua missão?

 

– Não sei. Tipo, eu quero, mas… como vou saber que tudo isso é verdade?

 

– Você entenderá assim que voltar, não se preocupe, eu te darei uma prova de que tudo isso realmente aconteceu.

 

– Ok, se eu tiver uma prova de que isso é real, irei aceitar essa missão.

 

 

Até o próximo minna ^.^

O lugar certo para quem gosta de contar histórias!